Saudades de quem está longe
Nossos passos
Oh! linda donzela...
Que eu me cale com o seu beijo,
Mas nunca canse de dizer
O quanto eu amo você...
É teu este coração
Guardado no meu peito
Que bate sem compasso
Prometido a você.
Esse tic-tac
Que me bate desregrado
Só encontra o compasso
No calor dos teus abraços.
E se hoje eu lhe falo
Descompassado e amoroso
É para tê-la nos meus braços
Acertando nossos passos.
Edney Valentim Araújo
É dele o teu amor
Ele tem o teu amor
E lhe ama como eu.
Seja dele o teu amor
Como um dia o prometeu.
Se é dele o teu amor
Também é o teu calor.
Seja dele o teu querer
Como a queres por amor.
Edney Valentim Araújo
O amor
O amor é coisa de se viver
Sempre por sentir
Na alma e no coração.
E se é amor, não é paixão.
É algo que se sente de montão
Sem nunca se fartar a alegria
De quem vive tão intensa emoção.
Mas quem sente fica mudo,
E quando fala, fala nada, apenas sente...
Não mente quem diz que é uma semente
Adormecida até nascer no coração.
Não se sabe quem semeia
Nem se conhece quem irá colher,
O amor a si mesmo se escolhe.
É um sentimento que se achega
De mansinho e sem pedir.
Faz feliz a quem escolhe
E Realizado o escolhido.
Para o amor, não importa escolher,
Menos importa ser escolhido,
Importa unir a quem possam se fazer felizes e realizados.
Edney Valentim Araújo
Menininha
Que dure esse amor
A vida que eu tiver,
A menininha que me encanta
Será sempre amada minha.
Menininha que foi moça
De moça é mulher.
Só não deixou
De ser meu grande amor.
O amor é sempre amor
Seja ele como for,
Em mim pela metade,
Outra metade é você.
Outra vida eu tivesse
Seria ela ao teu amor,
O que sou agora parte
Serei todo em você.
Edney Valentim Araújo
1994 / 1996
Luz sublime
Soubesse eu o quanto mede
Eu lhe diria o tamanho desse amor...
O que importa saber?
Se minh’alma Já transborda
De amores por você.
Mas o que não digo por palavras
Já não lhe esconde o meu olhar.
Fique em mim
O brilho intenso dos teus olhos
Que ascendeu a luz sublime deste amor.
Edney Valentim Araújo
1994 / 1996
Minh’alma vive
Quisera eu me aconchegar no teu colo,
Igual uma criancinha
A quem se cobre de carinhos...
Saber que teus afagos
Nunca mais me deixarão.
De que adianta a beleza de uma flor
Se eu não tiver o teu amor?
Por que sentir o aroma do teu corpo
Dispersando pelo ar?
Se o meu corpo ele não vem impregnar.
De que me vale tanto te amar?
Se ao teu amor
Eu não posso me entregar.
Por que eu ainda insisto em te sonhar?
Se nos teus braços eu não posso acordar.
É que tudo vale apena
Se a minh’alma vive pra te amar...
Edney Valentim Araújo
1994 / 1996
Quando
Quando o silêncio
Fala mais alto
De que o alarido do grito
Eterno deste amor...
Quando a luz
De um olhar
É mais intensa
Do que o brilho das estrelas...
Quando a singeleza
De um sorriso
Alegra o corpo
E toca a alma...
É momento de reconhecer
Que estou rendido
Por inteiro
Ao teu amor.
Edney Valentim Araújo
1994 / 1996
Eu pensaria
Eu pensaria em outro alguém,
Se um motivo eu tivesse pra viver
Que não fosse te amar.
Já não me procuro
Onde eu possa me encontrar
Que não seja em teu olhar.
Mas aprendi
Que tudo tem o seu lugar
Mesmo sem o alcance de um olhar.
Edney Valentim Araújo
1994...
Quem sente
Já não ouço a sua voz
Mas não me cala
Esse alarido
De quem tem
Por um momento
O grito incontido
Desse amor
Que é infinito.
O vento sopra
Sem dizer de onde vem
Nem revelar pra onde vai,
Mas deixa sempre
O bom perfume de uma flor
Que não se perde pelo ar...
Quem sente seu aroma
Nunca deixa de ama-la.
Edney Valentim Araújo
1994...
Sem fim
.
O tempo me leva
Na eternidade desse amor
E me deixa como estou,
Um com ela onde eu for...
.
No campo estas flores
E o tom selvagem deste amor,
Que me brada no silêncio
Do meu grito em furor...
.
Ela é viva e vívida nesse amor
Que me aquece
E me enlouquece sem pudor...
.
Eu aqui e ela lá
Onde sempre está em mim,
Nesse tempo em que eu me tenho
E vivo este amor sem fim...
.
Edney Valentim Araújo
Licença
.
Vou pedir licença
E me achegar sem a pressa
De quem fica
E não deseja despedidas.
.
Vou pedir licença
De tudo que há lá fora.
E despojar da solidão
Dentro do teu coração...
.
Que me deixe os largos passos
De outros ventos
Que me teve o vento.
Sou agora anelo
Do teu coração.
.
Chama viva que me chama
E me abrasa o coração,
Se me falta em mim juízo
Estou seguro em tuas mãos...
.
Edney Valentim Araújo
Eu
Eu nunca me esqueci de você.
Todos os meus dias eu espero por você em nossas vidas.
Eu me imagino tocando suavemente os contornos do teu rosto.
Eu sonho afagar teus cabelos, e com eles, fazer cachinhos nas pontas dos dedos.
Eu me vejo em teus braços sussurrando juras de amor ao teu ouvido,
Dizendo o que sinto... o quanto a desejo...como te amo.
Eu tento adivinhar o sabor dos teus beijos,
O quão bom seria tocar os teus lábios com os meus.
Eu sonho caminhar contigo sob a luz do luar na companhia das estrelas.
Eu nos vejo andando sem destino por aí,
Seguindo para onde o amor quiser nos levar,
E sem nenhuma pretensão, olhando as vitrines como um casal apaixonado,
Eu me imagino lhe falando coisas sem sentido ardendo na febre do fogo dessa paixão.
Eu me vejo totalmente entregue aos teus caprichos e aos teus carinhos.
Eu me imagino aliançado a você,
Unidos de alma e coração por todos os dias de nossas vidas.
Eu só tenho olhos para você...
Eu só penso em você...
Eu sinto que pertenço a você.
Eu queria, e já tentei, mas não consigo deixar te amar.
Edney Valentim Araújo
O Encontro no Ônibus
Estava eu, mais uma vez, indo para a casa de minha avó. Para tanto, preciso pegar dois ônibus ou ir a pé até o ponto do segundo. Com muita cautela, vou. Passo atenciosamente de rua em rua, esquivando-me das esquinas como quem evita lembranças indesejadas.
Decido ir a pé. Chego ao segundo ponto um pouco cansado, o corpo denunciando a caminhada, e logo vejo meu ônibus se aproximar. Entro, pago e me assento. Como em qualquer outro dia, encaro a janela como uma tela em branco, onde os cenários passam rápido demais para serem compreendidos. Imagino tudo, porém nada de importância.
Um bairro se passou quando sinto um toque no braço, leve como o roçar de um galho ao vento. Vinha de alguém que se assentava do meu lado direito. Penso que foi apenas um esbarro casual e volto ao meu devaneio, mas novamente sinto. Dessa vez, decido me virar e entender o que estava acontecendo.
Era uma senhora, pequena e franzina, de mãos trêmulas e olhar perdido. Tentava, com delicadeza, chamar minha atenção. Algo havia de diferente em seu olhar — um brilho úmido que parecia conter todo o peso do mundo. O marejar de seus olhos já me inundava, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela segurou minha mão com firmeza, como quem busca âncora na tempestade.
Sem dizer uma palavra, ela apenas suspirou fundo, como se aquele gesto contivesse anos de histórias acumuladas. Seus dedos enrugados e frágeis envolviam minha mão como se segurassem um último pedaço de esperança. Por um instante, o mundo se reduziu àquele toque, e o barulho do ônibus se tornou um murmúrio distante.
Aos poucos, seus lábios se abriram, e num sussurro quase inaudível, ela disse:
— Você se parece com meu filho...
Houve um silêncio denso, como se o universo contivesse o fôlego. Não sabia o que responder, e talvez ela nem esperasse uma resposta. Apenas segurava minha mão, fixando o olhar num ponto indefinido do corredor.
— Ele partiu faz tanto tempo... — murmurou, com a voz quebrada pela saudade.
Um nó se formou na minha garganta. Respirei fundo, sentindo o peso daquele instante. Então, num gesto instintivo, apertei a mão dela com carinho e disse:
— Eu estou aqui... Pode me contar sobre ele, se quiser.
Ela pareceu surpresa, como se aquela simples oferta fosse um presente inesperado. Seus olhos marejados se voltaram para mim, e um sorriso tímido despontou, como um raio de sol por entre nuvens carregadas.
— Ele tinha esse jeito quieto... sempre olhava pela janela, pensativo. Gostava de imaginar histórias. E quando eu estava triste, ele só segurava minha mão, como você está fazendo agora.
Senti meu coração pulsar mais forte. Eu não era apenas eu — naquele instante, eu era um fragmento de memória viva. Ela continuou falando, e a cada palavra seu rosto se iluminava, como se a lembrança trouxesse o calor de um reencontro.
— Ele dizia que as nuvens eram mapas de terras mágicas — disse ela, sorrindo leve.
— Sempre acreditava que, se prestássemos atenção, descobriríamos um caminho que só os sonhadores enxergam.
Sorri também, e sem perceber, comecei a compartilhar minhas próprias memórias de viagens e pensamentos perdidos olhando pela janela. Ela escutava atenta, como quem encontra companhia na dor e na saudade.
Quando o ônibus freou bruscamente, ela soltou minha mão com delicadeza, como se devolvesse à realidade o que fora apenas um breve consolo. Antes de descer, olhou para mim com um sorriso pequeno, mas sincero, carregado de um agradecimento mudo.
— Obrigada... Você me fez lembrar que o amor não morre... Só se transforma em saudade.
Olhei para ela e, com um sorriso sincero, respondi:
— Talvez ele ainda segure sua mão... de algum jeito, através de quem traz um pouco dele no olhar.
Ela desviou o olhar por um momento, tentando conter as lágrimas. Mas quando voltou a me encarar, havia uma serenidade nova ali, como se minhas palavras tivessem encontrado um canto acolhedor dentro dela.
Fiquei observando-a partir, pequena e delicada, desaparecendo na multidão. O ônibus seguiu viagem, mas aquela sensação permaneceu em mim — uma mistura de melancolia e gratidão por ter sido, ainda que por poucos minutos, um porto seguro para alguém que precisava ancorar suas lembranças.
No caminho até a casa de minha avó, pensei sobre a força que existe em simplesmente estar ali para alguém. Às vezes, somos chamados a ser companhia em meio ao tumulto da cidade, como se a vida nos empurrasse para encontros que não esperávamos, mas que, de alguma forma, precisávamos viver.
E ali, entre a dor e o alívio, aprendi que às vezes somos porto, outras vezes somos naufrágio — e, no intervalo entre os dois, a vida nos permite tocar o coração de um desconhecido, deixando nele um pouco de calma, e levando conosco a certeza de que a humanidade sobrevive nos detalhes.
Do Vazio, Transbordo
Do vazio, preencho-me,
como tela que se pinta sozinha,
colorido com as mais belas cores
de uma paleta que nem escolhi.
Sou arte que se faz sem intenção,
um quadro que respira
e dança com os tons
que o acaso me deu.
Do vazio, transbordo,
como rio que se perde
entre margens inconstantes,
a fluidez de um só
corpo que se desenha
com as tintas do improvável,
na liberdade de ser
mais que apenas vazio.
Quando a vida me cobre
com véus de incerteza,
esboço-me em traços largos
e deixo que o tempo
pincele meus contornos.
Não sei se sou obra completa
ou fragmento em constante mudança,
mas aceito o caos
como parte da criação.
Sou o intervalo entre
a matéria e o conceito,
o pulsar do imprevisto
na estrutura que se rompe.
Quando me olho de fora,
percebo que sou mais
do que a soma de escolhas,
sou o reflexo que escapa
entre as fendas da razão.
Há beleza no que escorre
sem forma definida,
no gesto que se faz
pela inquietação do existir.
Sou composição inacabada,
mas inteira naquilo
que jamais cessa de se criar.
E assim,
de um espaço que era nada,
sou cor, sou movimento,
um corpo que não cabe
em linhas retas
nem em molduras fixas.
Sou a contradança
entre o vazio e o transbordar,
a essência que se molda
na ausência de certezas,
como verso que se escreve
no tempo que passa
sem pedir licença.
E se ao final
me perguntarem o que sou,
direi que sou fluido,
transição que se esparrama
entre o ser e o deixar de ser.
Um conceito escorrendo da mente
que, ao tocar o chão,
se torna rio que não desiste
de encontrar o mar.
Porque ser é também desaguar
em possibilidades infinitas,
é não temer a dissolução
e encontrar na própria mudança
a raiz que jamais se fixa.
Sou processo que se faz
enquanto a vida se move,
uma arte sem moldura,
uma verdade sem contorno,
transbordando de mim
no vazio que me acolhe.
E se por acaso
me perguntarem novamente,
não direi mais que sou completo,
nem que estou pronto.
Direi que sou como a água,
que ao abraçar a terra,
transfigura-se em rio,
em mar, em chuva,
mas nunca deixa de ser
essencialmente líquida,
livre para se moldar
e expandir,
pois mesmo quando se evapora,
não deixa de ser presença,
não deixa de ser vida.
Nas sombras do tempo, ele caminhava solitário pelas ruas de memórias desbotadas. Seu coração, um mausoléu de amor, guardava o fogo sagrado por ela. Ela, a musa imortal de seus sonhos, vivia na penumbra de sua ausência, uma presença tão vazia quanto as ruínas de um templo esquecido.
Anos haviam se passado desde que suas vozes se entrelaçaram em canções de promessas e suspiros. Anos desde que seus olhares se perderam nos labirintos da alma um do outro. Mas para ele, o tempo era apenas uma cortina fina entre o que foi e o que poderia ser.
Ela era como a névoa da manhã, presente, mas intangível. Ignorava-o como se ele fosse uma sombra indesejada em seu horizonte. Seu silêncio era uma sentença, sua indiferença, uma espada que dilacerava sua alma a cada dia.
Mas mesmo na morte ficta de sua conexão, ele persistia, seu coração como um farol na escuridão, esperando por um vislumbre da chama que um dia ardeu tão intensamente entre eles. Ele a amava além das palavras, além do tempo, além da própria morte.
Em seu amor, ele encontrava uma imortalidade que transcende os limites do mundo físico. Seu amor era uma epopeia, uma saga de esperança contra toda a lógica, contra toda a razão.
E assim, nas brumas do esquecimento, ele continuava a tecer os fios do seu amor, esperando pelo dia em que a morte ficta que os separava se dissolveria, e eles se encontrariam mais uma vez nos braços do destino, onde o tempo não teria poder sobre o eterno laço que os unia.
Ecos de nós
Ontem nos víamos.
Hoje, só,
diferente do ontem,
me ouço duplamente;
mais complexo e
mais emocionante.
.
.
.
.
.
-Mentira!
Jorge B Silva
Na hora do acontecimento não aproveito nada. E depois vem uma ilógica saudade.
É que de vez em quando dá uma saudade na gente dessas coisas. São todas coisas simples. Meio bobas muito bonitas. (...) Mas tudo bem.
"Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade.
Eu tenho saudade de tudo.
Não é um sentimento egoísta e muito menos possessivo. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável, de longe."
"Você me disse e me olhou de formas terríveis mas o que sobrou colado em cada parte do dia e de mim é a maneira como você sorri."
"Meu cupido deve ter mal de parkinson."
"Fernanda aguarda pacientemente pelo seu príncipe encantado, enquanto plebeus passam pela sua vida mas ela, com medo da realidade, continua os expulsando da história."
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