Sangra
“O amor moderno é um jogo silencioso: quem sente primeiro sangra, quem sente por último perde — e ninguém avisa quando o fim começa.”
* Ode ao Escritor ✍
Escritor é quem respira palavras,
quem sangra letras nas madrugadas,
quem transforma o invisível em verbo
e o silêncio em fonte de palavras...
Carrega o mundo no peito,
traduz o indizível em versos,
costura lembranças,
cria eternidades...
No rastro de sua pena
há luz,
há dor,
há redenção...
Escritor é o que faz da alma,
um livro sempre em construção...
O escritor é aquele que coagula a tinta,
que mastiga a própria sombra
para dar sabor à palavra...
Habita o abismo do sentir,
sem medo do corte,
sem medo do eco,
sem medo de si...
De sua dor faz aurora,
de sua loucura, asas,
e do verbo, o único altar
onde ousa confessar-se humano...
Escrever é morrer um pouco
para renascer inteiro no papel...
O escritor é um guardião de mundos,
em sua pena dormem memórias
e acordam estrelas em forma de letras...
Nas linhas que traça,
colhe o perfume do tempo
e o murmúrio da alma...
Escrever é um gesto de amor,
silencioso, profundo, eterno...
É tocar o invisível
com os olhos do pensar
e o olhar do sentir...
O escritor não escreve apenas histórias,
ele se escreve e se liberta
em cada palavra que cria...
✍©️@MiriamDaCosta
A semana dita "santa"
Chamam de santa
uma semana
onde a memória sangra.
Dizem sagrado
o que foi feito de cordas,
de açoites,
de carne rasgada
e silêncio forçado.
Eu olho,
e não vejo santidade.
Vejo mãos humanas
erguendo a própria crueldade
como espetáculo.
Vejo a multidão
(os mesmos que hoje rezam)
gritando ontem
pela condenação.
Vejo o peso da madeira
não como símbolo,
mas como instrumento.
frio, concreto,
real.
E me pergunto,
em que instante
a dor foi coroada de divina?
Em que momento
a atrocidade
ganhou nome de redenção?
Chamam de santa,
talvez porque precisem
que seja.
Talvez porque encarar
o abismo humano
sem adorno,
sem promessa,
sem justificativa,
seja insuportável.
Mas eu não consigo.
Não chamo de santo
o que nasceu da violência,
nem beijo
o que foi instrumento
de tortura e de morte.
Se há algo sagrado ali,
não está no ato,
nem nas mãos que feriram.
Talvez esteja
no que sobreviveu...
apesar de tudo.
Ou talvez…
na recusa de olhar na cara
a atualidade
das mesmas atrocidades
(e até piores)
que a humanidade
é capaz.
©️ @MiriamDaCosta
A humanidade sucumbe à si mesma
Gritam o amor
Proclamam Deus
Mas se sangra um dos seus
jogam sal no corte
e chupam a ferida.
Hipócritas
Doentios
Pior que os gentios
Não sejam fingidos
Abafem seus gemidos poéticos
Cadáveres fétidos!
... Fingir poesia
Vós não fingis!
Vós a mentem!
Vencer é resistir na repetição dos dias, batalha sem aplausos, conquista feita de amanheceres sangrados em silêncio.
Resistir é semear verde no deserto, fé que sangra na terra árida, milagre brutal da esperança que não morre.
O amor que ofereço não é frágil, é o tipo de amor que sangra, que luta, que insiste, não porque eu queira sofrer, mas porque acredito em profundidade, sentimentos rasos me dão enjoo, prefiro mergulhos que toquem o fundo da alma.
A dor não me visitou para me quebrar, veio para me ensinar a reconhecer, no que sangra, a única verdade que não sabe mentir.
O amor mais puro é aquele que sangra sem criar rancor, porque a sua natureza é acolher, nunca destruir.
Alma Sangrenta
Minha alma constantemente sangra.
Em volta, tudo parece como o inferno e com demônios.
O que eu fiz para sofrer tal punição?
Como eu vim parar aqui?
A montanha era fria como o céu,
E, de repente, parei no deserto quente com chamas de fogo.
Ou era tudo uma ilusão temporária?
E eu já nasci nesta prisão?
Minha alma constantemente sangra.
Onde os demônios brincam com olhares maléficos.
Onde querem um mero brinquedo de carne.
Meu nascimento foi cercado por eles,
Mas não sou como eles.
Eu sei que não sou como eles.
Pois minha alma constantemente sangra.
Eu mereço saber o que de tão vil eu fiz.
Como vim parar aqui?
Foi um engano?
Foi uma brincadeira?
Um castigo?
Pareço um monstro?
Por que dói, então?
Minha existência é minha condenação?
Por que estou nessa prisão?
Me ajude a sair daqui!
Preciso sair daqui!
Minha alma constantemente sangra.
- Ramile Godon
Solilóquio de Guerra
Minha armadura sangra em silêncio sob o peso do mundo,
Enquanto o abismo sussurra o meu nome na escuridão.
Caminho entre os espectros de sorrisos falsos e atos contraditórios,
Que tipo de dêmonios eles são?
Sem exército, cercada pelo deserto da solidão.
Cota de malha enferrujada e couro rasgado.
Espada sempre ao lado.
Fui lançada a uma trincheira que jamais aceitei,
Nem a carta da convocação me enviaram.
Busco a saída deste campo devastado, Seja pela vida ou pelo pó,
Persisto na travessia, até que as sombras me abracem,
E o último suspiro desapareça e se dissipe no mundo.
- Ramile Godon
Deixe-me passar com a minha dor,
É um rasgo que sangra.
Sem receita,sem remédio,sem a cura de uma ceita,
Somente ela me aceita.
Cuidado,
Tem gente com apetite voraz de carne mal passada,
Quanto mais você sangra, mas te querem por perto.
Ser à prova de balas não é vestir ferro, é carregar no peito um coração que sangra e ainda pulsa. É chorar em silêncio e, mesmo assim, amanhecer. É ser ferido pelo mundo, mas não se deixar despedaçar.
A solidão pode ser um deserto, mas até no deserto há estrelas que brilham. E cada lágrima que cai é um rio secreto, que escava dentro de nós a coragem de continuar.
À prova de balas é ser humano em sua forma mais pura: errar, perder, sentir, e ainda assim resistir. Não para salvar o mundo inteiro, mas para salvar o próprio fogo que insiste em arder.
Porque vencer o mundo não é derrotá-lo, é aprender a dançar com suas tempestades, e transformar cada cicatriz em poesia.
Tatianne Ernesto S. Passaes
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