Sentada
Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara
Para cantar
Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro
Ela é tão bonita ao relento
Inesgotável
É tão leve como um cisne em pensamento
E está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo
Sei que não posso chamá-la das margens
E eu choro.
Sentada, na mesa, estudando,
A tristeza me toma,
A alegria me abandona
E eu choro.
Estudando, soluçando, na mesa,
O anjo da minha vida me liga,
Me dá um frio na barriga
E eu choro.
Na mesa, estudando, aos prantos,
Reflito...
O que está acontecendo comigo?
E eu choro.
Iludida com o passar desses 5 meses,
Jurava que já tinha te esquecido,
Que não mexias mais comigo...
E desiludida, eu choro.
Choro de novo.
E de novo,
Eu choro.
Choro por lembrar da tua existência.
Choro por lembrar do teu sorriso.
Choro por lembrar da tua inteligência.
E o quanto és insubstituível.
Choro pelas vezes que te ignorei.
Choro pelas vezes que dissimulei.
Choro pelas vezes que não me entreguei
E, sem motivos, me afastei.
Choro por não te ver mais.
Choro por te querer ainda.
Choro por não ter corrido atrás.
Choro por não conseguir te tirar da minha vida.
Eu ainda te amo,
E você nem sabe disso.
Eu ainda te espero,
E você nem sonha com isso.
Eu ainda te quero,
E você nem acredita mais nisso.
Choro de novo.
E de novo,
Eu choro.
Por você,
Por mim,
Por nós...
Eu choro.
Declaração
Sentada aqui,
Tomando café,
Escutando Chicão
E com você no coração.
Não posso negar,
Eu amo você.
Você é meu ar,
Minha razão de viver.
Eu tento negar,
Eu tento esconder,
Mas não dá disfarçar,
Eu só penso em você.
Não tenho coragem de te dizer,
Não tenho coragem de me declarar,
Mas esse amor platônico está tão definitivo
Que eu não sei se será capaz de acabar.
Você pode até duvidar,
Mas é a mais pura verdade,
Vou te dizer com todas as letras:
EU TE AMO
E essa é a minha realidade.
Sentada no bosque
Sentada no bosque ela sonhava
Com seu amor perfeito
Sorrindo ela o desejava e esperava
Imaginando como seria o momento de sua chegada
Não aguardava um príncipe encantado
Tampouco um ser abastado
Somente alguém a suprir sua necessidade
Única e singela, de amar e ser amada pela eternidade
O romântico lírico e poético
Afável, gentil e rodeado de afeto
A quem mantivesse a chama da paixão sempre acesa
Onde estivesse se inflama a cópula em mente e essência
Sentada no bosque ela sonhava e sorria
Entrelaçando seu dedo sob seus belos e cacheados cabelos
Pela face expressando ternura e devaneio
Neste sonho acreditando com fissura e anseio
Sentada no bosque ela sonhava...
Pobre menina, iludida ela fantasiava
Até o bosque foste fruto de sua imaginação
Necessidade de suprir esta forte frustração
Debruçada em um lugar sem vida
Com as mãos a cobrir seu rosto e sua vista
Ela chorava e se agonizava
Perdida entre árvores mortas e rondada por corvos
Vagando sob esperança mórbida e inalcançável
Ai que dó, ai que dó
Quem dera eu munido de tudo aquilo que ela tanto almeja
Fosse seu bem-amado a dar-te todo romantismo e beleza
Pena isso estar bem distante do que conhecemos como realidade
Lamentas meu ser pois é constante o apuro de ocultar este romancismo desprezível e incompreendido
E caminhar aflito na alma por estas ruas de crua veracidade e benevolência ignorada
O silêncio
Nesse momento sentada aqui sozinha pensando em mil coisas, estou com a cabeça cheia,mas tenho um vazio na alma
Um vazio que nada se preenche
Nesse instante não vejo motivo para continuar
O chão saiu dos meus pés,e a solidão tomou conta do meu ser
Queria agora,que tudo se transformace como em contos de fadas
Que em um piscar de olhos um sorriso tomasse conta do meu rosto e a felicidade entrasse de vez em minha alma
E tornasse tudo diferente e
apagar de vez da minha vida esse sentimento de desilusão.
Mas, a vida continua e em meio a esse pranto que desse sobre meu rosto, uma lágrima de esperança molha meu rosto e sussurra pra mim não desista.
TU
Te vejo...
Te vejo sentada ao meu lado...
E isso me trás raiva...
Eu fico louca...
Por ter tua boca tão perto da minha...
E ao mesmo instante tão longe...
Eu perco os sentidos...
Por ter teu corpo, mesmo não tocando no meu, perto o suficiente pra sentir o calor que emana dele...
Me fazendo suspirar involuntariamente, querendo sentir cada vez mais teu calor...
Sentada, no banco de concreto mais frio do universo, me senti a mais idiota e vulnerável garota.
Como você pôde ser tão insensível?
Como dizer que não me veria, depois de tanta coisa ter acontecido nesses 4 meses?
Ai compreendi.
Você nunca falou sério.
Nunca fui a sua princesa.
Era mais uma.
Uma qualquer.
Uma tola menina que dedicou horas do seu dia para alguém incerto.
Voltando para casa, pensei:
"um dia isso será apenas uma lembrança."
A gentileza nem sempre está sentada à frente, mesmo assim, te dou direção pra nortear muitas frentes.
[...] Sentada em um canto qualquer... Me vi a imaginar...
Sou viajante no tempo...
Pouco, posso entender.
Não quero muita coisa. Só quero passar neste tempo e, retornar para casa...
Quero me refrescar nas melodias desse tempo e, me enxugar nas confissões dos tempos.
Deixa eu voltar para casa... Pois, o amor perdeu a razão.
Irei mergulhar em um profundo sonho agora.... Posso não acordar neste tempo. Mas, tudo bem... Já vivi as primaveras contadas para mim.
Oh... Meu anjo...
Simplesmente... Vou viajar em um sonho.
Ela encontrava-se sentada na cadeira branca que tinhas os braços unindo-se as costas e havia colocado-a perto do aparador. A perna direita servia de apoio para o caderno enquanto a outra passava por baixo desta e as pontas dos pés repousavam sobre o móvel.
O lápis corria preciso sobre o papel. Os longos cabelos cor de cobre caiam de maneira desordenada sobre seus ombros e ela sorria sozinha à medida que o desenho tomava forma. Nem percebeu a hora passar e só deu-se conta do quão tarde era, quando os raios de sol iluminaram o desenho.
Sorriu mais uma vez ao olhar a obra agora pronta. Era ele. Deitado em sua cama, adormecido. Era só um desenho, um desejo. Apesar da perfeição dos detalhes, da maneira que a coberta enroscava-se na perna dele, da mexa fora do fluxo no travesseiro, ele nunca estivera naquela cama, nem em nenhum outro canto daquela casa a não ser dentro dela.
A primeira vez que eu a vi, ela estava sentada na grade de proteção da varanda do apartamento ao lado do meu. Com as pernas para o lado de fora, segurando-se com a pontas dos dedos e inclinada para a frente, como se procurasse por algo no chão que se encontrava vários metros abaixo. Os fios soltos do cabelo esvoaçavam e ela mais parecia uma estatua posta em um lugar incomum do que alguém de carne e osso.
Pensei que ela fosse pular. Quis dizer para não fazer isso, quis puxar assunto e fazer com ela saísse dali. Mas tudo o que fiz foi ficar olhando-a quieto do canto da minha varanda. E essa foi a primeira vez que a deixei morrer.
(...) Ela o esperava sentada numa cadeira branca, entalhada em ferro batido, com desenhos vitorianos assimétricos nos pés. Em cima da mesa, uma xícara branca de café soltava fumaça em caracol. Aos seus pés, vários pombos de diferentes cores brigavam por migalhas de torradas caídas no chão. Se ouvia ao fundo "Charles Azsnavour" cantando uma versão doce de "La Bohème", enquanto ela observava o Arco do Triunfo e os inúmeros carros que cruzavam a Champs-Élysées. Ela olhava o relógio e nele marcava 18 horas. Ela começou a sentir um frio que vinha de dentro e que lhe atravessava a espinha. Faltava pouco, ela pensou. Abriu sua bolsa, retirou um batom, um pequeno espelho, e enquanto olhava seus lábios através dele, seus olhos, de relance, viram um moço usando uma calça jeans e uma camisa bege vindo de longe, olhando firmemente na sua direção. Seu corpo se arrepiou, seu coração bateu forte, um suor nas mãos pelo excesso de nervosismo. Ele carregava em suas mãos um buquê de margaridas coloridas, e nos olhos toda altivez de um encontro aguardado há anos. Seus passos eram apressados e podia ser ouvido de longe o barulho de seus tênis azuis tocando o chão da calçada. Era ele, tinha de ser ele, ela pensou. De repente, ele parou na sua frente e disse:
_Tá me esperando há muito tempo?
E ela, com olhos parados no tempo, um nó na garganta e com um doce sorriso nos lábios, disse:
_ A minha vida toda.
Ricardo F.
Theodora estava sentada no fundo, sendo ignorada por todos, menos pelo professor de português, que esperava dela respostas para a maioria de suas perguntas, mas hoje não era o dia. E uma das poucas pessoas que via isso em seus olhos era eu professor, ele sabia respeitar espaços.
Enquanto as coisas aconteciam, ela viajava. Ia para um lugar só dela, onde ela conseguia reproduzir o que quisesse. Ia para o seu íntimo, e imaginava ele lá. Sentado no sofá vendo televisão, ou deitado na cama em frente ao notebook. Aquele cara era a razão dos seus suspiros apaixonados nos últimos tempos. Por falar em tempo, quanto tempo fazia que ela não via aquele rosto. Era o mais lindo dos rostos que ela havia visto em toda vida.
Vagava um pouco mais fundo e imaginava a luz do sol entrando pelas janelas da sala de estar ou do quarto. Janelas que ela só conhecia por fotografias, mas que conhecia, e ajudavam a manter vivo em sua mente aquela pele morena recebendo luz do sol e irradiando brilho. Havia esquecido a voz dele, e detestava isso. Chorava de raiva por ter esquecido, e por ter uma mente tão falha.
Vou ficar aqui, sentada às margens dos teus olhos
viajando pelas galáxias onde o seu olhar faz morada."
E na tarde de domingo a menina fica sentada na janela, vendo a chuva caindo, e pensando em seu amor.
Quem será o seu amor?
De onde virá o seu amor?
Ela abaixa a cabeça, a lágrima cai e sorri.
E descobre que o amor vem dela própria.
O amor que ela sente dentro dela, é o amor dela,
o amor que ela quer dividir com alguém, mesmo quando esse alguém não está disposto a aceitar.
Mas, mesmo assim ela sorri e fica feliz, pois o amor é dela, e ninguém pode tirar.
[...] Mas se ficar sentada esperando tudo ser perfeito, a vida vai passar por você enquanto toma sorvete de pijama.
MEU MAR
Me peguei olhando fixamente para o mar, fiquei horas ali sentada, parada como se nada existisse, aquele momento ondas se aproximaram chegando cada vez mais perto, como se o mar quisesse me tomar, o vento soprou em meus ouvidos tinha algo a me falar, fiquei em êxtase, meus olhos apontam uma só direção de tal maneira que perdi o domínio do meu ser, eu já não existia mais ali, mar extremo que inunda minha visão em seus horizontes, esse mar que me atraiu é o mesmo que os meus olhos hipnotizou.
A SERTANEJA
A mulher sentada no chão de terra batida, tem em seus braços magros uma pequena criança inerte.
Ao seu lado, apertando um dos seios murchos e ressecados de sua mãe, um menino espera por um leite que não virá.
O sol escaldante turva a visão e confunde o raciocínio.
A sertaneja observa o horizonte desolada, não sabe o que fazer, e ainda que soubesse, não teria forças para executar.
As moscas rondam insistentes, e na porta da casa de taipa, urubus espreitam um possível jantar.
A morte ronda silenciosa.
O olhar da mãe volta-se para o pequeno ser em seus braços.
ESTÁ MORTO!
Não suportou a dureza da seca, mais um que a fome levou.
Lembro-me da minha mãe fumando seu cigarro sentada próxima a janela, olhar distante, perdida em pensamentos, imersa em um mundo secreto, lembro-me de observa-la e procurar no horizonte o que prendia a atenção de seus olhos, lembro-me da voz de Roberto de fundo se fazendo presente, lembro-me de querer compreender aquele silencio que emanava dela, lembro-me que seu silencio me deixava irrequieta. Hoje olhei para ela novamente e consegui vê aquela mesma mulher de 15 anos atrás, vi em seu rosto as marcas deixadas pelo tempo, vi o mesmo olhar distante, em sua cadeira próxima a janela, a voz de Roberto ainda presente, era como voltar ao tempo à diferença é que a olhei e vi que ela não estava ali por obrigação ou arrependimento, mas somente perdida em memórias de um tempo além da janela.
