Seca
"O Quinze apresenta as consequências devastadoras da grande seca de 1915 no Nordeste do Brasil, onde a resiliência e resistência do povo nordestino se erguem como um testemunho da luta incansável contra as adversidades impostas pela natureza e a negligência do governo."
(PAULA, Vitor Ferreira de. "O quinze?" Campo Grande: Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, 2024, p.01)
Quando sua fonte seca, o manancial de Deus continua jorrando; quando sua dispensa fica vazia, o celeiro do Senhor continua cheio." Ele é a nossa provisão inesgotável (Filipenses 4:19).
Há lugares onde já não há maná.
Há estações onde o poço seca.
E há promessas que só brotam
quando obedecemos e damos o passo da fé.
*Água sobre a cidade*
Num tempo, São Paulo seca.
Agora, encharcada...
Como se as águas conscientes,
Morando nas profundezas da terra,
Entendessem o seu lugar
para retornarem sempre:
Ora amigas.
Ora bravias.
Matando a sede,
Enchendo casas,
... Ruas
... e as próprias almas!
junho/04
"A terra seca anseia pela chuva
Chamando a garota para a dança das gotas
Haja felicidade, comtemple o vôo das águas
Una-se ao magnífico homem! e
Venha apenas apreciar a garota dançando
Assim como a água
Evoque sua criança,
Alivie o que ela pensa a respeito do seu ser.
Gruniu o céu com luz empoderando a beleza
Aprisionada de uma mulher, quebrou-se a
Restrição que abita teu corpo?
Ouve as gotas
Tocando o rosto dela? Olhe o seu sorriso, vai
Abraçar-la, se sentires que o cheiro da chuva salta daquele corpo parabéns, tu amas de verdade."
"Sou a espada flamejante nas mãos do meu General de guerra. É Ele que me conduz à rama seca para a qual deve ser cortada."
— By Coelhinha
Quando a relva fina, seca e rasteira parece não suportar mais nem um dia, quando num lago enlameado os peixes começam a desvencilhar do barro, quando as folhas secas parecem não pertencerem mais aos galhos e caem, aí Deus com sua suprema e infinita bondade e sabedoria manda a chuva e a natureza já esverdeada volta a favorecer a vida.
Não deixe o tempo levar para longe o seu amor como folha seca ao vento, não deixe no relento quem deseja dormir no seu abraço, um gesto pode mudar os rumos.
A Seca
Estávamos sofrendo,
Uma terrível seca,
O solo rachado,
Os bichos morrendo de fome,
Eita seca sofrente,
Que mata e deixa agente,
Numa tristeza danada,
Muitas vezes condenada,
E quase sem esperança,
Mas o nordestino,
Cabra forte desde menino,
Assuporta, até morte,
Mas não há quem lhe tire,
Sua fé em Jesus,
Ele, passa fome, chora,
Se aperreia, esperneia,
Fica que da dó,
Mas num desiste por nada,
Ai chega dezembro, vem Jesus,
De manhã, tarde e noite, derrama,
Chuva, muita água,
Tá enchendo tudo,
Mas tu sabe o motivo
Foi a fé do matuto,
Orou, rezou, clamou,
Ao senhor dos exércitos,
Dono de tudo e de nós,
Para que se compadecesse,
Desse povo pequeno e sofrido,
Que ele ama e jamais esquece...
Poeta Matuto: Semeador da palavra de Deus, Francisco Junior da Silva Fernandes.
INSURGÊNCIA
A fome e a seca no Nordeste não foram tragédias naturais — foram estratégias. Sintomas de um projeto político que tem donos: da terra, da água, do poder.
Desde o período colonial, o Nordeste foi desenhado para sangrar. As mãos que aravam a terra nunca foram as que a possuíram. E, assim, condenaram um povo inteiro à miséria.
E o que ficou no Nordeste? A terra rachada… e as mulheres.
Elas não migraram. Ficaram.
Ficaram para segurar o mundo nos ombros, com os filhos no colo e a esperança entre as mãos.
Mesmo quando não havia farinha, comiam palma. Enganavam o estômago das crianças com caldos ralos, enquanto rezavam para que a noite não levasse mais uma vida.
E é aqui que começa a insurgência.
A insurgência dessas mulheres foi não morrer. Foi não ceder.
Foi insistir em existir onde tudo ao redor pedia silêncio e desaparecimento.
Suas mãos calejadas, seus pés rachados, seus olhos secos de tanto chorar — tudo isso é marca de uma luta que nunca foi reconhecida como deveria.
A verdadeira insurgência nordestina tem o rosto dessas mulheres.
Elas são a terra que não cede, a raiz que não morre, a memória que não se apaga. Lilian Morais
Há momentos em que a arte não representa.
Ela confronta. Ela insiste. Ela se ergue.
Insurgência, como nos propõe Lilian Morais, não é revolta ruidosa, mas fogo subterrâneo que ascende em silêncio e cor.
Esta exposição não se limita a apresentar obras: ela se recusa a calar afetos.
Cada traço, matéria e composição é um fragmento de um corpo que pulsa — corpo individual, corpo social, corpo-mulher, corpo-luta.
A insurgência que Lilian nos convoca é ao mesmo tempo íntima e coletiva: nasce de dentro, mas se espalha para fora, como se cada tela estivesse tentando respirar pelo mundo.
Numa época marcada pela normatização dos gestos, dos desejos e das imagens, sua arte desvia.
Desvia do esperado, do domesticado, do permitido.
E ao desviar, revela:
revela o que foi silenciado, o que foi esquecido, o que nunca teve nome.
A escolha do título Insurgência não é aleatória: é afirmação.
É o reconhecimento de que a arte pode — e deve — ser território de fratura e reinvenção.
Aqui, as cores não decoram; elas denunciam, acolhem, provocam.
Os vazios não são ausências; são respiros.
As formas não obedecem; elas insistem em ser o que são.
Lilian Morais entrega sua insurgência com elegância firme, com delicadeza dura, com beleza que não fecha feridas, mas as mostra com dignidade.
É arte que se posiciona sem se explicar.
É arte que não se curva — e por isso toca.
Numa cidade como Salvador, onde os tambores da história ainda ressoam nos corpos das ruas, a exposição Insurgência não poderia encontrar lugar mais vivo.
É nesta Bahia de lutas e encantos, de dores e reinvenções, que a artista instala sua travessia.
E convida:
não apenas a ver, mas a sentir.
A escutar o que vibra dentro de cada imagem.
A insurgir-se, também — ainda que só por um instante.
Por Humberto Silveira
Sapienciais 2:4
A seca e os furacões vêm em suas épocas; governantes e presidentes são substituídos; tudo passa, mas a sabedoria de Deus é imutável.
Mantenha sua pólvora seca e seu cantil cheio. Esteja preparado para o pior e saiba aproveitar os momentos bons. Valorize quem te valoriza e honre sua família. Mantenha seu corpo e sua mente treinados. Esteja sempre pronto para aprender, estude. Acostume-se a caminhar sozinho e não se iluda, nos momentos críticos você estará só. Cultive sua fé. Seja forte, despreze o medo e saiba ligar o foda-se com certa frequência. Evite olhar para trás com apego, isso pode aniquilar suas chances de progredir. Procure se divertir durante a luta e saboreie suas batalhas. Em alguns anos, por mais cruentas e difíceis que sejam, suas peleias estarão entre os tesouros mais valiosos das suas lembranças. 💀🇧🇷⚓️
