Saudades do seu Corpo
A alma é uma chama que não pertence ao corpo, mas o habita como peregrino; cada dor é apenas o vento que a faz tremular, e cada alegria, o clarão que recorda sua origem no fogo divino que jamais se apaga.
O corpo humano não é mera estrutura biológica eficiente, mas um universo íntimo em fluxo contínuo — uma catedral de complexidade que a própria razão, ao tentar compreendê-lo, revela seus limites. Cada função aparente oculta camadas de interação que escapam ao controle pleno, como se a vida operasse num grau de inteligência anterior à explicação. E, nesse paradoxo, o homem habita aquilo que ainda não é capaz de decifrar por inteiro — sendo, ao mesmo tempo, autor e estrangeiro de si.
O que se extingue não é o corpo — o corpo resiste, adapta-se, insiste. O que se esvazia é a alma: não em colapso visível, mas em silêncio, sem febre, sem diagnóstico. Vai-se apagando nos intervalos não vividos, nas escolhas que negam o essencial, na repetição sem presença. E quando se percebe, já não há dor que alerte — apenas uma ausência que se instalou onde antes havia vida.
"A mais refinada prisão não confina o corpo por meio de grades, mas esculpe a mente para que ela veja o paraíso no cárcere e venere as mãos que desenharam as paredes.
Reno Fioraso
A Alma Não Conta os Anos
O corpo envelhece.
As mãos mudam, os passos ficam diferentes, o espelho começa a contar histórias que muitas vezes nem percebemos quando estavam acontecendo.
Mas a alma parece não conhecer calendário.
Ela se lembra.
Lembra das coisas que fizemos, dos lugares por onde passamos, das pessoas que amamos e, principalmente, daquilo que um dia nos fez profundamente felizes.
Talvez seja por isso que algumas lembranças permaneçam tão jovens dentro de nós.
Você fecha os olhos e, por alguns segundos, já não tem a idade que o espelho mostra.
Está correndo outra vez.
Está dançando.
Está apaixonado.
Está rindo com aquelas pessoas.
Está vivendo aquela tarde que desapareceu há décadas, mas que dentro de você continua iluminada.
E há também a nossa sombra.
Essa companheira silenciosa que caminhou conosco quando éramos crianças, quando nos tornamos adultos e que continuará ao nosso lado enquanto houver luz suficiente para projetá-la no chão.
Talvez ela seja testemunha de todas as nossas versões.
O corpo pode cansar.
Os cabelos podem embranquecer.
O tempo pode deixar suas marcas.
Mas existem lugares dentro de nós onde ele jamais consegue chegar completamente.
Ali continuam nossas gargalhadas.
Nossos primeiros amores.
Nossas pequenas loucuras.
As músicas que dançamos.
Os abraços que recebemos.
E todas aquelas coisas simples que um dia fizeram a vida parecer infinita.
Por isso envelhecer não significa deixar para trás quem fomos.
Significa carregar conosco todas as pessoas que já fomos.
E talvez, quando estivermos muito velhos, ainda exista dentro daquele corpo cansado alguém fechando os olhos e sorrindo como antigamente.
Porque o corpo aprende a contar os anos.
A alma prefere contar lembranças.
Eu me entreguei de corpo e alma para você, disse que tudo o que sentia. Por muito tempo, pensei em todas as palavras que eu precisava te falar e isso finalmente aconteceu. Não me arrependo em nenhum momento em ter mostrado tudo o que eu sinto. Desculpa por toda essa insegurança, é que você é tão importante pra mim que é difícil imaginar uma vida na qual não estou ao seu lado. Não sei viver sem amar você e isso não é de hoje. Sempre me lembro do primeiro dia que nos conhecemos, da primeira vez que você me disse ''eu te amo'', da nossa primeira viagem juntos, de todas as vezes em que nossos melhores amigos estiveram com a gente. Temos todo um futuro pela frente, e me apego em nossas lembranças porque elas me deixam seguras e felizes. Você é o único que eu realmente amei de verdade, com quem quero viver o resto da vida. Permaneça ao meu lado, hoje e sempre!
“Na origem, o corpo era apenas verdade, não motivo de culpa. Adão e Eva não sentiam vergonha porque ainda não havia separação entre quem eram e quem pareciam ser. A desobediência não criou o corpo nu, criou o olhar que julga. A vergonha nasceu quando a inocência foi perdida, não quando a pele foi revelada.”
Acredite redes sociais, coisas matérias, o corpo, lhe dão um pouco de liberdade...
Mais ela é uma ilusão...
Não tem nada igual nesse mundo como Amar e ser Amado com o mais puro significado da palavra...
Todo o resto irá ficar nesse mundo quando você se for...
Mais o Verdadeiro Amor sempre se Eternizar com progenitores e dádivas...
Bem poucas pessoas entendem,
que igreja é o corpo humano,
não aquele monte de pedras,
onde pessoas se reúnem por algumas horas,
depois vão embora,
esquecendo o que mais interessa:
DEUS que deseja ser o teu respirar
e não um simples passa tempo,
onde as pessoas vão passear,
deixando DEUS lá,
Mas em construções humanas,
DEUS não pode habitar!
Está deitado aqui sem o calor do seu corpo e um Martinho, queria tanto se aquecido pelas sua chamas, suas mãos por todo meu corpo, aquela pegada forte que só você sabe onde me arrepia.....
"(...)é o seu próprio inimigo. Consome seu próprio corpo em cada sonho desistido, no amor perdido, nas conquistas renunciadas, nos relacionamentos esquecidos.”
Antes de lavar a alma, é preciso alimentar a mente, fortalecer o corpo, aquecer o espírito e, antes de tudo, tomar um banho!
Cinco sorrisos
Você tem 5 sorrisos, uma sinfonia perfeita em um mesmo rosto, um mesmo corpo, uma mesma alma.
Sorri largamente com um brilho mágico no olhar, por um fato bobo.
Sorri, de canto de boca, ao escutar um elogio, em que está a agradecer, mas também a manter a humildade.
Sorri de um jeito meigo com o olhar, ao me ver e desejar um beijo meu.
Sorri, mostrando os dentes, quando me escuta falar coisas picantes ao teu ouvido. Como você fica lindo!
Por fim, sorri largo e depois retém a boca em um sorriso pequeno com semblante infantil, porque no fundo sabe que me tem.
@keylak.holanda
A Janela Aberta
Naquela noite, não foi só o pub que ficou para trás.
O corpo voltou para casa. Os pensamentos, não. Sentaram-se na poltrona, caminharam pelos cômodos vazios e, quando perceberam que eu insistiria em dormir, fizeram do travesseiro um bloco de concreto. A casa inteira parecia cansada. Não era o desgaste do tempo. Era o peso da consciência.
Há noites em que a insônia não é ausência de sono.
É excesso de lucidez.
Saí para a varanda.
A janela da casa ao lado estava aberta. A vizinha permanecia ali. Devia ter uns trinta e cinco anos. Reservada. Dessas pessoas que nunca prolongam uma conversa, mas jamais deixam de cumprimentar os vizinhos. Antes disso, eu a tinha visto caminhar lentamente pelo cômodo, como se cada passo precisasse ser convencido a acontecer. Depois os movimentos diminuíram, até desaparecerem por completo.
Não havia televisão ligada. Nem música. Nem qualquer ruído que denunciasse companhia, como era habitual. A casa parecia ter prendido a respiração.
Vi quando ela puxou a cadeira, virou-a de frente para a parede e se sentou. Não olhava pela janela. Não olhava para a rua. Parecia encarar aquela parede como quem espera que o silêncio finalmente responda alguma pergunta antiga.
O corpo foi cedendo aos poucos, numa posição impossível de sustentar por muito tempo, como se tivesse esquecido a maneira correta de existir. Um braço pendia sem propósito. As pernas procuravam apoio onde já não havia equilíbrio. A cadeira fazia o que podia, mas parecia pequena demais para sustentar um peso que não era físico.
Ela não caiu.
Apenas cansou de fingir que ainda estava de pé.
Ficou assim durante muitos minutos.
Tempo suficiente para que a imaginação começasse a fabricar hipóteses.
Talvez esperasse uma ligação que nunca viria.
Talvez estivesse apenas exausta.
Talvez estivesse travando, em absoluto silêncio, uma guerra que ninguém do lado de fora seria capaz de enxergar.
A solidão tem esse hábito perverso: quando não encontra respostas, inventa histórias.
Depois de algum tempo, a penumbra tomou conta do cômodo. Já não conseguia distinguir seus movimentos, nem saber se ainda permanecia na mesma posição. A janela continuava aberta, mas a noite havia fechado o resto da cena. O que aconteceu dali em diante eu nunca soube. O que permaneceu comigo foi apenas a última imagem que meus olhos conseguiram guardar. O restante foi preenchido por essa estranha mania que a solidão tem de transformar lembranças em fotografias mentais.
Foi então que compreendi que algumas janelas permanecem abertas não para deixar o ar entrar, mas porque já não existe força suficiente para fechá-las.
É curioso como a tristeza raramente faz escândalo.
Ela prefere paredes descascadas, cadeiras antigas e o silêncio.
Gosta do silêncio porque o silêncio não faz perguntas.
Talvez ela tenha perdido alguém.
Talvez tenha perdido a si mesma.
No fim das contas, quase dá na mesma.
O mundo admira pessoas que continuam sorrindo enquanto apodrecem por dentro. Chamam isso de força.
Eu chamo de bom comportamento... maldito bom comportamento de gado no matadouro.
A verdadeira exaustão não pede licença. Ela apenas faz o corpo escorrer sobre qualquer pedaço de madeira disponível, como um copo esquecido no fim da madrugada.
Depois de certo ponto, a identidade deixa de importar.
Você não é mais advogado, artista, pai, mãe, amante ou fracassado.
É apenas alguém tentando sobreviver ao próprio pensamento.
As paredes conhecem esse tipo de gente.
O concreto guarda segredos melhores que qualquer padre. Já viu homens ricos chorarem sozinhos, mulheres bonitas desistirem da própria beleza e gente comum morrer muitos anos antes do coração parar.
Naquela varanda compreendi que existem intervalos maiores do que qualquer derrota.
Existe uma diferença enorme entre perder a guerra e simplesmente não ter forças para levantar naquele dia.
Vivemos num mundo que confunde movimento com vida. Gente correndo atrás de dinheiro, curtidas, diplomas e promessas de felicidade vendidas em prestações. Basta, porém, fechar a porta e apagar as luzes para descobrir que muita gente continua respirando apenas porque o corpo ainda não recebeu o aviso de que a esperança foi embora.
Na manhã seguinte, ela acordará.
Preparará o café.
Responderá mensagens.
Comprará pão.
Cumprimentará os vizinhos.
Se alguém perguntar como está, sorrirá o suficiente para encerrar o assunto.
E a cidade continuará funcionando com a eficiência de sempre.
Os ônibus passarão.
Os escritórios abrirão.
Os bares voltarão a encher.
Ninguém perceberá que uma mulher quase desapareceu diante de uma parede na noite anterior.
Talvez porque todos estejam ocupados demais escondendo a própria parede.
Voltei para dentro de casa.
A janela dela continuava aberta.
Fechei a porta da varanda, mas não consegui fechar aquela janela dentro de mim.
Desde então, algumas noites não terminam quando amanhece.
Elas apenas mudam de endereço.
Há dias em que caminho pela rua, entro num café, espero numa fila ou observo alguém parado no trânsito e me pergunto quantas pessoas ali estão vivendo exatamente a mesma noite que vi naquela janela.
A resposta nunca vem.
Talvez porque a tristeza mais profunda tenha aprendido um truque antigo: descobriu que ninguém desconfia de quem continua respirando.
E foi então que percebi uma ironia cruel.
Naquela noite, eu acreditava estar observando a solidão de uma mulher.
Hoje já não tenho tanta certeza.
Talvez eu nunca tenha escrito sobre ela.
Talvez, desde a primeira linha, eu estivesse apenas descrevendo a janela da minha própria casa.
. Templo
O corpo é o templo.
Deus dá ao corpo
um tempo de vida.
Para refletir no mundo
brilho e a trajetória.
Modo visível e simbólico
que Inicia_se e finaliza_se
uma história
Meu corpo,é um santuário.É o meu mundo!
Sendo meu mundo, sigo minhas regras!
Minhas regras:Tatuar meu corpo!
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