Saudade de Filho que Estuda Fora
Dual
E lá estava ele. Tão pequeno, tão frágil. Era maravilhoso saber que, enfim, eu havia sido pai. Ao mesmo tempo, um turbilhão de pensamentos e preocupações preenchiam os espaços ociosos no meu cérebro. Espaços que só eram, anteriormente, ativados quando os assuntos eram futilidades, como mulheres, festas e futebol.
Não havia espaço para mais nada. Desde o momento em que aqueles pequenos olhinhos negros piscaram para mim, o mundo parara. Só existíamos nós dois, unidos por laços únicos em uma esfera que eu ainda desconhecia.
E ele, o meu filho (meu!), parecia me compreender. Olhava fixamente na minha direção, enquanto suas pequenas falanges arriscavam curtos movimentos. E sorria, quando a preocupação tentava me consumir. Parecia estar adorando a exaltação que brotava de mim, mesmo detrás daquela enorme parede de vidro.
Agora eu entendia. Entendia o que era viver eternamente. Diante de mim, a maior aposta de perpetuação de minhas memórias. Uma Parte de mim. Minha continuação. Eternidade. Esse é o nome que deveriam dar a todos os filhos. Vitória. Este é o nome que deveria ser dado a todos os pais. Porque ser pai é viver, todos os dias, a harmônica dualidade existencial, sem deixar cair a peteca.
Quando me encontro sem respostas sobre a lógica da vida, simplesmente agradeço a Deus pelo tesouro que me foi confiado meus filhos.
Pai e Mãe, Desejo e Sina - Nada Romântico!
Enquanto houver a visão distorcida com a real situação das responsabilidades dos filhos, não só financeira, haverá mães sobrecarregadas e pais curtindo a vida sem qualquer dificuldade ou remorso!
A quem cabe a correção dessa prática?
Se não for possível a igualdade das responsabilidades pelos pais, que seja então aplicado ao omisso a obrigação financeira para dar a outra parte condições para a criação do filho.
É necessário que "a mãe" entenda que ela não fez o filho sozinha, e parar de romantizar toda a problemática.
O pai criando filhos sozinhos é 'pai herói e lindo', já a mãe é nada mais que obrigação.
Me emociono profundamente ao escrever uma frase. Sinto uma sensação tão boa que é como se eu deixasse uma marca no mundo, um filho, mas um diferente. Um filho que viverá para o resto da humanidade.
Pra compreender o passado, basta a gente estar vivo, pra gente poder viver e o passado deixar de fazer sentido, e a gente olhar praquele passado com distanciamento.
Existem momentos que passam como se estivéssemos passando café: no início um aroma delicioso...
Depois um paladar sem igual...
E logo uma sensação revigorante...
Assim são os melhores momentos da vida: são deliciosos, revigorantes, sem igual...
E deixam a sensação de querer viver novamente...
E outros nem tanto assim...
SOL DE GRATIDÃO SENTIDA
Peço licença aos amores, licença aos bons escritores.
O meu peito em puro amor agradece em versos ao mestre.
Gratidão pela inspiração; pela sublime decisão...
Um filho que então é gerado é um Sol a ser cultivado.
Grato ao jardineiro maior, palavras não irão definir.
Amei, cantei e escrevi, mas nada igual jamais senti.
Olhava a estrela crescendo, no ventre da tal escolhida.
Presente maior; minha vida, e uma vida se refazendo.
Encanto; um fruto chegando, quem sabe um elo maior.
Glórias, glórias meu Senhor; é um menino chorando.
E logo o vejo a sorrir e o riso em mim fez morada.
Agora a minha jornada tem nova razão de existir.
Amada minha amada, prenda por Deus escolhida.
Vida longa, vida a vida e a luz que se faz na estrada.
Verde o peito em brilho e festa celebra o rebento nos braços.
Abraços, mil beijos e afagos em tons de cores modestas.
Quisera eu dividir a seiva suave sentida.
Em chuva de paz vejo a alma, de fé a aura é vestida.
Pai; palavra que ecoa aos céus voando em canção.
A ave é a mente do artista repousando em oração.
ROSA, ESPINHO E RAIZ
Rosa, teu nome é um verso antigo que o tempo não soube decifrar. Teu corpo, um mapa de cansaços dobrados em silêncio. Cada ruga, um caminho que não escolheste. Os dias te escorrem pelos dedos como areia grossa, e ainda assim, seguras o peso do mundo nas costas curvadas. Erraste como quem planta em terra seca, mas regaste com lágrimas o que a vida insistiu em queimar. Nada muda, mãe. Os anos passam e te deixam a mesma dor, só que mais quieta, mais funda, como um copo quebrado colado com saliva...
Os teus filhos - esses estranhos de teu próprio sangue - não veem que o desprezo é uma faca sem cabo: fere as mãos de quem a segura. Eles não sabem, Rosa, que um dia a solidão baterá à porta deles também, e trará o mesmo sabor amargo que tu engoles há décadas. Choras às escondidas, esfregando no avental manchado as lágrimas que ninguém merece ver. O espelho já não te devolve o rosto que um dia foi jardim; agora só mostra os espinhos que cresceram por dentro, enquanto teu sorriso murcha devagar, como flor esquecida no vaso...
Mas oh, mãe ferida, tua raiz ainda segura a terra. Mesmo quando o vento sopra forte e os frutos caem podres aos teus pés. Há uma luz trêmula em ti que nenhum abandono apagou. Talvez porque o amor, quando é de mãe, seja o único fogo que queima sem consumir. Rosa, eu te vejo. Se os outros não olham, eu escrevo teu nome na parede escura desta história. Não serás apenas a que sofreu. Serás a que resiste, mesmo quando o mundo te diz que já não há razão. E no teu peito partido, lateja um verso que ninguém ouviu: Eu era forte, e ninguém perguntou...
PRETO, SOMBRA E SEMENTE
Irmão, teu apelido é uma cor que carregas como cicatriz e estigma. Teus passos, arrastados no asfalto quente de promessas quebradas, desenham um caminho de fuga. Os entorpecentes são teus únicos abrigos. Esquece essas casas de papelão que o vento leva e reconstrói um novo lar, mesmo que com mãos trêmulas. Erras como quem cai no mesmo buraco e não tenta mudar. Os anos passam, mas tu permaneces parado no mesmo cruzamento, vendendo tempo em troca de minutos de esquecimento. Teus filhos e parentes, esses fantasmas de teu sangue, ainda te esperam na soleira da memória, com olhos que não aprenderam a odiar. Eles são espelhos quebrados onde teu rosto se reflete em fragmentos e ainda assim sorriem (escondendo a dor profunda) quando te veem...
Enganas os outros como enganas a fome, com migalhas de histórias requentadas. Os de sangue próximo já não choram por ti; apenas observam de longe, como se assistissem a um incêndio lento. Não vês que te transformaste em tua própria lápide ambulante? O chão que te acolhe é frio e fedido, mas é o único que não te pede explicações. A chuva te lava e tu a bebes como se fosse redenção, mas nunca tenta saciar tua sede de paz. Irmão, ouves os gritos da tua própria carne? Ela clama por um último gesto de dignidade, por um instante em que não sintas vergonha de existir. A ajuda está lá, à tua frente, mas exige que estendes a mão. E tu, acostumado com tão pouco, esqueceste como se pede socorro...
Eu ainda insisto em acreditar em ti, irmão. Não por ingenuidade, mas porque conheço o brilho que há por trás desses olhos embaçados. Deus, ou seja lá o que nomeamos como esperança, não desistiu de ti. Ele está no pão que comes quando há, no teto que não tens, nos de sangue que clamam por ti. Volta não como herói, mas como sobrevivente. Para de trocar tua vida por êxtases momentâneos. O chão que pisas pode ser o mesmo, mas tu podes ser diferente. Irmão, tu és semente sob o concreto. Não deixes que te definam pela podridão que te cerca. Germina. Todos ainda acreditam em ti. Tenta voltar, percorrer um novo caminho...
"O esposo e pai, deve sempre defender a sua família e, se necessário for, com os mesmos instintos de um leão."
Anderson Silva
PIJAMA REAL
Afinal o que é riqueza?
Tanta insônia pela grana?
Traz coroa à realeza
Paz dos filhos de pijama.
MINHA OUTRA METADE
Você veio como chuva de verão;
Me surpreendeu, encheu meus olhos de lágrimas e encharcou o meu coração de amor. De repente você foi crescendo...
E o berço já não mais lhe coube. Mas nos meus braços você ainda cabe. Assim como Deus tirou Eva da costela de Adão; você foi tirado de mim: minha outra metade. Como água; você ocupa cada espaço daqui de casa, e vai ocupando do meu peito também. Quando vejo já é noite, e você está dormindo. Nem parece aquela criança agitada de durante o dia. Você é o sonho de Deus, e eu passei a sonha-lo também.
Enquanto o mundo está se acabando lá fora, você dorme como se nada estivesse acontecendo.
Você foi crescendo e o tempo da vida foi tirando você de mim. Logo ficarei velha e voltarei a ser uma criança como tu também. E você cuidará de mim. O tempo é danado: a cada dia vai esculpindo na minha faça rugas, deixando meu cabelo da cor das nuvens. Meus olhos um dia já não mais verá você tão bem. Mas imaginarei teu sorriso gostoso sem nenhum dente...
Eu sentirei teu toque, teu cheiro, o cheiro da minha criança linda. Quero sempre ter meu rosto molhado com teu beijo...
''Cada um de nós temos o nosso céu onde brilham estrelas que miramos, e que podem ser: pais, irmãos, filhos, amigos..., importantes como as outras que não são miradas porque a plena luminosidade deste céu acontece com toda constelação''.
O melhor mirante do mundo pode ser os ombros de um paí.
Um bom Pai, independente da sua estatura, eleva seus filhos a lugares mais altos do bem.
Acredito que a ideia de colocar os filhos nos ombros surgiu dos pais, não para lhes dá descanso, mas para fazê-los enxergar mais longe.
Um casal que tem tudo para dar certo é aquele que cultiva o diálogo sobre tudo e os dois se abrem com amor a realidade do outro.
Ao nascer estamos conectados a nossa mãe pelo subconsciente que foi em grande parte construído por sua influência nos primeiros sete anos de nossa vida.
A Luta Nao Pode Esperar
Crônica baseada na morte do estudante de Matemática da UFG, Guilherme Silva Neto de 20 anos.
Por Josielly Rarunny
Imagine um jovem alternativo e revolucionário, desses que defende suas crenças, capaz de lutar até a morte. Literalmente.
Guilherme saiu numa manhã de quarta feira após uma briga com o pai, motivada pelo estilo do rapaz, causas sociais e políticas que Guilherme defendia.
O pai, engenheiro de 60 anos, conservador e depressivo não aceitava as atitudes do filho. Proibiu Guilherme de participar da tal reintegração de posse que ocupava universidades e lutava contra as propostas da PEC 241.
Discutiram. Discutiram feio por sinal. Dessas discussões onde se ouve gritos, xingamentos e ameaças. Saíram cada um para um lado.
Guilherme deu as costas e foi a luta.
Que a luta não pode esperar.
Quem sabe ele foi cantando a canção de protesto de Vandré.
Pra não dizer que não falei das flores.
A mãe na sala ao lado ouvia a discussão.
Em oração repreendia e preferiu não interferir.
Vai saber o que se passa no coração de uma mãe.
Aquela dor recolhida, aquele choro engolido, uma aflição que parece não ter fim. Um anseio de ver a paz reinando no almoço em família do dia seguinte.
Um almoço que não acontecerá mais.
O pai tinha o tempo de esfriar a cabeça ou sacar uma arma.
Advinha o que ele fez.
Voltou para casa.
Encontrou apenas aflição e oração em forma de mãe.
O filho não estava mais. Encontrou Guilherme numa praça perto de casa e disparou contra o filho quatro vezes. Houve tumulto e gritaria.
Guilherme conseguiu correr, mas o pai alcançou o filho e com mais disparos o matou.
E com o mesmo tempo que ele levou para sacar a arma, debruçou sobre o corpo do filho, talvez arrependido da besteira feita. Não quis ficar e lutar contra a justiça social e brasileira.
Que por sua vez nem é tão severa assim.
Preferiu antecipar o julgamento e a justiça divina.
Guilherme deu as costas e foi a luta.
Que a luta não pode esperar.
Quem sabe ele foi cantando a canção de protesto de Vandré.
Pra não dizer que não falei das flores.
Ninguém sabe, ninguém ouviu falar.
O que todos sabem é que ele foi.
Infelizmente, pra nunca mais voltar.
Percebo uma analogia entre como as pessoas veem seu relacionamento com Deus e a dinâmica entre um patrão e seu empregado. Algumas pessoas encaram Deus como uma ajuda necessária para auxiliar, organizar e resolver problemas, mas mantêm uma distância que implica certas limitações, tais como não interferir na vida pessoal, não expressar opiniões ou impor ideias, evitando a intimidade e um convívio social e informal, a menos que seja realmente necessário. A relação parece como algo estritamente profissional, sem um vínculo ou participação mais efetiva na vida diária.
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