Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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Tudo o que excede os limites da moderação tem uma base instável.

As revoluções só têm geralmente como resultado imediato uma mudança de lugar da servidão.

Todos os homens têm o seu instinto; e o instinto do homem, fortalecido pela razão, leva-o à sociedade, como à comida e à bebida.

Aquilo que os princípios têm de cômodo é que podemos sempre sacrificá-los quando é necessário.

Política tem esta desvantagem: de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade.

Se o coração tem razões que a razão desconhece, isso deve-se ao fato da razão ser menos sensata do que o coração.

Ter razão é fácil. Perceber que os outros a têm - eis o problema.

Todo o país escravizado por outro ou outros países, tem na mão, enquanto souber ou puder conservar a própria língua, a chave da prisão onde jaz.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

Ter experimentado muitas coisas ainda não quer dizer que se tem experiência.

Toda a paixão tem o seu caminho de calvário.

Não procure goteira no telhado dos outros, lembre-se que o seu telhado também e de vidro.

Se o seu telhado é de vidro que pelo menos seja blindado. Ajuda para continuar sendo hipócrita.

Se houver telhado no coração de um poeta...
Creio ser de vidro...e não duvido...
Apenas me cuido...

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Martha Medeiros

Nota: Trecho da crônica "A Morte Devagar", publicada por Martha Medeiros no dia 1 de novembro de 2000. Muitos vezes é equivocadamente atribuída a Pablo Neruda.

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O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Ventos nos umbrais
janelas antigas,
modernos varais.

Laços sonoros
asas e afagos - cacos -
tragos de luz.

Lembre-se: "Ninguém atira pedra em quem está morto". Se elas batem no seu telhado, é porque sua vida à muitos incomoda.

Sobre o telhado
um gato se perfila:
lua cheia!