Rimas sobre a Juventude
A minha juventude partiu rápido, mas levou com ela o barulho da pressa para que finalmente eu pudesse ouvir o som da vida.
"A vida é feita de fases, e cada uma delas traz sua beleza: a juventude com seu brilho passageiro, a velhice com sua sabedoria; viver é aprender a valorizar cada instante como único."
1493
"Na Infancia e na Juventude, não eram carros, jogos ou brincadeiras com amigos que me atraíam. Eram as Meninas e a Escola. Isso, sim, me atraía... E nada mudou. Ainda gosto delas e de todas as Escolas!"
TextoMeu 1493
A juventude
A juventude perdeu o brilho
Perdeu o sentido
Perdeu o respeito
Antigamente a juventude tinha mais vida
A vida era bela
A gente brincava na rua
O tempo era lento
O riso era fácil
O abraço era casa
Hoje o mundo corre
Mas o coração se arrasta
Cheio de tudo
Vazio de essência
Não é que a juventude acabou
Ela só está ferida
Tentando existir
Num mundo que esqueceu de cuidar
Ainda há brilho — escondido
Ainda há vida — cansada
Ainda há sentido — esperando
Alguém chamar de volta
Saudade...
Que saudade bonita
Dos anos de juventude
Das baladas nas casas dos amigos
Dos sorrisos genuínos
Da liberdade e do sonho
Do primeiro beijo...
Nas névoas do passado
Minhas memórias me aconchegam
Ah que felicidade... era destemida,
De sofrimento não sabia
De peito aberto encarava a vida,
Sou resultado das minhas escolhas
Umas boas outras não sábias,
Mas sou o que sou
E agradeço ao Criador...
Cada dia uma nova oportunidade
Pois a vida é uma raridade
E deve ser valorizada...
Cada respirar é uma dádiva
Pois cada momento pode ser o último
E um dia seremos lembranças...
Que essa lembrança seja boa
E desperte sorrisos nas pessoas!
No primeiro orgulho da juventude e beleza, nossa atenção está focada em como somos vistas. Mas quando isso começa a se dissipar um pouco, quando entra em jogo aquele tempo bárbaro que vinga a pobre mulher miserável de toda a aparência que ela usava contra o homem tolo, nossa ambição passa a ser, então, como seremos ouvidas.
Há muito tempo, quando a juventude ainda coloria meus dias, entreguei meu coração a uma mulher incrível. Eu a amava com uma intensidade que as palavras mal conseguem descrever, mas o destino, em sua face mais cruel, traçou caminhos opostos para nós.
Naquele dia da nossa partida, senti como se uma parte vital de mim tivesse sido arrancada. O destino não levou apenas a nossa convivência; ele levou embora um pedaço do meu peito, que nunca mais voltou para o lugar.
Os anos passaram e o mundo mudou, mas, dentro de mim, o tempo parece ter estagnado naquela última despedida. Dizem que o tempo cura tudo, mas, para mim, ele apenas refinou a saudade. Hoje, sinto a falta dela com a mesma força do primeiro dia. Ela continua sendo a dona dos meus pensamentos e a protagonista de todos os sonhos que ainda insisto em sonhar.
Posso ter envelhecido, mas o homem apaixonado que eu era continua vivo aqui dentro, guardando a chama de um amor que nem a distância, nem o silêncio e nem a ausência foram capazes de apagar. Ela foi — e sempre será — o grande e único amor da minha vida.
Renunciou à juventude
Na primeira oportunidade
tomei o Expresso do Oriente,
subi no vagão do poema
com nossa aposta ardente.
Segue vigente o juramento,
aquele amor sem esquecimento:
que tudo nele tem o aroma
do cedro do Líbano.
No seu hálito se percebe
o da flor de laranjeira,
e assim continua sem limite
perfumando o caminho inteiro.
Levei na bagagem sutil
os jogos finos do querer,
para compreender aquele que foi fiel
e deu a vida sem temer.
Renunciou à juventude dourada
por uma Nação inteira,
entregou corpo, alma, mirada,
e o coração pela bandeira.
Ao deixar a juventude, ganhamos não apenas cabelos brancos, mas também sabedoria, a capacidade de olhar para trás sem arrependimento, de compreender que cada escolha moldou quem somos, e de valorizar os momentos simples que antes passavam despercebidos.
O tempo é um ladrão que nos rouba a juventude, a saúde e os amigos, mas que, ironicamente, nos deixa a sabedoria de que nada disso nos pertencia de fato. Somos apenas guardiões temporários de tesouros que a terra acabará por reclamar para si no final da jornada.
"Juventude e Silêncio da Alma:
O Despertar Espiritual em um Mundo Barulhento"
Há uma tragédia silenciosa que se alastra nas gerações mais jovens e não está nas telas, nas ruas ou nos ruídos que preenchem a existência moderna, mas sim no íntimo de corações que sentem demais, e por isso, sofrem. Em meio a um mundo que valoriza o imediatismo e a aparência, muitos jovens trazem dentro de si um clamor que não encontram palavras para expressar. São almas generosas, sensíveis, vocacionadas à luz, mas que se sentem deslocadas numa sociedade que parece premiar a superficialidade e o egoísmo.
O Espiritismo, como doutrina consoladora e racional, surge justamente como um abrigo para esses corações inquietos. Mas o encontro entre o jovem e o Espiritismo não é simples é, antes, um diálogo de almas: o jovem busca sentido, e o Espiritismo oferece luz; o jovem busca acolhimento, e o Espiritismo propõe responsabilidade; o jovem quer sentir Deus, e o Espiritismo o convida a compreendê-Lo pela razão.
Sob o ponto de vista filosófico, essa busca é o eco natural da alma imortal que, ao reencarnar num século de transição moral, encontra-se diante do velho dilema socrático o “Conhece-te a ti mesmo”. O jovem espírita de hoje é o novo filósofo da alma, pois precisa questionar o mundo sem perder a ternura, e indagar o sofrimento sem cair no desespero. Vive o conflito entre a sede de liberdade e o chamado da consciência, entre o impulso dos sentidos e a exigência do Espírito.
Do ponto de vista psicológico, o jovem moderno é o retrato de uma alma em reajuste. A ansiedade que o consome, a solidão que o acompanha e o vazio que sente não são apenas sintomas sociais são expressões de um Espírito em processo de amadurecimento moral. O mundo grita, mas o Espírito quer silêncio. O mundo exige máscaras, mas o Espírito clama por autenticidade. É nesse hiato entre o externo e o interno que se trava a grande batalha do ser. E o Espiritismo, ao oferecer-lhe a compreensão da vida espiritual, não o anestesia — educa-lhe a dor, dá-lhe sentido à espera, mostra-lhe que “muitas vezes, quando o coração mais se dói de solidão e ingratidão, é que está mais próximo de Deus”.
No aspecto moral, o jovem espírita é convidado a ser semente de renovação e não reflexo do mundo. A Doutrina não pede perfeição, mas coerência. É por isso que aos neófitos, àqueles que ainda tateiam os primeiros conceitos e, por desconhecimento, dizem algo anti-doutrinário, nós compreenderemos; mas aos que se dizem realmente Espíritas, por razão de estarem imersos em seu bojo transformador, nós lamentamos quando perdem o senso moral e o testemunho do Evangelho que professam. Porque o jovem que encontrou o Espiritismo tem o dever de não apenas falar sobre a luz, mas de acendê-la dentro de si.
O que o Espiritismo espera dos jovens? Que sejam sinceros, que estudem, que questionem, que sintam, mas, sobretudo, que vivam. Que transformem a fé em ação, a dúvida em pesquisa, o sofrimento em serviço. E o que os jovens esperam do Espiritismo? Que ele os acolha sem julgamentos, que não lhes imponha dogmas, que dialogue com sua dor e sua linguagem que lhes mostre que ser sensível não é fraqueza, mas uma das formas mais puras de força.
Ambos se completam: o Espiritismo precisa do coração ardente da juventude; e a juventude precisa da sabedoria serena do Espiritismo. Um é o ideal que ilumina, o outro é a chama que impulsiona.
Assim, a tragédia silenciosa da alma que sente demais pode tornar-se o prelúdio de uma nova era moral. O jovem que hoje chora em silêncio poderá ser o consolador de amanhã. Pois o Evangelho, quando verdadeiramente vivido, não pede aplausos pede entrega.
E quem, em meio ao barulho do mundo, consegue escutar a própria consciência, esse já começou a ouvir a voz de Deus.
"Velho é seu preconceito
Juventude é nossa fonte.
Cor é nossa luz
Raçã é nossa força"
Dia Contra Discriminação
Racial...
21 de Março
