Segredo Nao Dito
Eu não dormi —
atravessei a noite armada de silêncio.
Havia um mundo em colapso
respirando atrás das paredes,
soldados marchando dentro do tempo,
e eu…
com as mãos cheias de nomes que amo.
Corri.
Não por mim —
mas por cada pedaço de mim
que anda solto no mundo
com o meu coração no peito.
Havia códigos escondidos no ar,
segredos costurados nos bastidores,
e eu entendia tudo
como quem carrega um mapa
que ninguém mais pode ler.
Mas o preço da lucidez
é nunca descansar.
—
Te levaram.
Não com gritos —
mas com laços delicados,
fitas de cetim preto
que pareciam suaves demais
para aprisionar um universo inteiro.
E ainda assim…
prendiam.
Me ajoelhei diante do poder
não por fraqueza,
mas porque o amor
às vezes se curva
para não se partir.
E então eu dancei.
Dancei com o medo,
com a guerra,
com o absurdo de um mundo
que tenta domesticar o que nasceu livre.
Dancei com você.
E em cada movimento
desatei um nó invisível
até que a liberdade coubesse de novo
no seu corpo pequeno.
—
Meus outros amores
ecoavam à distância,
como estrelas que não se apagam
mesmo quando o céu desaba.
Eu os guiava em silêncio,
em bilhetes invisíveis,
ensinando-os a sobreviver
sem que vissem o meu tremor.
Porque mães
não têm o direito de desmoronar
quando o mundo pede estratégia.
—
Mas eu sei.
Eu sei demais.
Sei do que se move por trás,
sei do que ninguém diz,
sei do fio tênue entre proteger
e desaparecer de si mesma.
E talvez seja isso
que me atravessa agora —
essa guerra que não terminou
quando abri os olhos.
—
Hoje,
eu ainda seguro a espada
mas minhas mãos tremem.
E tudo que eu queria
era lembrar
que não preciso salvar o mundo inteiro
para manter o amor vivo.
De todas as dores que eu já senti... nada se compara a de não ter vivido o resto da minha vida com você.
Naquele fatídico dia, eu não perdi apenas você, (jamais alguém amou outro alguém como eu te amei)... Eu perdi a mim (Existia uma eu antes de você e uma eu com você, mas não havia uma eu para depois de você), eu respirava nós dois, transbordava aquele amor descomunal que eu não sabia onde por ou que fazer com ele... E ele me consumiu dia após dia, até não sobrar nada que outro alguém pudesse amar...
A inutilidade da existência fadada ao fracasso, não me permite voltar e não conhecer vc...
Vc sobreviveu ao que me matou... E por alguma razão não tive a oportunidade de me enterrar... e ... sigo aqui... orbitando no nada, vitimada por essa doença que me devora sem trégua.
Meu peito sangra todos os dias...
Uma dor na alma que invade o corpo, queimando o tórax, atravessando meu peito, um amargo que sobe do coração à garganta.
Uma enfermidade que me assola incansavelmente...
Uma guerra que eu não consigo vencer, eu daria absolutamente tudo para simplesmente esquecer.
"Liderar não é administrar o que existe, mas assumir o desconforto de decidir pelo que ainda não está pronto."
A espiritualidade não exige templos,
é a arte de habitar o agora,
a profundidade onde se
reconhece o mistério da vida.
Bruxo/a
caminha
entre os ruídos
do mundo não físico
e escuta o que
não se diz:
a respiração
da Natureza.
Natal
Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.
O Natal acontece
para percebermos
que o sentido da vida
não se compra, constrói-se.
E que o Amor é
o melhor embrulho.
