Se eu Pudesse Nascer Novamente eu
Ora...
será possível erguer-se novamente diante da queda dos anjos?
Será possível assistir, mais uma vez, ao mundo repetir o mesmo ciclo de ruínas, como se o tempo jamais tivesse aprendido com as próprias cicatrizes?
Já não sei se fui fadado à cegueira, por não enxergar o que ainda insiste em florescer,
ou se me tornei surdo aos ecos do meu próprio coração.
Talvez nem mesmo o tato reconheça aquilo que a vida ainda espera de mim.
Permaneço sentado, recolhendo os últimos fôlegos antes que a noite reivindique meu nome.
E nem mesmo as nuvens, que guardam as estrelas até a hora exata de revelá-las, conseguem esconder o desinteresse que tomou conta de tudo aquilo que sou.
Há tempos já não sinto o gosto das coisas.
Como se o ódio, paciente como a ferrugem, houvesse atravessado meus ossos e aprendido a chamar meu corpo de casa.
Poderão culpar a bebida.
Mas ela nunca foi meu vício.
Poderão culpar a dama que um dia encantou meus olhos.
Mas não foi ela quem transformou minha alma nesta terra seca, onde nem o vento encontra coragem para semear.
Por isso, Pai...
quando chegar a minha hora,
não me conceda monumentos.
Coloque-me apenas a sete palmos do chão.
Que a minha angústia alimente as raízes de um velho carvalho.
Que crianças encontrem sombra onde um homem já não encontrou paz.
E, se nem isso me for permitido,
então toma o Teu vento
e espalha a poeira que restou deste soldado,
não para que o mundo se lembre do meu nome,
mas para que, ao menos uma vez,
a guerra abandone o meu coração.
- M.S. Fieri
Apenas venha!
Para que não aconteça novamente, venha comigo e deixa tudo aquilo que te fez mal para trás,
não posso te oferecer neste momento um banquete completo de tudo com o que você mais gosta, porém posso te oferecer o pão da pluralidade e da singularidade,
o triste e o vazio que já te fez chorar por um tempo, acaba aqui,
o encontro de almas escolhidas pelo destino não permite as mesmas falhas, não permite os mesmos finais,
andar entre as rosas com seus espinhos deixam arranhões e marcas profundas, mas o que prevalece na imaginação e no emocional no entanto, são as belezas das cores vivas e dos perfumes das rosas.
O hoje nunca existiu e por esse motivo a minha ansiedade só aumenta no desejo de viver novamente você.
O recomeço que Deus nos oportuniza novamente é progressivo e acontece por etapas, justamente para que não nos percamos outra vez no caminho que já percorremos.
A roda rodou novamente, e eu me tornei absolutamente feliz. Mas a felicidade não dura quando não temos conscientes da infelicidade. Por isso eu coloquei uma pista no continuum espaço/tempo para me despertar: tudo está vivo!
O Buda constrói um castelo na areia. As vagas o levam. O Buda o constrói novamente. O amor não pode ser vencido.
“Há pessoas que morrem uma única vez. Outras morrem novamente quando sua última história deixa de ser contada.”
Se levas pancadas na vida e escolhes levar novamente, aprecie de bom ânimo as consequências, pois foi você mesmo quem procurou.
Cá estou, pensando e mergulhando novamente no meu próprio abismo. Nos meus traumas e dores, fazendo uma espécie de auto terapia enquanto o nó se aperta na garganta. Enfrentar traumas é sempre muito doloroso, ainda que necessário. O pior é que, começo a perceber que talvez tudo isso seja verdade.
- Marcela Lobato
"Não há triunfo maior do que caminhar novamente quando tudo parece ruir, carregando consigo o poder silencioso de quem aprendeu a levantar-se sem precisar de aplausos."
Roberto Ikeda
RECALCULANDO ROTA
Cá estou eu novamente, sentada em minha cama, olhando para o infinito, em uma sexta-feira à noite. Você deve estar se perguntando: o que uma jovem de 17 anos está fazendo em casa em um dia desses? Deveria estar, no mínimo, em uma "baladinha" qualquer. A minha resposta será um tanto avassaladora, talvez assuste muita gente por aí, mas é como me sinto de fato: diferente.
Já fui de sair muito, ter diversos amigos, paqueras, risadas, momentos bons, mas tudo mudou quando meu GPS interno recalculou a rota da minha vida. Comecei a ler, praticar muitos esportes, estudar, espiritualizar-me, focar muito mais em mim mesma. E meus amigos? Eu ainda os tinha, claro, mas de forma cada vez mais distante. Os interesses não se encaixavam mais; enquanto as conversas giravam em torno de quem ficou com quem, eu queria estar falando de livros, futuro, oportunidades e desejos puros. Para mim, não faziam sentido todas aquelas falas e, no fim, acabei sendo rejeitada por ser muito diferente. Não os julgo. Talvez eu sempre tenha sido dessa forma, mas me escondia atrás de uma pessoa que não tinha nada a ver comigo para ser aceita como uma adolescente normal em uma sociedade rasa. De fato, uma hora ou outra eu mesma iria me distanciar.
Tive de aprender a lidar com a solidão na marra, mas, com o tempo, isso virou solitude, o que é deveras diferente. Aprendi muito nesse meio-tempo. Entendi que nossa própria companhia é a que mais importa. Mas agora cheguei a uma fase da minha vida em que eu gostaria tanto de ter um grupo de amigos. E, afinal, onde vou encontrá-los? Não me encaixo em lugar nenhum. Um exemplo são os amigos que tento fazer no esporte. Descobri algo muito estranho aos meus olhos: só é seu parceiro enquanto você apresenta um desempenho inferior ao dele. Sim, eu sei, é triste.
Às vezes, tenho a impressão de que a vida virou uma disputa para ver quem é mais orgulhoso, quem tem o ego mais inflado, quem menos dá o braço a torcer. Esse é o valioso, dizem os idiotas. Aí é que eu quebro a cara. Para mim, amizade, relacionamento ou qualquer coisa que envolva o outro envolve empatia. E, quanto mais eu me importo com o sentimento dos outros, mais eu me machuco, mais pedradas levo e mais distante eu me torno.
E, se entrar no campo dos relacionamentos amorosos, aí desaba tudo. Sempre, em minha vida, eu fui um quase e nunca uma certeza. Não que eu tenha tido muitas oportunidades, mas, quando acontecia, era assim. Quando, de certa forma, me isolei do mundo, como diz meu pai, "foi o boi com a corda" de vez. Se me perguntar se sou seletiva, a resposta é óbvia: muito. Mas sei que ninguém é perfeito. Tem uns que chegam e, só de olhar, eu penso: "Não têm nada a ver comigo". Querem só rolo, "passar na cara", não pensam em construir algo maior. E há outros que, ao meu ver, seriam perfeitos, coisa rara de acontecer. E, quando acontece, na minha cabeça daria super certo, mas, aos olhos do outro, é impossível. Talvez o problema seja eu, uma pessoa que pensa demais, planeja demais, sente demais, ou talvez eu esteja em um mundo raso demais. Já nem sei mais o que pensar, realmente.
Pergunto-me todos os dias quando voltarei a ser um pouco mais normal, a ser aceita novamente, a socializar com facilidade, quando finalmente terei um namorado. Penso que possa estar destinada à solitude eterna. Apesar de tudo, no fundo eu a prefiro, mesmo doendo demais. Só quem passa por isso sabe.
Penso que boa parte da minha geração vive em torno somente de festas, bebidas, baladas, drogas e redes sociais. Nem falarei das indumentárias; complica demais. Como posso me encaixar nisso? Será possível não existir ninguém parecido comigo? Óbvio que existe, mas minhas esperanças, no momento, estão desvairadas. E, enquanto não encontro as pessoas certas para caminhar ao meu lado, continuo olhando para o infinito, ou melhor, escrevendo crônicas em uma sexta-feira à noite qualquer.
O Senhor novamente com a sua imensa Misericórdia, demonstrando constantemente o seu Amor e a sua Infinita Bondade, permitiu que a Terra nos levasse para darmos mais uma volta em torno do Sol e bem que poderia ser um passeio simples e agradável, daqueles sem nenhuma tempestade, com tudo a nosso favor, só vivências de muitas felicidades, que tirasse a necessidade de um forte clamor
Entretanto, como sempre, foi na verdade uma grande aventura, muitos desafios, lutas novas e outras antigas, quando precisamos defender arduamente a nossa valiosa sanidade, assim, felizmente, chegamos perto, mas não ficamos loucos, apenas tomamos pequenas doses de loucura e também tivemos conquistas, perdas inevitáveis, muitas surpresas, umas maravilhosas, outras nem tanto e algumas nada agradáveis,
Tal instabilidade é evidente que preocupa, muitas vezes, estressa, chega a tirar o nosso sono, porém, é indispensável, fomenta o valor que atribuímos a cada bênção, aos momentos de sorrisos, boas companhias, ocasiões que nos alegram, que deixam a mente mais leve, os dias de glória a partir da simplicidade, de uma conversa breve, de relações mais duradouras, de poder notar os belos e numerosos detalhes, pertencentes a uma natureza gloriosa.
E depois de nos aventurarmos mais uma vez com a Terra, finalizamos mais uma volta e logo refletimos, agradecemos a Deus a respeito de um passado recente que não volta e o início de um novo ano que se aproxima, que, ao meu ver, não deve ser visto como um período de mudança e sim uma oportunidade de mudar, de usarmos o nosso tempo da melhor forma, de acordo com Deus e o seu Direcionamento, portanto, ainda seguimos para a próxima aventura.
É, novamente, para a minha felicidade, pela vontade de Deus, eu consegui mais um ano de vida, mais uma volta da terra em torno da Sol, mais uma primavera benquista, o que não foi nada fácil como nunca é, nem mesmo será, tive emoção e me senti pressionado, chorei, dei risadas, sofri, reclamei, reclamei, mas também agradeci inúmeras vezes, mostrei força e fraqueza, porém, graças ao Senhor, não desisti, pude ver beleza em meio ao caos, exercitei minha resiliência, fui livrado dos males e dos maus, errei bastante, acertei em alguns momentos, tive novas experiências marcantes, cada dia de alguma forma, foi uma bênção, o amor de Deus nunca esteve distante, caso contrário, só teria tristeza, então, levando tudo isso em conta, espero ter destacado neste versos principalmente duas coisas, a providência divina a meu respeito e a minha mínima gratidão diante de tanto zelo.
