Sangra

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A semana dita "santa"


Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.


Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.


Eu olho,
e não vejo santidade.


Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.


Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.


Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.


E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?


Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?


Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.


Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.


Mas eu não consigo.


Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.


Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.


Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.


Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta

Cuidado com a ambição desmedida, não se encontra ouro em terreno que sangra petróleo.

Trancada em meu silêncio, tento esconder a dor que está aqui dentro, meu coração sangra sentindo sua falta, e essas lágrimas que correm em meu rosto.. elas insistem em cair.

Quando o ódio e o fanatismo contaminam políticos, militantes e eleitores, a democracia sangra em silêncio.


Benê Morais

Escrever dói. Escrever com sentimento dói mais ainda. Escrever por cima das nossas feridas sangra às vezes, mas, além de libertar, anuncia aos outros a sua visão, a sua dor e, por vezes, aquilo que parecia ser apenas um pedido de socorro torna-se uma ponte para quem, em silêncio, também carrega as suas cicatrizes.

Cisão

Uma de nós escreve.
A outra sangra.
Atrás do vidro
observando a mulher que sou,
de joelhos no chão do quarto,
com a caneta na mão
apunhalando o peito.
Ela chora, eu anoto.
Ela implora, eu rimo,
choro e grito.
Não sei mais quem cuida de quem,
se a poeta salva a mulher
ou se a mulher
é só o que sobra
é só uma nota
depois que o verso já comeu.

Andréa

"Coração morto não sangra.

Se tá doendo, é porque tá vivo.
Se decepcionou, é porque acreditou.
Se chorou, é porque sentiu de verdade.

Van Escher

O amor não é bonito...amor sangra, dilacera, rasga o peito ... mas nos poemas e nas poesias , amor é rima, é abrigo, é morada, é casa... quanto mais a gente ama, mais cruel o amor fica...


M.I.R.L Maria Izabel Ribeiro Lopes

O peito sangra ao ver a delicadeza ser esmagada pela brutalidade de um mundo que se esqueceu de como amar.

SANGRA CORAÇAO !

A vida é uma caixinha de surpresa
Que num momento inesperado
Vira o copo entornando na mesa
Um sentimento forte por acaso
E, foge o controle do sentimento
Num instante revela pura emoção
Invadindo as ondas do pensamento
Transforma o rumo do coração
Assim acontece sem esperar
Alguém do nada surge de repente
E sem saber como se controlar
Tudo revira e sacode a mente
Não entendemos a força do amor
Pois bate no peito como revelação
Numa mistura de alegria e dor
Parece que estamos na contramão
No vazio não sabemos que pensar
Pois o momento quando se sente
Vira o destino de perna pro ar
Sem controle ficamos realmente
A vida num segundo de história
Desvia o curso de nossa trajetória
E sem entender tamanha confusão
Sangra silencioso o pobre coração.

JOAO BATISTA BARBOSA
MIMOSO DO SUL ES
POESIAS E PENSAMENTOS

⁠A Ferida Aberta da Hipocrisia sangra aos aplausos à Violência contra homens que seriam crucificados se não fossem as vítimas.


Há algo de profundamente perturbador quando a dor alheia deixa de ser critério e passa a ser conveniência.


A violência, que deveria causar repulsa instintiva, passa a ser tolerada — e até celebrada — dependendo de quem a sofre.


Não é mais sobre justiça, mas sobre preferência.


Não é mais sobre princípios, mas sobre narrativas.


A hipocrisia, nesse cenário, não se esconde: ela se exibe.


Aplaude com uma mão enquanto aponta com a outra.


Condena o ato em um contexto e o glorifica em outro, como se a moral fosse maleável o suficiente para caber nos interesses do momento.


E assim, o que deveria ser uma ferida a ser tratada transforma-se em espetáculo a ser consumido.


O mais inquietante é que esse aplauso não nasce do desconhecimento, mas da escolha deliberada de ignorar.


Sabemos — ou deveríamos saber — que inverter papéis não muda a essência do ato.


Se a violência é inaceitável, ela o é em qualquer direção.


Quer seja contra o Homem ou contra a Mulher.


Que não se confunda: denunciar a hipocrisia na forma como a violência é tratada não é, em hipótese alguma, relativizar sua gravidade — muito menos quando ela recai, historicamente, de forma brutal e recorrente sobre as mulheres.


A crítica aqui não suaviza a violência; ao contrário, exige coerência nua e crua na sua condenação.


Porque aquilo que é inaceitável não pode depender de quem sofre para ser reconhecido como tal.


Mas reconhecer isso exigiria uma coerência que poucos estão dispostos a sustentar.


Preferimos, então, o conforto da seletividade moral.


Julgar com rigor quando nos convém e relativizar quando nos favorece.


E nesse jogo, a vítima deixa de ser humana para se tornar argumento, e o agressor, muitas vezes, apenas um reflexo do aplauso que recebe.


No fim, a hipocrisia não apenas sangra — ela contamina.


E enquanto insistirmos em escolher lados ao invés de princípios, continuaremos assistindo, cúmplices, à normalização daquilo que um dia juramos combater.

“Ser pobre é ser vencido pelo sistema antes mesmo de ser atendido: a dor sangra, a fila congela a vida, e a esperança aprende a pedir desculpas por existir — enquanto a cura continua sendo privilégio de quem pode comprar pressa.”

“O amor moderno é um jogo silencioso: quem sente primeiro sangra, quem sente por último perde — e ninguém avisa quando o fim começa.”

Alma Sangrenta


Minha alma constantemente sangra.
Em volta, tudo parece como o inferno e com demônios.
O que eu fiz para sofrer tal punição?
Como eu vim parar aqui?
A montanha era fria como o céu,
E, de repente, parei no deserto quente com chamas de fogo.
Ou era tudo uma ilusão temporária?
E eu já nasci nesta prisão?
Minha alma constantemente sangra.


Onde os demônios brincam com olhares maléficos.
Onde querem um mero brinquedo de carne.
Meu nascimento foi cercado por eles,
Mas não sou como eles.
Eu sei que não sou como eles.
Pois minha alma constantemente sangra.


Eu mereço saber o que de tão vil eu fiz.
Como vim parar aqui?
Foi um engano?
Foi uma brincadeira?
Um castigo?
Pareço um monstro?
Por que dói, então?


Minha existência é minha condenação?
Por que estou nessa prisão?
Me ajude a sair daqui!
Preciso sair daqui!
Minha alma constantemente sangra.


- Ramile Godon

Solilóquio de Guerra

Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.

- Ramile Godon

Intercessor não ora.
Intercessor sangra no lugar do outro.

Deixe-me passar com a minha dor,
É um rasgo que sangra.
Sem receita,sem remédio,sem a cura de uma ceita,
Somente ela me aceita.

Cuidado,
Tem gente com apetite voraz de carne mal passada,
Quanto mais você sangra, mas te querem por perto.

“Quando um homem luta pela família, ele sangra em silêncio… e sorri quando entrega a vitória.”

“Às vezes, o que mais sangra num relacionamento não é a pele… é o coração rasgado pelas palavras.”