Se Fosse Só Sentir Saudade
Relendo um pedaço de vida
Escrito qual fosse
Endereçado aos Céus
Redigido em dourado
Uma longa descrição de nada
De frase em frase
O sentido das coisas muda
Depois de alguns pontos finais
Na mesma linha, ainda tentava
Enquanto a ideia era a mesma
O mesmo fôlego, depois da virgula
Um aposto
Reticências
A vida seguindo entre aspas
Navegava
Dígrafos e interjeições
Transmutanto em novas
As mesmas sempre velhas sensações
Esperanças em letras maiúsculas
O parágrafo insistente
Uma pausa a cada nova esclamação
O sinal que interroga
Uma praga que rogam
Bem querer descrito
Um mal feito
O antônimo de tudo
Transformando agora em nada
O que parecia
Tão bonito no princípio
Quem leu
Pouco soube interpretar
Lentamente
Sem sentido
Eis que surge
O último ponto final
Se fecha o livro
Livre pra prosseguir
O verbo é viver sem destino
Despedida; substantivo feminino
Sem sínteses
Nem parêntesis.
Edson Ricardo Paiva
De vez em quando eu escuto
O som dos silêncios falando entre si
Talvez, se fosse assim
Desde o começo
Hoje, não seria esse o preço
Se a gente soubesse viver
Sorriria o sorriso que nos cabe
Hoje eu ouvi do silêncio
Que nem sorrir a gente sabe.
Edson Ricardo Paiva.
Se fosse apenas
O lançar um olhar ao mundo
Mas tem sempre alguma coisa a mais
Uma espécie de indiferença velada
A pergunta que germina da resposta
Quantificada na imensa quantidade
das eternas reticências
Que cada um de nós a guarda
Em silêncio profundo
Que diz que não vai dizer mais nada
Pois o mal não vem daquilo que faz mal
Ele só reage de maneira diferente
de gente pra gente, quaisquer sejam elas
Eternizando a alguma coisa
Que não encaixava e não cabia
e sabia que estava lá
Igualando desiguais, tem sempre algo mais
No invisível voo da Quimera
Flutuando em seu mais baixo nível
Te aguardando, sem demonstrar jamais
Que mais e mais ela te espera
O que conta é o que tivemos desde sempre
Escondido e sem fazer ruído
Em algum lugar dentro de nós mesmos
E que a gente morre
Sem nunca saber o que era.
Edson Ricardo Paiva.
Se a gente fosse olhar direito
O que podia ser tão simples
Complicado, carregado de defeitos
Pode ser que sem querer
a gente compre
O que há muito
Deus já tinha dado
Parece
Que olhando do Céu
Esse pedaço esquecido
O tempo do verbo
Ficou no passado
E por menos que se divida
No final da tarde
É madrugada
Nada mais
Além de espaço
O vácuo Indescritível
Um sinal de igualdade
Um papel amassado
À esquerda o passado
Do lado direito o moderno
Qual se fosse o resultado
de tudo que a vida trouxe
Mas por menos que a gente divida
O produto final é nada
Na mente da gente
Um inferno e um Céu
Um tempo presente
Eternamente passageiro
Transitório
Inclusive o mundo inteiro
Até mesmo o papel
e a conta que estava errada
Na regra de três
Muito simples
A linha torta
Três retas
O passado retratado
Era quadrado
Fica sempre mais difícil
Quando o simples, complicado
Colocando distante o bem perto
Escrevendo o errado
Por seus próprios méritos
O tempo presente
No momento seguinte
Pretérito.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje
Pensei que fosse
por acidente
Pois encontrei-me comigo
Achei que era sorte
Pois era aquele lado de mim
Que era amigo
E que eu nem percebia
Que tinha deixado saudade
Mas como o acaso inexiste
Cheguei a sentir-me um tanto triste
Quando percebi
Que ele esteve sempre aqui
E era eu
Que tinha me afastado
De mim mesmo
Acontece
Que isso acontece
Muito mais do que se pensa
Mas o tempo passa depressa
E um dia, de repente
A gente deixa de perceber
Que existe sim, diferença
Entre viver somente
E viver
E querer estar comigo
Gostar de mim
Assim, do jeito que eu era
Imperfeito, assim como sou ainda
Porém um tanto mais vivido
Pois, não existe
Ninguém neste mundo
Mais indicado que eu
E esse meu lado que gosta de mim
Pra poder me aconselhar
Nas horas que pensar em ficar triste
E agora
Vou estar comigo
Até o fim
Só não sei por que foi que eu permiti
Que a vida toda
Não tenha sido assim.
Edson Ricardo Paiva.
Qual seria a graça dessa vida
Se fosse feita eternamente de certezas
E a gente tivesse a receita
E conhecesse o momento exato
da morte, do erro
e de encontrar o grande amor
Que um dia há de perder.
A mesa posta na hora certa
A resposta sempre positiva
Nenhum curativo ou corte do dedo
Aquela pessoa que deixou saudade
Ao morrer na infância da gente
Ainda está viva
O alívio imediato
Ausência do medo
Comida que a gente gosta
No prato de porcelana
O segredo da vida pintado
No óleo sobre tela
Pendurado na nossa parede
No gancho a rede
Lençóis de algodão egípcio
Seria muito bom no início
Mas que graça tem isso pra nós?
Se gente aprende muito mais
Devido ao amor fingido
A dúvida da falsa amizade
Na pergunta sem resposta
Presença muda
Olhar evasivo
A lágrima que ficou
A tristeza que invade
Chuva no final de tarde
Justamente
Quando era hora de voltar pra casa
Faz parar um pouco e lembrar
Que ninguém te espera
Me diz a graça que tem essa vida
A ser sempre um circo de feras
O pote de ouro
Dinheiro contado
Dois Sóis a brilhar de dia
A estrela
que havia na madrugada
Se apaga pra eternidade
A menor distância
Entre a dúvida
e a suposta verdade
O rosto escondido atrás das mãos
Toda a certeza que existiu na vida
A frágil alegria
Chega um dia em que nada é igual
Não passa de cristal que se quebrou
Qual seria a graça dessa espera
Se um dia
A gente não chegasse à conclusão
Que a própria vida em si
Não passou de mera ilusão?
Edson Ricardo Paiva
O amor da minha vida tem nome, usa um perfume gostoso e caminha por ai descaradamente como se fosse uma mortal.
Mandaram eu escrever um poema
Cujo tema fosse a palavra problema
Por achar coisa difícil perguntei:
Como assim
O problema está no início
ou está no fim?
Está no Mundo ou em mim?
O problema pode estar atrás da porta
Só os mortos não tem problemas
Os fracos e os fortes os tem
E mesmo estando presente
Ele pode vir lá do passado
Num dedo quebrado,
Embarcou no bonde errado,
Recebeu um mal olhado.
Todos temos um problema
Que julgamos ser individual
e na verdade é coletivo
e afeta a toda a Humanidade
difícil saber qual é
às vezes
a gente toma o problema nos braços
e aperta contra o peito
com toda força
Por medo de perder
E ficar de coração vazio
Ainda bem que não pediram
Pra apontar a solução.
Amanhã
Quando for de manhã
Sorria e receba esse dia
Qual fosse a primeira manhã
Amanhã
Quando vir esta poesia
Seremos nós desejando bom dia
E depois
Após a manhã desse dia
Deseje uma boa tarde a alguém
Relembre que será também
A primeira tarde
Dessa sua nova vida
Mas enquanto ainda for de manhã
Não aguarde pela tarde
Como se fosse uma tarde qualquer
Pois quando chegar a noite
Não será apenas o final de mais
um ou outro dia
Será o final do primeiro dia
Em que finalmente
A alegria infinda, desejada e bem vinda
Terá chegado pra ficar
Em todas as nossas vidas
Fustigando-me a alma triste
como se fosse leve brisa
o tempo me traz a lembrança
da tua distante presença
sorrindo de forma indecisa
Uns dias dá-me paz
Noutros insiste
Sem noção do mal que faz
Ao coração que tanto pisa
Fecho meus olhos, no escuro vejo
Aquele melancólico olhar
Que se recusa a me enxergar
Cabelos de Mar, pele de diamante
presença tão radiante
Que se faz sentir na ausência
No dia em que chegaste, primavera
Trouxeste consigo teus irmãos
Maior fosse tua família
traria juntos pais e irmãs
Amanhã, já ninguém se lembra
Que ontem foi mudança de Estação
As folhas já nem sabem mais
Qual é seu tempo certo de cair
Num mesmo dia vem aqui todos vocês
Não existe mais prevalecência
de um irmão sobre os outros três
Eu fico aqui, coberto de descrença
Sem saber dizer ao certo
Quando era mesmo que floresciam os Ipês
Alguém me disse, quase com certeza
não haver mais a antiga beleza
Que gerava as festas das Mudanças de estação
Pois o ano inteiro parece ser um só Verão
Não há mais chuvas finas
Flores, borboletas, abelhas e pássaros
Garoas não mais existem
Nem frio, nem romantismo
O Humano sinismo
que hoje a tudo envolve
Envolveu também a Natureza
Que hoje
Todo aquele cretinismo nos devolve
Quando for amar alguém
Se for possível, afaste-se e não ame
Se fosse possível escolher a quem se ama
Eu te aconselharia
A amar a quem vem até você
E não a quem te chama
A quem te apreciasse e fizesse elogios
Pois amar é dividir a vida
E formar parcerias
É ter alguém em quem se confia
E com que se pode contar
Pois, pra colocar pedras em teu caminho
Já bastam teus oponentes
Amar é dividir
e querer ver sempre contente
jamais o oposto
Ser amado é ganhar um abraço
Quando chegar 8 de agosto
Agora, quando quiseres
Matar um gigante
E desfazer o amor maior que existe
Basta seguir a dica
E seguir a vida adiante
Te asseguro
Não há nada que resista
E não há nome pro que fica
Eu juro que nunca pensei
Que tanta coisa assim fosse mudar
O que um dia foi tão bom
Hoje, é lembrança vulgar
Passado o tempo
Eu nada concluo
Concluo que não há nada a concluir
A vida não é um voo
Não é uma viagem
Não é uma paisagem
Talvez seja isso tudo
Somente miragem
Semeamos sonhos
Só isso
A realidade não tem compromisso comigo
Ou eu com ela
Ainda bem
Creio que ninguém queira neste momento
Estar no meu lugar
E nem mesmo junto a mim
Prossigo assim
Sozinho e calado
Espero a noite chegar
E ainda tenho medo do escuro
Tenho medo do futuro
Remotos tempos bons passados
Pra passar que foi tão duro
Por não haver conclusão
Percebo mesmo assim
Está tudo interligado
Nada ao longe, tudo perto
Aqueles lindos e imensos jardins
Não existiriam
Se não existissem os desertos
Portanto, continuo vivendo
E vendo a vida passar
sem se lembrar de mim
E esta é a luz,
que apesar de quase ninguém ver
A tudo clareia
Tem gente que é flor, é primavera, é cor
Eu sou somente frio e calor
Sou solidão, eu sou areia.
Lembro-me
bem e como
se fosse hoje
dos primeiros
passos dados
pelos anjos
da liberdade.
Elias é mais
um que desde
o dia que foi
preso não
deixaram ver
o sol brilhar.
Não dá para
fingir que nada
aconteceu,
Não dá mesmo,
e nunca deu.
Há muitos
desaparecidos
em Tumeremo,
Te pergunto:
-Isso vai ficar
por isso mesmo?
E assim vendo
a distância
as cenas
que passam,
Vejo que
a desgraça
de uma intriga
que mantêm
um General
preso inocente
numa tragédia
infinita por causa
de gente que
anda usando
o nome dele
de forma indevida.
Fechando os olhos
pense no seu lar:
imagine se tu fosse
impedido de entrar
pela porta da frente,
foi o quê o Chile
fez com a Bolívia
impedindo de ter
o acesso ao mar.
Pense se o seu
direito fosse negado
por quem tem o
dever dele pelo bem
comum ser um bom
paladino da paz
combatendo o ego
que o mundo jaz.
Em pleno século
há a constatação
da existência
de quem não
quis entender que
você só tem pelos
fundos e pelo alto
como entrar;
reclamo essa
verdade cortante
porque consigo me
colocar no lugar,
e pela moralidade
vi que falharam
porque deixaram
de optar por
aquilo que é
direito assegurar.
Há quem já tenha
a sã consciência
que existem certas
vitórias que têm a
ver com derrotas,
e nada têm a ver
com conquistas
porque violam
a justa lei da vida.
O dia primeiro será
lembrado como
o dia da injustiça
enquanto não houver
mais iniciativa por
parte de quem errou
fazendo o mal ao povo
e a história e abrindo
mão de querer consertar.
Com o Pai-do-Mato
caminho lado a lado,
da Criação Divina
ele cuida como se
fosse a própria filha,
E por ele também
me sinto protegida.
Com o Pai-do-Mato
caminho por onde
nunca ninguém
antes tinha imaginado,
Ele me livra inclusive
do teu mau olhado.
(O Pai-do-Mato é lançador,
dos arbustos é sacudidor
e da consciência alheia
que acha bonito andar
no meio da Natureza
insistindo fazer malvadeza).
Parece que até sinto
como se fosse real,
o calor da tua mão
tocando na minha,
Desejo te encontrar
para colocar cada
assunto nosso em dia,
Você girando o meu
corpo na tua direção
com delicadeza
e no ritmo do Universo,
Desejo na mágica
da hora certa,
só o quê desconcerta,
Quero tudo aquilo
com você que
nos leve até a Lua
e para o amor conduza.
Viver como você
não fosse imprescindível
convergindo para os valores
da paz e da vida
é viver plenamente
o Ano Novo
diariamente renovado.
No calvário do mundo
tenho caminhado
carregando as dores
de um povo inteiro
como seu fosse o meu,
Se um povo sofre é
com ele me reúno,
Porque o meu coração
feito de oceano
não permite descansar.
O bem sempre será
mesmo que uns rejeitem,
Cada Pátria haverá
de vencer contra todas
as correntes que a impedem.
As Mães sempre serão
a fonte de todo o Bem,
Por elas devemos sempre
fazer o Bem sem ver a quem,
Não se importem com aqueles
que ainda não compreendem.
Nesta noite irá se erguer
a Estrela-de-Belém,
Diga onde estão os sargentos,
cada homem da tropa,
o General preso injustamente e a Justiça!
Quando vão romper com o orgulho
causa de inúmeros tormentos,
abrir as portas, as janelas, o coração
e estender a mão para erguer
cada irmão e se permitir renascer?
A essência de cada um está no Bem,
e sei que quem ainda não se permitiu
dessa forma não suporta mais permanecer,
porque no semblante está escrito;
no fundo somos todos crianças
querendo um mundo mais amável e bonito.
Arranco de ti um poema
como se fosse um beijo,
Desvendarei o teu mistério
- e o teu sabor
Não me importo, o amor
tem o seu próprio jeito.
Busco por ti não importando
- por onde for,
Os nossos hemisférios ganharão
- o ritmo do amor,
Não temo dar ao tempo
o seu próprio tempo,
Dou-te tudo, inclusive, o meu galopar,
Resolvi para você me entregar.
Teço planos como o bico das gaivotas
desenham o mar
- debaixo do sol e de chuva -
estou a te esperar,
há uma encantadora vontade
para te devassar...
Estou aqui hipnotizada a nos imaginar...
Duma forte e ditosa paz semeada
- resolvi ser tua,
Podem dizer que é delírio de amor
- não ligo,
Resolvi ser tua namorada
- bendigo,
Sou tua flor perfumada à luz da Lua.
Neste teu corpo, navegar é preciso,
Quero o teu delírio de amor, e o teu feitiço,
Não ligo que me digam que estou perdendo o juízo,
Tenho um céu, um mar e um bom motivo;
Não preciso de mais nada a não ser te sentir,
Tenho a urgência do teu amor,
Só me falta mesmo é ter o teu calor.
Vem logo!... Meu amor mais que doce amor!
Tenho por ti a mesma leveza
de uma borboleta azul,
Moro aqui em Balneário Barra do Sul,
A minha saia rendada
pelo vento balançada,
Faz coreografia para colocar
a tua vontade atiçada,
Só de te aguardar aqui
nessa praia tranquila,
Planejando entregar para ti
as peraltices meninas,
Trago por ti uma ternura que não termina,
e uma carícia ensolarada:
ainda hei de ser tua amada.
- Relacionados
- Poemas sobre saudade para transformar ausência em palavra
- Frases de saudade para dizer tudo o que o coração sente
- Carta de Amor: textos românticos para o seu amor se sentir especial
- Textos de Saudade
- Frases de saudades de quem morreu para manter viva a sua memória
- Poemas de saudade que traduzem memórias em versos
- Saudade Pablo Neruda
