Reflexão sobre a Morte
se olhar de perto
vai ver que nada é certo
que nada é absoluto
que somos seres repletos de lutos
das coisas que perdemos
e ainda não sabemos
se chegar mais perto
verá que tudo é frágil
que somos substituíveis
até das coisas que não são visíveis
e só aproveitamos a festa
quando já temos de ir
Não existe termômetro para medir a dor da perda, e nem palavras que conforte a ausência de quem se ama de verdade.
A colheita
Ceifado foi
a mando do seu senhor.
No canavial que trabalhava
uma emboscada lhe fizeram
enquanto sua boi acomia
a luz do meio-dia.
Gritar não podia,
lutar não conseguia,
teve suas mãos e pés amarrados
como um Cordeiro a ser imolado.
O facão amolado
a cana não cortou
mas, sim, o pescoço do escravo o degolou.
O sangue encharcou a terra seca
pois a chuva lhe faltou
e o sol foi sua sua única testemunha
nessa covardia tamanha.
O seu corpo foi enterrado
numa vala comum
e uma cruz lhe puseram
com o nome João de Jesus.
Esse fato aconteceu
e entre os seus
ninguém ousa comentar.
Que isso lhes sirvam de lição!
disse o Capataz
a quem não obedece o seu patrão.
Resta aos negros
cantarem uma canção
de saudade e de esperança
até que chegue o dia da libertação.
Milhares de mortes. Só 15% do país vacinado. Um ídolo jovem morre. Desemprego. Fome. Necropolítica. Governantes corruptos. A saúde mental geral ferrada! Psicoterapia é um luxo pra poucos. Hoje o desafio é tentar não morrer...
O Dia de Finados nos lembra que a única forma de nos tornarmos eternos é nos mantermos vivos nas lembranças e nos corações das pessoas que nos amaram e junto conosco construíram eternidades.
As pessoas que amamos, nunca partem, habitam eternamente nos nossos pensamentos e no nosso coração.
A sua presença é uma parte do reflexo da pessoa que se vê ao espelho.
Antes do sol se pôr
Dormiremos
Sem nenhuma dor...
Em paz
Sem medo
Sem choro nem pesar...
Para com o infinito
Sonhar
E não mais despertar.
Dizem que, nada que diga vai minimizar a dor da perda de alguém. Mas pensando sobre isso, acho que só morrendo para curar a dor de perder alguém.
"Do que vale a salvação ou a condenação, se céu e inferno são estados de consciência, que num dado instante, numa zona espiritual, seja lá o que exista, não estará guarnecido de memória, munido de consciência de quem foi, do que fez, do que deixou de fazer?"
A vida resume-se em uma frase: continuar seguindo em frente, recuperar do que passou, se preparar para o que virá. Seja forte para cair novamente e se levantar rápido o suficiente para não deixar nenhum momento da sua vida passar.
Às vezes as pessoas vêm ao mundo com o tempo contado; cronometrado, porém, suficiente para nos ensinar uma lição, para nos fazer acordar para a vida impulsionada pela infelicidade de um último suspiro...
- Vive o teu melhor, hoje!
Saudade eterna de Lorena.
O ano de 2020 teve um início, teve um meio, mas talvez nunca tenha um fim. Dos anos mais difíceis, com certeza, esse ano foi um dos campeões. Campeão das angustias e das incertezas.
O dia 31 de dezembro vai chegar, mas 2020 dificilmente irá embora, ele ficará por muito tempo nas conversas, nas lembranças, na história de cada um que viveu e sobreviveu a esse momento. Até que um dia, quando tivermos bem velhinhos, vamos comentar: você lembra de 2020? eu estava lá!
O ano em que os calmos ficaram estressados e os otimistas ficaram pessimistas. Um ano estranho, mas de muito aprendizado.
Onde pessoas se afastaram, mas também se conectaram.
Um ano de suspensões, reduções, demissões, mas também de promoções.
O ano onde muitas máscaras caíram, mas também onde muitas máscaras salvaram. E no meio dessa tempestade, novas pessoas nasceram. Em busca de uma calmaria, boas pessoas se foram. E em meio a orações, outras pessoas ficaram.
E hoje, fugindo de um cansaço e desânimo, buscamos um pedacinho de esperança e desejamos a todos um Feliz Natal e um Ano Novo que não precisa nem ser próspero, mas que seja novo e que, no final do ano, ele termine. Diferente de 2020, o ano que teve um início, um meio, mas que nunca terá um fim.
Em 130 anos nem você e nem ninguém que está vivo, hoje, existirá mais no planeta.
Em 130 anos, as pessoas que lhe incomodam, as preocupações que lhe tiram o sono, a ansiedade que lhe rouba a paz, a vaidade que lhe cega, o orgulho e a arrogância que corroem a sua alma… nada disso existirá mais.
Porém, em 130 anos, o sol continuará brilhando, as ondas do mar continuarão indo e vindo, o vento continuará soprando, a chuva caindo, as árvores crescendo, a lua iluminando, ou seja, a simplicidade que nos rodeia todos os dias, ainda estará aqui.
E essa simplicidade nos prova que sempre será mais forte, mais sólida e duradoura do que todas as futilidades passageiras que damos tanta importância e que nos deixam tão presos a uma vida tão complexa.
Aproveite a oportunidade de estar vivo para se apegar ao que realmente é duradouro e importante, pois por um milagre você ganhou uma passagem para conviver e apreciar, durante um curto período, os outros milagres do universo.
Então, viva o simples e se divirta ao máximo, lembrando que amanhã você pode estar morto. Mas, também, seja sempre grato por tudo, principalmente pelo fato de amanhã você poder estar vivo.
Grandes tragédias sempre trazem à tona muitas reflexões de quão frágil a vida é.
Mas realmente precisamos nos deparar com situações tão tristes e inesperadas para nos questionarmos de como a vida pode acabar em um piscar de olhos?
Ficamos por um tempo reflexivos, pois grandes tragédias esfregam na nossa cara, aquilo que já está muito claro e que é a única certeza da vida: A MORTE.
Não podemos esquecer que vivemos em uma grande fila de espera, na qual não sabemos quando seremos escolhidos, mas temos a certeza que seremos.
Então, não espere uma tragédia acontecer para você valorizar o que realmente importa. Pensamentos, desejos e sentimentos ruins você escolhe carregar na sua fila.
Escolha caminhar com bons pensamentos e com desejos e sentimentos que lhe tragam sempre paz e harmonia. Mas faça essa escolha agora! A fila está andando e o próximo escolhido pode ser você.
Vida morta: mate-a e viva!
Viver até que um dia venha a morrer;
Florir para no fim de uma tarde murchar;
Ajuntar até que um tempestuoso vento termine por espalhar;
Construir para a constante ação do vento corroer.
Crescer pra desgastado e cansado, envelhecer;
Sorrir até que o desencantamento leve a entristecer;
Lutar para ao fim exaurido e vencido, se entregar;
Amar até que desiludido do sonho, acabe por odiar.
Corroer a flor até que novamente torne a sorrir;
Destruir o ódio para que purificada a alma, cresça o amor;
Murchar o rancor até que em relacionamentos possa confiar;
Perder o medo para fazer recomeçar um fulgurante viver.
Morrer o desencanto até que em um momento consiga voltar a sonhar;
Amadurecer o interior para fortalecido continuar a lutar;
Espalhar a tristeza até que o tempo a faça desvanecer e o coração florir;
Abolir o mal para assim, supremo, o bem surgir!
Jeismalli G. F. Fernandes
