Relógio Parado

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Lidar com a dor é entender que até quando um relógio quebra, o tempo continua passando.

Domingo de inverno

A chama do candeeiro guarda silêncio
enquanto os ponteiros do relógio
musicam as horas tardias
As noites dominicais
são sempre monótonas

O cortinado encandeia o clarão da lua
e matiza de cores sombrias
as velhas paredes do quarto
As noites invernosas
são sempre enfadonhas

Apanho um bloco de rascunhos
preenchido de frases mortas
e rabiscos sem sentido
A poesia nem sempre
surge na forma de versos

Confortado num velho cobertor de lã
versejo em pensamentos
sentimentos de tristeza
Os domingos de inverno
sempre inspiram melancolia

Como um relógio, darei muitas voltas, curtirei cada momento e saberei a hora de despertar. Não me preocuparei com o tempo, pois ele sempre vai continuar a seguir pro futuro. As vezes vou parar e precisarei de descanso, recarregar a energia. Vi, vejo e verei muitas pessoas passarem e olharem para mim, e confiarem na minha precisão. Mas se eu errar peço que me perdoem, pois até uma máquina perfeita falha. Vou trabalhar para que vejam que em algum lugar no tempo eu fiz parte da vida de alguém e esse talvez seja o propósito de eu estar aqui.

relógio que conta
a história da mulher
aquela que é feminina
ou feminista
por direito seu
por puro e belo prazer
por amor-próprio talvez
por amor a todos também
não desfaz de ninguém
inclusive dela mesma
não vive a esmo
tem sempre um propósito
divino e maternal
ela é especial à sua maneira
trabalha a vida inteira
tem seu lugar ao sol
e à sombra e água fresca
porque ela merece
com respeito e igualdade
não a leve na brincadeira
porque ela é séria
cheia de amor e alegria
não perca seu dia
achando que vai tirar
a sua plena felicidade
tudo tem sua hora
e nossa hora
um dia há de chegar!!!

relógio que nos mostra
a ferrugem em nossos pensamentos
sentimentos e atitudes
carcome até um sorriso amarelado
ou uma foto velha do passado
as memórias e lembranças
que por um motivo já se foram
antes enferrujassem os ferros do ditado:
"que quem com ferro fere, com ferro será ferido"
e deixemos de lado nossa ignorância
de pagar na mesma moeda
que ao meu ver
também anda enferrujada
não anda valendo nada
com esta atitude descabida
então lubrifiquemos
com as virtudes de Jesus
trabalhando sempre em prol do próximo
e de nossa melhoria espiritual
tiremos as ferrugens da alma e do coracao
só o amor deve nos devorar
da cabeça aos pés!!!

relógio que marca
o tempo de vida que me resta
o que ainda presta
será que vale a pena
levar uma vida como esta
não nasci com estrela na testa
nasci pra fazer a festa
tem quem sempre contesta
e também protesta
levo uma vida honesta
eu diria um tanto modesta
faço parte da floresta
e tudo Deus me empresta
os corpos das encarnações
passadas e desta
e tem quem ache que sou besta
a loucura me infesta
a dor
a alegria
a fé
a felicidade
tudo manifesta
e eu ainda tenho que engolir
gente indigesta
que a alma molesta
são atitudes que todo mundo detesta
inclusive eu!!!

relógio que conta
que é hora de começar o dia
recomeçar a vida
tomar café e atitudes
soprar para esfriar
o café e os problemas
para bem longe
e esfriar a cabeça
é hora de sentar e relaxar
respirar fundo
e (se) organizar
reorganizar as prioridades
atentar às necessidades
e levantar, agir e trabalhar
o seu interior
se dar o devido valor
com amor e com(paixão)
por nós e pelo próximo
e os segundos passam
na verdade voam
e deixemos de cometer
um segundo sequer de bobeira
aliás fique de bobeira
permita-se ficar a toa
só por alguns minutos
ou pelo tanto que valha a pena
tirar um momento
para tomar café com os amigos
familiares, ou simplesmente só
e somente
tome um rumo
tome um banho
tome uma iniciativa
tome as rédeas de sua vida
ou mande quem não te quer bem
tomar vergonha na cara
e vai ser feliz
pelo menos por um minuto!!!

relógio que conta
as belezas da vida
da alma
da natureza
do amor
do carinho
da paixão
da simplicidade
da ternura
da felicidade
da doçura
da maternidade
da fofura
sentimentos cheios
de emoção
tudo faz parte
desta arte
que é viver
e ter Jesus no coracao!!!

⁠O relógio não para nem por um segundo, cada avanço da tecnologia é o início do fim dos dias, falando assim parece até clichê de professora, prefiro a mensagem atemporal, a poesia, me enriqueço todo dia com o que o pensamento cria, manias são cirurgias no tecido, viver é perder o que mais tem valor: a vida, sempre te encontro nos reencontros de cada vinda, me perco quando me atrevo nessa corrida, cansei desse jogo, arrisquei meu pescoço quando falei do que ouço. Verdade é somatória de fatores e dideias confrontadas, premissas refutadas, desejos que somem no vento, consomem meu tempo, falei porque é um direito, não preciso ser um prefeito eleito pra gritar pro mundo o que carrego no peito.

⁠poema:Relógio atrasado fora dos sonhos.

O tempo passa,passou, e o relógio continuou contando suas horas atrasado como sempre assim como a mulher que deixou o belo homem esperando em uma mesa em um restaurante.
Sussurros tomavam conta do lugar mas o homem nem se importou apenas
esperou e sonhou.

A Última Faixa do Tempo


O relógio da vida não marca horas, ele risca sulcos invisíveis num vinil arranhado,
onde cada segundo é um riff esquecido,
e cada silêncio, um verso que nunca ousou ser refrão.


Na estrada dos sonhos, somos acordes dissonantes de um violão desafinado,
dedilhados por mãos invisíveis que já empunharam fuzis de flores
e apertaram corações até que se estilhaçassem em silêncio.


Há algo que não se nomeia.
Como aquela canção que te atravessa feito vento... Você sente, mas não entende.
Ela nunca chega na parte que você quer, mas deixa rastros:


O cheiro de chuva no asfalto quente,
um olhar que sangra como solo de violino em luto,
um arrepio que não vem do frio, mas da memória que insiste em doer.


Esperamos por isso como quem espera o "bis"
sabendo que talvez nunca venha,
mas ainda assim, gritamos o nome da banda,
como se o eco pudesse reverter o fim.
Porque há coisas que não voltam,
e mesmo assim, cantamos,
como se o tempo fosse só mais um verso mal interpretado.


E então, no meio da tempestade,
uma janela entreaberta,
a chuva batendo como palmas de um público ausente,
e uma xícara solitária no parapeito,
como se alguém tivesse pausado o mundo no exato instante antes do último acorde.


Ali, o tempo não corre, ele reverbera,
feito um lamento que recusa-se a findar.
Ali, o que não tem nome sussurra,
como um verso escondido no encarte de um disco esquecido.


Essa memória, teimosa, não escreve para lembrar, mas para manter viva a melodia
dessa canção infinita que não pode terminar
numa janela de vidro,
numa casa de madeira,
onde o som que ecoa… termina em C (Dó).

A vida é como um relógio quando para morre.

⁠Asa

Eu vivo como um cuco no relógio.
Não invejo os pássaros livres.
Se me dão corda, canto.

Só aos inimigos
Se deseja
Tanto.

Anna Akhmátova
Poesia da recusa. São Paulo: Editora Perspectiva, 2006.

Nota: Tradução de Augusto de Campos.

...Mais

Nem todo o relógio colocado no pulso funciona.

Me encontro preso em uma encruzilhada invisível do tempo.

O relógio marca 2025, mas dentro de mim ainda é fim de 2019...
Uma estação parada, como um trem que nunca anuncia a próxima parada.

Os sonhos parecem ter ficado esquecidos em algum banco de praça, e os planos, esses, dissolveram-se como papéis molhados pela chuva.

Ainda há ecos de 2017: perdas que, mesmo antigas, insistem em deixar cicatrizes frescas.
E a cada lembrança, meu peito se encolhe, como se fosse possível recusar-me a respirar o ar do presente.

Para completar a ruína, 2021 foi um golpe que não cicatrizou...
Um luto que não se fecha, uma ausência que continua presente, como uma cadeira vazia sempre posta à mesa.

No meio de tudo isso, a vida não parece andar, mas também não se entrega ao fim.
É um estado suspenso: um corpo que respira, mas não sonha; um coração que bate, mas hesita em acreditar.

Às vezes, entre um silêncio e outro, surge a pergunta que não se cala:
"O que eu faço agora?"
Mas a resposta nunca vem.

E o tempo segue...
Implacável, indiferente, carregando anos como quem carrega malas pesadas em um corredor sem janelas.

Talvez o que falte não seja um plano, mas o primeiro passo.
E o futuro ainda não tem forma porque, em algum lugar, o passado ainda pede para ser chorado por inteiro.

E esta pessoa, que aqui escreve, mas que poderia ser qualquer um que agora lê, permanece entre o ontem que sangra e o amanhã que não ousa nascer.

"No pulso, o relógio brilha, na mente, a correria."

⁠O tempo é um relógio que bate ao prolongar da vida tic tac invisível, mas uma coisa que aprendi com os girassóis é que até a espera se transforma em luz.

Vida sem Cor
Uma vida que já não faz sentido,
flutuando nas nuvens,
fora do relógio,
fora do tempo.


Sem nada,
sem cor,
sem lugar.


Uma vida que já deveria ter sumido,
mas eu a prolongo,
para chorar mais,
para sofrer mais.


A vida é complicada,
sem chão,
sem rumo,
sem dó de me ferir,
sem piedade de me quebrar.


Às vezes algo me faz sorrir,
me faz querer ficar,
mas ainda assim dói,
dói muito viver
tão miseravelmente.

O relógio é justo: ele dá 24 horas a todos, mas só os sábios transformam cada segundo em coisas importantes.

⁠Bom dia…

Que o coração desperte antes do relógio,
que a fé seja a primeira a se servir.
Que o amor esteja no café,
nos gestos pequenos,
nas palavras que aquecem e acolhem.

E que, entre um gole e outro da vida,
a alma se lembre:
a esperança se renova no simples.

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna