Sangue
SANGUE BRASINO
O negro macanudo e de brilho
aportou na querência colorada,
com um lombilho na invernada
mesclou-se no grado estribilho,
samba e fandango o seu fraco.
Na campanha de Farroupilhas,
cavalgou e lutou muitas trilhas
com a bravura do sangue afro.
Não tremulou dentro da cancha
para demonstrar a sua sagácia
de vaqueano, peão de audácia
na lidas que o pampa arrancha.
Impôs o respeito e já amparado
agauchou-se aos pagos o taura
campeador, fiel pajador e quera
de valor às tradições do Estado.
O negro campeou forte, valente,
verteu suores, risos e lágrimas
para nos legar favores, estimas,
miscigenou na terra sua gente,
teceu a língua do povo berbere,
cultura e ritual de um continente,
deixou-nos o ritmo mais quente,
carnavalesco e de alegria títere.
Seu elemento étnico não oscila
a força que ostenta nosso povo,
imbatível em piques de corcovo,
é guapo na febra e nunca vacila
nos pealos, cizânias de maulas.
O negro, antes de tudo é o forte,
raízes da África, na vida e morte
seus méritos nos doaram aulas.
O pampa sem negro e sem facho
não seria hoje o orgulho do país,
e dos seus pagos brota uma raiz
de sangue brasino: taco gaúcho.
São queras e jibarras de intento,
à bombacha, cavalo e garnacho,
e lá vai ele, é negro, é muchacho,
o irmão de cor, de valor e talento!
Do seu Livro "Cascata de Versos" - 2019
"Eu amava-o - choramingo. - Ele era tudo para mim. Como é que eu não percebi que ele era tudo para mim? - O arrependimento consome-me, percorrendo-me as veias como se pretendesse ocupar o lugar do sangue. E pergunto-me se alguma vez houve um mundo mais cruel do que este, que nos força a matar as pessoas que mais amamos."
A noite não era mais escura. Seus olhos tudo viam. Enxergava mais longe, ouvia sons distantes. O olfato. Talvez fosse esse o sentido mais modificado. Lembrava-se da primeira vez que o cheiro de sangue o encheu de gana.
Eclipse.
Fiquei ali sentado, debaixo do pé de baru. O sol havia sumido na anágua negra da noite. Ficavam para trás, esquecidas, algumas flamas avivadas dos seus cabelos de fogo. Firmei que ela vinha de lá do alto do guarirobal do compadre Amâncio. Nada. Noite feita avistei uma estrela rutilante. Atinei: lá'em vem ela amarrada na linha do imaginado. E nada. Virei as costas e fui guarnir os cochos. O tuivú dum curiango me fez torcer de volta os meus olhos. Estrela não: era a dita. Mirei com ciência e entendi um cutelo fino. Retardei o meu olhar já concluindo: a coisa demora, dá tempo de tudo. Quando atravessei o mata-burros ela era uma goiaba mordida. A volta pra cidade não teve outro pensar. O granulado da poeira foi avermelhando mais e mais a tal lua-de-sangue, refletindo nostalgias no para-brisas da D-20.
Não existe nada mais gratificante e de que eu tenha mais orgulho do que eu ser a filha do pai. Não é apenas o seu sangue que eu carrego nas veias, que me dá vida e me faz feliz, mas toda a beleza e bênção de ter tido um pai pra contar, pra escutar, pra me educar e amar. Você foi, você é e sempre será o meu pai; esteja onde estiver. E que sorte a do céu ter o senhor, meu pai, por aí!
Jesus um dia nos amou com tanta intensidade, que ELE preferiu derramar cada gota do seu sangue, para que não tivéssemos que derramar nenhuma gota do nosso.
BABY NANOS
Meias que não cheiram,
Androides que não mamam.
Calças que não molham,
Veias que não sangram.
Goste-se ou não,
É de se crer sem ver
O que dá para sentir infectas de Nanos.
Ó baby insectos? Blade runners!!
Vísceras, névoas, como a chuva que quando cai o tempo escurece, a carne sangra com um corte vertical, expondo a púrpura vermelha que é um grito do meu ser.
Serei feliz? Serei luz? Serei um anjo torpe? Ou só uma poça de sangue ?
Sangue madeirense
Há mistérios na vida que não tem como se explicar
Um deles é a energia daquele lugar
Da terra onde essa energia circula em meu sangue, na minha genética
Na minha cor de pele, na força, no jeito, nos traços e personalidade
Todos induzidos por essa energia mágica que só conhece quem já esteve lá
Somos brabos, bravos, mas de coração mole
Lá chegamos, muitos saíram como desbravadores
Mas o lugar nunca saiu de nós, pois é a tal energia, que sem explicação
Move esta ação, de sentimento e paixão
Pela terra que não tem divisas
E seu horizonte, de visão eterna
Onde o azul do céu se confunde com o do mar
Onde há serra e mar
Onde todas as casas e lugares, tem vista para o mar
O mar, do mar, sim, somos do mar, tudo há mar
Piratas do bem, apaixonados pelas raizes
E orgulhosos, deste lugar
Muitos não conheciam este lugar que estou a falar,
Precisou de um astro, uma celebridade, o lugar divulgar
Mas nossa fama, já vem dos tempos
Desde curas a momentos
De grandes nomes da história e dos descobrimentos
Já conseguiu desvendar o tal lugar?
É uma ilha no meio do nada
Mas do nada, nasceu as belezas da vida
Da natureza, a realeza natural, a sua maneira
Bem própria, bem típica, divina e verdadeira
A nossa grande e pequena ilha da Madeira
Após o sangue, o suor e as lágrimas da resiliência, é hora de não comer mais o pão amassado pelo diabo. O amadurecimento cobra sofrimento, desapego, discernimento, acordos de paz, rupturas, despedidas e virada de página...
EU NÃO CONHEÇO VOCÊ,
não sei
o seu sobrenome,
se você tem
irmãos
ou irmãs
ou pais
ou primos
que são tipo
irmãos
e irmãs
e tias
e tios
que são tipo
mães
e pais,
mas se o sangue
dentro de você corre dentro
de outra pessoa,
você nunca vai querer
ver esse sangue correr
fora deles.
Você me amou
como uma faca empunhada.
Me travessou afiado,
rasgou minhas certezas e
cortou meu mundo em dois.
Amputou meu respeito,
decepou meu sorriso e
talhou minhas verdades.
Depois de tudo
saiu hemorrágico.
Caiu tingido de sangue.
Sujando o piso novo.
Aquele que você escolheu
nunca mais pisar.
Com oração, fé, o poder do sangue de Jesus e humildade, não tem fortalezas que você não consiga demolir.
IRMÃOS DE SANGUE
Amados, ainda informes,
Ainda sem nomes,
Ainda sem rostos,
Ainda sem dias contados...
Amados esperados!
Amados sem risos,
Só choros...
De braços inquietos,
De pés ligeiros,
De beiços birrentos, sentidos...
E risos sem jeitos!
Amados das ruas,
Das disputas esquecidas,
Dos abraços de saudades...
Saudades sem ter partido,
Das brincadeiras diversas,
Das inocentes estripulias,
Das rixas instantâneas sem causas;
Amados, irmãos de sangue!
