Seus Olhos Verde Mar
O abraço é o lugar que procuramos para colocar os nossos cansaços. Nele nossos olhos se fecham e é ali dentro que tudo acontece. Nossas alegrias desabrocham, o sorriso se manifesta e tudo que nos incomodava, o esquecimento leva. É dentro do abraço que nos tornamos um só. Os corpos se desejam, as mãos deslizam e tudo se torna seguro. Dentro do abraço tudo é quente é confortante.
Amadurecemos quando percebemos que a distância ficou um tanto longe e a saudade nos abraçou forte. Às vezes o que emana dos nossos olhos são os sentimentos fortes que plantamos dentro de nós.
Desejo me apaixonar e afastar todos os dias o que refletir a expressão do teu olhar.
Um dia de cada vez.
Procurei uma poesia sobre olhos para te dizer como me encanta teu olhar.
Como não achei nada, fechei os meus, com o coração resolvi essa aqui em palavras expressar.
Te enxerguei um oceano profundo e lindo mesmo você insistindo que dessas águas nada tem para pescar.
Feliz me encontro, em descobrir o brilho do céu estrelado que é seu olhar.
Me persegues no infinito, além do oceano pertinho do mar.
Não te prometo nada, minha carne se tornou ingrata, sua doçura poderia me adoçar?
Estamos todos a deriva? venha se quiser me acompanhar.
No final, aqui não somos nada. Somente um continente de dúvidas em um mar de ilusões turbulentas para mergulhar.
A chama que brilha nos teus olhos é um vestígio distante da luz que já adormeceu na sua origem ancestral.
Minha dádiva
Linda e feliz vindo ao meu encontro toda espirituosa e misteriosa, espelhando vitalidade e alegria,
Seus olhos por vezes azul, por vezes verde, a luz do sol te acompanha dando o brilho certo com tons de prosperidade,
Ao se aproximar, observo a beleza estonteante do teu vestido vermelho delineando o teu belo corpo, percebo então a grandiosa responsabilidade de cuidar do meu maior presente dado por Deus.
No piscar dos olhos
Tudo passa tão rápido, não importa se alguns estão andando ou vagando pelo tempo, estranhamente os giros e o ritmo descompassado de como as coisas acontecem, tem nos devorado impiedosamente.Prefiro não confiar nos meus olhos, temo que tudo seja verdadeiramente passageiro.
Eu vi...
E quando me perguntastes o que eu via no teu olhar quando estávamos sentados no balneário da cidade,
ficastes surpresa quando eu respondi que eu estava enxergando apenas eu em plena felicidade no presente e no futuro no reflexo dos teus belos olhos castanhos escuros.
As lágrimas do poeta escrevem o seu ser.
Elas fazem do menino o homem ancião.
Criam momentos que se imortalizarão.
E vestem de azul os negros olhos de minha escuridão.
O OLHAR
A forma que cada olhar me vê, muda as minhas expressões.
O olhar é suficientemente poderoso para assustar ou encantar.
O olhar pode paralisar ou pode potencializar a ação ou ainda
A energia vital do alvo dessa minha apreciação.
O olhar tem poder, observe sua força e perceberá
Que tem mais força em certos olhares
Do que inúmeras palavras cunhadas em obras literárias.
A forma como nos olham é definitivo para o amor nascer.
Dependendo do olhar posso mal enxergar o poema
Ou posso sucumbir, cair em depressão ou naufragar.
Dependendo do olhar posso empolgar-me a escrever versos
Dependendo do olhar eu posso voar pelo universo.
A Natureza sempre
manda o seu recado,
O peixe Quatro-Olhos
nasceu para lembrar
quem na vida nasceu
com dois olhos deve
aprender a ter cuidado
constante e redobrado.
O sol vai escondendo-se sem pressa
Nada muda além de nós
E ainda que os olhos fechem
Sou sol adormecer.
"...Poucas coisas me pertencem.
Os olhos que me deixaste na sombra.
Aquele beijo soprado no eclipse.
O dia em que te bordei em meu peito.
Poucas coisas me seguem.
A estrada em que teus pés me nasceram.
Tua voz chamando quando eu amanheço,
Com a memória acessa de tuas mãos..."
Carlos Daniel Dojja
In Fragmento Poema Inventário
Das Grandezas
Gosto do tamanho de algumas coisas.
O voo de uma borboleta ao entardecer.
O pouso do pássaro num raio de sol.
Teus pequenos passos dançando na terra.
Uma gota despindo-se numa flor.
Aquela brisa que umedeceu teu beijo.
O olhar que perpetrou a sombra.
A última cantiga deixada na noite.
Em não me querendo modesto, a deslumbrar dimensões,
Não faço apologia da métrica ínfima.
Meço-me pelo sentir desterrado.
O que me segue, cabe em meu sonhar a andar.
Minha sensação de grandeza se emaranha de singelezas.
Como a memória da água, por entre rios, a retornar a nascente.
Como quando nos sabemos finitos, refazendo-nos começos.
E se é tão grande, como os olhos que se traduzem no peito.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Chá com os Poetas e a Moça Bonita
Quando ainda não vinha a noite,
Camões adentrou sobressaltado.
Tinha visto na Caravela,
O mar inteiro lamuriar-se.
Deixavam, pois, como aferira,
restos de tudo a enturvar as águas.
Logo em frente estava Quintana,
vindo de longe no vagão de um trem,
a confabular com uma andorinha,
que em frase pausada silabava:
- No ar há tanta fumaça,
que nem se pode mais voar sozinha.
Enquanto se aguardava o Mia
a descrever Um Rio Chamado Tempo,
perceberam Shakespeare acomodar-se,
frente ao sol que já não se via,
proclamando sem muito assombro:
- Falta humano no divino, mais virtude no humano.
O saber não deve destruir a vida,
feito punhal a ferir o coração dos homens.
Escutaram-se ruídos vários, ao ouvir-se o abrir de portas.
Era Pessoa com Ricardo junto com os demais heterônimos.
Todos apóstolos frente ao pão, resolveram recitar Drummond,
que bem se diga, já havia previamente antecipado:
- Saí cedo de Itabira, vou embora para Pasárgada.
Quem sabe acho Bandeira, coberto num trono de palavras.
Neste instante chegou Vinícius e sua elegante diplomacia.
Asseverou solenemente. Trouxe-lhes taças e o vinho.
Não lhes privei do chá inglês, mas devem considerar com atenção.
Melhor é sorver o sentir com um espumante entre as mãos.
Já não se sabia mais as horas. O ar estava em cantoria.
A moça junto à janela que as primeiras letras fazia,
das palavras guardava afeto para se doar em cada livro.
Foi dela a sugestão que cada um deixasse de si, apenas um verso transcrito.
Eu, mero assistente, por obra de atrevimento, também fiz provocação.
Por que não escrever os poemas em simples folhas de pipas.
Soltaríamos as Pandorgas em cada um dos cantos do mundo.
E poderiam as mesmas se irem a procurar um novo dia.
Prontamente Camões assinalou:
"...Da alma e de quanto tiver,
quero que me despojeis,
contanto que me deixeis,
os olhos para vos ver.."
Em seguida chegou-se Mia a sentenciar num repente:
"... Deixo a paciência dos rios,
mas não levo,
mapa nem bússola,
porque andei sempre,
sobre meus pés,
e doeu-me às vezes viver.
Hei de inventar,
um verso que vos faça justiça".
Quintana com seu sotaque ergueu-se com voz doce e macia, a reverberar clarividente:
" ... Porque o tempo é uma invenção da morte:
Não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia,
para nos dar a eternidade inteira..."
Vinicius após servir o vinho, pediu um aparte.
Moça com perfume de flor, por favor, escreva para mim:
"... A coisa mais bonita,
que há no mundo,
é viver cada segundo,
como se não fosse o fim..."
Alberto, ao lado de Pessoa, também se pronunciou:
"...Mesmo que o pão seja caro
e a liberdade pequena,
sei que a vida vale a pena,
quando a alma não é pequena.."
Já se adentrava a noite alta e as pandorgas versos partiam.
Foi quando fitei a moça que de olhos gris se vestia.
Então clamei a ela, antes que também se retirasse:
Agora que a lua cheia chegou,
como teus olhos em ternura,
borda-me entre o céu e a tua boca,
numa indelével tecitura.
A moça nada me disse, repousou na minha face.
Por ali ficamos embebidos de poetamento,
como se por um breve instante,
tivéssemos tocado o infinito.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas Para Crianças Crescidas
TRADUÇÃO
"...Teu afeto agregou-se.
Extingui superfícies.
Ancorei-me de cumplicidades.
Mudei-me.
Aprendi a ver com as mãos,
E a tocar com os olhos..."
Naquela Noite
Naquela noite,
quando estavas adormecida,
acordastes a grafia,
escavada em minha voz.
Teu corpo acolhido no azul das vestes,
como se estendido sobre um mar de recolhimento.
Tua procura desnuda sobre a minha.
Teus pés e braços, serenados a espera.
Só teus olhos,
ancorados em tua face,
e em mim, faróis abertos,
a percorrer o infindo.
Carlos Daniel Dojja
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