Segredo Nao Dito
E não sei o que sinto, não sei o que quero sentir, não sei o que penso nem o que sou.
Verifico que, tantas vezes alegre, tantas vezes contente, estou sempre triste.
Não vejo, sem pensar.
Não há sossego - e, ai de mim!, nem sequer há desejo de o ter.
(Livro do Desassossego - Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa)
Abaixo as melhores máximas que eu já li do Fabrício Carpinejar:
"Escrever não é desistir de falar, é empurrar o silêncio para fora."
"Liberdade na vida é ter um amor para se prender."
"A cafonice é sutil. Basta abrir o terceiro botão da camisa e o homem elegante já se torna brega."
"Os piores estragos são feitos por quem avisa que não queria incomodar."
"As traças só devoram os livros que não são folheados."
"O preconceito é um pensamento parado."
"Há gente que escolhe um prato no cardápio e pede para tirar praticamente tudo dele. Já é um outro prato."
"Egoísmo: quando sou generoso comigo."
"Se você acredita que ninguém está reparando quando você dirige, por que sempre é avisado quando a porta do seu carro está aberta?"
"Há gente que confunde amizade com desleixo e deixa o amigo sempre para depois."
"Quando alguém diz que se sente em casa, desconfie, pode não ser um elogio."
"Muitos não suportam a democracia. Não toleram a ideia de ser um voto vencido."
"O gênio não é o que tem boas ideias, é o que reconhece e aceita as ideias dos outros."
"Cama tem que ser espaçosa para renunciarmos a folga e ficarmos apertados um no outro."
"Porta-retrato é gaiola de gente."
"As árvores é que começaram com essa moda de tatuar o nome do amado na pele."
"O twitter é o guardanapo digital."
"Sou generoso para proteger meu egoísmo. Dou um livro de presente para não emprestar o meu exemplar."
"Direito de resposta só existe em relações sem passionalidade. Nos casais com fúria, a resposta é um dever."
"Da foto quadrada do porta-retrato à foto redonda da lápide. Viver é cortar arestas."
"O culpado por viver será aquele que vai dizer "desculpe por qualquer coisa"."
"Não sou homem certo para você. O problema é que tampouco sou o errado."
"O avô do twitter é o parachoque do caminhão."
"Acreditar na ausência de Deus é também uma fé."
"Casamos para perder a razão e nos separamos para defendê-la."
"Total contradição do amor: queremos conhecer quem amamos e, ao mesmo tempo, desejamos que seja imprevisível."
"Quem confessa os erros não significa que está arrependido, pode estar se antecipando à crítica."
"Não me tornei mais verdadeiro com o tempo, fiquei apenas sem paciência."
"Escrevo somente quando recebo ordens. Por isso tenho dupla personalidade. Sou vassalo de mim."
"A maior frustração para quem gosta de brigar é ouvir que tem razão no início da conversa. Terá que desativar seu arsenal de argumentos."
"O pecado não me constrange, o que me constrange é explicá-lo."
"Há gente que ama mas odeia estar apaixonada por aquela pessoa."
"O amor é perversamente sutil. Amar e gostar de amar podem não acontecer ao mesmo tempo."
"A verdade envergonha bem mais do que a mentira."
"A sinceridade não pode ser maior do que a educação."
"Quando o homem alega que ela entendeu errado, ele quer dizer que ela entendeu rápido demais."
"Casa mal-assombrada não é quando está vazia e abandonada, é quando fica cheia de parentes."
"Relações não terminam enquanto um dos dois não se declarar culpado."
"A ambição da fofoca é virar denúncia."
"Sofremos antecipado para não sofrer tudo de uma vez e acabamos por sofrer tudo de uma vez várias vezes."
"Quem pede conselho amoroso quer apenas que o amigo concorde com aquilo que já definiu em segredo."
"O elogio não me amolece, mas me enrijece."
"Quando uma frase atinge o maior sucesso e se transforma em provérbio, ninguém mais lembra do seu autor. A glória é o anonimato."
"Mal-educado não é o que deixa alguém falando sozinho, é quem fica falando sem se importar em ser ouvido."
"O cinismo é uma raiva muito educada."
"Não desprezo o boato. Toda notícia foi antes fofoca."
"Quando um não quer, daí é que os dois brigam."
LISBON REVISITED
(1923)
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
As pessoas não debatem conteúdo, apenas os rótulos.
O importante é o ser e não o vir a ser; um não é o oposto do outro, havendo o oposto ou a oposição, cessa o ser. Ao findar o esforço para vir-a-ser, surge a plenitude do ser, que não é estático; não se trata de aceitação; o vir-a-ser depende do tempo e do espaço. O esforço deve cessar; disso nasce o ser que transcende os limites da moral e da virtude social, e abala os alicerces da sociedade. Esta maneira de ser é a própria vida, não mero padrão social. Lá, onde existe vida, não existe perfeição; a perfeição é uma idéia, uma palavra; o próprio ato de viver e existir transcende toda forma de pensamento e surge do aniquilamento da palavra, do modelo, do padrão.
As pessoas que param de crer em Deus ou na bondade continuam a acreditar no diabo. Não sei porquê. Não, realmente não sei porquê. O mal é sempre possível. E a bondade é eternamente difícil.
Ainda que tuas forças pareçam insuficientes para a tarefa que tens diante de ti, não assumas que está fora do alcance dos poderes humanos. Se algo está dentro da capacidade do homem, crê: também está dentro de tuas possibilidades.
Marco Aurélio, imperador, in "Meditações"
Sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão.
Talvez não existam sinais. Talvez um colar é apenas um colar, e um puff é apenas um puff, talvez a gente não precise dar sentido a tudo. Talvez a gente não precise que o universo nos diga o que queremos, talvez já saibamos, bem lá no fundo.
Humilhar uma pessoa não lhe fará melhor que ninguém. Só lhe fará ignorante. Inundado na arrogância, na falsa modéstia.
Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo.
Às vezes ela reage diante de um pensamento mais complicado. Às vezes se assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montada num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar para sempre uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega. Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queda não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida.
Como quando se tira um vestido velho do baú, um vestido que não é para usar, só para olhar. Só para ver como ele era. Depois a gente dobra de novo e guarda mas não se cogita em jogar fora ou dar. Acho que saudade é isso.
EU SEI, MAS NÃO DEVIA
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora, a tomar café correndo porque está atrasado.
A gente se acostuma a ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo na viagem, a comer sanduíches porque não tem tempo para almoçar.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios, a ligar a televisão e assistir comerciais.
A gente se acostuma a lutar para ganhar dinheiro, a ganhar menos do que precisa e a pagar mais do que as coisas valem.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não a das janelas ao redor.
A gente se acostuma a não abrir de todo as cortinas, e a medida que se acostuma, esquece o sol, o ar, a amplidão.
A gente se acostuma à poluição, à luz artificial de ligeiro tremor, ao choque que os olhos levam com a luz natural.
A gente se acostuma às bactérias da água potável, à morte lenta dos rios, à contaminação da água do mar.
A gente se acostuma à violência, e aceitando a violência, que haja número para os mortos. E, aceitando os números, aceita não haver a paz.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza para preservar a pele.
A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde por si mesma.
A gente se acostuma, eu sei, mas não devia.
Sucesso é mais frequentemente alcançado por aqueles que não sabem que o fracasso é inevitável.
Não, eu não sou a melhor amiga do mundo nem de longe, muitas vezes vou esquecer de uma data especial ou o nome daquela pessoa que te fez mal, outras vezes vou ser grossa e até brigar contigo pelo simples fato de estar estressada, vou também fazer drama e me focar nos meus problemas esquecendo dos seus, às vezes vou sofrer uns surtos horríveis por ciúmes e infantilidade ou então vou calar a boca e tentar te afastar da pior forma possível, eu erro constantemente como amiga e sei disso, talvez consiga consertar os erros de agora, mas vão aparecer muitos outros diferentes.
No entanto, tô aqui pra te pedir três coisas: a primeira é para que não tenha medo de apontar os meus erros, quero saber o que te incomoda e no que posso melhorar para ser uma amiga cada dia mais incrível, além do mais você merece. A segunda coisa é que nunca se esqueça que eu te amo, que por trás de todos os meus erros, mais alto que todos os meus gritos, acima de todas as minhas paranoias, dentro de cada verdade bruta que digo está o meu amor por você, um amor puro que mesmo com todas as coisas ruins ainda continua crescendo. A terceira e a última coisa é nunca desista de nós, vão vir várias marés ruins, muitas tempestades, furacões e tsunamis, mas não desista, por favor, eu te garanto que depois de tudo as coisas sempre vão melhorar, que vou te dar momentos incríveis e apoio em tudo que precisar, então não desista da nossa amizade quando as coisas apertarem, vamos caminhar juntos de mãos dadas em qualquer tempo, ok?
Eu não te prometo ser a melhor amiga do mundo, mas te prometo todo o meu amor e todo o meu melhor.
- de uma amiga não tão boa
