Sal

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O velho navio de madeira trazia na carcaça de carvalho as cicatrizes de mil tempestades e o sal de oceanos esquecidos. As tábuas do casco, outrora rijas e orgulhosas, agora rangiam com o simples afago das marés. A madeira estava cansada. O leme, pesado. E a ideia de desfraldar as velas para enfrentar ondas altíssimas parecia um esforço distante demais para quem já dera tudo de si.
​Decidiu, então, permanecer ancorado no porto.
​Nas primeiras semanas, olhar o horizonte parecia um alívio. O cais era seguro, sem ventos uivantes ou mastros partidos. Contudo, ao longo dos dias, a água parada da baía começou a acumular lodo no seu casco. A quietude da acostagem, que antes parecia descanso, transformou-se em um peso constante, tornando a estrutura ainda mais rígida e lenta.
​Foi num final de tarde que um velho capitão da marinha sentou-se na amurada do cais. Ele olhou para a embarcação com o respeito de quem reconhece um grande navegante e murmurou para o vento:
​— Um navio parado no cais parece protegido das tempestades, mas não foi para a imobilidade que o carvalho foi cortado e moldado. O sal da água parada corrói mais rápido que o vento de alto-mar.
​O velho navio escutou. Percebeu que não precisava mais cruzar o oceano Atlântico ou enfrentar furacões para cumprir o seu propósito. A sua jornada transformara-se: não era mais sobre velocidade ou grandes rotas, mas sobre o movimento suave de se manter flutuando, ajustando as amarras e deixando o Sol aquecer a sua madeira.
​Aquela noite, o navio aceitou o peso do seu casco e as marcas do tempo. Não precisava zarpar para longe; bastava mover-se suavemente ao ritmo da maré, um dia de cada vez, honrando a sua própria história no conforto do seu porto.


até o carvalho mais forte precisa respeitar o tempo de descansar e apenas flutuar na maré. Auto desconhecido

Banho de mar, sal na pele, alma lavada, energia renovada. Não sei quantas vezes já me emocionei ao falar do mar e nem quantas vezes já escrevi versos para ele ao longo da minha jornada. Eu olho para ele em toda a sua imensidão, me pergunto como pode ocorrer tantas mudanças, um processo contínuo de ciclos intermináveis naquele mesmo local, e ainda assim, continuar tão belo.
Sempre tivemos uma conexão profunda desde criança, era olhar para ele e correr para um abraço. Hoje adulta morro de saudade, me emociono em nossos reencontros e despedidas, me conecto com ele sabendo a hora certa de entrar, de apreciar, mas sempre me despeço ao sair e refaço a promessa de que nós não viveremos longe um do outro para sempre!

Um repolho piquei,
com água cozinhei,
após ferver,
sal integral,
cúrcuma e uma pitada
de pimenta do reino coloquei,
tirei, ao liquidificador levei,
em segundo eu bati,
numa pequena bacia funda me servi
e finalmente eu comi...
Não estou louco,
esse é o poema do repolho,
que depois que provei,
jamais esquecerei!

A humanidade sucumbe à si mesma
Gritam o amor
Proclamam Deus
Mas se sangra um dos seus
jogam sal no corte
e chupam a ferida.
Hipócritas
Doentios
Pior que os gentios
Não sejam fingidos
Abafem seus gemidos poéticos
Cadáveres fétidos!
... Fingir poesia
Vós não fingis!
Vós a mentem!

SAL DA TERRA: A DIGNIDADE INVISÍVEL QUE SUSTENTA O MUNDO.
" Mateus 5:13. “Vós sois o sal da terra. ”
A comparação não é apenas poética. É uma advertência moral de densidade elevada e um chamado à responsabilidade espiritual.
Convém começar pelo eixo proposto. Em Evangelho de Mateus 11:28, quando Jesus declara “Vinde a mim todos vós que estais em aflição e eu vos aliviarei”, estabelece o primeiro movimento da alma humana. Trata-se do convite ao alívio, à regeneração íntima, ao reequilíbrio das forças morais. O discípulo, antes de agir no mundo, precisa ser curado em sua interioridade.
Após esse acolhimento, segue-se um segundo momento. O ensino, a disciplina e a autoridade espiritual. Ao longo do mesmo Evangelho de Mateus, especialmente nos capítulos 5 a 7, conhecidos como Sermão do Monte, Jesus não apenas consola, mas forma consciências. Ele redefine valores, eleva o padrão ético e desloca o foco da exterioridade para a essência moral.
É exatamente nesse contexto que surge a afirmação decisiva em Evangelho de Mateus 5:13. “Vós sois o sal da terra.” Não é uma sugestão. É uma atribuição de identidade.
O sal, no mundo antigo, possuía três funções fundamentais.
Primeiro, preservar. Num tempo sem refrigeração, o sal impedia a decomposição. Espiritualmente, o discípulo é chamado a conter a degradação moral, não por imposição, mas por influência silenciosa.
Segundo, dar sabor. O sal não altera a natureza do alimento, mas revela seu gosto. Assim, o verdadeiro seguidor não cria uma realidade artificial, mas evidencia a verdade e a beleza já inscritas na criação divina.
Terceiro, purificar. Em diversas tradições antigas, o sal era associado à pureza e à aliança. Ele simboliza fidelidade e integridade.
Entretanto, há um quarto aspecto, frequentemente negligenciado, mas de capital importância. O sal conserva não apenas matérias, mas significados. Ele impede que aquilo que é essencial se deteriore com o tempo. Sob essa perspectiva, os discípulos são incumbidos de uma missão mais elevada. Conservar a mensagem de Jesus em sua integridade moral, protegendo-a das distorções, dos acréscimos indevidos e das diluições que o espírito do mundo tenta impor.
A mensagem do Cristo, se não for guardada na pureza de sua essência, corre o risco de tornar-se mera tradição esvaziada. Por isso, o discípulo não é apenas propagador. É guardião. Ele preserva o conteúdo e, ao mesmo tempo, o testemunha com a própria vida, impedindo que o ensino se corrompa no tempo.
Quando Jesus fala do sal que se torna insípido, introduz um conceito severo. Não se trata de perda parcial. Trata-se de inutilidade total. Historicamente, o sal extraído de regiões como o Mar Morto podia conter impurezas. Uma vez dissolvido o componente salino, restava apenas resíduo sem valor.
Daí a imagem de ser “pisado pelos homens”. Não é um castigo arbitrário. É a consequência natural da perda de essência. Aquilo que não cumpre sua finalidade perde sua dignidade funcional.
Se o discípulo deixa de conservar a mensagem, adaptando-a aos interesses, suavizando suas exigências ou corrompendo seu conteúdo, ele não apenas perde sua própria identidade. Ele contribui para a deterioração daquilo que deveria proteger.
A ligação com a missão torna-se então ainda mais profunda. Após serem instruídos e transformados, os discípulos não permanecem em recolhimento. Em Evangelho de Marcos 16:15, Jesus ordena. “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.”
Há uma progressão lógica. Primeiro, o chamado ao alívio. Depois, a formação moral. Em seguida, a definição de identidade. E então, duas responsabilidades inseparáveis. Conservar e anunciar.
Não se pode anunciar com fidelidade aquilo que não se preserva com rigor. Nem se pode preservar com verdade aquilo que não se vive.
Ser “sal da terra” é, portanto, uma condição para a missão. Sem essa qualidade interior, a pregação torna-se vazia, meramente retórica, e a mensagem, deformada pelo tempo e pelas conveniências humanas.
O ensinamento central é rigoroso. O discípulo não é avaliado pelo discurso, mas pela capacidade de influenciar sem corromper-se, de preservar sem endurecer-se, de dar sentido sem perder a própria essência, e de guardar intacta a mensagem que lhe foi confiada.
Se essa essência se dissolve, resta apenas a aparência religiosa, que, como o sal impuro, não serve nem para nutrir nem para conservar.
E é nesse ponto que a advertência de Jesus alcança sua profundidade mais inquietante. Não basta aproximar-se dEle. É necessário assimilar Sua natureza moral a tal ponto que a própria presença do discípulo se torne fator de elevação no mundo e salvaguarda viva da verdade.
Caso contrário, a fé reduz-se a forma sem substância, a mensagem perde sua força originária, e a missão degenera em gesto sem eficácia.
E assim permanece o imperativo silencioso que atravessa os séculos. Não apenas ouvir o chamado, mas tornar-se guardião fiel daquilo que se recebeu, para que a verdade não se perca, e para que o mundo, ainda em processo de transformação, encontre na vida do discípulo o sabor incorruptível daquilo que não se deixa corromper.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

O Diferencial da Sua Essência, O Sal da Simplicidade

Não importa o quanto o céu esteja cinza e que o ambiente esteja tomado pelo frio, formando um cenário aparentemente sem vida; ainda assim, a sua presença consegue sobressair, capaz de colorir o dia, de avivar determinados momentos, de ser motivo de muita alegria e de gerar nos outros, bons sentimentos, à semelhança de uma bela melodia.

Ela é a resiliência de um raio de sol entre as nuvens acinzentadas; bênção charmosa feita de amor; poesia de versos e alma; uma flor que se destaca mesmo quando não é primavera; um olhar profundo que fala em silêncio; É, portanto, uma luz de senso que faz enxergar alguns belos detalhes e outras cores presentes como o verde das árvores.

Assim, chega a ser imprudente dizer que ela não faz diferença. Traz, na sua resistência, o sal da simplicidade que aguça o sabor de certas vivências, as quais são facilmente memoráveis, contrariando aquelas fases de tristeza ou, no mínimo, desconfortáveis — peculiaridade que supera a sua beleza demasiadamente; logo, atraente desde a sua essência.

O Elixir do Infinito
Nas águas turvas de um mar sem memória,
O sal que resta não seca o cansaço,
Pois nossa vida é uma eterna vitória,
Traçada em seda no abraço do espaço.
Ó Mãe, que em carta guardei o segredo,
Deste universo que em nós se desfaz,
Venci o tempo, o silêncio e o medo,
Na luz do luar que nos traz a sua paz.

Toda a conexão que a alma reclama,
É verso antigo em papel de poeira,
Onde o destino acende a sua chama,
E a voz do sangue é a única fronteira.
Não chega o oceano para o pranto estancar,
Nesta odisseia de um filho que sente,
Que a arte de amar é saber esperar,
Pelo retorno do sol no oriente.

O cosmo imenso que os olhos invade,
Reflete o rosto que a infância guardou,
Entre a matéria e a espiritualidade,
Onde o poeta o seu norte encontrou.
Na senda heroica de um ser solitário,
Que funde o digital com o barro do chão,
Fica o registro de um breve itinerário,
Escrito com sangue no meu coração.

#Abstracionismo

#PoesiaContemporanea

#Decassilabo

#EpicoArcaico

#FusaoArtistica

#ArteLisboa

"Eu pareço normal,
mas tomo leite com sal
e pimenta do reino."
Haredita Angel
12.11.25

ela era mar,
entornando na praia,
só de saia,

era sol,
só minha, era sal,
meu lual

mulher areia,
grudada no corpo,
era sereia

era amanhecer,
final de tarde,
meu bem querer

era Vênus, Hera,
heresia,
era eu
(era mar)

Oh, Itaipu!
eu me desfolho em cada alvorada
no sal do ar, nas pegadas deixadas
na areia que me conhece por dentro,
e sabe do silêncio que carrego no centro.


Tuas águas são espelhos do que fui
e do que ainda serei...
quando me recolho às margens da tarde
e o céu se tinge de tons que só tu sabes dar.


Oh, Itaipu!
tu és poema que me atravessa em ondas
e em cada revoada de gaivotas que ronda
eu me reencontro inteira,
feito concha que escuta a si mesma.
✍©️ @MiriamDaCosta

Tua pele de sal, sol e amor
torna quente e polida,
a minha pele de mármore
na rota da seda para o frenesi.
Carícia que ao desatar
a alta sedução encontre
posição ao se encaixar.


Não, não vou passar,
porque campos em ti
fiz a jura de conquistar;
escalar já é a direção.


Por cada imagem de alta
voltagem sedutora,
sem culpa nenhuma,
manifesto ainda que
silenciosa que em você
fiz nascer a cultura.


Não, não vou parar,
porque tornei-me como
os quatro elementos;
e o impulso incontrolável.


Moram em mim todas
as mulheres brasileiras,
que o seu vício em seduzir
enxergava ser por
costume qualquer uma,
e agora não sabe o que
fazer com tanto amor.


Não, não vai dissipar,
porque em cada curva,
tu haverá de encontrar
o requinte floral de cada
ipê de junho a surpreender,
e selvagem, haverá de querer.

Domingo e os seus rituais.
Vassoura de ponta cabeça atrás da porta,
sal no fogo.
Convidando visitas de prosa ruim se retirarem.

Se a sua presença não for perceptível,
Ofereça ausência.
O sal nunca tá no cardápio,
mas se falta,
sentem.

Sem sal, sobra apenas o que não convém.

Às vezes, o valor só é percebido na ausência.

O sal quase nunca recebe elogios por estar à mesa, mas basta faltar para que todos percebam a diferença.

Por isso, seja bom naquilo que faz, mesmo quando ninguém aplaudir.
Faça o seu melhor sem depender de reconhecimento.

Porque algumas presenças só são verdadeiramente valorizadas quando deixam de estar presentes.

A indiferença diante do que acontece ao nosso redor não nos torna o sal que a humanidade necessita. Tal como uma vela, precisamos brilhar enquanto lentamente nos consumimos.

Minha raiva tem o tempero das pequenas humilhações: sal e silêncio. Ela cresce na cozinha, no caminho do trabalho, na janela onde ninguém olha. Quando explode, não pede licença, derruba vasos, palavras, hábitos, e depois deixa um rastro de verdade crua que, estranhamente, cura.

Eu não continuo por acreditar, convicções se dissolveram cedo, como sal na água e o que restou foi um silêncio espesso, difícil de atravessar, ainda assim, algo em mim não cedeu, não por força, por teimosia quase invisível. É uma fidelidade estranha, não a um futuro, nem a um sentido claro, mas a esse resíduo que insiste, um pulso baixo, constante, como a luz que entra pela fresta e não ilumina o quarto, apenas impede que ele desapareça por completo, carrego isso no corpo, nos dias em que levantar parece uma forma de contradição, nos instantes em que existir soa como excesso, mesmo assim, fico, Por lealdade ao que ainda não morreu.


- Tiago Scheimann

⁠É muito Feno para tão pouco sal...


Talvez seja melhor temperar com uma boa pá de cal.


Haja sal para a quantidade assustadora de Feno necessário...


Quando a desproporção chega a esse ponto, já não se trata mais de tempero, mas de engano.


Talvez seja mesmo melhor recorrer a uma pá de cal, não para enterrar expectativas, mas para sepultar de vez as ilusões que insistimos em alimentar.


Porque certas mesas, por mais que pareçam fartas, só servem palha; e certos banquetes, por mais barulho que façam, não sustentam ninguém.


No fim, a verdadeira sabedoria está em abandonar o que só ocupa espaço e buscar o que, ainda que pouco, de fato, nos alimente.

2068 📜 "Minha vizinha (de baixo) veio perguntar se tenho sal grosso. 'Claro que tenho', respondi. 'Afinal, estou, neste momento, fazendo churrasco, oxente'. E ela: 'Ah, então está me convidando?' E entrou. AhAhAh, Adoro essa Minha vizinha (de baixo)!"