Reflexão de Vela
Descrença
Meu tempo acabou
Velejo minha vida amargurado
Como a vela da jangada contra o sopro do mar
Este mundo me ensinou a indiferença
Da falta de amor entre as pessoas
Foi tudo contra minha crença
Tendo a bandeira do amor a empunhar
Cansei do ódio e da inveja
Que corrói a alma eterna
Invade e adoece a matéria
Tendo a tristeza a lhes acompanhar
Conheci a verdade
Encoberto pelo céu da ignorância
Dando riquezas aos sem esperanças
Que um dia suas próprias consciências hão de julgar
Acende uma vela
Reza pro teu santo!
Por desapego, por desespero,
E algum tipo de encanto.
Enquanto a luz do dia
Espera e te aguarda, como guia,
Pra você sentir a vida
Ao invés de ficar ajoelhado,
Em algum canto.
Lamentando
Por dizeres que sozinhos
Não movem um mundo,
Nem geram espanto.
De pedido em pedido
Impedindo de ser a vida
Que tanto ouve em forma
De melodia e canto!
a noite que "vela" nosso sono, é a mesma que ilumina nosso caminho na hora da tristeza, da dor e principalmente da alegria !
Moça
Havia algo naquela moça que me polia...
De tão rude que eu era
Perto daquela vela
Ser algo melhor me valia.
Moça serena e severa
Doce sereia com olhos de fera
Teu sorriso de areia derretia no mar
Espumava ao me encontrar...
E quando me invadia o teu mar
Eu sentia forte rebentação
Dentro do meu coração
O mar é fundo e misterioso
Esta moça também
Era turva e misteriosa
Mas tinha a vista bondosa
Pois enxergava em mim algo além
O que ela via em mim
Não via mais ninguém.
Com passado salgado e oneroso
A moça tinha olhar piedoso
Como quem por piedade
Vestida da própria deidade
Desfazia meu sinuoso
Caminho pouco majestoso.
Morte não é destino
é consequência da vida!
Vela de sete dias
Tudo é tão sobrenatural
Velas...
com elas podemos ajoelhar e rezar
ou fazer um velório.
A esperança é como a chama da vela acesa.
Há quem preze que permaneça acesa e há quem uma hora deixa ela apagar para acender outra.
"Algumas vezes, Deus apaga nossa vela mais brilhante a fim de que possamos levantar os nossos olhos para suas estrelas eternas."
Estrela
Retira teu véu,
Minha bela!
Que eu quero vê-la
Adornando meu céu...
Inebria-me, com teu brilho!
E faz sonhar
Num simples toque de olhar,
Meu coração andarilho.
Envolta em mil fantasias
Ah! Como é bom vê-la,
Minha estrela!
A cintilar poesia...
Da minha janela contemplo
Tua beleza radiante
De mim assim tão distante,
No esplendor do firmamento.
Antes da noite partir,
Ponho-me enfim extasiada...
Por teu luzir enfeitiçada,
Minh'alma adormece a sorrir!
Somos como uma barco a vela, sem a vela...
Somos como um calçado sem sola...
Somos a maior importância sem utilidade nenhuma...
Por isso os dias são tão repetitivos.
Eu desejar sua felicidade, não anula a dor que sinto ao vê-la. A verdade é que eu queria continua sendo parte dela, e mesmo não acreditando no "para sempre", eu pretendia vivê-lo.
Que bom ter esta oportunidade;
Que bom não ser submisso;
Que bom vê-la até a mocidade;
Que bom ter este compromisso;
No início foi tudo imaginação;
Ficando para sempre no coração;
É difícil perceber ou reconhecer em si mesmo a mudança na
personalidade; é mais fácil vê-la em outras pessoas, sobretudo quando não
gostamos delas.
UM DIA QUALQUER
Chega o fim de semana, e quando irei vê-la novamente eu não sei, mas sei que algum dia iremos nos ver novamente, e espero que seja logo.
Quando ela saiu e comecei a pensar nos dias, nas horas, nos minutos e nos segundos. O que vai ser dos meus dias sem vê-la? As fotos confortam um pouco, mais nada se compara a estar perto dela.
Charles Bukowski diz: " Observava as pessoas à distância, como numa peça de teatro. Apenas eles estavam no palco e eu era a platéia de um homem só".
Eu digo: " Lhe observo de perto ou distante, como se você fosse a atriz principal do teatro. Apenas você no palco e eu sendo a platéia de um homem só"
Quando esse dia vai chegar eu ainda não sei, mas eu vou estar lá, lhe observando e admirando o seu jeito encantador, para que eu possa continuar me derretendo e escondendo tudo que sinto por ela.
preocupa-te ou não se és uma vela grande, cheia de parafina numa ventania, pois sabe que existe uma grande força de agir, se não agir, preocupes!
Pequenina Lágrima
Tão frágil, tão pequenina
Ao vê-la nem se imagina
A imensidão do sentimento
O carisma de seu surgimento
Ao se notar cair pelo rosto
Na sina de algum desgosto
Ou anúncio de felicidade
A lágrima é sempre verdade:
Se pela face rola
É de alguém que chora
De saudade por quem foi embora
Se tímida ou escondida
É de recato de uma vinda ou ida
Disfarçando a angústia de uma despedida
Se imaginar ser passiva, sem vida
Ledo engano
Ela pulsa, desliza comovida.
Se for festiva, estridente
Surge de repente,
saudando a todos abertamente
Não subestimemos o poder da lágrima.
Se parece cair de mansinho
De um carinho, uma recordação
De um sorriso, uma comoção
De uma palavra de emoção
De um elogio nunca em vão
É força, energia, é ação
A lágrima vem do coração
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
21/10/2008
Rio de Janeiro, RJ
