Sentada
A gentileza nem sempre está sentada à frente, mesmo assim, te dou direção pra nortear muitas frentes.
[...] Sentada em um canto qualquer... Me vi a imaginar...
Sou viajante no tempo...
Pouco, posso entender.
Não quero muita coisa. Só quero passar neste tempo e, retornar para casa...
Quero me refrescar nas melodias desse tempo e, me enxugar nas confissões dos tempos.
Deixa eu voltar para casa... Pois, o amor perdeu a razão.
Irei mergulhar em um profundo sonho agora.... Posso não acordar neste tempo. Mas, tudo bem... Já vivi as primaveras contadas para mim.
Oh... Meu anjo...
Simplesmente... Vou viajar em um sonho.
Ela encontrava-se sentada na cadeira branca que tinhas os braços unindo-se as costas e havia colocado-a perto do aparador. A perna direita servia de apoio para o caderno enquanto a outra passava por baixo desta e as pontas dos pés repousavam sobre o móvel.
O lápis corria preciso sobre o papel. Os longos cabelos cor de cobre caiam de maneira desordenada sobre seus ombros e ela sorria sozinha à medida que o desenho tomava forma. Nem percebeu a hora passar e só deu-se conta do quão tarde era, quando os raios de sol iluminaram o desenho.
Sorriu mais uma vez ao olhar a obra agora pronta. Era ele. Deitado em sua cama, adormecido. Era só um desenho, um desejo. Apesar da perfeição dos detalhes, da maneira que a coberta enroscava-se na perna dele, da mexa fora do fluxo no travesseiro, ele nunca estivera naquela cama, nem em nenhum outro canto daquela casa a não ser dentro dela.
A primeira vez que eu a vi, ela estava sentada na grade de proteção da varanda do apartamento ao lado do meu. Com as pernas para o lado de fora, segurando-se com a pontas dos dedos e inclinada para a frente, como se procurasse por algo no chão que se encontrava vários metros abaixo. Os fios soltos do cabelo esvoaçavam e ela mais parecia uma estatua posta em um lugar incomum do que alguém de carne e osso.
Pensei que ela fosse pular. Quis dizer para não fazer isso, quis puxar assunto e fazer com ela saísse dali. Mas tudo o que fiz foi ficar olhando-a quieto do canto da minha varanda. E essa foi a primeira vez que a deixei morrer.
(...) Ela o esperava sentada numa cadeira branca, entalhada em ferro batido, com desenhos vitorianos assimétricos nos pés. Em cima da mesa, uma xícara branca de café soltava fumaça em caracol. Aos seus pés, vários pombos de diferentes cores brigavam por migalhas de torradas caídas no chão. Se ouvia ao fundo "Charles Azsnavour" cantando uma versão doce de "La Bohème", enquanto ela observava o Arco do Triunfo e os inúmeros carros que cruzavam a Champs-Élysées. Ela olhava o relógio e nele marcava 18 horas. Ela começou a sentir um frio que vinha de dentro e que lhe atravessava a espinha. Faltava pouco, ela pensou. Abriu sua bolsa, retirou um batom, um pequeno espelho, e enquanto olhava seus lábios através dele, seus olhos, de relance, viram um moço usando uma calça jeans e uma camisa bege vindo de longe, olhando firmemente na sua direção. Seu corpo se arrepiou, seu coração bateu forte, um suor nas mãos pelo excesso de nervosismo. Ele carregava em suas mãos um buquê de margaridas coloridas, e nos olhos toda altivez de um encontro aguardado há anos. Seus passos eram apressados e podia ser ouvido de longe o barulho de seus tênis azuis tocando o chão da calçada. Era ele, tinha de ser ele, ela pensou. De repente, ele parou na sua frente e disse:
_Tá me esperando há muito tempo?
E ela, com olhos parados no tempo, um nó na garganta e com um doce sorriso nos lábios, disse:
_ A minha vida toda.
Ricardo F.
Theodora estava sentada no fundo, sendo ignorada por todos, menos pelo professor de português, que esperava dela respostas para a maioria de suas perguntas, mas hoje não era o dia. E uma das poucas pessoas que via isso em seus olhos era eu professor, ele sabia respeitar espaços.
Enquanto as coisas aconteciam, ela viajava. Ia para um lugar só dela, onde ela conseguia reproduzir o que quisesse. Ia para o seu íntimo, e imaginava ele lá. Sentado no sofá vendo televisão, ou deitado na cama em frente ao notebook. Aquele cara era a razão dos seus suspiros apaixonados nos últimos tempos. Por falar em tempo, quanto tempo fazia que ela não via aquele rosto. Era o mais lindo dos rostos que ela havia visto em toda vida.
Vagava um pouco mais fundo e imaginava a luz do sol entrando pelas janelas da sala de estar ou do quarto. Janelas que ela só conhecia por fotografias, mas que conhecia, e ajudavam a manter vivo em sua mente aquela pele morena recebendo luz do sol e irradiando brilho. Havia esquecido a voz dele, e detestava isso. Chorava de raiva por ter esquecido, e por ter uma mente tão falha.
Vou ficar aqui, sentada às margens dos teus olhos
viajando pelas galáxias onde o seu olhar faz morada."
E na tarde de domingo a menina fica sentada na janela, vendo a chuva caindo, e pensando em seu amor.
Quem será o seu amor?
De onde virá o seu amor?
Ela abaixa a cabeça, a lágrima cai e sorri.
E descobre que o amor vem dela própria.
O amor que ela sente dentro dela, é o amor dela,
o amor que ela quer dividir com alguém, mesmo quando esse alguém não está disposto a aceitar.
Mas, mesmo assim ela sorri e fica feliz, pois o amor é dela, e ninguém pode tirar.
[...] Mas se ficar sentada esperando tudo ser perfeito, a vida vai passar por você enquanto toma sorvete de pijama.
MEU MAR
Me peguei olhando fixamente para o mar, fiquei horas ali sentada, parada como se nada existisse, aquele momento ondas se aproximaram chegando cada vez mais perto, como se o mar quisesse me tomar, o vento soprou em meus ouvidos tinha algo a me falar, fiquei em êxtase, meus olhos apontam uma só direção de tal maneira que perdi o domínio do meu ser, eu já não existia mais ali, mar extremo que inunda minha visão em seus horizontes, esse mar que me atraiu é o mesmo que os meus olhos hipnotizou.
A SERTANEJA
A mulher sentada no chão de terra batida, tem em seus braços magros uma pequena criança inerte.
Ao seu lado, apertando um dos seios murchos e ressecados de sua mãe, um menino espera por um leite que não virá.
O sol escaldante turva a visão e confunde o raciocínio.
A sertaneja observa o horizonte desolada, não sabe o que fazer, e ainda que soubesse, não teria forças para executar.
As moscas rondam insistentes, e na porta da casa de taipa, urubus espreitam um possível jantar.
A morte ronda silenciosa.
O olhar da mãe volta-se para o pequeno ser em seus braços.
ESTÁ MORTO!
Não suportou a dureza da seca, mais um que a fome levou.
Lembro-me da minha mãe fumando seu cigarro sentada próxima a janela, olhar distante, perdida em pensamentos, imersa em um mundo secreto, lembro-me de observa-la e procurar no horizonte o que prendia a atenção de seus olhos, lembro-me da voz de Roberto de fundo se fazendo presente, lembro-me de querer compreender aquele silencio que emanava dela, lembro-me que seu silencio me deixava irrequieta. Hoje olhei para ela novamente e consegui vê aquela mesma mulher de 15 anos atrás, vi em seu rosto as marcas deixadas pelo tempo, vi o mesmo olhar distante, em sua cadeira próxima a janela, a voz de Roberto ainda presente, era como voltar ao tempo à diferença é que a olhei e vi que ela não estava ali por obrigação ou arrependimento, mas somente perdida em memórias de um tempo além da janela.
A garota
Ali está uma garotinha sentada, olhando para o ceú. Alguns discordam e dizem: Já é uma mulher!
Mas ela sabe que essa mulher nunca esteve dentro dela. Elas foram destinadas a se desencontrarem na semana de seu aniversário de 11 anos.
Ela está ali sozinha, no escuro. Por mais solitário que seja, a imensidão do ceú lhe acalma.
E aquela estrela brilhante, afastada das outras é sua amiga. Para ela que é contado toda a sua dor.
A dor de querer algo que não se sabe ao certo o que é. Pois como saber o que se quer quando nunca se teve algo?
Essa dor que ela esconde com um sorriso, vai embora toda vez q lhe tocam a ferida...Seus 11 anos incompletos.
Se passam horas, e a garotinha ainda está lá. No fundo invejando sua amiga. Pois melhor estar sozinha no céu do que aqui, onde ela está à observar.
"Estava eu sentada no sofá, tão em paz quanto as águas de um lago; logo veio você em meus pensamentos, e eu sem saber o que fazer apenas deixei que a linda lembrança de seu sorriso fosse embora como uma estrela cadente, que passa tão rápido e que pode transformar um lindo desejo mais rápido ainda; mais você tão radiante não quis ir embora de mim, pediu pra ficar pois por mais que não sabia o que sentia sabia que no fundo era amor, mais que amor é esse que faz agente brigar como duas crianças, que amor é esse que faz a pessoa ser orgulhosa a ponto de não admitir que esta com ciumes, mais que amor é esse ? tão rápido, tão radiante, um amor escondido claro jamis declarado á ninguém, que amor é esse que faz você mentir como se quisesse se livrar mais sabendo que mesmo se livrando vai sempre querer me amar. Esse é o nosso amor mesmo sem entender, mesmo sem logica, mesmo sem rumo e mesmo sem perfeição, sabe por que ? por que o amor é assim não sabemos, não sentimos, não gostamos no começo, sempre se machucamos, vivemos ele sem rumo algum, mas o mais emocionante de amar é sentir borboletas no estomago."
A criança, sentada na cadeira enorme para seu tamanho , tenta em vão tocar o chão com os pés .
Não tenha pressa pequeno !
Quando crescer, nós, adultos chatos, iremos te obrigar a ter sempre os pés no chão .
o circo já está armado, os palhaços já estão se apresentando, e eu estou aqui sentada na arquibancada só assistindo o espetáculo, no final do show quem rir sou EU!!!
Talvez ela não esteja interessada, não queira que o amor chegue, talvez ficar sentada seja menos doloroso. Talvez ela tenha medo, arregou, roeu a corda. Talvez ela espere por alguém que não chegará.
Talvez goste de alguém, que como de costume não pode corresponder por motivos óbvios, como a falta de interesses, excesso de gordura abdominal, ou ela é chata demais, tem manias esquisitas.
Talvez esse alguém tenha razão, quem sabe ela mereça ficar ali, plantada feito uma árvore, ou talvez ela goste mesmo de idiotas, sei lá.
Pensando em você a noite viajo pelo espaço, sentada a beira de um riacho, vejo as estrelas no céu, enquanto a lagrima rola em minha face e transborda pelos olhos de saudades de você
"E pensar que o amei, o esperei por vários
dias, sem nenhuma resposta. Sempre sentada
em meu quarto, lembrava de você, sonhava
com você...Até que um dia, acordei e pensei:
-Não posso mais ficar aqui, te esperando meu
amor, tenho uma vida pela frente. E de hoje
em diante é essa a minha decisão, viver,
somente viver."
