Saudade e Ausência
Como a noite é longa!
Só, as noites sem ti.
Senta-te, amor, perto
Do leito onde esperto.
Vem pr'ao pé de mim...
A saudade me consome,
Em cada pulsar do coração.
Aqui ao pé da cama
Teu nome ecoa, chama,
Ansiando por tua mão.
És a minha estrela,
A luz que me guia.
Como estou presente!
Sussurra-me ao ouvido
E a distância se afilia.
Que é feito de tudo?
Que fiz eu de mim?
Deixa-me sonhar,
Sonhar a sorrir
E seja isto o fim
Desta noite sem ti.
Quando a Noite Cai
Quando a noite cai
e o frio desce devagar,
vem com ele a angústia —
silenciosa,
sutil,
letal.
Quando o frio me visita,
sinto falta do teu calor,
aquele que apagava
toda dor,
todo medo,
toda solidão.
Quando percebo tua ausência
no eco da casa vazia,
bebo tuas palavras guardadas,
e nelas,
me cura a poesia.
Quando olho ao redor
e não te encontro,
as lembranças surgem —
nítidas, quentes,
com o gosto do nosso
último beijo.
E quando tudo silencia,
até o tempo se recolhe…
Fecho os olhos —
e, inevitavelmente,
é em ti
que meu pensamento dorme.
NINHO VAZIO
Dois bonitos passarinhos
Que voavam por aí
Um dia se encontraram
E logo se apaixonaram
Construíram um belo ninho
Simples, mas aconchegante
Então vieram os filhotinhos
Felizes e esfuziantes
A família aumentou
E a trabalheira também…
Ter comida e segurança
Não é fácil pra ninguém
O casal de passarinhos
Com integral dedicação
Transmitiu aos seus filhinhos
Respeito e educação
E assim, dia após dia,
Numa luta sem parar
Os pequenos filhotinhos
Aprenderam a voar
Mas em uma tarde voaram
E já não voltaram mais…
Foram construir seus ninhos
Seguindo os próprios caminhos
Como um dia, lá atrás,
Também o fizeram seus pais
Então, assim de repente
O ninho aconchegante
Que era tão quente e seguro
Ficou triste, escuro e frio
Tornou-se um ninho vazio
E o casal de passarinhos
Lá na varanda do ninho
Hoje fica a murmurar
Esperando que numa tarde
Os filhotes reapareçam...
E que voltem pra ficar.
Dê-me o último beijo
Dê-me o último abraço
Dê-me a sua última companhia
Mas avise-me,
Talvez, assim, posso acostumar-me com a sua ausência
O que fazer quando não se sabe o que fazer? Quando buscamos a resposta que queremos em todos os lugares mas não conseguimos absorver o que respondem como a resposta que bate aquela sensação de "é isso!". O que fazer quando o que se deseja parece utopia? O que fazer quando a alma grita por um sentimento correspondido mas que muitas vezes só encontra eco em atitudes, mas não em palavras? O que fazer quando o Eu Te Amo não é muito claro verbalmente mas as ações mostram o amor na forma mais sutil de um entrelaçar de dedos dando as mãos, ou um olhar longo de carinho? O que fazer quando duas almas parecem se completar tão bem mas não podem estar sempre juntas? O que fazer quando o amor é tanto que transborda pelos olhos em lágrimas de saudade? Aos olhos de outros tudo pode ser resolvido com tamanha facilidade e brevidade, é tudo muito simples. É só fazer isso ou aquilo. Mas a alma que grita não ouve, a alma que chora não entende, a alma solitária não aceita a distância. Parece que a separação é infinita mesmo quando se passaram apenas alguns dias. A dor amplia o tempo, enquanto a alegria parece ser tão fugaz. Num instante acaba, e volta a alma a ansear pelo seu amor e a se questionar sobre o que fazer de sua existência.
Entenda que não consigo afastar, não quero, não dá.
Vai perdoando minha falta de juízo e a intensidade do meu gostar.
Não sei se fragmento-te ou guardo-te. Se penso saudoso ou esqueço-te. Mais vil que tal dúvida, é este silêncio, que vocifera bradando por tua ausência. Ainda dói, teu cheiro e beijo são o que me destroem, mas eis que como a erva humilde, debaixo dos teus pés, eu ei de morrer sob doce agonia. Tento esvaziar-me de ti, tento distanciar-me dos teus caminhos, mas não importa o quanto o tempo rugir, não importa o quanto a tua ausência lancetar, não importam os adiamentos, as distâncias ou muito menos as impossibilidades. Tudo isso o meu amor por ti deteve e mesmo que consiga esvaziar-me por completo, é muita saudade pra pouco eu. Eis que transbordo apenas isso e de tão grandiosa que é tal ausência, não sinto mais, me tornei ela.
Por debaixo do teu manto de beleza, me cobri e coberto, mergulhei em teus encantos. Profundo é meu pranto, quando meu peito canta a tua ausência em silêncio e sem tua ode, a vida torna-se uma carme triste e insana.
A tempos me ausentei da sua conquista.
A tempos que, abdiquei da minha alegria.
A tempos que, desisti das palavras bonitas.
A tempos que, gasto tempo com tudo isso e não surte efeito.
A tempos que, desejo o calor e o doce do seu beijo.
A tempos que, percebo que de tempos em tempos devo me ausentar.
A tempos que, percebo; a saudade é a unica capaz de fazer você me amar.
E a tempos que, tais verdades, em vão, tento sufocar...
"Este sou eu, mas este sou eu de verdade.
Esta é a face da minh'alma, que sem você é só metade.
Um todo de tristezas, metade de alegrias e nada de felicidade.
A única coisa que me existe por completo, em sua ausência, é a saudade.
Essa é a minha face.
Sou só metade, sem você, minha cara metade.
Me divido em dois frontes, batalhando com a solidão e a saudade.
Sem você, os amores se tornam completas mentiras e meias verdades.
Eu sou só metade.
Metade de bondade e um completo de maldade.
Não me maltrate.
Amiúde peço-lhe de verdade.
Por favor, devolva minha metade..."
"Eu marco as batidas.
A cada beijo, a cada toque, eu sinalizo a minha despedida.
É minha ida.
Meu coração erra as batidas.
Será loucura, desejo, hipocrisia?
Era fantasia.
E eu marco as batidas.
Pra ter um momento ao seu lado mulher, eu daria mil vidas.
O que sou eu sem você? Tento fujir desse amor, mas estou em um labirinto, sem saída.
És tu meu ar, es tu meu Sol, amada minha.
Eu não fui, e se fosse voçê, eu não iria.
Lembro daquele nosso abraço; Ah mulher! Como minh'alma sorrira.
Sua ausência agride minha sanidade, e eu marco as batidas.
Do que me adianta o calor de outros corpos, se em sua ausência, eu sou só uma tarde fria?
Eu tentei, esperei, nosso amor não deu frutos, não teve saída.
Tampouco, despedida.
Esperanças de nós dois? Leviandade minha.
No calendário do meu coração, noto sua ausência, e venho marcando os anos, meses e dias.
E a cada palpitar do meu algoz, longe do teu ser, eu marco as batidas..."
UMA FALTA EXCRUCIANTE
Guardo você em minha memória e em meu coração.
Seria mais fácil esquecê-la, mas apagá-la de mim é impossível.
Penso todos os dias em cada detalhe do seu belo rosto. Como era mandona e extremamente inteligente.
Você me faz uma falta excruciante.
Olho ao redor, e percebo que tudo me faz pensar em você!
Você iluminava minha vida, e eu te inspirava a ser alguém melhor! Nunca te vi tão risonha, tão amável, compartilhando histórias, permitindo se abrir para o mundo, como quando estávamos perto...
Tua ausência hoje me desconcerta.
Penso nos teus olhos puxadinhos, que me hipnotizaram, e como eles iluminavam meus dias.
Sinto falta da tua risada espalhafatosa, e dos teus cabelos dourados.
Podíamos ter sido algo mais e ter ido muito além.
Me martirizo todas as manhãs por não acordar ao teu lado, e ao abrir os olhos não contemplar teu sorriso de menina.
Tínhamos uma tela limpa, pronta para ser preenchida com novas cores.
Eu te quis como a rainha do meu castelo, a mãe dos meus filhos e a dona do meu coração.
Mas você nunca me amou como eu te amei...
Na maioria das vezes, só saberemos o quanto a presença de alguém era importante, quando na sua ausência ela fizer uma grande falta.
Além das Ondas
Em horizontes distantes, busco abrigo,
O vento sopra, acariciando o mar,
Entre lembranças e suspiros antigos,
Um vazio que persiste em me acompanhar.
Planos tecidos com fios de ilusão,
Olhares compartilhados na mesma direção,
No silêncio, o eco daquela conexão,
Um sentimento etéreo, uma eterna recordação.
Os passos do tempo, em descompasso,
Deixando marcas de saudade e desalento,
Mas em cada brisa que toca meu rosto,
Encontro força para seguir adiante, no momento.
Cuidar de mim, em meio às lembranças,
Encontrar a paz no abraço do horizonte,
Uma ausência silente que enlaça esperanças,
Enquanto a vida segue seu curso, passo a passo, monte a monte.
Assim, nas entrelinhas desse poema escrito,
A dor de uma perda, palavras não ditas,
Aos olhos sensíveis, o significado é descoberto,
Uma história de amor eterno, onde a presença se agita.
DELETE
Acredito que o tempo e a distância são os melhores mestres..., através deles podemos conhecer, aprender e discernir.
Num mundo onde as pessoas são esquecidas, as amizades estão desnecessárias e os amores são rapidamente substituídos, o que mais podemos esperar?
Nada!
Senão a opção "Delete"
Delete o que não te faz feliz.
Delete o que não te traz paz.
Delete quem não se lembra.
Delete de sua vida a pouca importância.
Os abraços de urso.
E o carinho barganhado.
Delete o prazer sem o mérito da conquista.
A Ignorância do ego ferido.
Delete pessoas, pensamentos e lembranças.
E diante do descaso, delete até a esperança.
Delete a incerteza e a ansiedade pelo futuro.
O rancor e mágoas passadas
Transforme as promessas falidas
Na real convicção de uma vida descomplicada .
Rê Pinheiro
Se eu pudesse saber o quanto de mim ainda vive em você... Se seu coração ainda pulsa diferente quando escuta aquela música, se sua pele ainda lembra o toque que só existia entre nós. O amor que tivemos não foi desses que o tempo leva com o vento... foi daqueles que se cravam na alma, que doem mesmo depois de tanto silêncio. Às vezes me pergunto se você também fecha os olhos e se perde nos mesmos instantes que ainda moram em mim. Porque, mesmo longe, mesmo depois, há amores que nunca dizem adeus... apenas se escondem onde ninguém mais vê.
Nas sombras do tempo, ele caminhava solitário pelas ruas de memórias desbotadas. Seu coração, um mausoléu de amor, guardava o fogo sagrado por ela. Ela, a musa imortal de seus sonhos, vivia na penumbra de sua ausência, uma presença tão vazia quanto as ruínas de um templo esquecido.
Anos haviam se passado desde que suas vozes se entrelaçaram em canções de promessas e suspiros. Anos desde que seus olhares se perderam nos labirintos da alma um do outro. Mas para ele, o tempo era apenas uma cortina fina entre o que foi e o que poderia ser.
Ela era como a névoa da manhã, presente, mas intangível. Ignorava-o como se ele fosse uma sombra indesejada em seu horizonte. Seu silêncio era uma sentença, sua indiferença, uma espada que dilacerava sua alma a cada dia.
Mas mesmo na morte ficta de sua conexão, ele persistia, seu coração como um farol na escuridão, esperando por um vislumbre da chama que um dia ardeu tão intensamente entre eles. Ele a amava além das palavras, além do tempo, além da própria morte.
Em seu amor, ele encontrava uma imortalidade que transcende os limites do mundo físico. Seu amor era uma epopeia, uma saga de esperança contra toda a lógica, contra toda a razão.
E assim, nas brumas do esquecimento, ele continuava a tecer os fios do seu amor, esperando pelo dia em que a morte ficta que os separava se dissolveria, e eles se encontrariam mais uma vez nos braços do destino, onde o tempo não teria poder sobre o eterno laço que os unia.
