Romance

Cerca de 5001 frases e pensamentos: Romance

Ao seu lado achei o caminho mais feliz da vida, o amor.

Inserida por EscritorErickpereira

Não existe nada tão desprendido do que o amor, nada tão perseverante quanto ele. Não existe nada tão forte do que o amor, nem mais verdadeiro, nem mais desprovido. Nada tão amargo e nem nada tão doce.

Inserida por douglaslevita

De repente chega um sorriso que vira vício.

Inserida por douglaslevita

Aos poucos conquistei o teu amor e jamais quero perdê-lo.

Inserida por EscritorErickpereira

Sabe como eu sei que eu amo de vc?, Bom primeiro é o seu olhar eu me perco nele todos os dias, o seu sorriso me dá vontade de te beijar, o seu abraço me da vontade de te prender e nunca mais soltar, o teu toque me faz sonhar, a sua cor é a mistura mais linda que eu já vi, quando eu não to com vc parece que falta um pedaço de mim, estar ao seu lado é meu motivo pra existir, sua felicidade é minha prioridade, tudo que é bom me lembra vc , eu sou apaixonada nos seus defeitos e na sua forma única de ser.

Inserida por Mdy

Tudo que eu escrevo é pra um você que nunca vai ler , pro você que assombra a minha mente , pro você que eu amo, pro você que eu me apaixonei, pro você que nunca vai existir porque o tamanho do meu amor fez eu criar um você tão perfeito e utópico , você é o eu lírico do meu texto que sempre será inalcançável.

Inserida por Mdy

Quero sentir...
A brisa suave em meu rosto.
O perfume das flores
O calor do sol em minha pele.
Ouvir o canto dos pássaros
E poder sentir...
A paz que reina, em meio a natureza...

Eu quero
Um abraço apertado
Um carinho, um afago e um beijo de amor!

Inserida por monikaferreira

Você chegou e a vida sorriu.

Inserida por EscritorErickpereira

Uma tarde dessas, ela foi para meu apartamento cedo, não tão cedo como eu queria mas o suficiente para almoçar comigo e o que eu não contava era que eu iria, por um acaso me distrair demais com o tempo e queimar um pouquinho a carne. A carne continuou bem gostosa mas minha mãe não gostou nada e num ataque repentino e sem cabimento, colocou todo o ódio que inexplicavelmente habita seu coração, sua mente que as vezes acho ser bipolar e todos os problemas pelo qual ela passa, nesse momento, nesse meu deslize ela viu a oportunidade para liberar tudo em meus ombros e esse peso sempre me dói, sempre sou eu a carrega-lo. Ver minha mãe gritar do jeito que ela gritou comigo, sem nenhum motivo totalmente válido, me dói, não sou um masterchef, não sou um cozinheiro, mal sou alguém e ela não permite que eu erre e eu tento, mas sem sucesso, entender o porque. eu tento fazer cara de mal, fingir que sou de pedra, um homem forte e daqueles que não chora nunca, mas é inegável que o meu coração é tão doce quando o mais puro açúcar e não precisa de muito, pelo menos ela, minha mãe, não precisa de muito para me deixar mal e estragar todo um dia; Um dia que eu queria que fosse diferente, um dia que eu faria o almoço para minha namorada e minha mãe, as duas mulheres que eu mais amo. Fui pego de surpreso pela grosseria e estupidez que as palavras dela tinham. Além de envergonhado pela estupidez de minha mãe que demonstra tais grosserias na frente de uma pessoa que praticamente já é de casa, mas que com certeza não gosta, e nem precisava ter visto tal ação desnecessária. Por sorte a pessoa que eu escolhi entregar meu coração, meu pequeno e fraco coração é alguém especial, alguém que está sempre de braços abertos e dispostas a ficar ali, pelo tempo que for com seu aconchegante colo, suas mãos delicadas tocando meu cabelo para cima e para baixo, me acolheram da melhor maneira, de uma maneira que eu em anos não poderia imaginar um dia que vivenciaria. Não pude conter as lágrimas, tanto por estar triste com minha mãe quanto por saber que eu tenho ao meu lado, alguém como ela, alguém tão doce e calma e que não se importa de eu ser esse coração frouxo que sou, que sabe que por baixo desse cabelo de rockeiro, essas roupas pretas, tem um garoto que ainda está entendendo o que é ser um adulto, o que é viver a vida. E espero que um dia ela saiba que quando estou em seus braços, não existe nada que faça meu coração desacelerar, que faça eu me acalmar e me sentir bem pelo simples fato de ser quem sou.

...E quando o amor estiver quase no fim,
Vou pegar o que sobrou
E distribuir pra você
Em cada pequeno gesto
A cada simples atitude...
Amor!
Vai ser uma overdose!
E quando acabar enfim
Só lembranças boas...
De amor...
Sobrarão.

Inserida por larissa_cordovil

Eu velejava em você! Mas acabei afundando.

Inserida por rayron

Dez graus em São Paulo, pipoca, TV, Netflix
Comédia romântica, Fini e umas caixas de Bis
Celular no modo avião
Nós dois no sofá de um lugar dividindo o edredom
E o que ilumina é a luz da minha televisão

Inserida por pensador

Seu sorriso me ilumina.
Seu cheiro me fascina
Ainda me lembro daquele dia,
que eu falava algo errado e você sorria.


Ainda me lembro daquelas noites,
que eu me virava na cama e você me abraçava, transformando meu mundo em cores.
Me lembro das manhãs, você acordando.
Eu observava seu leve sorriso e parecia que eu estava sonhando.


Meu amor, nunca consegui me expressar.
Talvez o destino já queria me matar.
Lembro das suas massagens, você tinha uma força na mão.
Essa força tirava toda minha solidão.


Comprei nosso anel de namoro em agosto.
Mas a minha falta de coragem de entregar me causou desgosto.
Talvez um grande erro foi a minha covardia.
Eu sabia que isso ia acabar comigo um dia.


Assistir Netflix com você todo final de semana era um amor.
Talvez seria melhor se a gente tivesse assistido menos filme de terror.
Por falar em amor, eu nunca consegui me expressar.
Hoje que consigo, é tarde demais para te amar.


Me sinto bem escrevendo para você, mesmo você não lendo.
Isso me ajuda a me libertar por dentro.
Nunca te contei, mas meu sonho era ter um filho e casar.
Mas algo me segurou e não deixou meu sonho se realizar.


Era para ser você, minha mulher, minha companheira,
mas hoje eu vivo sozinho em uma trincheira.
Tudo que eu estou passando agora eu realmente mereço.
O seu beijo eu jamais esqueço.


Seu beijo me levava para outra dimensão.
Era um caminho direto para o seu coração.
Suas bochechas eram ótimas para apertar.
Era uma sensação que eu sempre quero desejar.


Lamber o seu rosto repentinamente no lugar de te beijar.
Era uma brincadeira que eu sempre vou lembrar.
Eu acho que eu estou ficando bom em rimar,
mas eu só queria ter sido bom em te amar.


Este poema até que esta ficando interessante.
Seus olhos brilham como um diamante.
Eu amava seu arroz, seu feijão.
Toda vez que eu comia eu tinha uma boa sensação.


Eu amava ir com você até o Atacadão.
Para mim não era só compras, era diversão.
Lembra quando íamos no cinema? Procurávamos o mais barato.
O mais importante era estar ao seu lado.


Eu queria ter tido condições de te dar tudo.
Infelizmente, minha vida é um vazio sem fundo.
Amor, eu te amo e sempre vou te amar.
Independente da sua escolha, vou sempre te respeitar.


E você de fora que esta lendo, quer saber quem é essa garota? Tem aquela curiosidade lá no fundo?

Eu te respondo: Essa garota é o meu mundo!

Inserida por eduardo_vinicius

⁠Envidraçada
Você disse: “Não me questione... nunca...”
Frase feita, determinada.
Mas, a cozinha era pequena com fogareiro de duas bocas, perdido sem intenção de nada e o pior, não havia cheiro e calor de coisa alguma.
Mas o aroma de seu beijo navegava em minha boca e eu precisava dar um jeito de digerir seu feitio.
Tínhamos que namorar. Peguei suas mãos ásperas para sentir seu movimento, sua energia e o modo que manipulava e você as retirou: triturei as cebolas e
Chorei!...
Olhei em seus olhos sem desviar, para descobrir qual era o seu tempero e a sua hora. Você desviou e duvidou e eu acreditei no Curry como condimento e companheiro.
Abracei você desavisado na sala e sussurrei amores e você desdenhou.
Fui à cozinha novamente, piquei as maçãs ácidas e verdolengas e percebi que estava em descompasso, não era a hora.
Na biblioteca, você distraiu na leitura sobre motores e aquecimento e observei sua atenção e namorei seu perfil e sua paz.
No quarto, sozinha, retirei o avental, pintei minha boca e desejei a mim mesma, paz e discernimento das verdades.
Voltei ao escritório e com segurança disse que estava tudo pronto.
Você, descansadamente, arqueou as sobrancelhas e perguntou:
—O que você fez hoje?
Respondi:
—Frango ao Curry.
E você. num silêncio mordaz, sentenciou:
— “Não como frango!"
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠Sempre escutei que amar é para os fortes
Que quando acontece, você não tem por onde fugir.
Fico imaginando quando amar. E por que sinto medo disso.
Sinto medo de amar errado;
De estranhar o amor;
Ou de não aceita-lo.
Talvez sou má.
Nunca acreditei que jovens amam.
Não falo amor de família,
Falo amo entre duas pessoas.
Nunca parei para pensar de como iria amar,
E agora que o pensamento me vem à cabeça, tenho medo.
Me apaixonei, 2 vezes,
Mas nunca amei.
Não considero que tive um primeiro amor. Porque sempre considerei amor único.
Acredito que me atrapalhei amor e paixão.
Mas paixão acaba, amor não.
Alguém por favor, poderia me dizer como é amar? Ou talvez não. Porque no mundo em que vivo, o amor virou ilusão. .
.
- MELO, Mayara Folium

Inserida por MayaraKohler

⁠O turbilhão

Sentou-se diante do espelho encaixilhado, abraçando anjos,
e ele a refletiu, e ela perguntou:
– Qual é a distância entre o Amor e a Paixão?
O reflexo fragmentou, partiu-se, dividiu-se em mil faces, ela
percebeu que era uma viagem cheia de adversidades e surpresas.
Chorou, lamentou, arrumou as malas, dobrou sentimentos e
saiu de bagagem desarrumada. Mas esta era uma pergunta que não ficaria no espaço, sem resposta.
Caminhou e viu a tarde chegar.
Ficou ali, estática, observando, e viu que as tardes são as
paixões. Elas simplesmente caem, silenciosas, misteriosas e sem questionamentos.
E, de repente, você apalpa a escuridão da noite, a paixão não sabe o que fazer e pinta a lua cheia no céu para você não ter medo.
Mas você não desiste, fica de perna bamba, tropeçando e
transpirando.
E a paixão novamente, insistentemente, pinta estrelas no
céu para que olhe somente para ela, e tudo seja somente um céu estrelado de uma noite escura.
Vem o frio da alma e nada aconchega. Você torce para que
amanheça e a noite da paixão ainda quer te confundir, e sopra neblinas e dúvidas esfumaçadas.
O frio anuncia o dia: você amanhece, apesar de tudo.
Você acorda confusa, de ressaca. Nem de dia, nem de noite,
simplesmente amanhece no conflito do dia, na discussão da moeda corrente, nos afazeres das cordialidades, fingindo que ontem não foi nada e hoje tudo vai acontecer.
Para transtornar todos seus dias!
Ao dia o AMOR chega: queima sua pele, lhe dá um abraço
aconchegante e você, desavisadamente, acredita que todos os erros que cometeu e todos os pecados com os quais dormiu tem perdão.
No ocaso, às 15 horas, você percebe o que lhe foi dito: é
diferente.
E esta voz não se cala, é a paixão.
E quando abandona nossa existência de lembranças, deixa
um brinco de estrela cravejado de brilhantes, para lembrar que ela (a paixão) não é o sol do dia nem as estrelas que povoam o céu.
Banimento não existe.
Somente luto, aflição, agonia, amargura, angustia, ansiedade, desgosto, consternação e dor.



Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠Você é meu amor, meu sabor de vida.

Inserida por EscritorErickpereira

⁠Todo tempero do mundo:
Carneiro com Hortelã
Pensando:
“Decidi encontrar com ele. Não posso mais voltar atrás e me
despir desse sentimento. Só quero o movimento desse amor, que sinto tanto, para guardar em minha memória e meu coração. Amar não é pecado, pecado é não amar e nunca decidir. E toda decisão, às vezes, não é pela paixão, mas pelo o que construímos pelo caminho.”
Eu criei tanta coragem e tantos anos para dar aquele telefonema.
Acho que meu erro foi ser ovelha, número quatro, depósito,
e ainda disse:
–Boa tarde!
E você, que nunca reconheceu minha voz, me disse:
– Quem é?
– Sou eu!
– Diga.
– Está ocupado?
– Estou esperando dois telefonemas.
Pensei: “Dois, começo de alguma conversa que pode dar
certo”. Mas você nunca acreditou em numerologia, silenciei.
– Pegue o calendário vamos nos encontrar.
E você atirou pimenta malagueta em meu rosto, disse:
– Capsicum bacctum, não enche o saco. Você é...
E não completou.
Continuei.
– Fale, gosto de saber dos meus defeitos para corrigi-los. Não gosto de charadas.
Acho que desistiu de dizer por que viu o que ardia em meus
anseios.
– Não gosto de brigar, entende?
E não estava ali para brigar, mas te beijar.
E disse que sim, mas eu não entendi aquela violência comigo
e as feridas se abriram, empanadas de pimenta malagueta. E tremia, mal consegui erguer e caminhar uma xícara de café com anis estrelado em minha boca.
Saí de tudo, fui até a janela para acreditar como fui
sobrevivente e aterrissei depois de tanta turbulência, como deixei de gostar de mim mesma.
Chorei.
E tudo escorreu calado debaixo daquele que nunca viu e
sentiu. Recolhi toda indigestão com minhas mãos que cheiravam a anis estrelado.
Pensei em Monteiro Lobato, íntimo naquela hora.
Toct passe - Tudo passa.
Toct casse - Tudo quebra.
Toct lasse - Tudo se gasta.
Naquele instante eu era outra substância e a minha energia e
transcendências ficaram presas em suas palavras.
Não fluíram.
Capsicum bacctum, pimenta malagueta, você esgalhado,
folhas ovais agudas e alternas, flores solitárias.
E eu cheirando à China, Illicium anisatum, erva doce de sete
ou oito cápsulas, comprimidas, avermelhadas e guardando uma semente:
“O sentimento”
Desistam: ISTO NÃO É RECEITA DE NADA.
Eu era uma vela, um tremular, uma intenção. Era a mesma,
mas havia mudado a substância e o tempero.
Deliberei.
Esmaguei anis estrelado com pimenta malagueta e muita
hortelã para aliviar.
Temperei o carneiro, era quase Páscoa.
Paz.
O resto exalava paixão.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠O Compasso do Vôo
Tocou um tango.
Ele levantou-se, saiu pelo salão, abandonou a mesa e a comunhão de todos que o cercavam e na multidão ele a viu; era ela todos seus dias, era ela todas suas noites.
Aproximou e disse:
— Dance este tango comigo.
Ela indignada com a transparência respondeu:
— Não sei dançar tango.
— Isto não importa, tango é uma dança masculina; comigo você não perde o compasso.
Ela levantou-se e viu o mundo em alto relevo descortinado acima de sua verdade.
Caminhou até o salão, petrificada, nem sabia como tocá-lo em público.
Ele providenciou o enlace. Pegou suas mãos úmidas e
geladas, segurou-as com firmeza e as trançou em seu corpo.
Ela sentiu seu movimento e desta vez não podia fechar os olhos, inalou seu cheiro sem poder beijá-lo, percebeu suas pernas fortes e não podia entrelaçá-las. E por um instante o vinho recém aberto a deixou tonta em um só gole.
Dançou, jogando seu ritmo nas batidas sufocadas suspiradas do bandónion.
Suspirou, puxou coragem e dançou aos olhos de todos. E no mundo emparedado ela viu o fio do prazer e com volúpia dançou esparramando todo seu desejo.
Neste instante, o salão foi inundado de um perfume fragmentado e indefinido da lágrima que escorre, do pensamento cheio de saudade, do prazer de sua voz e da incerteza do encontro frente à maciez do contato de seu beijo.
E todos perturbados com o banho de verdades em pétalas frente estes sentimentos, dançaram embriagados abraçando seus pares. E no amontoado esprimido do anonimato, eles os amantes, se perderam sem julgamento.
E nas asas do desejo e da imaginação emergiram na noite e no compasso fálico desse desejo onde mora a morna volúpia longe das paredes livres, perderam-se no horizonte em um vôo flutuante sem destino certo.
Onde a noite é suave ao adormecer, onde pairam e
pousam as almas amantes que se deitam para simplesmente amar.
Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury

⁠A Taça

Lá bem longe, onde o horizonte descansa e o vento faz a curva e a vista nunca alcança e imaginação descreve, tem uma cidade e no seio dela há um mercado que vende todas as intenções.
Há cheiros saborosos, paladares indescritíveis e ideias nunca despidas e negócios sem questão de pendências.
As portas se abriam ao último vento frio das madrugadas e se encerravam ao findar e ao tremular a última questão.
Junto ao burburinho ela adentrou a procurar algo mais que o destino guardara e o desejo não lhe proporcionara. Revirou não encontrou e na saída viu uma velha maltrapilha com uma taça cravejada de pedras preciosas, bordada com filigranas de ouro.
Teve piedade e se condoeu por ela, velha, sozinha e na sua bagagem somente a taça.
Foi depositar uma moeda em seu xale esparramado pelo chão e a velha sussurrou.
— Não preciso de esmola.
— Então me vende esta taça quanto custa? Quero ajudá-la.
— Quero uma morte digna, um teto cheio de palavras amorosas, ouvidos curiosos para que eu possa contar minha viagem e mentes sem julgamento para desdobrar minha bagagem.
— Mas o que esta taça guarda em segredo para que eu possa levá-la e a você em minha história?
— Se beber o que ela contém, terá a solução de todas as suas perguntas.
Respostas que nunca achará em livros e a inteligência de ninguém vai verbalizar para acalmar seu coração.
— Vou pensar, consultar as entrelinhas, volto logo.
— Estarei aqui, pode ir à diversidade desse mercado que não vai preencher seu coração.
Caminhou lentamente de coração vazio entre as sedas macias e esvoaçantes do mercado. Não se encantou com as suas cores alucinantes.
Colocou nos dedos anéis fabulosos de pedras facetadas e lapidadas mas que não contornavam nem de longe as curvas de sua insatisfação.
Observou os mágicos, mas sabia de todos os seus truques. Comeu quando o estômago desejou, mas não houve surpresa no seu paladar.
Sentiu o perfume absorvido de toda a ciência e alquimia, mas seus cheiros não descortinam nenhuma lembrança.
Ficou cansada, tinha que voltar, sua ausência estava expirando, voltou à velha:
— Eu compro esta questão.
E foram para casa e a viagem apenas começou.
Todas as manhãs, em sua cama profundamente macia em sua tenda com tudo o que era sua conquista, abarrotada de troféus dependurados e perfumados e os dedos cheios de anéis diplomados, bebia da taça e sua mente se abria, clareava e tinha a solução de todas as questões.
Mas o tempo soprou e as dunas mudavam de paisagem e o que era ontem, hoje tinha outra face e o que era absoluto ontem, hoje de nada valia e as questões iam e vinham, passavam mas não encontravam repouso, resolução não terminavam, caiam feito goteiras, cada dia em lugar diferente.
Ela se irritou; tudo tinha que acabar. Queria um mundo soprando fresco em sua face, absoluto, sem discussão de nada.
Foi à velha reclamar.
— Bebo da taça velha, todos os dias e quanto mais bebo mais goteiras perturbam minha calma, você iludiu meus pensamentos e minhas melhores intenções, onde mora a solução finita de todas as minhas angústias?
— Você tem que beber da outra taça.
— Onde está a outra taça?
— Eu bebi tudo o que nela continha e a manuseei tanto que ficou gasta, fina, transparente, trincou as bordas e a haste
esfarelou e virou areia que o vento do deserto sopra.
— Velha você me enganou e me vendeu ilusão. Qual a verdade que mora nesta taça ou vai me vender à prestações? Vá ao deserto agora e diga ao vento para juntar todos os fragmentos e monte outra taça porque eu quero beber dela.
— Isto é impossível! Não posso recolher palavras de uma vida, não posso relembrar de todos detalhes. Na verdade tudo que bebi habita comigo, me escute.
— Não tenho tempo.
— Então não tem sabedoria, "o saber” leva tempo saber: é uma consulta longa e o diagnóstico, a conclusão, é sem tempo exato.
— E o que faço com a senhora, a jogo nas esquinas?
— Eu sou taça, a sabedoria que você tanto procura não vai acalmar suas decisões e não vai ser taça se não me escutar. Vai ser areia triturada do deserto e nem vai saber onde ficar quando envelhecer: vai vagar, perambulando, rodopiando feito areia sem dar a ninguém o seu recado.
Tem que reescrever e solucionar todos os dias. Todas as horas. E o mundo vem, pisa em cima de suas intenções e você novamente reescreve. Deixa seu rastro. Sua Verdade. Sua Sabedoria. Sua persistência.
Por que quem vive muito, rejuvenesce nos ouvidos de quem escuta.
E o ou vinte amadurece.
Alcança cheiros, sabores, paladares indescritíveis, amadurece na procura e aprende que além dessa taça existe outra e esta não está à venda mas dela todos podem beber se você tiver fé na sua sabedoria.
Dentro dela há a esperança que encurta todos os caminhos.


Livro: Não Cortem Meus Cabelos
Autora: Rosana Fleury

Inserida por RosanaFleury