Sensação
Justiça é mais que um sentimento, mais que uma sensação, bem mais do que uma vingança ou a intermediação de um litígio. É a justa avaliação de um caráter, envolvido em circunstância.
Alguém Especial
Hoje acordei e antes de me levantar,
Senti uma sensação diferente,
Percebi algo a me incomodar,
Vindo do meu subconsciente.
Um rosto refletia em minha mente,
Com tanta beleza que inspira e seduz,
Lindo de olhos negros e bem reluzente
Senti-me diante de um anjo de luz.
Seus cabelos com reflexo cintilante,
Combinando com toda anatomia,
De pele clara e um sorriso radiante,
Demonstrando a perfeita harmonia.
De um corpo perfeito e escultural,
Com retas e curvas bem delineadas,
Uma estatura totalmente angelical,
Com cintura e pernas bem torneadas.
Mesmo me sentindo um tanto extasiado,
Por deparar-me com algo tão diferente,
Senti-me naquele momento privilegiado,
Diante de uma visão tão surpreendente.
Tive a felicidade de observar em uma foto,
Onde contemplei a mais linda imagem,
Trajando vestido preto e sobre uma moto,
Parecendo um lindo cartão de mensagem.
Diante da magnífica beleza facial,
Com dificuldades consegui entender,
Confesso não ter visto algo igual,
Mas consegui em versos descrever.
Pois tu vieste a inspirar minha mente,
Como as águas fluem num manancial,
Trazendo-me a alegria permanente,
Por ter conhecido alguém tão especial.
Du’Art 05/ 09 /2014
A Paz em Algum Lugar
O vento bate nas araucárias,
e a sensação é tão boa: o ar nos pulmões,
a sensação de espaço que te faz flutuar.
De repente, é ali que você quer estar.
É ali que sente que o mundo poderia cair
e você iria junto com ele, claro, em câmera lenta...
Frio e aconchegante, digo para mim mesmo:
será que alguém mais já provou
uma sensação tão igual a essa?
Como se o universo te desse autorização
para mover as montanhas com as palmas das mãos —
no sentido figurado, claro.
A paz reina em algum lugar...
Viva a vida.
A percepção de insatisfação
é o seu cérebro simplesmente te dizendo:
“Vá viver.”
_Autor: James Richard Ferreira Pantoja
A Dança das Almas
Dançar com você despertou em mim
uma sensação que eu não sabia nomear.
Era leve, intensa, prazerosa...
como se cada passo revelasse
uma parte de mim que estava esquecida.
Teu corpo junto ao meu,
o encaixe perfeito em cada melodia,
como se a música conhecesse
o caminho exato até a alma.
Ah... o calor dos teus braços.
Tão incrível, tão magnífico,
tão surreal,
que por alguns instantes
o mundo inteiro pareceu silenciar.
Éramos duas almas cansadas
de viver pelos outros,
de esquecer de si mesmas,
e que encontraram, na dança,
um breve refúgio para simplesmente existir.
Foi então que compreendi:
gosto de dançar com você
porque sei que, se meus pés falharem,
suas mãos me conduzirão de volta ao ritmo.
E, ao seu lado, a vergonha desaparece.
Não preciso fingir, esconder ou parecer.
Quando você está por perto,
eu apenas sou.
E talvez essa seja
a mais bonita de todas as danças.
Onde a Alma Encontra Morada
Sabe aquela sensação de finalmente pertencer,
de encontrar em alguém um lugar para viver?
Acho que encontrei, sem sequer procurar,
no calor dos teus braços, meu jeito de repousar.
Nas palavras proferidas com verdade e coração,
nas conversas malucas, profundas, sem direção,
no riso que se perde, na loucura compartilhada,
e na paz que encontro quando estou ao teu lado.
É sentir-me ouvida sem precisar explicar,
ser vista nos silêncios, sem precisar implorar.
É ter nos teus olhos um abrigo para ser,
sem máscaras, sem medos, sem medo de me esconder.
É não precisar cobrir aquilo que sou,
nem esconder as partes que a vida machucou.
É deixar que me vejas inteira, sem disfarce,
e ainda assim sentir que teu olhar não se desfaz.
É poder ser profunda, confusa e imperfeita,
sem temer que alguma parte de mim seja rejeitada.
É ser admirada sem precisar merecer,
como se bastasse simplesmente existir e ser.
Talvez pertencimento seja essa estranha sensação:
duas almas que se encontram sem pedir explicação.
Não é prender, nem possuir, nem querer controlar,
é sentir que, ao lado de alguém, podemos descansar.
E talvez seja isso que eu encontro em teu olhar:
um lugar onde minha alma não precisa se explicar.
Porque quando estou contigo, em silêncio ou em poesia,
parece que finalmente encontrei minha moradia.
Na meia Luz
Difícil de esquecer a sensação que você causou em mim,
com o seu toque, o seu beijo,
com a forma como me olhou
e tudo aquilo que despertou sem pedir licença.
Com cuidado, foi dedilhando cada nota
que compõe minha alma e meu corpo,
me conhecendo aos poucos,
me desbravando sem pressa,
sem medo, sem receio.
E havia algo curioso nisso tudo:
eu simplesmente deixei acontecer.
Naquela meia-luz,
onde nada precisava ser explicado,
teus olhos encontraram os meus
e, por alguns instantes,
parecia que o resto havia desaparecido.
Você me fez sentir única,
não como quem promete ficar,
mas como quem, naquele momento,
soube exatamente onde tocar
para fazer o mundo desacelerar.
E talvez seja isso que incomode um pouco:
não foi apenas o que aconteceu,
foi a facilidade com que aconteceu.
A leveza.
A confiança.
Aquela sensação estranha de não precisar pensar demais.
Foi na meia-luz que tudo aconteceu.
Foi ali que teus olhos encontraram os meus...
e, desde então,
há certas lembranças que a luz do dia
simplesmente não consegue apagar.
A eternidade… Gostaria de eternizar a sensação de ter por perto, tentar imitar o teu toque que vem deixando um relevo de arrepios em minha pele tal como um lápis marcando e eternizando as palavras dentre as linhas. Ainda tens coragem de falar que não sabes fazer poesia? Impossível, impossível falar que o brilho de seus olhos irradiando os raios de beleza do teu sorriso não é poesia, simplesmente impossível de dizer que não é poesia o toque de seus lábios em minha pele causando arrepios até na minha alma não é poesia. É que por fim… Jamais existirá saudade entre nós. Pois, não têm como existir saudades se os “relevos” da sua poesia nunca saíram de mim e ainda existe uma parte de mim que se enrolou entre as curvas dos seus cachos, propondo a você a minha presença mesmo estando de longe de ti. “Louco para sentir a essência novamente” e enfim saciar a “sodade”.
TEMPO, ILUSÃO E VERDADE: A FALSA SENSAÇÃO DE ATRASO NA ERA DA EXPOSIÇÃO.
A sensação de estar atrasado tornou-se um dos sofrimentos silenciosos mais característicos da vida contemporânea. Ela não nasce do tempo em si, mas da percepção deformada que se constrói a partir dele. O indivíduo olha ao redor e acredita que todos avançam enquanto ele permanece imóvel. Contudo, essa percepção não é um reflexo fiel da realidade, mas o resultado de um sistema de exibição cuidadosamente editado.
O ponto central dessa reflexão reside na natureza daquilo que se observa. A vida alheia, tal como se apresenta nas redes, não é uma totalidade, mas um recorte. Exibem-se conquistas, ocultam-se fracassos. Publicam-se celebrações, silenciam-se crises. O que se oferece ao olhar externo é uma sequência contínua de êxitos, como se a existência fosse linear, ascendente e isenta de rupturas.
Esse fenômeno produz um efeito psicológico profundo. O indivíduo passa a comparar a sua experiência integral, com dores, dúvidas e hesitações, com a versão editada da vida dos outros. Trata-se de uma comparação estruturalmente injusta. É o confronto entre a realidade vivida e a aparência construída. Dessa discrepância nasce a angústia.
Outro aspecto expressivo é a construção social do chamado tempo ideal. Estabelecem-se marcos invisíveis. Espera-se que se atinja estabilidade em determinada idade. Que se conquiste reconhecimento em certo período. Que se cumpra um roteiro implícito de realizações. Esses parâmetros não possuem fundamento universal. São convenções culturais, mutáveis e frequentemente arbitrárias. Ainda assim, exercem pressão como se fossem leis naturais.
Há, nesse contexto, uma transformação do próprio sentido da existência. Muitos deixam de viver para experienciar e passam a viver para demonstrar. A vida converte-se em espetáculo. Cada conquista não é apenas um fato, mas um elemento de validação pública. Surge, então, uma ética da aparência, na qual o valor do indivíduo parece depender daquilo que ele consegue exibir.
Essa lógica produz um ciclo contínuo de ilusão. Quem observa sente-se insuficiente. Quem exibe sente-se compelido a manter a imagem. Ambos participam de uma engrenagem que se alimenta da comparação e da validação externa. A autenticidade torna-se rara, e a interioridade, negligenciada.
Do ponto de vista filosófico, esse cenário reatualiza uma distinção antiga. A diferença entre ser e parecer. O que se apresenta ao olhar coletivo não corresponde, necessariamente, ao que se vive na intimidade. A era digital não criou essa dissociação, mas a amplificou em escala inédita, tornando-a quase onipresente.
É necessário compreender, com rigor, que não existe uma linha universal de progresso humano. Cada trajetória é marcada por contingências, escolhas, limites e circunstâncias irrepetíveis. O tempo não é uma régua uniforme. Ele se manifesta de modo singular em cada existência.
Dizer que alguém está atrasado pressupõe a existência de um padrão absoluto. Esse padrão não existe. O que existe são expectativas socialmente construídas, frequentemente incompatíveis com a complexidade da vida real.
Há, portanto, uma inversão que precisa ser reconhecida. Não é o indivíduo que está atrasado. É a percepção que está distorcida. O olhar, ao invés de captar a realidade, captura uma encenação.
A superação dessa ilusão exige um movimento interior. Recolher-se parcialmente do fluxo incessante de comparação. Reorientar a atenção para a própria experiência concreta. Reconhecer o valor do percurso íntimo, ainda que invisível aos olhos externos.
A verdadeira medida de uma vida não se encontra na sucessão de marcos exibidos, mas na coerência entre aquilo que se vive e aquilo que se é. E é nesse silêncio, longe das vitrines e das narrativas fabricadas, que o tempo finalmente recupera sua dignidade, deixando de ser um juiz implacável para tornar-se apenas o campo onde a existência se desdobra com verdade.
Não é uma sensação boa, mas confesso que também não é totalmente ruim. Depois de tanto tempo só sentindo falta, dói de um jeito diferente sentir raiva. Quase parece um sinal de vida.
Há dias em que tenho a perturbadora sensação de estar me fundindo à própria cadeira do escritório, como se, aos poucos, eu deixasse de ocupar aquele espaço e passasse a pertencer a ele. O ambiente corporativo, com suas luzes artificiais, o zumbido contínuo das máquinas e a liturgia repetitiva das obrigações diárias, por vezes parece deixar de ser apenas um local de trabalho para transformar-se em uma espécie de universo hermético, uma bolha silenciosa onde o tempo perde organicidade e a existência se resume a telas acesas, notificações incessantes e pensamentos confinados em intervalos cada vez menores de lucidez.
Existem momentos em que o corpo permanece estático diante do monitor, mas internamente há um colapso silencioso em andamento. A mente atravessa labirintos de exaustão emocional, pressões invisíveis e reflexões que jamais são verbalizadas. Sustentar produtividade contínua enquanto o espírito lentamente se desgasta exige uma força que raramente é percebida por quem observa de fora. E talvez seja justamente essa invisibilidade que torne tudo mais sufocante: a obrigação quase involuntária de aparentar estabilidade enquanto, por dentro, algo vai se tornando progressivamente mais fatigado, mais distante, mais anestesiado.
Às vezes, o escritório deixa de parecer um ambiente profissional e assume contornos existenciais. As paredes tornam-se fronteiras simbólicas entre o mundo exterior e uma realidade paralela feita de prazos, silêncios protocolares e uma rotina tão reiteradamente mecânica que passa a corroer a percepção dos próprios dias. Há uma estranha melancolia em perceber que grande parte da vida adulta se desenrola sob luzes frias, cercada por teclados, planilhas, relatórios e relógios, enquanto fragmentos inteiros da subjetividade vão sendo silenciosamente arquivados em nome da funcionalidade.
E o mais inquietante é que o verdadeiro esgotamento raramente chega de maneira abrupta. Ele se infiltra de forma gradual, quase imperceptível, dissolvendo pequenas capacidades humanas: o entusiasmo espontâneo, a contemplação despretensiosa, a leveza diante da existência. Até que, em determinados dias, tudo o que resta é a sensação de estar enclausurado dentro da própria rotina, como se aquele escritório tivesse se tornado não apenas um lugar de trabalho, mas uma extensão psicológica da própria solidão.
- Tiago Scheimann
E mesmo feliz com o que conquistei aqui
Tem dias que eu só queria sentir
Aquela sensação simples que o tempo levou
Às vezes, existe em mim uma sensação que não sei nomear — como se eu tivesse me afastado de mim mesma sem perceber. Continuo vivendo, sorrindo, conversando, seguindo os dias, mas há momentos em que tudo parece acontecer diante dos meus olhos, e não exatamente comigo.
É como assistir à própria existência sentada na última fileira, reconhecendo o rosto no palco, mas sem sentir que aquela pessoa sou eu por inteiro. Conheço minha voz, meus gestos, minhas histórias, mas ainda assim existe algo profundamente estranho em habitá-los.Como se eu estivesse presente apenas pela metade, observando de longe uma vida que deveria sentir como minha.
E o mais inquietante é não saber de onde vem esse vazio, nem por que, mesmo estando dentro de mim, às vezes me sinto tão distante de quem sou.
A sensação de país "melhorando" ou "piorando", na maioria das vezes, é apenas a mídia trabalhando no inconsciente da sua mente. Pois é possível manipular suas emoções através do que é colocado na sua cabeça. Então, quando se cria a sensação de "o país tá melhor, o país tá pior", você sente o que foi influenciado a sentir, sendo que, na verdade, continua a mesma coisa: você sendo escravo de podres de rico que controla o sistema e trabalhando para enriquece-los ainda mais! E, enquanto está hipnotizado por essa ilusão, você também não enxerga seus direitos sendo roubados aos poucos, e não enxerga quem está por trás do cenário fictício da política, controlando e dominando sua mente, te tornando refém da ignorância, esperança e do medo.
A SENSAÇÃO DOS ESPÍRITOS E A FUNÇÃO DO PERISPÍRITO.
Obs. Nossa: Se menosprezarmos esse estudo que nos trás o Espírito São Luiz é fazer divulgação ao auto extermínio. Compreendamos com lucidez e serenidade.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Kardec parte de uma questão aparentemente simples, o Espírito sofre?, e transforma a pergunta em uma investigação sobre a própria natureza da percepção.
A distinção fundamental está em não confundir corpo, perispírito e Espírito.
O corpo é o instrumento material pelo qual as impressões são recebidas durante a encarnação. O perispírito funciona como intermediário dessas sensações. Mas a consciência da sensação pertence ao Espírito. Por isso, quando o corpo é destruído pela morte, não desaparece necessariamente a capacidade de perceber; modifica-se, entretanto, o modo pelo qual a percepção ocorre.
É justamente nesse ponto que a explicação de Kardec se torna particularmente importante: o sofrimento experimentado pelo Espírito desencarnado não deve ser compreendido simplesmente como continuação da dor corporal.
O exemplo do avarento que pede para aquecer-se junto ao fogo é expressivo. Não havendo mais um corpo físico submetido ao frio, a sensação não poderia ser atribuída à ação física da temperatura sobre os tecidos. Kardec investiga, observa e procura estabelecer a diferença entre a causa física da dor e a percepção espiritual da dor.
A questão torna-se ainda mais profunda quando ele examina os Espíritos que, logo após a morte, ainda se julgam vivos. O suicida que afirma sentir os vermes roendo-lhe o corpo constitui, no estudo de Kardec, um exemplo de como a ligação entre corpo e perispírito pode produzir uma percepção que o Espírito interpreta de maneira equivocada.
Não são os vermes que atingem o Espírito.
O corpo é que está sendo atingido.
Mas a separação ainda incompleta permite que o Espírito experimente a situação como se ela ainda lhe dissesse respeito fisicamente.
E aqui aparece uma das ideias mais fecundas do estudo: a percepção não é simplesmente determinada pelo objeto exterior; ela depende também do estado do Espírito e de seu grau de desprendimento da matéria.
O PERISPÍRITO NÃO É O ESPÍRITO.
Outro ponto que merece absoluta atenção é a afirmação de Kardec de que o perispírito é um envoltório semimaterial, intermediário entre o Espírito e o corpo.
Ele não é a inteligência.
Não é a consciência.
Não é a alma.
É o instrumento através do qual o Espírito se relaciona com a matéria e manifesta determinadas faculdades.
Essa distinção impede uma série de confusões posteriores. Kardec chega a afirmar que, se pudesse existir perispírito sem Espírito, aquele nada sentiria; assim como um corpo sem o princípio espiritual não experimenta sensação.
Portanto, quem sente é o Espírito; o perispírito é o intermediário da sensação.
Isso também esclarece a questão da visão e da audição. No corpo, as percepções estão condicionadas aos órgãos. Na condição espiritual, segundo Kardec, elas deixam de estar circunscritas a órgãos específicos. A faculdade pertence ao ser espiritual, enquanto o organismo funciona como instrumento de manifestação durante a encarnação.
A MATÉRIA NÃO CRIA AS FACULDADES DO ESPÍRITO.
O trecho de O Livro dos Espíritos sobre a influência do organismo complementa perfeitamente o estudo.
Kardec não nega a influência dos órgãos. Pelo contrário, reconhece que ela é considerável.
Mas estabelece uma diferença decisiva:
os órgãos não são a origem das faculdades; são instrumentos de sua manifestação.
A comparação do músico e do instrumento é extraordinariamente clara: um músico excelente pode possuir um instrumento defeituoso e, por isso, não conseguir produzir a música correspondente à sua capacidade. O instrumento limita a manifestação, mas não cria o músico.
Aplicada à natureza espiritual, a consequência é profunda:
a limitação orgânica não significa necessariamente limitação da faculdade espiritual em sua origem.
Essa concepção está diretamente ligada à estrutura filosófica do Espiritismo: o Espírito precede a manifestação corporal e conserva sua individualidade além da existência física.
O SOFRIMENTO COMO CONSEQUÊNCIA MORAL.
Talvez seja aqui que o texto adquira sua maior força moral.
Kardec não apresenta a vida espiritual como uma simples libertação automática de todas as consequências da existência corporal.
A morte não transforma instantaneamente o indivíduo.
O Espírito leva consigo suas disposições, seus sentimentos, suas tendências e o resultado moral de sua existência.
Por isso, a libertação da influência material começa antes da morte.
A recomendação de Kardec é explícita: dominar paixões, combater ódio, inveja, ciúme, orgulho e egoísmo; desenvolver bons sentimentos; praticar o bem; reduzir a importância atribuída às coisas materiais.
Não se trata apenas de uma preparação para o além-túmulo.
É uma transformação que começa na existência presente.
E aqui está talvez a síntese mais importante do texto:
Quanto mais o Espírito se desmaterializa moralmente, menos sujeito fica à influência da matéria.
A expressão “desmaterialização”, nesse contexto, não deve ser entendida como desaparecimento do perispírito nem como uma espécie de desencarnação antecipada. Trata-se, sobretudo, de progresso moral, de libertação gradual do domínio das paixões inferiores.
O ESPIRITISMO COMO OBSERVAÇÃO, NÃO COMO SISTEMA DOGMÁTICO.
Outro aspecto fundamental do texto é metodológico.
Kardec explica que suas conclusões não nasceram de uma teoria previamente construída para depois ser aplicada aos fatos. Ele afirma ter interrogado Espíritos de diferentes condições e acompanhado suas situações no além-túmulo.
A observação dos Espíritos inferiores, portanto, não é um entretenimento nem uma curiosidade mórbida.
É estudo.
O caso de Lemaire, por exemplo, é defendido justamente porque até mesmo um Espírito moralmente degradado pode oferecer elementos importantes para compreender as consequências espirituais de determinada conduta.
Isso se harmoniza com a orientação de O Livro dos Médiuns: o conhecimento espírita exige estudo sério, observação, comparação e análise.
Não basta o nome atribuído ao Espírito comunicante.
Kardec afirma, em essência, que os Espíritos devem ser julgados pela linguagem, pelas ideias e pela qualidade moral, e não pelo nome que apresentam.
UMA CONCLUSÃO MORAL.
O estudo das sensações dos Espíritos poderia facilmente transformar-se numa especulação sobre “como é sentir depois da morte”.
Kardec conduz a questão para outro lugar.
A pergunta mais importante deixa de ser:
“O que sentirei depois da morte?”
E passa a ser:
“Que Espírito estou formando enquanto vivo?”
Porque, dentro da lógica apresentada pela Doutrina, a morte não apaga o homem moral.
O indivíduo atravessa a fronteira da existência corporal levando consigo aquilo que realmente construiu em si mesmo.
O corpo termina sua função.
O Espírito prossegue.
E o perispírito permanece como instrumento de relação entre o Espírito e o mundo espiritual, enquanto suas características acompanham, em alguma medida, o grau de progresso alcançado.
Por isso, a verdadeira preparação para a morte não começa no leito de desencarnação.
Começa na maneira como vivemos.
A grande libertação não consiste simplesmente em abandonar o corpo, mas em deixar de ser escravo daquilo que o corpo representa quando submetido às paixões, ao egoísmo e aos excessos.
É uma das conclusões morais mais fortes que podem ser extraídas desse estudo de Kardec: não basta morrer para libertar-se da matéria; é necessário aprender, enquanto vivo, a não ser governado por ela.
Fontes fundamentais para estudo: Revista Espírita, dezembro de 1858 — “Sensações dos Espíritos”; O Livro dos Espíritos, questões 245, 249, 249a, 367–372a e item 257; O Livro dos Médiuns, itens 14, 51, 54 e 58; A Gênese, itens 23 e 40.
