A Alma Não Conta os Anos O corpo... Silasoliveira13

A Alma Não Conta os Anos

O corpo envelhece.
As mãos mudam, os passos ficam diferentes, o espelho começa a contar histórias que muitas vezes nem percebemos quando estavam acontecendo.
Mas a alma parece não conhecer calendário.
Ela se lembra.
Lembra das coisas que fizemos, dos lugares por onde passamos, das pessoas que amamos e, principalmente, daquilo que um dia nos fez profundamente felizes.
Talvez seja por isso que algumas lembranças permaneçam tão jovens dentro de nós.
Você fecha os olhos e, por alguns segundos, já não tem a idade que o espelho mostra.
Está correndo outra vez.
Está dançando.
Está apaixonado.
Está rindo com aquelas pessoas.
Está vivendo aquela tarde que desapareceu há décadas, mas que dentro de você continua iluminada.
E há também a nossa sombra.
Essa companheira silenciosa que caminhou conosco quando éramos crianças, quando nos tornamos adultos e que continuará ao nosso lado enquanto houver luz suficiente para projetá-la no chão.
Talvez ela seja testemunha de todas as nossas versões.
O corpo pode cansar.
Os cabelos podem embranquecer.
O tempo pode deixar suas marcas.
Mas existem lugares dentro de nós onde ele jamais consegue chegar completamente.
Ali continuam nossas gargalhadas.
Nossos primeiros amores.
Nossas pequenas loucuras.
As músicas que dançamos.
Os abraços que recebemos.
E todas aquelas coisas simples que um dia fizeram a vida parecer infinita.
Por isso envelhecer não significa deixar para trás quem fomos.
Significa carregar conosco todas as pessoas que já fomos.
E talvez, quando estivermos muito velhos, ainda exista dentro daquele corpo cansado alguém fechando os olhos e sorrindo como antigamente.
Porque o corpo aprende a contar os anos.
A alma prefere contar lembranças.