Reino
Num abrir e piscar de olhos, o Reino escatológico de Deus que Jesus inaugurou no
Novo Testamento
(Mt 3.2; Mc 1.15), será consumado.
Evangelho de fariseus??? O Reino de Deus virou negócio??? Tem que ser muito alienado e raso biblicamente para engolir esse espantalho marxista. Os fariseus sempre foram e sempre serão inimigos do Evangelho de Jesus Cristo; e o Reino (βασιλεία-Governo) que é de Deus é inegociável! O que deve ser denunciado são os mercenários da fé que distorcem a mensagem do Evangelho como já prevista por Jesus e os Apóstolos.
São muitos que buscam as bênçãos do Reino de Deus sem compromisso e comunhão com o Rei desse Reino.
Quando o Cristianismo estava surgindo, o foco era em Jesus Cristo e em seu reino — não na teologia. Para ficar claro, existem doutrinas fundamentais que os cristãos sempre consideraram essenciais à fé. De algum modo, porém, as coisas vistas como essenciais cresceram de umas poucas frases para uma longa lista de princípios teológicos, muitos deles desconhecidos dos primeiros cristãos.
Arminianismo Brasil
Foram as autoridades religiosas, em primeiro lugar, que se opuseram ao Reino de Deus nos dias de Jesus e assim tem sido desde então. Quando uso o termo teólogo (...), estou me referindo à elite da academia e seus discípulos que se posicionam como os intérpretes oficiais das Escrituras. Minha crítica se dirige aos elitistas que reivindicam para si o direito de interpretar as Escrituras, ao passo que o negam aos outros. Volta-se também para os acadêmicos arrogantes e para as autoridades eclesiásticas que imaginam compreender melhor o Novo Testamento do que os cristãos que viveram perto da época dos apóstolos.
Os teólogos estão destruindo o cristianismo do reino de dentro para fora com eficácia. Aliás, eu não ficaria surpreso se os cristãos do Reino de hoje perdessem a maioria dos ensinos de Jesus sobre o reino no decorrer de uma ou duas gerações.
Nós, cristãos do Reino, podemos aprender a enfrentar de pé os valentões teológicos da atualidade. Todavia, para ter condições de fazer isso com eficácia, primeiro necessitamos aprender como era o Cristianismo no início e como os teólogos assumiram o poder. Também precisamos entender os meios que os teólogos usam em nossos dias para abafar o testemunho do Reino encontrado na Palavra de Deus. Quando compreendermos essas coisas, não será difícil para nós desmascarar a maioria dos teólogos como os impostores espirituais que costumam ser.
Em suma, o Reino funciona exatamente como Jesus disse que seria. As pessoas desprezadas pelo mundo por serem tolas e ignorantes são exatamente aquelas que têm compreendido melhor o Reino de Deus. E, em geral, aqueles que o mundo exalta como brilhantes são os que mais têm dificuldade em compreender as verdades simples que Jesus e seus discípulos ensinavam.
Os cristãos do segundo século continuaram a serem filhos do reino. Eles ainda reconheciam que os ensinos de Jesus — não de Paulo — eram as colunas centrais do Cristianismo. Quando queriam explicar aos não cristãos o que era o Cristianismo, os cristãos do segundo século iam direto para os ensinos de Jesus.
Lutero levou o Cristianismo institucional um passo mais longe do Reino de Deus do que qualquer teólogo que o precedeu. Nenhum deles havia transformado Paulo no grande mestre do Cristianismo. Nenhum deles tinha colocado Paulo acima de Jesus.
O Evangelho do Reino ensinado por Jesus Cristo e pelos Apóstolos não permite que o calvinista escape do fato que, assim como Deus ordena a toda à humanidade “amar o seu próximo como a si mesmo”, Deus também ama genuinamente toda humanidade.
Todo aquele se autodenomina cristão deve desenvolver uma mentalidade de Reino de Deus: não se esquecer da brevidade da vida; não se esquecer de que existem milhões de pessoas que estão entre o céu e o inferno todos os dias; não se esquecer de que o amor ao dinheiro desemboca em morte espiritual; não se esquecer de que a busca pelos tesouros da terra não podem preencher o vazio existencial que há em cada ser humano depois da queda; e por fim que, nossas obras serão provadas pelo fogo (1ª Co 3.13).
A Evolução Anímica do Princípio Espiritual no Reino Mineral.
No Evangelho, encontramos a orientação segura de Jesus ao afirmar que Deus trabalha incessantemente. Uma das manifestações permanentes da Divindade é a criação contínua de princípios espirituais. Convém esclarecer que somente no estágio hominal, quando o ser adquire a razão, é que recebe propriamente o nome de Espírito, entendido como “os seres inteligentes da criação” (O Livro dos Espíritos, questão nº 76). Até esse ponto, fala-se em princípio espiritual, ainda em desenvolvimento nos reinos da Natureza. Essa compreensão harmoniza-se com as descobertas científicas modernas que apontam o Universo em constante expansão.
A física contemporânea, em especial a mecânica quântica, tem revelado que a realidade última da matéria é energia. Assim, na essência, o Espírito pode ser compreendido como energia espiritual em processo de evolução, criada por Deus para uma trajetória ascensional rumo à plenitude.
Segundo a Codificação Espírita, o princípio espiritual é criado simples e ignorante, sem complexidade, e percorre longos períodos de aprendizado nos reinos inferiores da criação — mineral, vegetal e animal — até alcançar a individualização, o despertar da inteligência e, posteriormente, do senso moral (O Livro dos Espíritos, questão nº 607-A).
Em nosso estágio atual de evolução, permanece um enigma a forma exata pela qual Deus cria o princípio espiritual e como este se manifesta, inicialmente, no reino mineral. Os Espíritos Superiores demonstram cautela ao abordar o tema, reconhecendo a limitação da linguagem humana para expressar processos que transcendem nosso campo de percepção. É, contudo, plausível supor que, com o avanço da ciência, novas luzes possam auxiliar na compreensão desse processo inicial.
A benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, em Iluminação Interior, esclarece:
> “Manifestando-se em sono profundo nos minerais através dos milhões de milênios, germina, mediante processo de modificação estrutural, transferindo-se para o reino vegetal...” (cap. “A Divina Presença”).
No mesmo sentido, Emmanuel, em O Consolador, sintetiza a marcha evolutiva:
> “O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade.” (questão nº 79).
Essas orientações revelam uma continuidade perfeita com os princípios expostos por Allan Kardec. Não há contradição, mas harmonia com a Codificação. Quando Kardec registra em A Gênese (cap. XI, item 10) que “Deus jamais uniria um Espírito a uma pedra”, refere-se ao fato de que o Espírito, já em estágio de razão ou em estágios mais avançados de individualização, não pode regredir ao reino mineral. Tal retorno seria incompatível com a lei do progresso.
Gabriel Delanne, em Evolução Anímica, oferece uma analogia esclarecedora: no reino mineral, o princípio espiritual conquista a “solidez”, símbolo da estrutura inicial que possibilitará o desenvolvimento ulterior (cap. II). De modo semelhante, o Espírito Camilo, na obra Nos Passos da Vida Terrestre (cap. I), pela mediunidade de José Raul Teixeira, confirma que o “átomo primitivo” referido em O Livro dos Espíritos (questão nº 540) corresponde ao átomo da matéria cósmica primitiva, ainda não plenamente conhecido pela ciência humana.
No capítulo XI da segunda parte de O Livro dos Espíritos, os Espíritos Superiores explicam:
> “É nesses seres, que se está longe de conhecer plenamente, que o princípio inteligente se elabora, individualiza-se pouco a pouco, e ensaia para a vida...” (questão nº 607-A).
Dessa forma, fica evidente que a elaboração do princípio espiritual inicia-se já nos reinos inferiores, o que naturalmente inclui o mineral.
A sequência evolutiva descrita pela Doutrina é coerente: após estagiar no reino mineral, onde o princípio espiritual se submete às leis de atração e repulsão, adquirindo estrutura e solidez, ele progride para o reino vegetal. Nesse estágio, começa a experimentar funções mais complexas, como a sensibilidade rudimentar, a respiração e a vitalidade orgânica. Posteriormente, no reino animal, desenvolve instintos e as primeiras manifestações de inteligência, preparando-se para alcançar a razão no reino hominal.
Essa progressão encontra ressonância na síntese poética de Léon Denis em O Problema do Ser, do Destino e da Dor:
> “Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.”
Em complemento, poderíamos dizer que, no reino mineral, o princípio espiritual repousa em estado latente, estruturando-se energeticamente para as etapas subsequentes.
Ao refletirmos sobre a afirmação de Joanna de Ângelis em Iluminação Interior — “Deus prossegue criando sem cessar. O Seu psiquismo dá nascimento a verdadeiros fascículos de luz, que contêm em germe toda a grandeza da fatalidade do seu processo de evolução” — compreendemos que cada ser é expressão do Amor divino em marcha para a perfeição relativa.
Assim, confirmam-se as palavras do apóstolo João: “Deus é Amor” (1 João 4:8). Somos frutos desse Amor infinito e estamos destinados à angelitude, cabendo-nos, na atualidade, acelerar nossa evolução pelo esforço consciente na busca da verdade e da prática do bem.
Referências:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Edicel.
KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de José Herculano Pires. São Paulo: Edicel.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Emmanuel). O Consolador. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB.
FRANCO, Divaldo Pereira (pelo Espírito Joanna de Ângelis). Iluminação Interior. Salvador: LEAL.
TEIXEIRA, José Raul (pelo Espírito Camilo). Nos Passos da Vida Terrestre. Niterói: Fráter.
DELANNE, Gabriel. Evolução Anímica. São Paulo: FEB.
DENIS, Léon. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Rio de Janeiro: FEB.
XAVIER, Francisco Cândido (pelo Espírito Humberto de Campos). Boa Nova. Rio de Janeiro: FEB.
Não herdarão o Reino de Deus os mariólatras, luteralatras, calviolatras e arminialatras; somente os cristocêntricos o receberão.
Êx 20.3; 1 Co 6.9,10
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