Rubem Alves Saudades
"Infância"
Quando eu era criança vivia correndo atrás das pipas.
Hoje, que sou grande, as pipas caem em meu quintal.
"Poeminha lúbrico"
Imagina que eu sou a manteiga,
E você é o pão quentinho,
Me passo em você,
E me derreto todinho.
"Avareza"
Seu João, sexagenário, passou a vida toda trabalhando e juntando bens. Às vésperas de se aposentar sofreu um infarto. Morreu com as mãos fechadas e o coração vazio.
Para quem não tem propósito
Meu propósito não é um ponto fixo,
é um plano em construção.
Não busco um fim,
eu desenho caminhos.
Como o rio,
não importa onde começa ou termina —
importa o que cria enquanto flui.
Levo ideias, traço sentidos,
dou forma ao invisível.
Se há um segredo, é este:
não espere encontrar, cuide das suas águas.
"Chronos na mitologia grega é o deus do tempo, representado por uma figura de um velho e impiedoso e é exatamente isso que o tempo é um velho impiedoso! Velho por que ele só envelhece e nunca se renova impiedoso pelo fator das consequências de nossas escolhas, o tempo é perverso e se você perde tempo de viver você pagará um preso muito alto cobrado pelo velho impiedoso, é preciso saber viver, é preciso amar a si mesmo e ao próximo, é preciso aproveitar da melhor forma as belezas dos pequenos instantes, é preciso apreciar cada respirar dessa dádiva que é viver, Deus te dar todo dia uma nova oportunidade, cabe a vc ficar velho com ações ou arrependimento, com sofrimento ou a felicidade de ter vencido a cada dia e aprendido a cada segundo"
Quando você dá o crédito as pessoas que você dá a si mesmo, fica muito mais fácil perdoar e esquecer, desculpar, olhar o outro com a compaixão que você gostaria de ser visto, compreender e seguir adiante. Sentimento ruim encostado na alma é como o câncer que não reage a quimioterapia. Muitas vezes deixamos de seguir adiante para, ficar fazendo culto ao nosso sofrimento e regurgitar as nossas mazelas internas.
O seu passado sem dúvida tem seus méritos em relação a pessoa que você se tornou. Graças ao nosso criador podemos pela Liberdade que nos é ofertada, fazer dos erros de outrora sabedoria para o futuro vindouro.
Os desígnios de Deus, embora muitas vezes nos pareçam estranhos e incompreensíveis, são traçados com um propósito divino e perfeito. Há um filme que assisto de tempos em tempos chamado *Os Pássaros Feridos*. É uma história única, uma saga que atravessa mais de 60 anos, narrando o romance proibido entre um padre e uma jovem comum.
A trama se inspira na lenda de um pássaro espinheiro, que passa a vida buscando o espinho mais afiado para empalar-se. E, ao fazer isso, entoa um canto incomparável, mais belo que o da cotovia e do rouxinol. É um canto sublime, cuja perfeição só é alcançada ao custo da própria vida.
Quantos de nós, ao longo da vida, não nos ferimos em espinhos dolorosos, conscientes de que, apesar da dor, esses momentos podem extrair o melhor de nós? Esse filme fala sobre renúncia, não sobre religião, e carrega uma mensagem profunda e universal. Recomendo com entusiasmo, pois é uma obra que nos faz refletir. Espero que, um dia, você tenha a oportunidade de assisti-lo.
Toda história que não é vivida em sua plenitude — seja interrompida por um acontecimento inesperado ou uma revelação marcante — carrega em si a essência de algo extraordinário. No íntimo de nossas emoções, temos a tendência de eternizar aquilo que, por não se concretizar, permanece envolto em mistério e beleza.
É como o exemplo atemporal de um amor não correspondido ou nunca vivido em toda a sua intensidade. O desconhecido, o inalcançável, ganha um brilho especial justamente por nunca ter sido desvendado. Há algo poeticamente sublime no que fica suspenso no tempo, naquilo que apenas o coração ousa imaginar e que jamais será ofuscado pela realidade.
Estou sentindo uma saudade tão intensa de você que chega a doer fisicamente. Aqueles amores que julgamos perfeitos, na verdade, são vestígios de experiências que não foram plenamente vividas, fragmentos de histórias que ficaram inacabadas.
São situações que experimentamos pela metade, deixando em nós um vazio que clama por completude.
A religião pode até nos aproximar de Deus, mas é através da ciência que Ele se explica e se revela a Si mesmo, mostra-se a nós tal como Ele é.
