Poemas sobre samba
O que é o carnaval?
É frevo pernambucano?
Ou é samba carioca?
Será ritmo baiano?
É paixão do brasileiro
Que transforma fevereiro
Na melhor fase do ano
Carnaval é uma festa
O império da folia
Explosão de multicores
Aquarela de alegria
Onde o velho e o novo
Pulam no meio do povo
Com a mesma energia
Só tem uma coisa ruim
É a tal da quarta-feira
As ruas ficam vazias
Parece final de feira
Mas se serve de consolo
Depois de um ano todo
Vai voltar a brincadeira
Hoje, é um dia tão triste
Meu samba toca mudo
De partir o coração,
Veio a chuva forte
E derrubou o barracão,
Dona Teresa e os moradores daquela favela
Encontram-se debaixo dessa lama
Entre os escombros que a água levou,
Fui até o local encontrar o meu amor
Mas, só encontrei...
Lamento e dor,
Mais tarde veio o senhor delegado
Me avisar
Para ir no hospital
Fui trêmulo, mal pôdia caminhar,
Entre os corredores avistei
Coberto com lençol fino branco
Tomei coragem e olhei,
Era Rosinha, minha querida
Segurando em suas mãos
As cartas que lhe dei,
🎶 Chorei, chorei demais
A maloca onde eu cresci
Já não existe mais
Chorei, chorei demais
Rosinha, meu grande amor
Foi morar junto do Pai. 🎶
Vai Rosinha, vai com Deus,
Não se preocupe
Que daqui vou vivendo
E de saudades vou morrendo
Até estar novamente, junto de ti.
Amanheceu e estou aqui
há mais de uma hora
pra ver se meu samba toca por aí
E se tocar, meu coração é só gratidão
de um povo que canta a minha canção!
Sentei em uma mesa do bar
de frente ao mar,
Para namorar minhas memória.
Tocou um samba da hora,
Uma mulher de cabelo crepo sambava no meio da roda.
Levantei para enxergar melhor,
Quem era essa que estava sambando na roda?
Assim que entrei,
nossos olhos se encontraram,
Seus passos,
Em ritmos
vinham sobre minha direção.
Susurrei que queria saber o seu nome,
E alguém gritou de longe, "quebra tudo Mirela!!!"
Saí de lá vendo a beleza do mar,
E o sabor dela.
AMOU
Conheceu o nosso SAMBA
Encantou-se com o HIP-HOP
Mas o que ela mais AMOU
Foi dançar um SAMBA ROCK.
...
Do samba ao fado
Subitamente
O impossível golfado
A tarde decora
Meu cárcere privado
O silêncio isola
Meu grito abafado
O tempo passou
A barba cresceu
O diabo amassou
Pão desvaneceu
A noite aflora
Meu décimo verso
Meu medo evapora
Joguei pro Universo
Pensamento fluiu
Dormi, repensei
A vida extorquiu
Meu triunfo, cobrei
O dia acalora
Meu sol, astro-rei
Caipira, caipora
Eu desenterrei
Meu tesouro perdido
Meu sonho real
Tudo faz sentido
Brasil, Portugal
Falta o trabalho, viaja quinta, samba e bebe até quarta-feira de cinzas, falta quinta/sexta e segunda fica puto pq tem que trabalhar
Tem poesia na moça da cidade e na moça da favela
Num clássico de Beethoven e num samba da Portela
No sangue que corre pelas veias dos valentes generais
E no sangue que escorre das tão cheias notícias de jornais
Tem poesia em uma criança que nasce e em seu comemorativo porre
Em uma pessoa que esvai-se e lentamente morre
No operário que luta pelo seu pão
No pobre salafrário que acaba na prisão
Nas águas que inundam o sul e se esquecem do sertão
Nos batuques, nas cachaças que rolam pelos botequins
Nos preconceitos sem graça dos cabelos pixains
É poeta quem aprecia e solta
Não fica mudo
Quem vê a poesia
Em todos e em tudo
As Escolas de Samba do Rio de Janeiro esquentam tanto o Carnaval, que acabam pegando fogo, literalmente.
Samba sincopado é o que o sambista faz, ao lado da cozinha, com autorização da patroa, enquanto espera a gororoba ficar pronta.
Engraçado: nos ensaios técnicos das escolas de samba nunca vi técnicos de qualquer especialidade; apenas sambistas de todas as qualidades. E algumas mulatas que põem todo o esforço a perder. Pelamordedeus!
Samba do Amor Boêmio
Faz teleco teco com meu pandeiro,
Dirindindon com meu violão,
Dirindindin com meu cavaquinho
E faz um samba no meu coração.
Pra cada abraço uma nota alta,
Pra cada beijo uma melodia
E se o coro estiver afinado
Hoje a noite vai ter sinfonia.
E vai sambando pro meio da roda
Que já está chegando a sua vez
Se a sinfonia estiver animada
Hoje eu não durmo antes das três.
À tona veio esse tuntuntum
Que descobri, veio da percussão.
E enquanto tuntuntum eu vou ouvindo
Minha morena eu não largo, não.
No xique-xique do chocalho eu vou
Me devolvendo à antiga boemia.
E vou cantando como um beija-flor
Voando e sambando até nascer o dia.
O dia nasce pra morrer com samba
O samba que anima nossa gente
O samba que não existia
É no batuque do repente
E nas curvas de Maria.
E se Maria é a Dama da Noite
Que mexe com o olhar do poeta
Dois pra lá, dois pra cá
É a receita certa!
E lá do morro a gente ainda ouvia
Teleco teco, dirindim dondom
Xique-xique, tutum
Ticatá, ticatá, ticatá, ticatá...
E lá do morro a gente ainda ouvia
Teleco teco, dirindim dondom
Xique-xique, tutum
Ticatá, ticatá, ticatá, ticatá...
Mudei a história do samba
Planejava aqui
exaltar o que era então minha glória
e não devo iludir
do samba mudei a trajetória.
Na primeira vez que vi
me apaixonei sem escapatória
n’outras rodas eu vim
a paixão foi intensa e notória.
Mas um dia ela diz
desta forma seca e simplória:
- Não verás eu sorrir
no Mar e Terra ou quiçá em Vitória.
- Nosso amor pra mim
no samba já é uma memória.
E dito assim
restou-me mudar a história.
Então descobri
que se alguém quer mudar a história
só se for assim
porque o samba é respeito à memória.
Canção / Samba
Descanse em Paz
Estranho e triste homem
Sempre a se arrastar
Fingindo ser forte
A não se emocionar
Doeu quando disseste
Que não me queria
Fez de mim tão pouco,
Por desconhecer a filosofia enlatada que leu
Virou-me as costas, eu prossegui.
Desistir do amor, nunca foi pra mim.
Ah... mas o destino, sempre correndo a brincar
Envolveu-me nos braços de um homem lindo
Sabe fazer amor, sabe conversar...
Estende-me a mão, me tira pra dançar
Estende-me a mão, seca meu pranto, sem me criticar
Essa canção é pra te avisar
Que o amor aconteceu pra mim!
Graças a Deus!
Descanse em paz, enfim!
Essa canção é pra te avisar
Que o amor aconteceu pra mim!
Graças a Deus!
Sempre acreditei que seria assim.
Canção / Samba
Samba de Um Amor com Triste Fim
Se meu pranto não cessar, até que o dia amanheça
Eu vou te procurar, me dê um remédio que me adormeça
Meu coração já não sabe o que faz, com tanto sentir
Passo a noite acordada, sonhando...
Me sentindo culpada por não dormir
Na sua mesa eu vou chorar
Pois o devaneio se instalou em mim
Me seduzi pela beleza
De um amor com triste fim
A manhã já passou
Mas o meu pranto não quer cessar
Se seca ele; chora o meu coração
Em segredo a fantasiar...
Se meu sono não voltar
Até que eu enlouqueça
Eu vou te procurar
Me dê um remédio que me entorpeça
Para você vou implorar, na sua mesa....
Não deixe que eu me perca
Ter razão para amar dói na alma e na cabeça.
Canção / Samba
Vácuo
No vácuo não tem som
No vácuo não tem voz
Tristeza enfada no peito
Onde será que vamos nós?`
Os nós apertam o peito
Já sem ar se esvai a voz
Sem força o corpo deita
Sob o infinito feroz
Vazio.... como pesa tanto?
Lateja dentro do ser
Tomba o rico
Tomba o pobre
Poder é nada
Quando nos consome.
Vazio, como pesa tanto?
Lateja dentro do ser
Tomba o muro
Que separa os homens
Todos são iguais
Perante a você.
