Saudades de Quem Mora longe
Tem coisa que era pra passar e vira residência fixa.
Uma ausência.
Uma frase atravessada.
Uma culpa antiga.
Um “e se” repetido tantas vezes que começa a parecer verdade.
Tem ausências que não chegam,
elas apenas permanecem.
Você chama.
O silêncio responde.
E aos poucos aprende
que quem deseja estar perto
não encontra desculpas,
encontra caminhos.
Algumas verdades chegam sem fazer barulho. Quando viram versos, deixam de ser feridas e passam a ser aprendizado."
Lucci Santz 🖋️🌹
O estrangeiro, o diferente, o deslocado, carrega dentro de si um idioma secreto feito de ausências. E enquanto o mundo enxerga apenas alguém tentando seguir em frente, existe uma batalha silenciosa acontecendo entre quem ele era e quem precisa se tornar.
E o que ele repete para si mesmo todos os dias:
"Um dia isso não vai doer mais."
E, curiosamente, é essa mentira que muitas vezes o mantém vivo até que ela finalmente se transforme em verdade.
Porque nos seres humanos somos estranhos assim. Construimos pontes com ilusões temporárias para atravessar abismos reais. E, contra toda lógica, às vezes funciona.
A saudade costuma mostrar as flores e esconder os espinhos. O coração sente falta do amor, mas a memória precisa lembrar por que aquilo terminou.
Hay noches en las que la distancia parece más grande de lo que realmente es.
El reloj avanza lentamente, los pensamientos crean historias y el corazón intenta llenar los espacios vacíos.
Pero amar no es sostener a alguien de la mano todo el tiempo.
Es saber que algunas alas necesitan libertad para elegir el camino de regreso.
Porque aquello que es verdadero no necesita prisión, necesita presencia.
Ainda sinto saudade daquela criança.
Da pureza de acreditar que ser bom bastava.
De vestir uma capa imaginária
e sair pelo mundo acreditando
que ninguém deveria ficar sozinho.
Hoje eu sei que heróis também cansam.
E talvez eu não queira mais salvar ninguém.
Talvez eu só queira, pela primeira vez,
que alguém olhe para mim
e diga:
“Agora deixa.
Dessa vez,
eu salvo você.”
Aurora da vida
Oh, que saudade da infância,
Da aurora da minha vida,
Tempos que ficaram à distância,
De uma rotina florida.
Dos pés descalços que convidam
A uma lembrança querida.
Os primeiros raios de luz no rosto
Que trazem calor e cor devidos,
O orvalho frio e úmido exposto
Aos passos inocentes da vida.
Gotas de sereno na grama
Mostrando pureza e inocência.
O canto dos pássaros chama,
O sol brilha em nossa existência.
Aqueles dias longos para brincadeiras,
As horas que não importavam,
Apenas as peladas em meio à poeira,
Nos deixam lembranças que marcam.
O olhar de espanto e encantamento
Ao descobrir coisas simples da vida,
Como as borboletas ou o formato das nuvens
Que pintam figuras de beleza colorida.
O colo dos pais é chamego,
O cheiro da terra molhada,
A sensação de um mundo seguro
São lembranças que ficaram no passado.
Crescer também é importante,
Pois a vida segue sempre em frente,
Quando adultos, trabalhamos bastante,
Num destino que se faz constante.
Raimundo Nonato Ferreira
Setembro/2026
“Distanciamento Social, já vivíamos! Desde que o mundo virtual entrou em nossas vidas, as pessoas saíram”.
Paz, conceito bonito com uma sensação maravilhosa, entretanto, não é ausência de guerra ou de conflito. Paz, abaixo de Deus, vem de você mesmo, pelo o que você verdadeiramente és, não a busque lá fora.
A pior distância não é o afastamento físico, mas o desdém de quem está ao seu lado e não faz a menor questão de te enxergar.
A pior distância é aquela criada por quem achou que o outro estaria ali para sempre, independentemente de como fosse tratado.
É impressionante como algumas pessoas conseguem enxergar a ausência do outro, mas são completamente cegas para as próprias atitudes que causaram esse distanciamento.
Olhar para quem já nos quis tão bem e perceber que, agora, a nossa existência ou ausência tanto faz, é uma das despedidas mais silenciosas e dolorosas que existem.
Vicent…
Em um vilarejo distante, vivia um homem chamado Vicent, cuja presença era notada por todos ao seu redor. Vicent, dotado de uma aura magnética, era frequentemente admirado por sua beleza e eloquência. No entanto, por trás de seu sorriso encantador, residia uma inquietação profunda e persistente. Desde jovem, Vicent fora moldado por circunstâncias que o levaram a construir uma muralha invisível entre ele e os outros, uma fortaleza que o protegia de um mundo que ele percebia como hostil.
Vicent carregava consigo o peso de uma infância marcada por expectativas desmedidas. Seus pais, sempre em busca de perfeição, jamais reconheciam suas conquistas. Assim, ele cresceu acreditando que o amor era um prêmio a ser conquistado, nunca uma dádiva a ser recebida. Com o tempo, essa crença se transformou em uma necessidade insaciável de validação externa, levando-o a buscar incessantemente o olhar admirado dos outros.
Em sua jornada, Vicent desenvolveu o hábito de adornar a realidade com mentiras sutis, moldando a verdade para se ajustar ao que ele desejava que os outros vissem. Essa distorção era, para ele, uma forma de sobrevivência, uma maneira de construir uma imagem que o protegesse da vergonha que sentia ao encarar suas próprias falhas. Quando confrontado, reagia com uma defesa feroz, erguendo barreiras de agressividade para afastar qualquer ameaça à sua frágil autoestima.
Nos relacionamentos, Vicent se via preso em um ciclo de encontros superficiais, onde o toque físico substituía a conexão emocional. Estranhos se tornavam espelhos para refletir sua grandeza imaginada, mas, no silêncio que seguia tais encontros, ele se sentia mais vazio do que nunca. A admiração dos outros era um bálsamo temporário, logo substituído por uma sensação esmagadora de solidão.
Vicent raramente percebia o impacto de suas ações nos outros. Sua necessidade de ser o centro das atenções o tornava insensível ao sofrimento alheio, e a empatia era um conceito distante. Ele se envolvia em demonstrações de falsa modéstia, proclamando humildade enquanto secretamente ansiava por aplausos. Para aqueles ao seu redor, a convivência com Vicent era um desafio constante, uma batalha para preservar suas próprias identidades diante de sua presença avassaladora.
Aqueles que tentavam se aproximar de Vicent frequentemente se viam esgotados, suas mentes ofuscadas pela manipulação sutil e pelo constante jogo de poder. O risco de se perder nesse turbilhão emocional era real, e muitos precisavam de apoio para recuperar suas forças e reconquistar seu espaço. Para escapar dessa teia, era necessário reconhecer os próprios limites e buscar ajuda, encontrando segurança em mãos amigas e guiando-se por conselhos sábios.
Vicent, em sua solidão autoimposta, também ansiava por mudança, ainda que não o percebesse plenamente. Seu caminho era tortuoso, mas não sem esperança. A jornada para a consciência e transformação era longa e árdua, exigindo coragem para olhar além do espelho e enfrentar a verdade de quem realmente era. No fundo, Vicent desejava romper as correntes que ele mesmo construíra, buscando, talvez ainda sem saber, o alívio de um abraço genuíno e sincero.
A saudade traz uma dor que aperta o peito, mas ela nasce de momentos felizes. As lembranças guardam o amor que ficou e mostram que a vida valeu a pena.
Quanto mais pegadas deixamos na areia do tempo, mais distante fica a primeira, não por perder seu valor, mas porque cada passo que damos amplia a distância entre aquilo que fomos e aquilo em que nos tornamos.
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