Realmente Nao sou Perfeita nem Dona da Verdade
[...] Naquela hora eu queria acreditar em tudo que eu dizia, quantas vezes já havia dito aquilo pra mim mesma, já havia me convencido, era o que era, e não havia o "mas", mesmo assim naquela hora tudo que eu dizia era apenas o que eu queria acreditar que era e não o que de fato é.
Repetindo as antigas mentiras, cada palavra servia mais para mim que para o outro, a minha raiva era maior que eu imaginava, o que eu falava da boca pra fora em um impulso desesperado foi subitamente traido pelos meus olhos, que ao contrário dos meus ouvidos, não conseguiam se convencer do que eu dizia... traidores, eles deixaram transparecer a fraqueza que eu não poderia demonstrar exatamente naquela hora...
Foi quando desviei o olhar, me trai, e então dei a oportunidade que esperava, assim a mistura de dor e ódio, medo e coragem tomou voz, escutei as palavras que eu pedi, sem precisar dizer, pra escutar, palavras que eu queria acreditar, que deveriam ser a verdade,
que naquela hora foi a mentira mais sincera que eu escutei.
Cada palavra fazia sentindo e convenceria qualquer outra pessoa, era o que eu deveria acreditar que era, era o que fiz por merecer escutar, o que tiraria de mim a culpa de meus atos, conclusões precipitadas, me aliviaria de todo peso que carrego em pensar ter sido injusta e egoísta, traidora da confiança que tive de alguém que eu puni por não saber lidar, que perdi por conta de um capricho, pelos meus medos, pela minha covardia, mas era mais uma verdade inventada o que eu escutava, porque no fundo eu sei, ele sabia que era o que eu esperava, que era o que eu queria, era a forma de me fazer acreditar, a única forma, olhando pra mim e sem hesitar...
Aquele que consegue convencer, aquele que melhor que qualquer outra pessoa que eu conheça sabe com ninguém acreditar na própria mentira que conta, consegue transformar mentiras em verdades, fazer de suas palavras as minhas, que sabe muito bem não demonstrar, ignorar, fingir que não é atingido, tão cínico quando o quer, assim como eu, que me tira do sério por não fazer nada, o único que não consigo enganar, que me conhece melhor do que deveria, que eu conheço melhor do que muitos gostariam e ainda não sei quem é, ou o que quis dizer com tudo isso... no fundo eu tenho medo de saber. [...]
São tantas histórias que eu me perco em contá-las.
São alegrias e tristezas, ilusões e realidades, vontades e saudades,são tantas historias em apenas uma vida, tantas vidas vividas em apenas uma história.
Tantas vezes que chorei e que sorri, que me encontrei e me perdi, que cheguei e que parti, construí e destruí, afastei e uni, compreendi e confundi. São tantas vidas que trago em minha vida que não sei o quanto as vivi ou se as assisti.
Histórias que fui de protagonista a coadjuvante, outras simplesmente insignificante, quantos corações acelerei, quantos outros eu parti, quantas lágrimas enxuguei, quantas outras fiz cair.
Fui vivendo, aprendendo, descrevendo, reescrevendo e escrevendo tantas outras histórias, capítulos em tantas outras vidas que nem sei ao certo qual papel eu estrelei.
Para alguns fui alegria, para outros nostalgia, de essencial a desgraça, de intensidade a saudade, inesquecível ao invisível, da amiga sincera a megera, de amor a dor, de tantos olhares e interpretações, de tantos momentos e emoções, nunca vou saber ao certo o público que atingi.
E quem ainda há de me acompanhar, como se a vida fosse uma novela a passar, quantos ainda hão de comigo estrelar papeis os quais a fala eu não sei decorar, quantos ainda hão de simplesmente assistir a história de uma vida que não garante final feliz e desconhece o “para sempre”, não faz bem nem faz mal, incerta de moral.
De imprevisto vou vivendo e escrevendo os capítulos que faltam completar.
Eu vejo cores nos tons de cinza, a serenidade no caos, brilho em um olhar vago, a inquietude nas mãos estáticas, eu encontro amor na alma incompreendida que defende a raiva.
Sinto o que está protegido, guardado, escondido, vejo o que ninguém mais vê, acredito naquilo que não posso saber…
Um reflexo do que não há ser, uma imagem que mil palavras não podem descrever razões que o mundo não consegue compreender.
A imagem é igual aos olhos de todos que a vê, mas toda a história que se esconde por traz do sorriso enigmático, é o que faz a incrível arte da observação transformar em contemplação o belo, traduzindo no corpo a alma do que não se vê.
O que ninguém mais vê, sem moldura, sem limitações, apenas existe, e há de ser.
Foi na época em que começou o inverno, aquela tarde que conversávamos sobre nossa primeira conversa, eu me vesti com aquela tua blusa e teu cheiro ainda estava nela.
Naquele dia, enquando tu tomavas teu café, tocou no rádio aquela canção, então você sorriu e disse que era exatamente a música que te fazias lembrar de mim... lembras?
"Esse frio me lembra a beleza do perfume daquela música, que falava sobre o gosto da saudade... "
Nem o tempo, a interpretação ou as palavras
mudarão o que isso significa
Eu estou a mesma pessoa que você conheceu,
com os mesmo problemas
e a mesma forma de resolvê-los.
Continuo culpando os outros,
continuo me enganando,
buscando o mais fácil.
Lidar com as pessoas nunca foi fácil pra mim,
lidar com meus sentimentos me confunde mais...
Abrir mão de sentimentos ainda é comum
me acomodar em gostar de quem gosta de mim
ainda é comum, por mais que eu saiba
e ainda pense que ninguém me veja ou entenda...
Lidar com um amor de verdade ainda me dá medo
encarar o que pode ser uma decepção ainda me apavora
ser decepcionante ao meu ego seria minha grande frustração.
Eu fujo...
Lidar com quem se ama,
lidar com um amor inexplicável dói demais.
É o problema mais difícil a ser encarado,
a realidade, a ilusão...
Prefiro guardar o que poderia ser...
Prefiro acreditar nas verdades que inventei
Na esperança que vou esquecer,
que o que fiz foi o mais correto,
tentar o não ter, foi necessário.
Mas mesmo assim sei o que guardo
todos os bons momentos,
os sorrisos e as palavras...
E assim espero e te prendo,
me distraindo,
talvez perdendo meu tempo
como assim fui ensinado...
"Nada é por acaso".
O que me deixa mais surpresa do que receber a notícia que um conhecido morreu é ter em mente que ele já havia morrido.
Tomara que eu nunca entenda o poder que a noite tem sobre meus pensamentos, a razão tem a mania de estragar o meu prazer em sentir.
Te digo que vá trocar o incerto pelo duvidoso, se acha, assim com eu,
que nada é uma grande garantia, não há de temer,
perder algo que nem tem certeza se o tem.
Se garantir de memórias e bons momentos para superar
os maus momentos e as incertezas?
Não vejo muitas vantagens.
Não te digo que vá encontrar exatamente o que procura,
pois nem quando encontrar terá a certeza do que é exatamente,
mas essa é a graça do duvidoso...
Pode ser que seja menos, ou que seja muito mais,
arriscaria-se?
É como se o amor fosse arte, um quadro pintado com emoção e sentimentos, onde o artista fosse o único que conseguisse entender seu real significado, onde outro qualquer pode julgar um rabisco sem nada compreender.
Nem todos são preparados para entender a arte, como nem todos estão preparados para entender o que é o amor, por que não classificar o sentimento como uma cultura?
Saber identificar amor pode ser uma questão de inteligência emocional, um coração inteligente, com olhos que conseguem sentir, enxergar com a sensibilidade da arte de amar, e apreciar, não apenas o que seja belo, que seja certo, ou o que seja, o quadro pode ser um simples quadro, o amor pode ser um simples sentimento, de uma visão de quem é simples demais para sentir o que é esse sentimento.
Esse quadro sempre vai ser o mesmo quadro, hoje ele pode não representar nada a alguém, amanhã ele pode dizer tudo, assim como o amor, que hoje pode não ser sentido por alguém e mais além pode ser tudo, a diferença é que a beleza do quadro pode ser apreciado por muitos mas esse amor pode ser sentido por apenas uma única pessoa.
Uma obra de arte é intocável, assim como um sentimento.
O amor de um artista morre junto com ele, alguns tem tempo de apreciar essa obra por muito mais tempo, mas o amor que se foi com ele, isso não, um único alguém perdeu um grande amor, outros ganhar uma obra para apreciar.
Assim como Pollok expressava sua arte sem tocá-la, alguém pode amar o que não toca, como Van Gogh foi por muitos considerado um louco, o amor não é necessariamente o sentimento mais racional que alguém possa ter, e assim como Monet via cores vivas onde muitos mal viam cores, o amor pode ser visto da forma com que os olhos se adaptam a enxergar, impressionante da mesma forma que alguém pode ver cores nos tons de cinza, como alguém pode enxergar alguém que não consegue ao menos se ver.
Infelizmente as pessoas tem o péssimo costume de dar valor ao artista depois que ele não mais existe, assim como muitos que só reconhecem um grande amor depois que ele já se foi, assim como muitos artista tem o péssimo costume de esconder uma grande obra de arte por não acreditar na sua beleza, ou que esse seja o tempo certo em que vá ter o merecido valor, esconder o amor é uma cruel forma de preservar tal arte, privando sentimentos.
Quantos ainda tem a oportunidade de se viver numa grandiosa obra de arte?
Era uma daquelas crianças que adorava fazer arte,
mas odiava levar bronca.
Toda arte que eu fazia e alguém via eu levava uma baita bronca,
me arrependia e ficava revoltada.
Então comecei a fazer arte escondida,
e quando alguém descobria ficava mais revoltada ainda,
não por ter feito a arte,
mas sim por terem descoberto...
Então de tanto quebrar a cara, aprendi a lição,
a de não deixar nenhum chato mais descobrir minhas artes,
pois me arrepender eu iria
se eu mais nada fizesse!
Desse abismo que te petrifica de onde há tempos já acostumou-se a estar,
o vento empurra, o vento segura, joga-se, entregue-se ao mar de amar,
que amar não é mais que a maré.
Aquele que consegue convencer, aquele que melhor que qualquer outra pessoa que eu conheça sabe com ninguém acreditar na própria mentira que conta, consegue transformar mentiras em verdades, fazer de suas palavras as minhas, que sabe muito bem não demonstrar, ignorar, fingir que não é atingido, tão cínico quando o quer, assim como eu, que me tira do sério por não fazer nada, o único que não consigo enganar, que me conhece melhor do que deveria, que eu conheço melhor do que muitos gostariam e ainda não sei quem é, ou o que quis dizer com tudo isso... no fundo eu tenho medo de saber.
A beleza é um grande convite ao conhecimento,
mas para o artista, arte é o que se vê além da contemplação.
