Sair da Casa da Mae
CIGARROS QUE NÃO FUMO
Antes de sair de casa eu disse e redisse:
Até logo, eu volto já
Ao meu lar,
Vou só ali ao quiosque comprar
Cigarros,
Escarros,
De grumo
Que não fumo.
E fui ao quiosque da esquina
Do meu esquinal
E, não me levem a mal:
Foi aí que encontrei
E desejei
Uma mulher pequenina
A vaguear no seu andar sem rumo,
Junto ao quiosque do meu fumo,
Que ficava naquela esquina.
Intestina
Da minha esfumada sina
Que já foi de nicotina,
Mas ao conhecer a pequenina
Deixei tão amarga amarra
O fumo, ao som de uma guitarra.
Farra,
Louca por amar
E nunca,
Nunca
Mais voltei ao meu lar...
(Carlos De Castro, in Poesia num País Sem Censura, em 05-08-2022)
Você erra quando sua melhor roupa é para sair, quando pra ficar em casa com quem te ama, usa trapos.
Você erra quando a xícara bonita é para a visita, mas pra você e sua família usa qualquer copo...
O importante é valorizar e dar o melhor pra você mesmo e quem está ao seu lado... quanto ao resto?
Bom....
Ninguém nunca precisou de resto para ser feliz!
Para ser feliz não é preciso sair de casa e viajar para muito longe, basta você acreditar na felicidade e em você mesmo, e, fazer com que ela aconteça! Abraços fraternos.
“O medo de sair de casa me assombra,
se pelo menos soubesse que te encontraria,
numa esquina qualquer da vida.
Mas, na cidade onde moro não há esquinas.
As ruas são infinitamente movimentadas.
pessoas não param, não se cumprimentam,
por isso tenho medo de sair de casa, contudo,
a solidão com quem habito em quatro paredes,
já começa a me espreitar, como um monstro
se aproxima de mim, receio que em breve me devorará.”
Ó medo que me amedronta ao sair
De casa, em busca de quem me conforte
Se pudesse encontrar-te, ó doce sorte,
Em algum ponto dessa vida a fluir
Nesta cidade que me cerca a dor,
Não há esquinas, só ruas agitadas
Pessoas que não se olham, nem se amam,
Tenho receio de sair desse torpor
A solidão me acompanha nesse andar,
Em quatro paredes, mas não me basta,
O monstro dela parece me atentar
Não quero que ela me devore, é gasta
Minha alma, preciso me libertar
Compartilhar a vida, talvez a encontre lá
O medo de sair de casa me assombra,
se pelo menos soubesse que te encontraria,
numa esquina qualquer da vida.
Mas, na cidade onde moro, não há esquinas.
As ruas são infinitamente movimentadas.
[Verso]
Medo de sair pela porta
Desejando te encontrar com certeza
No barulho movimentado desta cidade
As ruas não têm mais esquinas
[Verso 2]
Multidões empurram dia e noite
Sentindo falta de lugares onde poderíamos
Nos encontrar na luz
Mas as sombras roubam nossa luta
[Refrão]
Cidade sem esquinas
Fora de controle
Não consigo encontrar amor no trânsito
Tudo está tão estático
[Ponte]
Rostos aleatórios passam por mim
Apenas reflexos nos meus olhos
Esperando que nossos caminhos se cruzem
Mas não há onde se esconder
[Verso 3]
Ruas intermináveis e solo agitado
Não consigo te ouvir no som
O ruído da cidade me mantém preso
Mas ainda espero que você apareça
[Refrão]
Cidade sem esquinas
Fora de controle
Não consigo encontrar amor no trânsito
Tudo está tão estático
Complexidade Humana
Complexidade humana: uns querem, avidamente, sair de um confinamento em casa;
outros querem, desesperadamente, entrar em confinamento numa casa.
Conclusão : 'No creo en' Aliens, 'pero que los hay, los hay'.
Saudades de quando um otário e um pilantra precisavam sair de casa para se encontrarem e fazer negócios.
Ando com problemas em casa, por isso sair um pouco pra refletir, as 02:30 saio de casa, com moletom e calça, estou com meu tênis eles está bem sujo, pois esses dias não tem feito um bom sol para lavagem.
Então vou relatar oque fiz: Sai lentamente sem fazer um mísero barulho (tirando o ranger da porta), vejo os cachorros uivar, sendo que nem e lua cheia, eles sentem presença de fantasmas?, fui até a esquina, vi os vigilantes em uma moto, faz um frio bom, o céu está nublado e não vejo se quer uma estrela para me guiar então saio sem rumo até a última parada do ônibus, nem sei que horas sai o primeiro ônibus. Lá é escuro, ando sem rumo, com a mão nos bolsos do moletom, fecho minha mão com raiva e meus punhos pedem para bater em algo, e incontrolável, bati em uma barraca de madeira onde umas senhoras vendem comida, dou um grito sufocado, vou em direção a casa de minha paixão olho fixamente para a janela, psicopata? Eu?. Não, estou apenas perdido e me afogando com tudo isso, vou para a praça lá eu sento num banco, começo a cantar bem baixinho, "Eu devia sorrir mais, abraçar meus pais, viajar o mundo e socializar", tentando abrandar as coisas que me aflige a mente, droga! Me perdi no tempo, saio correndo em rumo minha casa abro a porta, lentamente escuto o ranger dela depois fecho e tranco, tiro minha roupa coloco aquela camisa, sim aquela camisa que meu amor me deu, deito no sofá tento dormir mais não consigo tenho que falar algo, escrever algo então estou aqui, relatando que estou entrando em pânico.
Casa de mãe depois que os filhos se vão
Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.
Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade...aliás, casa de mãe depois que os filhos se vão vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.
Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o "isso tá bão, mãe". O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora falta cozinha cheia de desejos atendidos.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos.
É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar.
Aí fica a casa, e nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação.
Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.
Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço.
Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.
Porque, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?
E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?
RECIBO UM QUATRO QUATRO
Em dias tristes lembro-me daquela mãe:
O brilho no olhar
O coração apertado
A boca seca lambendo o sal
O pesar de não ter podido ir além.
Cinco bocas;
Cinco vidas;
Cinco histórias;
Cinco futuros;
Uma só certeza.
Tanta gana
Tanta esperança
Falta quase tudo!
Falta esperança.
Mas, não falta gana.
Lutando se esquece momentaneamente dos problemas
Algumas horas com a família
Alguns momentos com os amigos
Uns poucos segundos de felicidade
Uma vida inteira de necessidade e privação.
Sozinha, os sábados são intermináveis
É acometida pela tristeza
Momento de reflexão cruel.
Como se já não tivesse sofrido o bastante!
Ainda se martiriza, como pode?
Chega o domingo:
A esperança se renova
Crianças correm brincam se mostram
A mãe se esconde se perde se acha.
E esse brilho no olhar!
Olhar de quem protege
De quem cuida
De quem ilumina caminhos
Olhar cansado da vida inteira
Olhar cego a si mesmo.
O coração está trancado
Um paredão se ergueu
O frio das geleiras se instalou
Amar não é mais possível
O coração agoniza.
E de repente mãe!
Forte, triste, só;
Independente, feliz, solitária...
Pronta para tornar sua prole digna.
