Sempre
Eu sempre quis de ti o que era fugidia
O que era fugaz, o que era quase ou por um triz
A loucura da procura, a aventura da caça;
Eu sou um predador...
O difícil de querer me seduzia,
Mas quando eu via e pegava,
Desacelerava, morria o interesse da caçada;
O prazer se reduzia a quase nada...
Acho que amo os desencantos
Eu não queria ser assim...
Se algum dia eu sonhar com algo que não for poesia,
Se algum dia os desencantos não me encantarem,
Talvez eu esteja preso
Entre tuas pernas e os teus braços
No abraço do poema do prazer,
Como se a vida fosse alguns gemidos de paixão ou de amor
Mas a vida é uma selva e eu sou um predador
O que é amor... o que é amor...
Sempre me questiono...
E essa busca, essa procura não deixa de ser vestígios por maior que seja o abandono...
A CURA
Estive sempre à margem da loucura,
uma depressão tão pura;
a noite que se procura, a cura que se promete, a ternura;
por que não nos olhamos,
por que não nos abraçamos,
por que não dançamos como se estivéssemos sozinhos
eu sei que essa multidão que nos habita é solitária,
com seus olhares perdidos,
com palavras inseguras e desejos indefinidos...
e o que desejamos então? o que desejamos...
exatamente isso, essa coisa inexata
que nos abraça como uma névoa
e nos conduz à gravidade grave
de se permitir acreditar que cair
é o pilar que nos sustenta ou não;
mas o que seríamos sem essa margem de loucura
ou a profundidade dessa depressão;
somos frágeis, mas essa fragilidade é que sustenta e harmoniza
esse universo: aonde mais encontraríamos: amor, paixão e poesia?
Sempre sonhei demais e há muito tempo atrás
quando o mundo era belo e tinha tons lilás...
Sempre haverá em algum lugar o meu desejo,
em outro rosto o teu sorriso,
a alfazema a colorir minha saudade em outras primaveras,
Essa magia que a paixão nos oferece,
nos leva assim dramática e tão suavemente,
tranquila e tão agressivamente...
um dia desses eu adolescia; a multidão de ontens,
Sorrisos e olhares, chicletes e cigarros...
Meus blue jeans que desbotavam a ritmos de desejos, sorrisos e bocejos,
e como nos perdemos assim tão fácil
se tínhamos o controle do tempo e todos os poderes
que virtualmente a juventude nos impõe...
quando algum dia os céus terão as mesmas cores,
e tardes serão promissoras de noites de amores...
agora que eu entendo que não entendo nada
e a dependência de depender de algo
é a única referência que eu tenho do que eu não tenho...
alguém me fala de aventura
com um sorriso aberto da cor do céu da minha adolescência...
eu que sempre sonhei demais, e há muito tempo atrás
quando o mundo era belo e tinha tons lilás
acreditando que a luz dos horizontes e nossas fantasias
alimentam o lado bom de nossas almas
e nos fortalecem diante das paixões...
AS CORUJAS PIAM
Nem sempre tudo está muito claro,
E de pijamas tudo é sempre obscuro,
Os pássaros silenciam e as corujas piam,
Os gatos fazem um escândalo...
Eu tento entender as constelações
E tudo mais que me parece ininteligivel
Como supor que alguém me espiona
Ou imaginar monstros debaixo da cama...
O resto se sintetiza nos olhares perdidos no vazio,
Famílias que mendigam nas calçadas,
Essas coisas que fontes luminosas de shoppings luxuosos
Ou flores raras de jardins irreparáveis não conseguem maquiar.
A filosofia é um bálsamo pra alma,
Não que explique tudo, pelo contrario,
Talvez o seu maior encanto é caminhar vendada
À beira de um precipício;
Mas isso não deixa de ser uma lógica.
Quando temos a teoria: o que me encanta são os desencantos...
O que me encanta são os desencantos...
Então não parece muito claro, por mais claro que possa parecer...
Queremos o sempre por mais obscuro que possa ser
As tardes vazias por mais vazias que sejam sempre
As fontes , as flores...e o que vai mudar o que somos ?
O que vai mudar o que somos?...
Se a pureza de nossos olhares se perderam
Nos lampejos vespertinos dos nossos desejos
Tinha sempre água na geladeira
quando tínhamos geladeira...
de vez em quando me vem essa lembrança,
entre muitas lembranças
que certamente eu tinha
e de certo, muitas dessas lembranças eram saudades,
agora não me lembro de nenhuma saudade...
o buriti parecia colher estrelas
depois da cerca do nosso quintal,
é um neon incandescente neste breu
onde o passado se apaga,
algum vulto se debate impetuoso,
sabe esses fantasmas que se rebelam
e murmuram nos calabouços...
alguma coisa deveria brilhar nessa manhã,
mas é só uma manhã como todas as manhãs;
água gelada, sorrisos anônimos...
uma ternura piegas nesse olhar triste
que talvez queira me dizer algo que eu não entendo mais.
Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus
Às dezoito horas as lembranças são sempre as mais melancólicas, especialmente nos dias chuvosos quando uma neblina fria, inclinada pelo vento que bate janelas e portas, faz chorar as vidraças, deita todas as desilusões que incomodam; nesse momento parece que temos todo o tempo do mundo para relembrar as decepções. Os bambuzais vergam com o vento assim como paixões vergam nosso orgulho, são histórias tristes que as seis da tarde em dias chuvosos trazem à tona fatalidades que essas horas vazias alimentam.
Os jornais estampam de vez em quando fatalidades causadas pela paixão ou desilusões; essa noite turva contínua vai além dos seus limites e faz purgar os que perderam suas identidades, suas referências e vistos por uma vidraça são só personagens de um teatro sinistro na penumbra dessa noite. Ela dançava na chuva; tinha um grupo de amigas mais ou menos da mesma idade, todas adolescentes, inconsequentes como todos que adolescem, dançavam na chuva com a roupa colada no corpo, mostrando suas formas femininas que se acentuavam; os pingos de chuva sob a luz do poste pareciam pingos de brilhantes. É uma lembrança nostálgica que fica num quadro adornado pela saudade. O sorriso de Emily luzia naquele quarteirão; na padaria onde ela pegava o pão todas as manhãs, na quitanda onde comprava as frutas pra sua avó Giordana, na vacaria onde comprava o leite, tirado na hora, era assim que sua avó queria. Maria Eunice todas as manhãs acena do oitavo andar no condomínio em frente, faz um sinal que só ela entende, era uma senha do grupo que só elas conheciam; algo mais ou menos como: "amigas para sempre", mas havia um algo mais como promessa de fidelidade e lealdade; assim Catarina desistira do casamento ao saber que o noivo já tinha namorado com uma das amigas. Esse fato Emily menciona com frequência; num dia de febre alta delirou mencionando Catarina e Rogério: "talvez fossem muitos felizes hoje", Catarina tornara-se uma pessoa amarga, arredia, reclusa. acho que fomos longe demais com nossos pactos de juventude. A porta se abre trazendo a claridade de um relâmpago; Luis Otavio, filho único, entra salpicando a entrada; tira a capa e o capacete; Doralice o ajuda com as sacolas de compras, ela cuida de Emily e faz os trabalhos na cozinha; Auxiliadora, uma das amigas e também prima de Emily, vem sempre que possível. Luis Otavio menciona algum dano que a chuva causou na estrada, Doralice reclama na cozinha alguma dificuldade com o fogão, Otavio corre a acudi-la. Um sorriso escapa dos lábios de Emily; seu olhar está bem longe através da vidraça: um shortinho salmão de tactel e uma camiseta branca de popeline dançando sob a chuva com as amigas adolescentes e os meninos nas janelas encantados com tanta beleza; a chuva trazia a magia dessas lembranças. A voz de Doralice lhe corta os pensamentos: "seu comprimido, senhora..." e lhe estende um copo com água; a artrite a incomoda mas, Emily o toma rápida e solícita para ficar novamente só com suas lembranças; sabe que violara o pacto, mas como contar à uma quase, ou mais que irmã que Luis Otavio era filho de seu marido, Eduardo José casado com Maria Eugênia os quais foram morar na Itália; mesmo assim Maria Eugenia jamais lhe esquecera, ligava de quinze em quinze dias e jamais esquecera seu aniversário. Entre as amigas, Emily e Maria Eugênia talvez fossem as mais ligadas emocionalmente. Não fora uma traição, foi uma atração, uma paixão muito forte, um sentimento mútuo e apesar disso Emily não permitiu que Eduardo terminasse com Eugênia, assim casaram-se e foram para a Italia sem que Eduardo jamais soubesse de sua gravidez.
Lá fora a chuva parecia dar uma trégua, os sem teto da praça pareciam comemorar alguma coisa, aparecia sempre um filho de Deus para socorre-los com um copo de sopa, uma roupa, um cobertor. Emily não conseguia disfarçar sua perturbação diante dos mendigos; achava que aquela forma de ajuda-los só os deixava acomodados numa zona de conforto. Como podem se acomodar com uma vida tão miserável; certamente a droga os alienara. Otavio entra no quarto interrompendo os pensamentos de Emily: "mãe, olha, meu último poema..." Emily o olha, antes de pegar a folha datilografada, se Maria Eugênia o visse agora não precisaria explicar toda a sua história; Luís Otávio estava a cara do pai, Eduardo José quando ele tinha sua idade. Emily lê e relê o poema diante do olhar inquisitivo de Luis Otavio;"e aí mãe, gostou" "Meu filho você anda inspirado, acho que você anda lendo Cecília..." Luis Otavio amava a sensibilidade de Cecília Meireles. Na madrugada enquanto Emily revivia seu passado cheio de paixões ela escutava o toc-toc da Olivetti no quartinho de Otavio. Artrite limitara seus movimentos, mas nada segurava sua alma; o mundo. o cenário, todos os detalhes dos seus melhores anos estavam todos guardados na sua mente; a caramboleira, a mangueira da casa lilás onde Eugênia subia no muro para derrubar algumas frutas enquanto os cachorros latiam pelo lado de dentro e nos assustavam. Agora ali é um condomínio; gente bem vestida com carros modernos e raros sorrisos, que às vezes se jogam de seus andares ou resolvem seus problemas com um disparo quebrando o silencio da noite, interrompendo os sonhos e a inspiração dos que se apaixonaram e ainda amam a vida.
Emily se move numa cadeira de rodas na madrugada, cumpre a parte do pacto que lhe cabe; amar sempre com fidelidade e lealdade; lê os poemas de Luis Otavio, relê os seus. A vida não é perfeita, as pessoas não são perfeitas; amar a vida e as pessoas, esse é o sentido da vida.
Eu, a Caneta e o Vazio
Sempre achei que a razão pela qual escrevo era colocar meus sentimentos em palavras — assim, sem compromisso, sem obrigações. Só para me sentir liberta de algo que talvez eu guarde sozinha, para mim.
As palavras foram a forma que encontrei de não me afogar em sentimentos desorganizados.
Mas hoje está tudo uma bagunça.
Misturei obrigações com minhas poesias.
Gastei palavras demais porque alguém, um dia, me fez acreditar que eu devia essas palavras a ela.
E hoje, me faltam palavras para expressar o que sinto.
Mas eu não julgo — a escolha foi minha.
Hoje, vivo com as consequências.
Consequências da escolha de, um dia, ter colocado alguém acima de mim.
Estou me afogando —
Afogando na insatisfação de minhas frases e textos não superarem minhas expectativas como antes.
"Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim."
Eu falo sobre a vida para mim mesma,
E sempre que tenho, sequer um segundo para não pensar em nada,
Me questiono: o que é a vida? O que é estar vivo?
E qual o sentido disso tudo? Por que tem fim?
Falo de vida, de como vale a pena viver pelas coisas boas,
Mesmo elas sendo pequenas e mínimas.
Tudo pode estar horrível agora, mas, como eu,
Prometa sobreviver e viver pelos detalhes que fazem você feliz.
Viva pelas músicas que te dão prazer ao ouvir,
Viva pela companhia de alguém que você gosta,
Viva pelo hobby que te faz feliz,
Viva pelas sensações. E sim, vale a pena,
eles vivem por você, viva por eles também.
O que seria das músicas se você não existisse para sentir prazer em ouvi-las?
O que seria daquele pobre ser, sem você para desfrutar de sua companhia?
O que seria dos seus hobbies, sem você para executá-los e chamá-los de "meus"?
O que seria dos sentimentos, sem você para senti-los?
Viver vale a pena sim, a vida é bonita sim, é cor de rosa sim!
Você enxerga a vida do jeito que quiser.
E essa é a graça, você tem todo controle.
Sinta, respire, ouça, olhe,
VIVA!
Quando menos esperar, você vai perceber que já está de luto pelo fim, e não mais desejando antecipá-lo.
"Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim."
Paixão Anestesiada
Sempre fui instável,
anestesiada,
um corpo ausente,
um peito vazio.
Nada me tocava,
ninguém me incendiava.
Até que você surgiu,
e meu corpo ardeu em chamas
quando se fez presença.
No começo,
você era tudo o que eu sonhei,
uma versão moldada pelos meus olhos cansados,
pelos desejos que eu escondia até de mim.
Atração fatal,
que crescia em silêncio,
se tornava paixão
sem que eu pedisse.
Eu te desenhei,
mais de uma vez,
como se os traços pudessem conter
o que eu sentia.
Escrevi cartas disfarçadas,
deixando pedaços do meu coração
nas entrelinhas,
esperando que você soubesse ler
o que eu não dizia.
Mas hoje,
me sinto boba.
Porque tudo o que enxerguei em você
eram só ilusões,
ecos de momentos mínimos
que jamais definiram quem você foi.
eu só queria ter enxergado antes.
O mais interessante é que eu sempre seguia um padrão invariável,
logando no primeiro símbolo e pulando para o terceiro, depois
voltava ao segundo para em seguida saltar para o quarto. Simples assim,
consecutivamente, criptógrafo por criptógrafo, numa simbiótica
relação de interdependência e inviolável relação de cumplicidade.
Era inegável o vínculo de criptopacionalidade do qual
dependíamos. Desse vínculo dependia nossa privacidade e segurança mútua.
Feche os olhos, sinta os sonhos, e talvez perceba que seus olhos sempre estiveram fechados pra vida.
Nada é para sempre.
Nem a luz, nem as trevas.
Nem as guerras, nem mesmo a paz.
Tudo nessa vida é passageiro.
A própria vida é tão passageira, tão fugaz...
Tão tênue como uma luz distante, oriunda de uma estrela moribunda.
Estamos em meio a uma agressiva tempestade.
Mas uma hora essa tempestade também há de passar e ceder espaço à bonança.
O que hoje nos apavora se tornará um doloroso aprendizado.
Nunca esqueceremos, mas vamos superar, pode apostar.
No fim, tudo vai ficar bem, vocês vão ver.
Deus com sua infinita bondade sempre nos perdoa, e o que nós fazemos? Vamos lá, e erramos de novo. Mas quando você entende "o propósito do Espírito Santo em você", a sua vida é transformada.
Quando você deixa Deus agir na sua vida, você começa a enxergar tudo com uma visão diferente, seu coração transborda bondade, nada te aborrece.
A paz reina de uma forma extraordinária.
Você muda por completo, tem mais empatia, mansidão, ajuda mais o próximo , agradece mais do que reclama.
Deixa Deus agir
Lutar sempre
Mesmo que te faltem as luvas
Lutar sempre
Mesmo que te faltem algumas habilidades.
Lutar sempre
Mesmo que ninguém acredite em você
Lutar sempre
Mesmo quando te faltar forças
Lutar sempre
Até se tornar um vencedor
Você só não pode ficar sem o seu treinador
Jesus Cristo
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