Relicário
velho relicário
eis o cântaro de encanto,
no recanto de meu cântico.
relicário de mais fino alabastro
mais precioso que carrara.
encaro verdadeiro astro
em trabalho de fino traço.
onde todo me embaralho.
é onde agasalho suas cartas
de antanho com olhar tristonho.
às vezes repasso passo a passo,
seu perfume, seu ciúme, seu abraço,
lembrando o tempo desvairado no espaço.
recorda-me seu sorriso malicioso, seu vestido
vermelho, tingido pela lenha lanhada lá no fogoso
fogo fumegante, defumado, muito amado e relutante.
seu cabelo repartido, esvoaçado pelo vento no evento
por mim neste momento imaginado ao olhar o firmamento
de um lado alado muito além deste tormento, lamento ver
este lado magoado de nosso convívio passado, porém,
muito além do que seja o vil vislumbrar dum casamento
eternizado neste exato momento. não ligue minha
flor, são meus velhos pensamentos a recordar
dulcíssimo amor, porém, ao que faço digo
amém ao me abraçar a este alabastro,
cântaro como canto de belo pássaro
a conter minha ilusão qual o tempo
não apaga de seu templário a relíquia
de velho e amenizante cenário qual amante
ama na ilusão de um dia refletir o flamejante
encontro em algum canto deste atormentado
coração amante, afeito pela velhaca sensação.
“Sonhar é viver."
Não tá guardado em um relicário protegido a sete chaves, todo mundo sabe que sentimento tem que ser cultivado.
RELICÁRIO DE UM ANJO
... Meu querido Anjo-Huguinho
Há sete infinitos dias você partiu.
Ah! Quanta saudade, quanto ardor!
Hoje, Mamãe veio te trazer uma flor,
Uma Flor colhida no Roseiral de Amor
Que em mim você deixou plantado!
Lembras quando aqui chegaste
Naquela tarde linda de Primavera?
Chegaste cheirando a jasmim...
Parecia até que estávamos em um jardim
Onde girassóis sorriam para mim
Com suas grandes flores amarelas.
Agora entendo meu Anjo-Menino
Ali tua história estava sendo descrita,
Tua missão a mim sendo revelada:
Vieste para ser meu Jardineiro; eu, tua Fada,
A tua flor mais querida e mais amada,
A Rosa que te embalaria nos braços...
Hoje quando o silencio gritou tua voz
Ouvi o meu desolado coração dizer:
Huguinho foi mais que um Jardineiro
Foi ele o teu Menino, o Anjo faceiro
Que te ensinou o Amor Verdadeiro
Que ora floresce dentro de ti.
Assim se fez, cumpriste tua missão!
Contigo vivi os momentos mais dourados
Os mais primorosos anos de minha vida
As mais floridas sensações vividas!
Até que de repente veio à dor da despedida
Que a flecha do destino me reservou.
Teu Pai te manda mil beijos de Saudade
Cheios de mimos, carinho e ternura!
E um Tríplice-Fraternal-Abraço caloroso!
Tu que foste um filho querido e amoroso
Deixaste nele o sagrado perfume afetuoso
Das mais belas flores-amarelas de Acácia.
Teus avos, manos, tios e tias, teus padrinhos
Os vizinhos e toda tua primarada
Também estão aqui chorosos de saudade!
Você que nos trouxe tanta felicidade
Que nos uniu em plena cumplicidade
Jamais se apagará de nossas memórias.
... Meu querido Anjo-Huguinho
Muito obrigado por ter me escolhido...
Eu, entre tantas mulheres fui à agraciada
A Mãe mais feliz e a mais acariciada
Por tuas mãos pequeninas enviadas
Por Deus para nos abençoar!
Deixa agora eu te ninar pra dormir
Papai e Mamãe estarão sempre contigo
Aqui, nas estrelas, no além do infinito,
Na luz, no silêncio, na Matéria ou no Espírito,
Estaremos sempre juntos meu pequenito.
Dorme em Paz meu Anjo-Menino
Beijos de Amor Verdadeiro
De tua Mamãe Bennia e teu Pai Andrés
Poema em Homenagem ao pequeno Hugo Caresto Castro Heufemann,
que cedo atravessou o grande Rio da Vida, transpassou o Espelho,
retornou a Casa Celestial do Eterno.
* 19/04/2017 - † 19/05/2020
Relicário de meus delírios
Súbito desejo
Corpo alvorecer
Em sã loucura
Relicário de meus delírios, lírios.
Tua vida vivo a viver, ver.
Em você, tua paz perdida
De desejo a merecer, tecer
Tuas mãos sobre mim
Acalentada estará,
Tua boca faz-me suar, suave.
Quando me vês, te vejo.
Quando observas o profundo de minh'alma
Com teus olhos bonitos, livros
Escrevo a você, pra ver
Só você, vai ler
Nas páginas de meu interior, amor.
Relicário
nos demais
envelhecer ou morrer de acidente
causa natural
da busca
do medo
do espanto encontro
ou simplesmente
da simplicidade das coisas que
com tanta eficácia e eficiência
além ou aquém das dificuldades
naturais das coisas
edificamos
ou não
Relicário
[...]eu gosto de ver o que eu amo em você.
O que eu gosto de ver,
Você quer saber?
Os seus olhos,
Que cativa meu olhar.
O seu rosto,
Que em ti me faz pensar.
Seus cabelos,
Que negros como diamante.
Seu sorriso,
Que me deixa ofegante.
Seus lábios,
Que tornou-se minha delícia.
Suas mãos,
Que me devolvem a carícia.
Seus pés,
Que acham minha direção.
Seu corpo,
Que me faz arder de paixão.
Seu coração,
Que pra mim é inigualável.
Seu amor,
Que nesse mundo é inestimável..
Relicário
O último beijo
A última chance
O último suspiro
Meu primeiro pranto, de tantos
Depois daquele adeus, meros conhecidos
Mas já fomos amantes, constantes
Incontestáveis delírios de amor
Amor que escorria pelos dedos e refletia nos olhos
Desejo, fome, obsessão
Meus dentes rangem minha saudade
Meu corpo exala teu suor
Como se estivesse aqui
Sem nunca ter ido
Como se fosse a primeira vez
Sem nunca ter sido
Mas foi
E num silêncio gritante
Se foi
Na memória ficam alojadas as lembranças, boas ou ruins, que o tempo talvez apague. Mas no relicário da alma, o digno relógio, ficarão pra sempre gravados independente de nossa vontade, gestos e palavras que só a terra apagará.
O RELICÁRIO DE VIVÊNCIAS
Ao pé da colina das Esmeraldas desvanecidas,
Contemplo o fluxo oceânico
De Sáfaras, Opalas, Ametistas, Safiras, Jades, Pérolas e Turmalinas
Fluir infrenemente em direção
A uma enigmática neblina.
Como que insólita
E miraculosamente
Minha humilde perspectiva
Abissalmente se amplifica:
Enxergo, de forma nítida,
No âmago da densa e calma
Massa gasosa de naftalina,
A sorumbática chegada,
A horrenda masmorra,
O aterrador cadafalso,
A lancinante calmaria,
A iminente, ineludível e fatal partida.
Então sôfrego
Para que as aquarelas,
Auroras, auréolas
E noites da etérea primavera
Refluam-me novamente
Ao córtex de um niilista sem cura,
Vou ao encontro da cordilheira
Das minhas chagas abertas e devolutas
Pois suplantam toda ou qualquer agrimensura.
Ah, na verdade,
Como eu gostaria de que estas lembranças
Rapidamente se dissolvessem igual a gelo
Sob o efeito do inclemente sol do Saara.
No entanto é uma leda vã ilusão sádica:
elas agem conforme fossem Antártida intacta!
Chato
Surpreendente
Nato
Pra frente
Divino
Necessário
Coisa de menino
Relicário
Sem igual
Dominador
Há milhões de adjetivos
Para o amor
Entre todos que conheço
Seja qual adjetivo for
Lembra -me sempre você, desde o começo
Simplesmente, meu amor.
Como Cássia e Nando
Dizem em Relicário
“O mundo está ao contrário
E ninguém reparou”
Foi só nos profetas
Dos que tem a voz bonita
E que tange bem
Que eu encontrei
Palavras justas
Como está escrito em Ezequiel
No dia a dia de fato
Eu não tenho encontrado
Nenhum justo
Ninguém que seja casto
Só as crianças
E com suas exceções
Até aqueles(as)
Que se dizem perfeccionistas
Que se acham
Perfeccionistas
Não acreditam de fato
Nem de ato
Na perfeição
Esse não é o objetivo da vida deles
Está escrito
“Sede perfeitos
Pois Deus, é perfeito”
Se sabe disso
Mas ninguém toma como objetivo
Não pregam isso
Nem de fato, nem de ato
E eles dizem que conhecem a verdade
Também está escrito
“Sede santos
Pois Deus é santo”
Aí então
É que eles recusam
Estão tão afundados
Na sua pecaminosidade
Que não vêem lógica nisso
Mas eu ouvi alguém dizer:
[Mesmo que a santidade seja impossível
Não é impossível procurar ser.]
Pior ainda
É não passar pela porta
E dizer que ela tá fechada
Pra quem quer passar
Mas eles não sabem
Que independe deles
Os que passam por essa porta
Tem um segredo inefável
Jesus…
Que vocês tanto dizem acreditar
Disse ele mesmo
“O que parece impossível aos homens
É possível
A Deus”
Não se esqueça também
Que Deus
Tem os seus santos
Sempre teve
E sempre terá
Mesmo nesse mundo aqui
Ele tem
Os seus ungidos
E sempre vai ter
E esses sempre terão
Deus como pai
Mas tem um segredo
Que eu vou te contar
O mundo não acredita em santos
Mas quem é santo acredita
É claro!
É claro também
Que não são todos
Que passam por essa porta
Ela é pra quem ela é feita
Somente pra esses
E está escrito
Que nos últimos dias
Até mesmo lá
Haveriam santos
Chamados escolhidos
E primícias
Para Deus
Cada um sabe da sua vida
Só que como ainda
A bíblia também diz:
[Tem gente
Que conhece a tudo e a todos
Mas ela mesma
Não é conhecida por ninguém.]
(Ou seja,
Ela não é esquadrinhada por ninguém)
E tenho mais pra dizer
Esse tipo de Gente
É muito incompreendida
Não é fácil a vida
Para um ser de luz
Também como são chamados
Os Filhos da Luz
Humanos reservados para esse propósito
Mas como disse um outro profeta
De voz bonita
E que tange bem
“Nós cortamos o nosso dobrado
Acertamos o nosso pecado
Ninguém pergunta mais depois que já pagamos”
[Assim é a vida]
RELICÁRIO FILOSÓFICO.
"Amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio".
(Khalil Gibran).
Saúde, Luz e Paz!!!
Transforma meu corpo em relicário do teu toque. Me marca com teus dedos, com tua pressa, com tua ausência depois. Que eu seja cicatriz e não lembrança — algo que dói, mas não se apaga.
Relicário
Animado com a nova compra,
abre a caixa branca,
geométrica,
como relicário:
retira plástico, papel, película
que recobre o produto, manual,
tomada, fone e tela de vidro.
Ligado em 127 volts, é o primeiro
olá que recebe hoje.
RELICÁRIO DO AMOR
Hoje, parando para pensar
A beira da janela me sentei,
olhando a fina chuva cair
recordei, revivi pedacinhos
de felicidade...
Guardo em meu peito, com um
lugar cativo em meu coração.
Minha caixinha de tesouros...
Onde estão todas as alegrias,
multiplicadas a cada ano...
Onde moram os meus sonhos.
Meu relicário do amor.
Traduções da minha essência,
meu viver, as flores que colhi
As emoções que vivi...
Da menina à mulher.
A descoberta do amor
O primeiro beijo, o levitar...
Meu encontro com a poesia.
Palavras não conseguem descrever,
a sensação destes momentos.
ao tempo...
deixei ele de lado
para viver no relicário.
o tempo passa
e a flor sempre será flor
sua natureza é embelezar.
Guardar-te-ei no relicário, onde guardo os meus tesouros como uma semente de promessa, um sorriso de primavera, um raio prateado de luar. Para quando o desfolhar das lembranças se fizer outono em mim, eu possa sentir-te na intimidade da pele em notas sussuradas de saudade. Essa saudade miúda que como mistério permanece latente, pulsando e mantém-me tão intimamente ligada a ti, como um grito silencioso que ficou preso na garganta da memória.
R E L I C Á R I O
Ontem eu arrumei o armário.
Ontem eu revirei todo o relicário.
Recordações do nosso amor.
Você estava tão linda.
Ontem foi dia de saudade.
Ontem eu reencontrei a felicidade.
Recordações do nosso amor.
Você presente em todas as minhas canções.
Ontem eu resolvi voltar.
Ontem eu tive certeza de qual o meu lugar.
Recordações que me levam até você.
Você presente em todas as canções.
Eu decidi que vou voltar pro meu lugar.
Relicário do Tempo
No âmbar do tempo, há portais escondidos,
vestígios de astros, de passos perdidos.
O agora, que vibra em tão tênue espessura,
é sombra de outrora, é veste de altura.
Caminho em espiral sob cúpulas mudas,
em ruínas de horas, em casas agudas.
O tempo não passa — ele gira, ele espreita,
esculpe memórias na carne desfeita.
Se tento prendê-lo, escorre em minha mão,
mas volta em silêncio no sonho e no chão.
Se falo seu nome, ele cala em mistério,
oculto nos traços do mundo etéreo.
Talvez seja templo, talvez seja abismo,
ou um deus que se veste de ritmo e cismo.
Mas sigo seu rastro com olhos fechados,
ouvindo relógios nos céus enluarados.
Pois sei — mesmo quando se parte e se finda,
há algo no tempo que nunca rescinda.
Um fio, uma trégua, um véu de infinito,
que dança, que some… no velho labirinto.
