Frases de esforço e recompensa que falam do valor do sacrifício
“Sinto que há uma criança em mim que olha para o adulto que sou hoje e pergunta: estamos vivendo nossos sonhos? Estamos fazendo valer a pena? Temos orgulho de nós?”
O tempo é um rio, e Binah é sua corrente. O iniciado sabe que, no coração da correnteza, há sempre um ponto imóvel onde tudo já aconteceu e nada jamais acontecerá.
Há quem atravesse a vida sem enxergar milagres em nada. Mas existem aqueles que aprendem a olhar o mundo com o coração e então descobrem que o amor, os encontros, o tempo e até os pequenos instantes são milagres acontecendo em silêncio todos os dias.
Há almas que nem o próprio Deus poderia salvar, ainda que se pusesse de joelhos e rezasse por elas.
Há algo irresistivelmente sexy em um homem que abraça sua calvície com convicção. Um charme exclusivo que transmite uma aura de inteligência e virilidade.
Deixo a porta entreaberta
Para que você
Volte um dia...
Mas, a cada batida errada,
Há o risco do interesse Descuidado...
Carente...
Tomando o lugar
Da esperança
Há Muita Dor, Mas Há Mais Amor
Sorrateiramente, memórias da infância me invadem e me fazem romper com o cotidiano.
Na lembrança, apresenta-se uma figura aterrorizante, um clichê de tirano.
Do meu quarto, sinto o odor do cachimbo, enquanto o desprezo em seus olhos exala ódio.
Mas ainda posso ouvir, da janela, apesar da tarde taciturna, as vozes das outras crianças brincando.
Do terceiro andar, fantasio-me brincando com elas no térreo, pois nem concebo a ideia de descer.
Por instinto, aguardo o déspota adormecer ou sair de casa, para que eu possa me divertir.
De repente, o interfone toca. Ele atende e, após alguns berros, sai depressa pelas escadas, entra no carro e me liberta.
Faço meus afazeres escolares; minhas irmãs dormem, minha mãe está no trabalho — e agora desobedecer é o mesmo que viver.
Viver é muito melhor que sonhar, e entrego-me de corpo e alma às brincadeiras, com minha pipa e meu pião.
Já estou sujo de terra como os amigos; ganhei pipas, perdi o pião, e acendi a chama do meu coração.
Minha alma é invadida pela alegria de ser criança — sinto que venci o mal.
Porém, subitamente, escuto a cavalaria do inferno através do escape velho e barulhento.
Corro mais rápido que no pega-pega, subo as escadas para que não perceba que estive brincando.
Entro direto no banheiro, tomo banho e começo a chorar, pois sei o que está por vir.
Você entra, espera que eu termine o banho e me surra com a mangueira que usou para lavar o automóvel.
E sofro mais uma das infinitas violências daquele a quem um dia chamei de pai.
Por esses episódios, passei a vida acreditando que não deveria ser pai, pois às vezes me via reagindo de forma igualmente inclemente.
Entre tantas escolhas, esse pensamento sempre permaneceu, por temer que um dia eu me tornasse como ele.
Arrependo-me profundamente, porque as decisões que tomei castigaram minha alma e me amaldiçoaram até recentemente.
Ainda que tardiamente, ser pai foi a melhor ventura que me aconteceu.
A importância de sê-lo é reconhecer a mudança e lançar esperança ao futuro.
Mas o mais especial para mim foi descobrir que, apesar de toda a dor que carrego, ainda sou capaz de dar e receber amor.
DRAL
"Há uma opulência silenciosa na integridade. Ser trilionário em bondade e justiça é governar um império onde a consciência é a coroa."
Acumulador de Feitos Invisíveis
conquistou
todas as coisas
que se há
para conquistar,
menos fama,
sucesso,
luxo, dinheiro e poder.
ele de fato
não teve nada
que pudesse mesmo
se gabar,
exceto insistência,
consistência,
dignidade, afeto e saber.
23/01/23
Michel F.M.
Um Punhado de Poeira Cósmica
há 13.8 bilhões
de anos,
o universo vem reunindo
os átomos
em movimento constante,
de infindáveis
maneiras,
para formar galáxias,
estrelas, planetas
e vida,
em instantes únicos,
inigualáveis.
especificamente
hoje,
este instante é nosso;
único;
inigualável.
13/02/23
Michel F.M.
[O Próximo Capítulo]
Parar
ou
retroceder,
nunca foi
uma
opção.
Portanto,
só há
uma direção
que
nos interessa,
que
nos sobra.
Em frente.
Não podemos
ficar
ou
voltar,
só podemos ir.
03/05/23
Michel F.M.
Cuidado com o orgulho, pois há necessidade diária de correr fugindo e perseguindo e uma coisa é certa não se consegue correr de salto alto.
CJR
@claudioribcjr
PORTAS INVISÍVEIS
Nem todos que cruzam nosso caminho encontram a porta aberta.
Há acessos que concedemos sem perceber, movidos por uma sensação difícil de explicar. Não se trata apenas de simpatia ou afinidade. É algo mais silencioso, quase intuitivo. Uma energia que nos alcança antes mesmo que a razão consiga traduzir.
Existem pessoas que chegam e, naturalmente, encontram espaço. Suas presenças não invadem; apenas se acomodam. Com elas, o diálogo flui, os silêncios não constrangem e a convivência parece familiar, como se a alma reconhecesse algo que a mente ainda desconhece.
Outras, por mais corretas e gentis que sejam, permanecem do lado de fora. Não por rejeição, arrogância ou falta de generosidade, mas porque nem toda presença encontra ressonância dentro de nós.
Aprendemos, ao longo da vida, que abrir as portas do coração exige discernimento. Nem todo encontro precisa tornar-se permanência, e nem toda proximidade precisa transformar-se em intimidade.
A energia que sentimos diante das pessoas nem sempre é explicável, mas frequentemente é reveladora. Ela nos aproxima, nos afasta, nos protege e, por vezes, nos ensina.
Talvez a maturidade consista justamente em respeitar essa percepção interior: abrir quando a alma encontra paz, limitar quando ela encontra inquietação, e compreender que selecionar quem entra em nossa vida não é egoísmo — é cuidado.
Porque as portas mais importantes não são as da casa, mas as que guardam aquilo que somos.
Mary Soares
"Há quem precise de segurança armada para andar na rua; o homem verdadeiramente culto anda protegido pela autoridade inabalável do seu próprio caráter."
O Comboio do Coração
Há, dentro do peito, um viajante antigo,
um maquinista de névoas e memórias,
que percorre trilhos invisíveis
entre o que sentimos
e o que ousamos dizer.
Chamam-no coração.
Mas ele não é apenas carne e pulsação:
é um comboio de corda,
movido pelas mãos secretas do sonho,
avançando entre estações de ausência
e plataformas de esperança.
Por vezes, canta.
Por vezes, range como ferrugem esquecida.
Ainda assim, segue.
O poeta observa, da janela da alma,
e traduz o movimento dos vagões
em palavras que parecem verdade,
embora sejam apenas o reflexo
da verdade vestida de imaginação.
Porque sentir é uma chama indomável,
mas escrever é transformá-la em estrela.
E toda estrela, ao nascer no papel,
perde um pouco do fogo original
para ganhar a eternidade da luz.
Assim, o verso parte,
como uma locomotiva atravessando a noite,
levando passageiros feitos de lembranças,
saudades sem destino
e amores que nunca desembarcam.
O poeta sabe.
Sabe que a dor escrita
não é a mesma dor sentida.
É uma irmã mais elegante,
que aprende a dançar com as sombras
e sorri diante do abismo.
Sabe também que a alegria,
ao vestir-se de poema,
deixa de pertencer a um único coração
e passa a habitar milhares deles.
Por isso, escreve.
Não para explicar o mistério,
mas para torná-lo ainda mais belo.
E o coração, esse velho comboio de corda,
continua a sua viagem interminável,
cruzando pontes de silêncio,
atravessando túneis de pensamento,
colecionando paisagens que ninguém vê.
Até que, um dia,
na derradeira estação do tempo,
os trilhos desapareçam no horizonte.
Então, permanecerão apenas os versos:
essas pequenas locomotivas da eternidade,
que seguem viajando sem fim
pelos territórios da alma humana,
enquanto o poeta, já ausente,
continua chegando.
Rô Montano
“Há noites em que a mente parece um campo aberto sob chuva, onde cada pensamento é uma lembrança que ainda não encontrou descanso.”
— Juliana Hoffmann Liska
