Ray Santos
Meu erro
Eu tirei a armadura para te abraçar e sentir com a minha alma o seu calor inundando meu corpo... E você, me destruiu no meu engano, me derrotou no meu território: dentro do meu peito.
Meu erro
Eu tirei a armadura para te abraçar e sentir com a minha alma o seu calor inundando meu corpo... E você, me destruiu no meu engano, me derrotou no meu território: dentro do meu peito.
O conhecimento nos liberta do inferno que são as ilusões criadas pela ideia carnal do amor e nos aprisiona no vazio que é a ausência de engano!
Você me amou do jeito que eu sempre sonhei ser amada, mas você me traiu da forma que eu mais temia ser traída.
Você me tratava do jeito que eu amo ser tratada, mas você me desprezou, me diminuiu das formas mais cruéis imagináveis.
Você me devorou com amor e palavras lindas, me sufocou de carinho, de afeto, mas você me rejeitou tão friamente que até meus ossos doeram...
Ainda assim fui eu quem viveu o castigo que desejei para você: O procurei em outras pessoas sem jamais encontrar. Dia após dia vagando no limbo que há no vazio de todos lugares onde você não está...
Então finalmente eu vivi o dia do meu despertar: eu nunca o encontrei porque você nunca existiu.
De todas as dores que eu já senti... nada se compara a de não ter vivido o resto da minha vida com você.
Naquele fatídico dia, eu não perdi apenas você, (jamais alguém amou outro alguém como eu te amei)... Eu perdi a mim (Existia uma eu antes de você e uma eu com você, mas não havia uma eu para depois de você), eu respirava nós dois, transbordava aquele amor descomunal que eu não sabia onde por ou que fazer com ele... E ele me consumiu dia após dia, até não sobrar nada que outro alguém pudesse amar...
A inutilidade da existência fadada ao fracasso, não me permite voltar e não conhecer vc...
Vc sobreviveu ao que me matou... E por alguma razão não tive a oportunidade de me enterrar... e ... sigo aqui... orbitando no nada, vitimada por essa doença que me devora sem trégua.
Meu peito sangra todos os dias...
Uma dor na alma que invade o corpo, queimando o tórax, atravessando meu peito, um amargo que sobe do coração à garganta.
Uma enfermidade que me assola incansavelmente...
Uma guerra que eu não consigo vencer, eu daria absolutamente tudo para simplesmente esquecer.
MAIS UM ADEUS
Não importa o quanto a gente fuja, nem para onde vá… no fim, não podemos escapar de nós mesmos. Cada um de nós carrega dentro do peito uma batalha silenciosa, uma guerra íntima que ninguém vê. E, por mais que o mundo mude ao nosso redor, é dentro de nós que a verdadeira vitória precisa acontecer. Porque, se não vencermos a nós mesmos, perderemos todas as outras batalhas, inclusive aquelas que mais importam.
Seus hábitos devoram seus planos no café da manhã, e isso é mais do que uma frase… é um lembrete de que o amor, os sonhos e até as despedidas são moldadas pelas escolhas silenciosas que fazemos todos os dias. Não há destino escrito, só caminhos abertos, e, às vezes, eles seguem em direções diferentes, mesmo quando o amor ainda grita dentro do peito.
Você está indo embora, e eu fico aqui, entre a dor da ausência e a incerteza se teria sido melhor não ter vivido esse amor?! Não me despeço de você com rancor, mas com respeito, acredite, porque eu fui verdadeiramente feliz com você, não por você, não te carreguei nos ombros e não foi um fardo vê-lo sendo feliz comigo, porque você não sabe, mas eu sei que você era muito feliz ao meu lado!
De todas as pessoas que me machucaram, você foi o único que também me curou de algo, que apesar da dor, também me amou. Eu me sentia uma criança protegida, uma menina feita de amor e entrega, uma mulher completamente realizada...
E é isso...
Vai… segue tua estrada, enfrenta teus medos, transforma teus hábitos e vence tuas batalhas. Eu ficarei aqui, também lutando com as minhas, tentando ser alguém melhor, alguém que um dia consiga olhar para trás e sorrir, mesmo com tantos motivos pra chorar.
Leve com você tudo o que vivemos, tudo o que fomos… porque, apesar da despedida, uma parte de nós sempre vai existir, intacta, em algum canto dentro de você... em mim, consumindo todo meu ser.
Sabe do que eu jamais o perdoarei? Por ser tão vazio de mim, por ter me feito promessas que nunca irá cumprir, sussurrando por aí mentiras que eu adorava ouvir, por desperdiçar o tempo que não me deu, por escolher passear entre amores que não sou eu.
Adeus.... mais uma vez... que você se encontre, que você seja feliz e que jamais me esqueça...
Inevitável
A Via Láctea tem 200 bilhões de estrelas. Andrômeda 1 trilhão, a coisa mais distante que podemos ver a olho nu, atravessando o impossível só para ser percebida.
Se você estivesse lá, escondido entre bilhões de sóis, eu o reconheceria.
O aurora dos teus olhos atraindo para o vazio profundo, não como a luz do entardecer e sim como a luz do cosmos: confundindo, ferindo, atraindo para o buraco negro do teu egoísmo... ahhh se vc pudesse me arrancar de dentro de si mesmo.
Essa capacidade de reconhecer você, mesmo perdido na insensibilidade, vitimado pela prisão do livre árbitrio sem memórias, vencido pela carne que se trai, mesmo não estando sob tortura.
É uma maldição precisa.
Porque reconhecer, sem ter escolha de não fazê-lo... e saber exatamente o que vejo, e, por isso, não poder substituir, distorcer ou esquecer...
Uma sentença silenciosa que castiga quem enxerga longe demais... mas nunca o suficiente para tocar... Afinal o pra sempre é sobre viver de memórias e não sobre construir histórias...
