Sal
Diálogo com Fernando Pessoa.
Mote
Quanto do sal que há no mar
São lágrimas de Portugal?
Voltas
Pessoa li o teu versar
Da quantidade de sal
Que há nas águas do mar.
Um pouco era natural
Um pouco era lacrimejar.
Era dor, saudade e tal.
Quanto do sal que há no mar
São lágrimas de Portugal?
Porque é preciso lembrar
Do negro a chorar na nau.
Da viúva em pranto a fitar
Seu homem arrancado do local.
Podemos então concordar
Nesta questão crucial
Que nem todo o sal do mar
São lágrimas de Portugal.
Fernando é preciso falar
Do indígena tropical.
Que muito esteve a prantear
Por ser tratado tão mal.
Então se pode afirmar
De modo justo e imparcial
Muito pouco do sal do mar
São lágrimas de Portugal.
Choro chuva de sal
Um choro jogado no sol
Trazendo sua fria água dourada
De repente, chegou resplandescente.
Era perfeito o brilho da chuva
Cantando uma canção muda para mim
Limpou minha cinza em chamas
Cada gota que cai alivia minha alma
"Você não precisa de desculpas para se afastar de mim!
Um dia sou açúcar,em outro sou sal,basta não gostar de um desses itens para me rejeitar.
Quando somos chamados pela Palavra de Deus a sermos "Sal da Terra e Luz do Mundo", não é pra aferir-lhes abaixo de mim e nem de tostá-los com nosso carvão, ja chumaçado.
Sodoma
No
torpor da
renúncia,
titubeio e
viro sal
ao assistir
o pulular
fervente
de sua
imagem
trépida no
asfalto
distante.
De onde
já não
arriscas
nem
um
aceno.
Totalmente... Estranhamente...
Estou mais fraco e totalmente sem sal
Estou mais triste e totalmente sem sol.
Estou mais solitário e totalmente sem lua
Estou na minha e totalmente na sua.
Estou sem sono e estranhamente hibernando
Estou desperto e estranhamente sonhando
Estou tão triste e estranhamente chorando
Estou tão chateado e estranhamente amando.
QUERO ANDAR NA CHUVA, TOMAR GOTAS DE ORVALHO, PODER CAMINHAR NA PRAIA, PARA SABOREAR A MAIS DOCE SALIVA DO MEU ETERNO MARIDO.
A CAIXA
Caixa legal!...
D'água de som
de açúcar de sal...
balas e bombons.
Caixa de brita grita!
Com picareta no ar
e a careta até irrita
para a dita se quebrar.
Caixa de show, estressada
com seu eco pelos ouvidos
em grito alto por nada
pelo ar todo estendido.
Caixa d'água fria, boa
sempre à cima, gelo chuva
serenos, nuvens, garoas
caixa de encaixar pessoas.
Remexendo seus segredo
a caixa que guarda magoa
tanta draga que faz medo
fazendo furdunso n'água.
Na caixa d'água o peixe
com seus deixe e queixes
vivendo com enfeite
em mundo, com seus feites.
Caixa de macha que encaixa
na carreira do seu tempo
pela engrenagem da caixa
vai encaixando o momento.
Antonio Montes
A LÍNGUA
Minha língua,
minha dita, me edita,
as vezes medita informal.
Minha língua sem sal
em saliva com sal... palpita,
Por bem, ou por mal.
Essa língua maldita
com sua dita edita...
Um caótico carnaval.
Antonio Montes
"Nem todo açúcar do mundo é capaz de adocicar meu azedume;
Nem todo sal do mundo é capaz de derreter minha doçura"
Banhando nas águas de sal, teus lábios abre-se em brasas, ao romper da tarde... tua pele se fez morena de verão, como as areias coloridas de morro branco... teu sorriso convida encanta quebra o gelo dá distância.... ateia esse veloz beija-flor...
Cuscuz a gosto!
Põe a massa na bacia
pra ele ficar composto
misture com água fria
e o sal coloque a gosto
basta um cuscuz por dia
pro cabra ficar disposto.
Escravos Da Maldade
Além de muito sol
Muito sal
E pouco mel,
A vida me fez assim
Me cravou no peito um anzol
E me deixou de cara pro céu,
Quando você partiu
E me deixou
E nem quis saber o que era certo,
Foi quando pegou fogo de vez
Em todo amor que era seu
Deixando tão longe
Tudo que era perto,
Além de muito medo
Muita mágoa
E pouco desejo,
O mundo te aponta o dedo
Te joga dentro da lagoa
E sempre nega aquele beijo
Te deixando atoa
Além de muito sofrer
É muito pouco
O seu querer,
Me enche de esperança
Fazendo todo que louco viver
E logo cair nessa dança
Além de muito cair
Poucos braços pra te levantar
Alguns por não querer sair
Outros pelo prazer de te maltratar
Além de pouca liberdade
Muita luta
E pouca igualdade,
Pouca gente nos escuta
Somos escravos da maldade,
Onde grita a melodia
Nos confins dessa cidade
Onde os loucos correm pra gruta
Assassinando a alegria,
Pela falta de verdade
Nessa louca rebeldia
Além de muito suor
Muita carreira
Nenhum pouco menor,
Tanta sujeira
E tanto sujeito sem dó
Que corta, mata e aproveita
O bem bom de estar só,
Na loucura travessa sujeita
De sempre se esconder à direita
Sem nunca deixar rastro,
Vestígio nem pó.
É por mera questão de gosto que cortejo a alegria. Acho essa tal de tristeza desengonçada e sem sal. Sentimentos que me roubam, definitivamente não é minha praia.
Quisera Eu!
Ter as respostas para todos os mistérios
Ser como sal que serve para dar gosto a comida, pois quero dar bom gosto a tua vida
Quisera eu ter a sabedoria do tempo, para sarar as nossas feridas, para que ao meu lado não te sintas desiludida
Fazer-te sorrir, para que ao meu lado todos os dias sejas feliz.
