Seco
ALMA EXTRA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Se me deres teu gelo, farei gelo seco;
serei gueto pro beco, inferno pro teu limbo;
quando fores carvão já serei minha cinza
dissolvida nos ventos de nova ilusão...
Otimizo a medida, remexo a receita
que me dás desse amor pretendido por nós,
para termos colheitas de alguma igualdade
onde a voz de um lamento seja o eco doutra...
Tenho sempre uma rosa inerente ao espinho,
levo sempre um caminho paralelo oculto
e um vulto que sirva como alma extra...
nas escolas de amar me formei em defesa,
em fingir que sou presa pra ser predador;
devolver qualquer dor que me façam sentir...
QUEM ME AME
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já não quero seu eco
me devolvendo a seco
o que me soa infame...
Não quero mais alguém
que me ame também...
desejo quem me ame.
Jamais habita em campo seco das mas escolhas quem ramifica em terra fertil das
paixões!
(Vinnicius Pinto)
A chuva é dádiva quando o solo está seco. A terra absorve com avidez, com uma sede tão grande... Igual o meu interior, quando o pranto contido ameaça desabar... O choro que cai, lava e traz uma sublime paz a alma.
Antes de se tornar seu coração um ramo seco, procure adubar primeiro sua mente com pensamentos positivos e ações frutíferas.
Viver indignado em ver o incorreto no Brasil:
É um rasgar-se em um choro seco
E remendar-se pelo desespero;
Mímesis
Procuramos sentimentos e achamos apenas o eco de nossas vozes
Quando o eco volta seco e árido a tristeza nos consome
Acordamos e lembramos que apenas foi um sonho
A rotina engole o sonho e transforma em ação
Procuramos a ação e achamos apenas o eco de nossos gritos
Quando o grito incomoda é o ódio que nos consome
Sabíamos que o eco era um alerta para o processo de reificação
O processo se tornou a metalinguística da própria rotina
A bifurcação já se tornou ‘unifurcação” a tanto tempo…
O presente sempre um rolo de filme repetido
O futuro o presente calculado
E do passado só resta o medo
O tempo… “Este” sempre será uma narrativa.
A velha hiena diz exausta olhando para o céu:
- Não quero mais disputar esse osso pequeno e seco com aqueles que deveriam ser meus amigos e irmãos... - E todo o bando de hienas chove sobre o pedaço amarelado de cálcio e fósforo no exato momento em que ela o solta.
Logo que se afastou cabisbaixa e "farejante" tentando encontrar um ossinho menos disputado, a velha hiena escuta uma voz doce ao seu lado dizer o que lhe soou como uma provocação amistosa:
- Se levantares o focinho acima do que te ensinaram ser o essencial,
vais vislumbrar um mundo infinito de delícias ainda intocado... - E virando-se para ver quem era que falava deparou-se com a pequena borboleta.
Ela ficou pensativa e arriscou um breve olhar em um ângulo mais alto.
O que viu superou todas as suas mais insanas ideias de paraíso.
A vida tornou-me este porto seco que não recebe visita de navios, secaste meus olhos que choro tanto e não sai lagrimas. Talvez porque sou como o peixe minhas lagrimas não aparece.
Se lágrimas resolvessem problemas eu estaria mais seco que o sertão nordestino. Por hora, apenas imerso na vastidão da represa interna que existe em mim.
Tentar "garimpar" sentimentos ou gratidão num coração seco é um tipo desnecessário de buscar vida onde não há sede de viver, porque a vida é sentir.
Não se permita abraçar a TOLERÂNCIA e sentir-se satisfeito, pois ela é um poço quase seco, com apenas um palmo de água, escuro, profundo e que poucos dele escapam. É o refúgio da incompreensão, disfarçando o nojo com um sorriso morno, travestida para agradar. Compreenda, não tolere...
O amor sozinho queima como o fogo ateado ao mato seco. Acompanhado aquece e aconchega na fogueira a dois na noite vendo a lua e as estrelas. Amar sozinho não me serve. Nasci para trilhas que se cruzam para perder o fôlego no respirar do beijo na boca dela. Da energia que se mistura dos nossos corpos. Quanto mais, mais me dou. Quanto menos, menos estou e me vou.
Ir estando no mesmo lugar. Ir, pois é preciso se retirar, mas estar comigo mesmo em todo lugar. Os lugares são os mesmos, pois a rotina esta no dia a dia, mas lugares novos para visitar também me levo para passear. Talvez novas companhias, mas uma sempre esta que sou eu a me acompanhar.
Quem quiser vir comigo enquanto amor pode ficar, do contrário escolho sozinho continuar.
VERSOS MARGINAIS
Meus versos não servem para você
Sujeito seco
Para olhos mudos
E coração sem júbilo
Se não és maleável
Não leia meus pensamentos
Porque meus versos derretem.
Porque a vida não é apenas viver
Eu não preciso métrica nem rima
Ou notas retilíneas
Para compor meu poema
Porque andar sempre em linha reta
Se perde nas curvaturas da vida.
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