Sair da Casa da Mae
Todas as tardes
rego as plantas de casa.
Peço perdão às árvores
pelo papel em que planto
palavras de pedra
regadas de pranto.
A dona de casa tem a carreira definitiva. Todas as outras carreiras existem para um único propósito - que consiste em apoiar a carreira definitiva.
Quem sabe não precisa?
Um dia eu estava na frente de casa secando meu carro. Eu tinha acabado de lavar o carro e esperava minha esposa para sair para o trabalho. Vi, descendo a rua, um homem que a sociedade consideraria um mendigo. Pela aparência dele, não tinha carro, nem casa, nem roupa limpa e nem dinheiro. Tem vez que você se sente generoso mas há outras vezes que você não quer nem ser incomodado. Este era um dia do "não quero ser incomodado".
- Espero que não venha me pedir dinheiro. Pensei.
Não veio. Passou e sentou-se em frente, no meio-fio do ponto de ônibus e não parecia ter dinheiro nem mesmo para andar de ônibus. Após alguns minutos falou,
- É um carro muito bonito.
Sua voz era áspera mas tinha um ar de dignidade em torno dele. Eu agradeci e continuei secando o carro.
Ele ficou lá. Quieto, sentado enquanto eu trabalhava. O previsto pedido por dinheiro nunca veio. Enquanto o silêncio entre nós aumentava, uma voz interior me dizia,
- Pergunte-lhe se precisa de alguma ajuda.
Eu tinha certeza que responderia sim mas, atendendo à insistente voz interior...
- Você precisa de ajuda? Perguntei.
Ele respondeu com três simples palavras acompanhadas de um sorriso que me deram uma sacudida.
- Quem não precisa?
Eu precisava de ajuda. Talvez não para a passagem do ônibus ou um lugar para dormir, mas eu precisava de ajuda. Peguei minha carteira e lhe dei dinheiro, não somente o bastante para a passagem do ônibus mas também para conseguir uma refeição e um abrigo.
Aquelas três palavras ainda soam verdadeiras. Não importa o quanto você tem, não importa o quanto você realizou, você também precisa de ajuda. Não importa o quão pouco você tem, não importa o quão cheio de problemas você esteja, até mesmo sem dinheiro ou um lugar para dormir, você pode dar ajuda. Mesmo que seja apenas um elogio, você pode dar.
Você nunca sabe quando poderá ver alguém que parece ter tudo mas que, na verdade, está esperando de você algo que não tem.
Talvez o homem fosse apenas um desconhecido desabrigado que vagueia pelas ruas. Talvez fosse mais do que isso. Talvez ele tenha sido enviado por uma força maior e sábia para ensinar à uma alma acomodada em si mesma.
Talvez Deus tenha olhado pra baixo, chamado um anjo, vestido-lhe como um mendigo e, a seguir, disse,
- Vá encontrar-se com aquele homem que limpa o carro, ele precisa de ajuda.
"Quem não precisa?"
"Devagarinho a gente vai arrumando a casa."
Reposicionando o que habita em nós, jogando fora o que não nos serve mais, para que, o novo que vai chegando, tenha seu lugar.
Tirando o pó do que precisa ficar, matando saudades do que guardamos com carinho. Pintando o que perdeu a cor, limpando, lavando, tirando aquelas manchinhas que deixamos escapar.
A vida é um eterno arrumar e desarrumar, em que cabe à gente ter coragem de se transformar.
Beija-me
Beija-me como quem chega em casa depois de muito tempo.
Como quem reconhece o sabor da alma no toque da boca.
Sem pressa. Sem ensaio.
Mas com aquela vontade que carrega o tempo todo.
Beija-me com os olhos também.
Com os dedos. Com o pensamento.
Beija as minhas dúvidas até que elas se rendam,
e os meus silêncios até que virem som.
Beija-me pra além da pele.
Entre as palavras não ditas,
nas pausas da respiração,
no espaço entre um suspiro e outro.
Quero um beijo que acolha, mas acenda.
Que abrace, mas incendeie.
Que não peça licença,
mas saiba o momento exato de invadir.
Beija-me como quem sabe que estou faminta,
mas que minha fome é de algo que só se encontra quando a alma também se abre.
Beija-me como se cada toque fosse um recomeço,
e cada fim, apenas uma promessa de mais.
E se for pra ser beijo,
que seja inteiro.
Que me cale.
Que me entregue.
Que me eleve.
Beija-me como quem entende
que a boca é só a porta —
e o desejo,
é tudo o que vem depois.
No estado decadente que eu tô
A tristeza decora essa casa
Eu sei que ninguém morre de amor
Mas cachaça e saudade mata.
Chegou um dia em que percebi que ficar por ficar em festinhas e voltar para casa sozinha não tinha a menor graça;
Percebi que uma calça cara não vale mais do que o carinho dos meus pais no dia do meu aniversário;
Percebi que meus "porres" só tinham graça porque estava rodeada de amigos;
Percebi que família grande é complicada, mas o amor descomplica tudo e que eu não seria nada sem cada um deles;
Percebi que não tenho o direito de julgar as pessoas, apenas de compreendê-las;
Percebi que as pessoas que não gosto me ajudam a crescer;
Percebi que o amor não avisa quando chega, nem vai embora à hora que nós queremos;
Percebi que amigos de verdade são tão raros que devem ser valorizados como um diamante;
Percebi que muitos dos ensinamentos das escolas não estão nos livros;
Percebi que não podemos culpar nossos pais pela nossa condição de vida, pois se não fossem eles, nem vida teríamos;
Percebi que não podemos forçar as pessoas a nos amar, podemos apenas dar motivos para que elas o façam;
Percebi que amigos de verdade nunca te julgam e sim te apóiam;
Percebi que por mais erros que você cometa sua família nunca deixará de ser sua família;
Percebi que o passado serve para o meu crescimento e que apenas os bons momentos devem ser relembrados;
Percebi que o primeiro amor não precisa ser o único, ele apenas nunca deixará de ser o primeiro;
Percebi que hoje trago dentro de mim o verdadeiro amor, a verdadeira razão da minha existência daqui pra frente.
E é suposto eu esperar enquanto você sai com meninos e se apaixona por outra pessoa, se casa...? - Sua voz estreitou. - E enquanto isso, eu vou morrer um pouco mais a cada dia, observando.
Preciso abandonar essa “mania de passado”, retirar os entulhos, deixar a casa vazia para receber nova mobília, fazer a faxina da mente, da alma, do corpo e do coração.
É impressionante a quantidade de seres desumanos que se mudam de casa e abandonam cachorros... Largam como se fosse um vaso de planta ou qualquer outro enfeite velho e quebrado que não tem mais serventia. As pessoas não tem nem a capacidade (ou a vergonha na cara) de se desfazerem dos bichos com a dignidade que eles merecem. Ou com o mínimo de dignidade que ainda possa haver em tais pessoas.
Se é preciso se mudar... Se é preciso ir para um lugar menor que não comporte animais... Se é preciso mesmo se desfazer dos bichos de estimação... Que faça! Mas faça direito! Se não for pra ser assim, não tenha animais! Se não for pra cuidar como um ente familiar, ou no mínimo como um ser completamente dependente de cuidados básicos, NUNCA TENHA-OS!
Eu prefiro os que falam: "eu não gosto, não quero, não sei cuidar", do que esses que alegam gostar e pegam para ser brinquedo dos filhos ou protetores da casa.
Bicho não é presente... Compre os de pelúcia!
Bicho não é proteção... Contrate vigilantes!
Se não pode amar os animais, tenha ao menos compaixão!
Um dia a gente envelhece e perde a serventia para a sociedade... E toda a indiferença que a gente lança, volta.
Fui almoçar ontem na casa de uma amiga
Quando terminamos de almoçar, ela me disse:
Fiz o almoço, agora a louca é sua.
Peguei a louça, coloquei tudo em um saco plástico e fui embora.
Agora a mulher aqui na frente de casa com a polícia querendo a louça de volta...
O mundo é uma escola, a vida é nosso professor e a nossa casa é a sala de aula; e cada um de nós está matriculado na sala adequada para o nosso aprendizado e consequente aprimoramento.
Gosto de fazer qualquer coisa que não me tire de casa e esforço físico também não é comigo. #nerd.
(Gaybol)
Rotina... levanto, me arrumo, trampo, casa...
Rotina... levanto e me lamento, me arrumo mas não me aprovo, trampo mas não me supri, casa estou sozinho...
Rotina... levanto me lamento e entro em desespero, me arrumo não me aprovo entro em desespero, trampo não me supri entro em desespero, casa estou só entro em desespero...
Ver de fora parece fácil, vcs olham pra mim e acha que sou a pessoa mais feliz do mundo, ou a pensa nossa q cara bonzinho, legal, divertido.... pufff.... queria ser o q vcs vêem, queria ser o q eu sonho....
Mas eu deveria ser feliz com o que tenho!!! Tenho pouco, mas já tive muito, estou falido de sentimentos, estou falido de afeto, estou completamente falido de amor...
Mas eu deveria estar feliz , deveria , mas não estou, eu não sou feliz, alegre pode ser!!! Tento disfarçar a tristeza dos meus olhos com um sorriso, tento tampar o vazio do meu coração, com ilusões, tento preencher minha vida com sonhos, q nada mais é q a vontade de ser o que não posso, de amar o suficiente para ser amado...
Nunca pensei é que pudesse ser assim tão vazia uma casa sem um anjo. Dentro de mim existe alguma coisa que espera a sua volta, de repente, não sei se pela janela ou se aparecerá novamente no mesmo lugar. Para prevenir surpresas, tenho deixado sempre abertas todas as janelas e todas as portas.
O dinheiro compra uma casa, mas não a paz; Ele atrai bajuladores, mas não amigos; O dinheiro compra o ingresso, mas não garante a alegria; Ele compra roupas lindas, mas a postura jamais...
Cuidado para não esquecer aquelas coisas que dinheiro nenhum compra e não se tornar um "pobre coitado"ainda que seja o milionário
A Casa Branca Nau Preta
Estou reclinado na poltrona, é tarde, o Verão apagou-se...
Nem sonho, nem cismo, um torpor alastra em meu cérebro...
Não existe manhã para o meu torpor nesta hora...
Ontem foi um mau sonho que alguém teve por mim...
Há uma interrupção lateral na minha consciência...
Continuam encostadas as portas da janela desta tarde
Apesar de as janelas estarem abertas de par em par...
Sigo sem atenção as minhas sensações sem nexo,
E a personalidade que tenho está entre o corpo e a alma...
Quem dera que houvesse
Um terceiro estado pra alma, se ela tiver só dois...
Um quarto estado pra alma, se são três os que ela tem...
A impossibilidade de tudo quanto eu nem chego a sonhar
Dói-me por detrás das costas da minha consciência de sentir...
As naus seguiram,
Seguiram viagem não sei em que dia escondido,
E a rota que devem seguir estava escrita nos ritmos,
Os ritmos perdidos das canções mortas do marinheiro de sonho...
Árvores paradas da quinta, vistas através da janela,
Árvores estranhas a mim a um ponto inconcebível à consciência de as estar vendo,
Árvores iguais todas a não serem mais que eu vê-las,
Não poder eu fazer qualquer coisa gênero haver árvores que deixasse de doer,
Não poder eu coexistir para o lado de lá com estar-vos vendo do lado de cá.
E poder levantar-me desta poltrona deixando os sonhos no chão...
Que sonhos? ... Eu não sei se sonhei ... Que naus partiram, para onde?
Tive essa impressão sem nexo porque no quadro fronteira
Naus partem — naus não, barcos, mas as naus estão em mim,
E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta,
E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida...
Quem pôs as formas das árvores dentro da existência das árvores?
Quem deu frondoso a arvoredos, e me deixou por verdecer?
Onde tenho o meu pensamento que me dói estar sem ele,
Sentir sem auxílio de poder para quando quiser, e o mar alto
E a última viagem, sempre para lá, das naus a subir...
Não há, substância de pensamento na matéria de alma com que penso ...
Há só janelas abertas de par em par encostadas por causa do calor que já não faz,
E o quintal cheio de luz sem luz agora ainda-agora, e eu.
Na vidraça aberta, fronteira ao ângulo com que o meu olhar a colhe
A casa branca distante onde mora... Fecho o olhar...
E os meus olhos fitos na casa branca sem a ver
São outros olhos vendo sem estar fitos nela a nau que se afasta.
E eu, parado, mole, adormecido,
Tenho o mar embalando-me e sofro...
Aos próprios palácios distantes a nau que penso não leva.
As escadas dando sobre o mar inatingível ela não alberga.
Aos jardins maravilhosos nas ilhas inexplícitas não deixa.
Tudo perde o sentido com que o abrigo em meu pórtico
E o mar entra por os meus olhos o pórtico cessando.
Caia a noite, não caia a noite, que importa a candeia
Por acender nas casas que não vejo na encosta e eu lá?
Úmida sombra nos sons do tanque noturna sem lua, as rãs rangem,
Coaxar tarde no vale, porque tudo é vale onde o som dói.
Milagre do aparecimento da Senhora das Angústias aos loucos,
Maravilha do enegrecimento do punhal tirado para os atos,
Os olhos fechados, a cabeça pendida contra a coluna certa,
E o mundo para além dos vitrais paisagem sem ruínas...
A casa branca nau preta...
Felicidade na Austrália...
