Saudades de Quem Mora longe
Sempre me fere pela ausência tão presente.
Sempre me fere essa presença incessante na ausência.
- Marcela Lobato
Às vezes preciso da dor para sentir que tenho sentimentos. Eles estão ausentes e distantes. A dor nos conecta com nossos próprios sentimentos.
28/09/2025
Às vezes nos sentimos tão distantes de Deus, desviando-nos dos propósitos aos quais estamos destinados.
Entre Telas e Sentimentos
(Jelres Freitas - Julho/2026)
Como pode alguém tão distante
Se fazer tão presente em mim?
Como pode uma simples conversa
Transformar um dia ruim?
Ainda não toquei suas mãos,
Nem pude encontrar seu olhar,
Mas suas palavras me abraçam
De um jeito difícil de explicar.
Você chegou devagar,
Sem prometer, sem exigir,
E quando percebi sua presença,
Já esperava você surgir.
Espero sua mensagem,
Seu sorriso em uma fotografia,
A voz que atravessa a distância
E devolve cor ao meu dia.
Pode parecer loucura
Amar alguém sem poder tocar,
Mas existem pessoas que chegam
Onde as mãos não podem alcançar.
Você não conhece meus abraços,
Mas já acalmou meu coração.
Não caminhamos lado a lado,
Mas seguimos na mesma direção.
Eu sei o que sinto por você,
E não preciso o amanhã esperar:
Desde o instante em que chegou,
Meu coração escolheu te amar.
Você trouxe alegria
Ao lugar em que havia solidão,
Trouxe esperança aos meus pensamentos
E paz para o meu coração.
Não quero atropelar nossa história,
Quero vivê-la por inteiro,
Conhecendo, a cada novo dia,
A mulher que desejo ao meu lado primeiro.
Amar é reconhecer alguém
Mesmo antes de poder encontrar.
E eu já reconheço em você
A mulher que escolhi amar.
Ainda existe uma tela entre nós,
Uma distância para vencer,
Mas, mesmo sem tocar seu rosto,
Minha alma já encontrou você.
E quando o encontro finalmente chegar,
Não será o começo do que senti:
Será apenas o primeiro abraço
De um amor que já nasceu aqui.
O arrebatamento não desfaz a gravidade do corpo, mas o peso da ausência; não é o instante em que deixamos a Terra, mas o momento em que a eternidade percebe que já não cabemos nela.
Reno Fioraso
O castigo mais cruel não é a ausência do objeto desejado, nem a idealização utópica de si que jamais se realizou — é a proximidade eterna daquilo que se pode ver, sentir, imaginar, mas nunca alcançar. Há tormentos que não nascem da falta absoluta, mas da presença inacessível: aquilo que permanece ao alcance dos olhos e fora das mãos. E é justamente essa vizinhança impossível que prolonga o desejo até transformá-lo em prisão.
A escuridão não é ausência, mas plenitude disfarçada; e aqueles que buscam luz nos lugares errados apenas arranham a superfície de si mesmos. Cada pensamento não vivido deixa cicatrizes invisíveis, e o silêncio que carregamos é mais denso que qualquer palavra que ousamos pronunciar.
A solidão não é ausência de companhia, mas a presença radical de si mesmo — e poucos suportam tal intimidade sem máscaras.
Nem toda distância é abandono; algumas são formas superiores de cuidado. A consciência que se preserva aprende a retirar-se sem rancor, sabendo que permanecer onde o sentido se perdeu é trair a própria inteireza. A maturidade não está em ficar a qualquer custo, mas em saber partir sem destruir o que foi verdadeiro.
A solidão não é ausência de mundo — é excesso de interior não elaborado. O sujeito que a habita não encontrou ainda como processar as vozes internas que nunca foram silenciadas, apenas adiadas: os objetos internos em conflito, as identificações mal integradas, as lembranças que nunca encontraram repouso narrativo. Nesses espaços, o psiquismo vira vigia de suas próprias sombras, organiza ausências, pendura representações de afetos que talvez nunca tenham existido com a intensidade que a memória lhes atribui. O cárcere não é construído pelo externo — é sustentado pela dificuldade de atravessar a própria porta, que muitas vezes só exige que o sujeito cesse de guardar o que poderia ser, finalmente, largado.
Erguido sobre o peso do indizível, o silêncio de Baalbek não é a ausência de Júpiter, mas a sombra mística que o tempo projeta ao secularizar a absoluta ruína em pedra.
Reno Fioraso
A melancolia é uma saudade sem endereço, uma dor serena que se instala no peito e colore tudo com tons mais cinzentos. É sentir falta de algo que, às vezes, nem se sabe o que é. É caminhar com o coração pesado, enquanto a mente passeia por lembranças, possibilidades e coisas que nunca aconteceram.
A conexão entre duas pessoas não se mede pela ausência de dificuldades, mas pela coragem de permanecer de mãos dadas quando a vida exige superação. É assim que o amor se torna caminho, direção e eternidade.
Se o amor for verdadeiro, não se apagará com o tempo. Ele resiste às distâncias, sobrevive às dificuldades e encontra forças para lutar pela permanência.
Sentimentos reais não desaparecem — amadurecem, permanecem e, muitas vezes, esperam o tempo certo para florescer novamente.
'' e a saudade volta todos os dias, sempre estou lembrando dos momentos que eu tive ao seu lado, porque apesar de todas as dores, não há ninguém, pelo menos para mim, que possa substituir você''.
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