Silêncio
Infrassom
Se existe silêncio?
Sim, existe à boca fechada
na taciturnidade dos atos
E quanto ao silêncio da alma?
Quem pode responder?
O vento, no sutil movimento
desnudando a mudez
ao eriçar os pelos
da sua cútis rosada.
O silêncio que esconde
Há perigo no silêncio,
na fala que nunca cresce,
no olhar que se acomoda,
no sim que nunca desce.
A mansidão disfarça o vago,
um abismo oculto e frio,
onde a voz não faz eco
e o coração é vazio.
Aceitar o tudo sem luta,
sem sequer respirar o não,
é como caminhar nas sombras
sem saber a direção.
Quem nunca levanta a voz
nem questiona o caminho,
talvez se perca na ausência
ou se esvazie sozinho.
Medo me dá essa calma,
essa paz sem fundação,
pois no fundo do silêncio
mora a sombra da omissão.
Há indivíduos tão barulhentos que se incomodam até com o silêncio alheio, fantasiando e atribuindo perfis e tramas a quem se aquieta.
Arautos do bom senso berrando alto sua sofisticada sapiência, tão distantes dos meros comedores de feijão.
Apresentam uma utópica luta de ferro e fogo em defesa da democracia, como se fosse algo tão frágil. Ou de uma rígida ordem, como se fosse a última oportunidade que temos.
A necessidade de ser visto e ouvido explode no ego a tal ponto que embaça a visão, fazendo enxergar no mesmo balaio, do outro lado, é claro, toda sorte de ignorantes, medrosos, iludidos e homens médios ou inferiores ainda.
Mas a história é cíclica e as coisas ganham a devida direção.
Por isso, eu sigo adiante, comendo meu feijão na companhia de bons amigos enquanto exerço meu secreto sufrágio, assim previsto na Magna Carta, e observo a onda passar, porque sempre passa.
E o que ficam são as palavras ditas, a energia trabalhada, por vezes transmitida de tal forma que logo encontra as linhas de retorno ao canal transmissor. É bom estar preparado.
Por graça, há um governante em quem eu realmente confio e a quem rendo meus mais sinceros votos, o qual também atende pelo nome de Tempo, justo e sóbrio Mestre.
E, no momento da despedida,
a emoção tomou
contada razão...
o silêncio pairou no ar...
os olhos marejaram...
só saiu,
bem baixinho,
a frase:
"ESTOU COM SAUDADE!
Versos tecidos no silêncio
Quantas horas leva alguém para se tornar expert em um assunto?
Foram milhares as horas que dediquei ao meu silêncio.
Hoje, é a língua na qual possuo maior fluência.
Aprendi a escutar o tempo,
a respirar o compasso de cada segundo.
Ao respeitar sua dança, percebi:
o silêncio não é ausência,
mas uma fonte infinita de compreensão.
No silêncio, as palavras ganham novos contornos,
como se cada sílaba fosse esculpida pela quietude.
A ausência de som cria melodias invisíveis,
e os sentimentos nascem, livres,
sem a limitação da fala.
Uma sinfonia espacial.
Descobri que, quando a boca cala,
outros sentidos florescem.
Os olhos traduzem o que os lábios calam,
o olfato beija o tato,
e os ouvidos, ah, eles leem o murmúrio do mundo.
Na quietude, encontrei a língua do sentir.
Foi assim que fiz poesias com meus sentidos.
Procure não divulgar seus projetos embrionários. É importante que você saiba
que nem todos querem que você obtenha sucesso. Até porque o sucesso destes depende de sua contínua servidão.
“O poeta escreve pra si.
Foi assim que compus meus silêncios.
Na letra exponho meus estados.
Lá não tenho armaduras.
Não tenho pele.
Tudo que me toca, toca no osso.
Tudo é letal.
Quem me lê, vê que oscilo do incrivelmente feliz para o dramaticamente melancólico.
Sinto, e muito!
Viver, para mim, está intrinsecamente ligado ao sentir.
Quem não sente, não pode estar realmente vivo.
Noto que habito numa terra povoada por zumbis.”
Quantas horas alguém leva para ser expert num assunto?
Foram milhares as horas que dediquei ao meu silêncio.
Hoje é a língua que possuo maior fluência.
Descobri que quando a boca cala outros sentidos se sobressaem.
Os olhos começam a traduzir os lábios,
o olfato passa a beijar o tato,
os ouvidos leem a voz.
Foi assim que fiz poesia meus sentidos.
"A alegria é a principal responsável pelo fim das coisas prematuras, pois envaidece e expõe, quando deveria guardar e proteger."
"Deus é afônico.
Nos acostumamos a preencher nosso silêncio e atribuir todo o ruído a ele.
Nosso contato com o divino deve ser uma linda conversa inaudível!."
O amor, por mais forte que seja precisa alimentar-se de palavras doces,de grandes gestos,atitudes,para sobreviver ao tempo.O silêncio,tem a capacidade de destruir as coisas boas da vida.Porque o amor,precisa de amor para viver.
Ha palavras que precisam ser ditas, outras não. Sendo assim, o silêncio vale mais do que milhões de palavras.
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