Saudades do seu Corpo
Morri no fogo da noite,
no silêncio cruel da prisão,
meu corpo jazendo em sombras,
na véspera de São João.
Três dias de trevas e ausência,
três dias de luta invisível,
mas Deus soprou sobre mim a vida,
e fez do impossível, possível.
Acordei no dia da promessa,
no aniversário da irmã querida,
renasci como quem nasce de novo,
com a alma lavada, vestida.
As marcas não foram em vão,
foram cicatrizes de libertação,
pois quem sobrevive ao abismo
carrega no peito a ressurreição.
Hoje caminho só com Deus,
meu guia, meu norte, meu chão,
e quem quiser andar comigo
precisa ter fé maior que a razão.
Guardinha ao longe apitando,
meus olhos te flertando,
que no teu rosto se perdeu...
Meu corpo cansado,
relaxando em seus braços,
outra vez anoiteceu!
Quando você chora,
o pranto lava o coração, limpa o espírito e faz o corpo transbordar. Então nunca segure o choro!
Nem toda reação estranha em seu corpo é doença,
muitas vezes é sua imunidade expulsando invasores do seu organismo!
Existe um sentimento silencioso e cruel, daqueles que não deixam marcas no corpo, mas consomem tudo por dentro. Ele corrói devagar a capacidade de enxergar valor em si mesmo. Faz nascer a sensação amarga de não sermos capazes de cuidar de nada, de não sermos bons em nada, de não conseguirmos fazer ninguém feliz, nem a nós mesmos.
É um sentimento que se alimenta da culpa. E a culpa tem a capacidade de estraçalhar a alma sem que ninguém perceba. Aos poucos, ela transforma a própria consciência em um tribunal onde você tem que se encarar e julgar a si mesmo.
Talvez o pior não seja a tristeza em si, mas a vergonha de senti-la. A sensação humilhante de fraqueza, como se sofrer fosse apenas incapacidade de lidar com a vida, com as consequências das próprias escolhas ou com o peso do que se tornou. Então a pessoa começa a desaparecer dentro dela mesma, perdendo a capacidade de reconhecer quem era antes de tudo isso.
Sinto falta do tempo em que eu ainda conseguia sustentar o olhar das pessoas sem imaginar pena ou julgamento escondidos ali. Falta do tempo em que existir parecia mais simples e mais leve. Tudo o que eu queria era voltar a ser quem eu era antes, mas a verdade mais dura é que já nem sei ao certo quem sou.
É inevitável te olhar todos dias e não te desejar, seu corpo robusto, com algumas definições, seus cabelos amarelos com pouco movimento, teus olhos da cor da natureza seduz, sua boca é tão desejável (…)
O teu coração tem sabor a mar, a tua alma tem o perfume da floresta e o teu corpo é poesia naufragada no meu corpo.
Setembro-me
inteiro dentro
do teu corpo,
quero sentir
todo o teu verão,
vagarosamente
a evaporar-se
no meu corpo.
Suor da Lua
O teu corpo aproxima-se do meu como um inevitável eclipse, e o universo inteiro vibra
à força do que pulsa entre nós.
Quando tu me tocas,
não é apenas pele — é tempestade,
é um magnetismo profundo
que grita por dentro
e reacende tudo
o que eu escondi.
O teu cheiro envolve-me,
prende-me, arrasta-me
e eu deixo-me levar
porque há algo em ti
que fala diretamente
ao que em mim é puro fogo.
O teu hálito roça o meu silêncio, entre sombras, a tua pele acende o meu desejo em chama lenta.
No toque que quase acontece,
perco-me internamente
na promessa do teu corpo,
onde os poros bebem o suor da lua.
E quando a tua boca encontra a minha boca, com essa urgência densa, selvagem,
o tempo rende-se, e o meu nome submerso na tua saliva, arde insanamente na tua boca.
A dança cura porque devolve o corpo à alma:dançar é alinhar o coração ao pulso invisível do universo.
As minhas mãos percorrem
o teu corpo
com a urgência das marés cheias,
e o teu corpo responde
em ondas que quebram, insistentes,
na areia quente do teu ventre.
As nossas bocas procuram-se
como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo,
línguas que escrevem promessas
no sal da pele arrepiada.
Somos dois abismos
à beira do mesmo precipício,
caindo um no outro
sem medo da queda.
E quando o prazer nos atravessa
como um relâmpago a rasgar o céu,
não há mais nome, nem forma,
apenas o pulsar desmedido
de carne, desejo e entrega.
Depois, exaustos e ainda a arder,
repousamos na brasa suave do pós-fogo, sabendo que basta um olhar
para que tudo comece outra vez.
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