Sensação

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⁠A eternidade… Gostaria de eternizar a sensação de ter por perto, tentar imitar o teu toque que vem deixando um relevo de arrepios em minha pele tal como um lápis marcando e eternizando as palavras dentre as linhas. Ainda tens coragem de falar que não sabes fazer poesia? Impossível, impossível falar que o brilho de seus olhos irradiando os raios de beleza do teu sorriso não é poesia, simplesmente impossível de dizer que não é poesia o toque de seus lábios em minha pele causando arrepios até na minha alma não é poesia. É que por fim… Jamais existirá saudade entre nós. Pois, não têm como existir saudades se os “relevos” da sua poesia nunca saíram de mim e ainda existe uma parte de mim que se enrolou entre as curvas dos seus cachos, propondo a você a minha presença mesmo estando de longe de ti. “Louco para sentir a essência novamente” e enfim saciar a “sodade”.

⁠THE END
A sensação de posse é o principal ingrediente que provoca a inexistência da curiosidade, da imparcialidade e da falta de espanto. Assim a sedução que doutrora existira, esvai-se gradativamente.

⁠A felicidade é estritamente atrelada a sensação de bem estar, e alimentada pelo desejo. O indivíduo sem objetivo, é uma alma vagante sem rumo, prumo ou direção. E o desejo? Este é a força motriz que impulsiona a vida.

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Associar a amizade ao princípio ativo da sensação do bem estar, é de um obscurantismo monstruoso. Não existe amizade quando o objeto desejado, é alvo em comum. Isso independe da forma de governo, ou do sistema econômico, faz parte do ser, é intrínseco de cada um.


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2026 abril 27




Andar de !bicicleta, você lembra dessa sensação?


Você recorda a sensação da primeira vez que conseguiu andar de bicicleta?


Eu aprendi na rua do bairro onde morava. Caí, ralei os joelhos e senti a ardência dos antissépticos, tudo isso no quarteirão da minha casa.


Certo dia, algo dentro de mim considerou que já era hora de avançar os limites e experimentar aquela rua larga e asfaltada, onde as crianças grandes se aventuravam com suas bicicletas. Era uma descida em que a velocidade era tal que podíamos tirar os pés dos pedais e mantê-los esticados, enquanto o vento soprava em nossos rostos.


Viver aquele momento, confiando em mim mesma, me permitiu experimentar a alegria de superar meus próprios limites.


Superar-se é ir além, vencer o temor do desconhecido e acessar uma realidade que não pode ser descrita por sua íntima natureza.


Anos mais tarde, na juventude, conheci a Logosofia e, por meio de seus conhecimentos revisitei a mesma sensação de liberdade ao me dispor a pensar sobre conceitos, valores, pensamentos e ideias. Aprendi que deveria pensar sem temor, com a valentia dos intrépidos descobridores de mundos.
Porém, agora meu mundo interno tornou-se a nova fronteira, o novo limite a ser explorado. O conhecimento de si mesmo deixou de ser um enigma para se revelar como uma realidade transcendente.


Visite nosso site e confira conteúdos que inspiram seu crescimento diário.


Um afetuoso abraço,


Denize Martinez
Membro da Fundação Logosófica - Em Prol da Superação Humana
logosofia.org.br

" O lado razoável do medo é a estranha sensação de proteção, o lado ruim é que ele não deixa a ousadia acontecer...

⁠Hoje ocorreu-me estranhamente uma sensação letárgica, que a outros também ocorre:
A sensação de, diante e após certos acontecimentos, sentir estar viva e, ao mesmo tempo, vazia, morta.
Percebi terem dado o nome de resiliência..

Há dias em que tenho a perturbadora sensação de estar me fundindo à própria cadeira do escritório, como se, aos poucos, eu deixasse de ocupar aquele espaço e passasse a pertencer a ele. O ambiente corporativo, com suas luzes artificiais, o zumbido contínuo das máquinas e a liturgia repetitiva das obrigações diárias, por vezes parece deixar de ser apenas um local de trabalho para transformar-se em uma espécie de universo hermético, uma bolha silenciosa onde o tempo perde organicidade e a existência se resume a telas acesas, notificações incessantes e pensamentos confinados em intervalos cada vez menores de lucidez.


Existem momentos em que o corpo permanece estático diante do monitor, mas internamente há um colapso silencioso em andamento. A mente atravessa labirintos de exaustão emocional, pressões invisíveis e reflexões que jamais são verbalizadas. Sustentar produtividade contínua enquanto o espírito lentamente se desgasta exige uma força que raramente é percebida por quem observa de fora. E talvez seja justamente essa invisibilidade que torne tudo mais sufocante: a obrigação quase involuntária de aparentar estabilidade enquanto, por dentro, algo vai se tornando progressivamente mais fatigado, mais distante, mais anestesiado.


Às vezes, o escritório deixa de parecer um ambiente profissional e assume contornos existenciais. As paredes tornam-se fronteiras simbólicas entre o mundo exterior e uma realidade paralela feita de prazos, silêncios protocolares e uma rotina tão reiteradamente mecânica que passa a corroer a percepção dos próprios dias. Há uma estranha melancolia em perceber que grande parte da vida adulta se desenrola sob luzes frias, cercada por teclados, planilhas, relatórios e relógios, enquanto fragmentos inteiros da subjetividade vão sendo silenciosamente arquivados em nome da funcionalidade.


E o mais inquietante é que o verdadeiro esgotamento raramente chega de maneira abrupta. Ele se infiltra de forma gradual, quase imperceptível, dissolvendo pequenas capacidades humanas: o entusiasmo espontâneo, a contemplação despretensiosa, a leveza diante da existência. Até que, em determinados dias, tudo o que resta é a sensação de estar enclausurado dentro da própria rotina, como se aquele escritório tivesse se tornado não apenas um lugar de trabalho, mas uma extensão psicológica da própria solidão.


- Tiago Scheimann

A estabilidade nos dá uma
Sensação de posse.
Mas não possuímos nada:
Nem bens materiais,
Nem o corpo, nem nossos
Pensamentos, nem eu ,nem
Pais, nem filhos,
Nem a vida — nem nada.

Se algo pode ser tirado de
Você, você não possui
Isso. Tudo pode ser
Tirado de você.
Exceto a salvação de
Sua alma em Jesus Cristo.

Percorri caminhos , tantos que nem sei...às vezes eles surgem em minha mente, na velha sensação de deja vu, uma fugaz lembrança do que fui ou do que sou, por onde andei, não sei...Talvez sejam sonhos...Talvez sejam reais.Só sei que às vezes penso que nada sei.

Eu sou essa sensação de realidade vivo dentro desse corpo.

Eu sou essa sensação de paz;
A angústia é apenas quando nego quem sou.

Aumente a sensação de liberdade, diminuindo os apegos e as necessidades.

A sensação de país "melhorando" ou "piorando", na maioria das vezes, é apenas a mídia trabalhando no inconsciente da sua mente. Pois é possível manipular suas emoções através do que é colocado na sua cabeça. Então, quando se cria a sensação de "o país tá melhor, o país tá pior", você sente o que foi influenciado a sentir, sendo que, na verdade, continua a mesma coisa: você sendo escravo de podres de rico que controla o sistema e trabalhando para enriquece-los ainda mais! E, enquanto está hipnotizado por essa ilusão, você também não enxerga seus direitos sendo roubados aos poucos, e não enxerga quem está por trás do cenário fictício da política, controlando e dominando sua mente, te tornando refém da ignorância, esperança e do medo.

Às vezes a vontade de lhe abraçar consegue ser mais forte do que a saudade;
E a sensação de você transcende quaisquer sentimento de prazer;
Quero a sua amizade e por toda vida... Em um nível fora de padrão que invada o familiar de nossas vidas...
Quero ser o seu melhor amigo, compartilhar dos seus problemas e festejar junto de ti como um irmão protetor...

Tem dias que o peso do mundo parece insuportável. A sensação não é apenas de tristeza, mas de um vazio absoluto e um cansaço que não passa por mais que eu durma. É uma batalha diária levantar da cama, colocar um sorriso falso no rosto e tentar fingir que está tudo bem só para não preocupar quem está ao meu redor.O mais difícil é a incompreensão. As pessoas dizem para 'ter mais força de vontade' ou 'sair dessa', como se fosse uma escolha. Não é. É como estar preso em um labirinto escuro onde você não enxerga a saída. Às vezes, a vontade é apenas de sumir, de fazer a dor parar. É exaustivo lutar contra a própria mente todos os dias. Mas, apesar de toda a escuridão e do medo, há uma voz bem pequena lá no fundo que ainda quer viver e encontrar a paz."

⁠E aquela sensação que sentimos quando nos perdemos numa relação? A sensação de arrependimento constante quando estamos literalmente a tentar manter algo que não tem saída.

Algo que, depois de terminado, é um peso a menos que levas contigo e tu simplesmente passas por ela e, finalmente, não sentes a obrigação de lhe dar todo o cuidado que ela "merecia".

As noites que passaste com ela a falar, alegre, ou pelo menos eu pensava que sim. Becos sem saída...

O dia 27/07/26 que te fez viver um dos momentos mais aliviantes de sempre, o término. Aquela confiança que procuravas construir mas que nunca existiu porque, como era óbvio, ela não me conseguia tocar sequer, não é?

Vivo todas as noites a mesma coisa, reflexão até às 2 da manhã e não consegues dormir bem depois disso. Acordas com dores e com cansaço depois de ter literalmente dormido 12h do meu dia. As dores no peito que sentes desde que tu começaste a ser frio.

Eu não me arrependo do que passei estes últimos 3 ou 4 anos. É normal viver arrependimentos e isso originar traumas mas, nada que te fique na memória permanentemente.

Já nem te lembras do nome dela, do que vivias com ela portanto, não tens que te chatear com isso, certo?

Paz, conceito bonito com uma sensação maravilhosa, entretanto, não é ausência de guerra ou de conflito. Paz, abaixo de Deus, vem de você mesmo, pelo o que você verdadeiramente és, não a busque lá fora.

“Cuidado com tudo que proporciona prazer ou sensação de felicidade, mas que não é fruto de uma justa recompensa ou escolha digna.”

Autor: Ney Paula Batista

*O QUE A RAIZ SABE*

Às duas da madrugada eu acordei com aquela sensação desagradável de quem não tinha dormido direito, apenas tinha perdido algumas horas. Fiquei olhando para o teto. O quarto estava escuro. O silêncio não era exatamente silêncio. Havia um carro passando longe, um motor qualquer insistindo em existir, e os grilos fazendo seu trabalho de sempre, como se a madrugada ainda tivesse alguma importância.

O gato estava ao lado da minha cabeça. Ficou me olhando por alguns segundos. Depois levantou uma das patas e colocou-a sobre a minha testa. Talvez fosse carinho. Talvez fosse um aviso. Talvez estivesse apenas tentando me mandar de volta para onde eu deveria estar.

Não funcionou.

Levantei.

Fui até a varanda e acendi um charuto. Eu já sabia que o sono não voltaria. Quando a cabeça decide andar pela casa às duas da manhã, não existe travesseiro capaz de fazê-la parar.

O gato veio atrás.

Parou na porta da varanda e ficou me olhando. Parecia querer dizer: volte para a cama, homem. Você já tem idade suficiente para saber que pensar depois da meia-noite nunca termina bem.

Ignorei.

Fiquei ali, fumando, ouvindo os grilos cantarem na boêmia da madrugada e alguns veículos atravessarem a distância. A cidade dormia. Ou fingia.

Comecei a pensar nas imagens que a gente carrega.

Não nas fotografias.

Nas outras.

Aquelas que ficam dentro da cabeça.

A imagem de quem fomos. A imagem de quem deveríamos ter sido. A imagem que alguém criou de nós e que, por alguma razão estúpida, decidimos acreditar.

Talvez uma parte da nossa desgraça venha daí.

Passamos anos tentando caber numa fotografia que já não existe.

Olhei para a fumaça do charuto.

A fumaça desaparecia.

Pensei que nós também fazemos isso.

Só que demoramos mais.

A gente passa a vida tentando ser reconhecido. Quer aplauso. Quer aprovação. Quer que alguém diga que valeu a pena. E quando isso não acontece, começamos a acreditar que fomos derrotados.

Mas talvez não exista derrota.

Talvez exista apenas a necessidade de encontrar um lugar onde ninguém esteja distribuindo medalhas.

Um pedaço de chão.

Qualquer um.

Mesmo escondido.

Porque às vezes tudo o que você precisa é parar de disputar o lugar onde os outros foram coroados.

Fincar os pés em outro lugar.

E ficar.

Pensei também naquilo que nos alimenta quando tudo dá errado.

Não estou falando de grandes discursos.

Às vezes é uma lembrança da mãe.

Um café.

Um abraço que aconteceu há vinte anos.

Uma conversa idiota que, por algum motivo, ainda mora na memória.

É estranho como a vida consegue nos manter vivos com coisas pequenas enquanto o mundo inteiro insiste em vender soluções enormes.

Talvez sobreviver seja isso.

Aprender novamente o tamanho das coisas.

Uma respiração.

Um copo d’água.

Um cigarro.

Um gato colocando a pata na sua testa às duas da manhã.

Não parece muito.

Mas, quando tudo desaba, quase nada parece muito.

E ainda assim é o suficiente para atravessar mais uma noite.

A graça também não é gentil o tempo inteiro.

Essa é outra mentira que contamos para nós mesmos.

Às vezes a vida acolhe.

Às vezes ela bate.

Às vezes ela simplesmente passa por cima.

Há coisas que não se resolvem com frases bonitas. Há perdas que não ensinam nada. Há abandonos que não escondem nenhuma lição. Há pessoas que vão embora e deixam apenas um espaço vazio onde antes havia rotina.

E você fica olhando para aquilo.

Esperando alguma explicação.

Ela não vem.

Então você aprende a respirar sem ela.

Foi aí que pensei nas chances.

Elas raramente chegam em horário conveniente.

Quase nunca batem na porta.

Algumas aparecem quando você está cansado, quebrado, desconfiado, com o coração fechado e uma lista enorme de motivos para dizer não.

E talvez esse seja o problema.

A gente espera estar inteiro para começar de novo.

Só que ninguém está inteiro.

Não depois de certa idade.

Depois de algumas perdas, algumas traições, alguns funerais e algumas noites mal dormidas, você descobre que inteiro é uma palavra para quem ainda não prestou atenção.

O que resta é o que interessa.

Aquela parte que sobreviveu.

É dali que você tira alguma coisa.

Não porque a dor seja bonita.

Dor não é bonita.

Dor é dor.

Mas às vezes ela deixa alguma coisa escondida.

Uma habilidade.

Uma lucidez.

Uma coragem que você não sabia que tinha.

Um tipo de ouro ordinário, desses que não servem para comprar nada, mas servem para lembrar que você ainda está aqui.

O problema é que também carregamos nossas próprias imagens como condenados.

Repetimos insultos antigos.

Vozes de pessoas que já foram embora.

Frases ditas por quem nunca nos conheceu de verdade.

Você é isso.

Você não consegue.

Você nunca vai mudar.

Você não é suficiente.

E, depois de algum tempo, nem sabemos mais quem disse.

Somos nós.

A voz foi incorporada.

Virou morador.

E continuamos pagando aluguel para ela.

Talvez seja preciso expulsar algumas imagens.

Não esquecer.

Expulsar.

Porque aquilo que você repete todos os dias acaba parecendo verdade.

E algumas verdades são apenas feridas com boa memória.

O charuto estava quase no fim.

O gato continuava na porta.

Agora parecia menos paciente.

Olhei para ele e pensei que os animais talvez tenham entendido alguma coisa que nós complicamos demais.

Eles não ficam tentando justificar a existência.

Eles dormem quando têm sono.

Comem quando têm fome.

Vão embora quando querem.

E, quando gostam de você, simplesmente ficam.

Nós transformamos tudo em contrato.

Até o afeto.

Até a saudade.

Até o abandono.

Quando alguém parte, queremos explicações.

Quando alguém fica, queremos garantias.

Quando tudo termina, queremos saber por quê.

Mas o rio não explica por que seca.

Ele apenas seca.

E talvez algumas pessoas sejam assim.

Elas atravessam a nossa vida, deixam alguma coisa, levam outra e desaparecem.

Não é justo.

Nunca foi.

Então chega a hora de quebrar.

Não necessariamente por fraqueza.

Às vezes quebrar é a única maneira de deixar alguma coisa ir embora.

A gente segura tanto que começa a confundir apego com amor.

Não é a mesma coisa.

Amor sabe partir.

Apego exige cadáveres.

Fiquei olhando para a rua vazia.

Pensei no medo de esperar.

A espera é cruel.

Ela coloca você diante de si mesmo sem distração.

Sem barulho.

Sem pessoas.

Sem a próxima novidade.

E talvez seja justamente ali que estejam os tesouros que ninguém encontra porque ninguém suporta ficar tempo suficiente no escuro.

A gente foge.

Liga a televisão.

Abre o celular.

Procura alguém.

Procura qualquer coisa.

Tudo para não ficar sozinho com a própria cabeça.

Eu também fiz isso.

Muitas vezes.

Talvez ainda faça.

Mas naquela madrugada eu estava ali.

Sem fugir.

E percebi uma coisa desagradável.

A vida não estava me devendo nada.

Nem explicações.

Nem reparações.

Nem um final bonito.

Ela simplesmente continuava.

O mundo continuaria girando depois de mim.

Os grilos continuariam cantando.

Os carros continuariam passando.

Alguém estaria beijando alguém.

Alguém estaria chorando.

Alguém estaria nascendo.

Alguém estaria morrendo.

E nada disso pediria minha autorização.

Talvez maturidade seja aceitar essa humilhação.

Você não é o centro.

Nunca foi.

Mas isso não significa que sua vida não tenha valor.

Significa apenas que você precisa parar de esperar que o mundo confirme isso.

A Terra continua.

Ela parece cansada.

Mas continua.

E talvez ainda queira ser tocada.

Não com discursos.

Com presença.

Com verdade.

Com coragem para sentir novamente aquilo que você passou anos tentando anestesiar.

Inclusive a partida.

Porque todo recomeço cobra alguma coisa.

Às vezes cobra uma pessoa.

Às vezes uma versão antiga de você.

Às vezes uma esperança que já estava morta e você ainda carregava como se fosse viva.

Eu terminei o charuto.

O gato continuava olhando.

Talvez fosse hora de voltar.

Talvez não.

Fiquei mais alguns minutos.

Pensei nas raízes.

Elas não são bonitas.

Ficam enterradas.

Ninguém fotografa uma raiz.

Ninguém elogia uma raiz.

Ela trabalha no escuro.

Aguenta a terra.

Encontra água onde parece não existir nada.

E, se tiver sorte, algum dia aparece uma flor.

Talvez seja isso que nos resta.

Não tentar parecer flor o tempo inteiro.

Aceitar a raiz.

Aceitar o escuro.

Aceitar a parte de nós que ninguém vê e que talvez nem nós mesmos gostemos muito.

Porque pode ser justamente ali que alguma coisa esteja começando.

Não uma versão melhor.

Não uma versão perfeita.

Apenas uma versão verdadeira.

Olhei novamente para o gato.

Ele virou e voltou para a cama.

Sem discurso.

Sem terapia.

Sem conclusão.

Fui atrás.

A madrugada continuava lá fora.

E, pela primeira vez naquela noite, não precisei que ela me dissesse nada.

Eu já tinha entendido.

Algumas coisas precisam morrer.

Algumas precisam ser deixadas.

Algumas precisam ser perdoadas.

E algumas precisam permanecer enterradas.

Não para desaparecer.

Mas para criar raiz.

Porque, no fim, talvez reescrever a própria vida não seja começar do zero.

É olhar para o que sobrou.

Parar de mentir sobre isso.

E decidir, mesmo com medo, que ainda dá para plantar alguma coisa.