Quem Gosta de Ouvir Nao quer Falar

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Não seja o teu pesar pelo que fizeste senão o propósito de tua futura melhora; todo outro arrependimento não é senão morte.

A santidade talvez não seja mais do que o cúmulo da delicadeza.

Em Março de 79

Farto de todos aqueles que com palavras fazem palavras mas onde não há uma linguagem;
Dirigi-me para a ilha coberta de neve.
A veação não conhece palavras.
As páginas em branco dispersam-se em todas as direcções.
Eu dei com vestígios de cascos de corça na neve.
Linguagem, mas nenhuma palavra.

Não humilhes, e não serás humilhado.

O inferno é darmo-nos conta de que não existimos e não nos conformamos com isso.

Aquele que tentou e não conseguiu é superior àquele que nada tentou.

Os defeitos dos outros não devem nos incomodar, mas, sim, nos ensinar

As leis de difícil execução em geral não podem ser boas.

Os clientes compram pelas razões deles, não pelas suas.

Toda a escrita, querendo ou não, é política. A escrita é a continuação da política por outros meios.

Faço um brinde à ciência: enquanto ela não fizer mal ao povo.

Em política não se escolhe a companhia.

Se quiserdes agradar às mulheres, dizei-lhes o que não gostaríeis de que se dissesse à vossa.

Não se pode pretender que alguém conheça tudo, mas sim que, conhecendo alguma coisa, tenha conhecimento de tudo.

Não afirmo que o inimigo do Brasil é o capital estrangeiro, mas também não afirmo que por ser estrangeiro é melhor e mais amigo.

Talvez a juventude seja apenas este
Amar perene dos sentidos e não arrepender-se.

Sandro Penna
PENNA, S., Poesie, Garzanti, 1989

O mundo é o repertório das nossas possibilidades vitais. Não é, pois, algo à parte e alheio à nossa vida, mas é a sua autêntica periferia.

A subtileza ainda não é inteligência. Às vezes os tolos e os loucos também são extraordinariamente subtis.

O objetivo da oratória considerada isoladamente, não é a verdade, mas a persuasão.

Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa.

Camilo Castelo Branco
BRANCO, C., Amor de Perdição, 1862