Quem Ama Nao Erra
Gatilhos
Demétrio Sena - Magé
Sempre me vanglorio de não ser uma pessoa depressiva. De não ter crises de ansiedade ou algo semelhante. Mas me esqueço de alguns gatilhos que me desesperam, embora eu saiba me resolver, logo depois do impacto.
Tenho medo, por exemplo, de ser abandonado, em passeios com mais pessoas, a lugares muito cheios. Fico todo o tempo vigiando o guia ou motorista. Se não o vejo por um momento, meu coração dispara. Não vejo mais ninguém. Tudo gira. É uma lembrança de quando eu era bem pequeno e minha mãe se perdeu de mim em uma feira de Brasília. Ou eu dela. Só fui encontrado no fim do dia, chorando em desespero e já me dando por completamente perdido.
Quer me deixar suando frio e com o peito apertado, a respiração difícil? Deixe-me sozinho em qualquer ambiente, com algo de valor que não seja meu. Em minha infância e na adolescência, em razão da minha cara de culpa, meu cabelo desgrenhado de culpa e minhas roupas andrajas ou molambos de quem tem culpa, muitas vezes fui suspeito de roubo.
Minha sorte foi que os sumiços (nunca foram roubos) foram sempre desvendados, porque se dependesse do meu aspecto, eu teria sido recluso em um colégio interno, como eram chamadas as instituições para menores infratores. Até hoje, ao ficar sozinho entre objetos de algum valor, tenho medo de que algum deles crie pernas ou asas, e suma, me deixando em sérios apuros. É um sofrimento que só eu sei dimensionar.
Por "não ter Deus no coração", sendo reconhecidamente ateu, muitos acham, inclusive familiares, religiosos ou não, mas que publicam versículos em redes sociais, que sou capaz de coisas horrendas: até de minha presença, pura e simplesmente, agravar a doença de uma pessoa querida que não está bem. Isso também é um gatilho; morro de medo de me aproximar de alguém prestes a morrer, e depois sentir nos olhares, que a minha presença foi a causa.
Quando me vanglorio de não ser depressivo, é porque logo me resolvo: desarmo meus gatilhos, consciente das lembranças marcantes e, em muitos casos, do preconceito e da ignorância que me cercam desde a mais tenra idade.
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Respeite autorias. É lei
Definitivamente, não estou no lugar de fala.
Mas dói na minha alma o sofrimento das pessoas pretas. É asqueroso, vergonhoso e desumano. Vivemos em um país que provavelmente é um dos mais miscigenados do planeta e, mesmo assim, o racismo e o preconceito em geral estão presentes no dia a dia e em absolutamente tudo.
Apesar de ser parda, descendente de africanos, indígenas e caboclos, reconheço que, pela forma como sou percebida pela sociedade e por ter a pele mais clara, tenho privilégios que pessoas negras de pele mais retinta não têm. E, a partir desse lugar, que antes eu não entendia muito bem, venho aprendendo bastante e comecei a enxergar as coisas por outra ótica.
É triste perceber que todos estamos sujeitos a reproduzir preconceitos e comportamentos racistas, mesmo que inconscientemente. O racismo está impregnado na nossa cultura, na linguagem e na sociedade em geral. Até mesmo expressões que usamos no dia a dia podem carregar associações entre o negro e algo negativo, e muitas vezes nem paramos para refletir sobre isso.
Quando nos silenciamos diante de uma situação real de racismo, contribuímos para que ele continue. Quando nossos colegas de trabalho, amigos ou familiares fazem um comentário racista e não nos posicionamos, também ajudamos a naturalizar esse comportamento.
Por fim, a primeira coisa que devemos fazer é nos conscientizar sobre o racismo estrutural do nosso país. É um aprendizado diário e, em seguida, precisa vir a mudança de atitude!
P.S.: Tenho muito orgulho da minha ancestralidade!
Todos os amores da minha vida deram certo, independente se terminou, até mesmo o que não foi recíproco.
Por que seria uma ingratidão e uma tremenda injustiça com esse sentimento falar o contrário, tudo sofre desgaste!
Mas há uma eternidade enquanto dura.
Eu não te amo mais!
Mas também, não te odeio
Amo as memórias que vive com você
Foram recíprocas e bem vivenciadas
E estão guardadas no espaço-tempo
E jamais poderão ser apagadas.
Sou inteira
não há fronteira
entre a vida pessoal e o trabalho.
O tempo me pede cuidado:
distinguir o urgente
do importante.
Pergunto a mim mesma:
até onde quero ir
ao custo do esgotamento?
De que vale consumir mais,
se o preço
é a saúde ou a sanidade?
Antes que a natureza imponha sua resposta,
preciso aprender
a impor a minha.
Do silêncio em mim
E eu não lhe disse nada...
E, o silêncio que se fez em mim, disse-lhe tudo.
No peito ficou guardado o que não encontrou coragem na voz.
Engasguei-me com a dor e o medo do som das palavras que poderiam de mim sair.
E cá estou eu: vivendo há séculos de frases inacabadas... palavras tartamudeadas, balbuciadas, só dentro de mim...
"Não fuja de si, mesmo que doa. Às vezes, seguir em frente exige deixar para trás o que já não cabe em quem você está se tornando. Recomeçar não é fracassar; é escolher não permanecer onde você deixou de florescer."
Ampulheta Entupida
Sobre o Abraço que não dei
Sobre a oportunidade que deixei passar
Sobre a conjugação do verbo ter
A vontade de abraçar
Tive todo o tempo do mundo
De abraçar quem quero bem
Hoje me sobra o tempo
Mas não posso abraçar ninguém
Tenho uma ampulheta entupida, na qual o tempo ali não passa
Assim agora é a vida, de alguém que não abraça
Preto e branco, gelada
Vida vazia e sem graça
Não é sobre nao saber abraçar
É sobre não ter dado valor ao tempo
Que se deixou escapar
Hoje tenho todo tempo do mundo
Mas dele nao posso desfrutar
O desfrute de um abraço, em que eu abraço, tu abraças
É. Hoje só posso conjugar
Se hoje eu pudesse dar um abraço, o
descreveria sem hesitar
Sobre o sentido de um abraço
Capaz de fazer o tempo parar
Um tempo que não se quer que acabe
Quando dentro de um abraço está...
Como é bom quando a gente sente
Um abraço de um abraço quente
O cansaço se torna ausente
A tristeza menos presente
O querer bem não se torna indiferente
Aquele abraço que abraça
Que pede um pouco mais de demora
Se torna tão importante
Que a gente quer que aquele instante Permaneça, fique e não vá embora
Quem o sente guarda na memória
Num cantinho ali da mente
Aquele abraço que abraça
Tornando feliz a vida da gente
Que tudo o que transborda de bom em mim alcance a todos: os que me querem bem e os que não me querem, também.
O dia em que Vênus encontrou a Lua,
ambos incandescentes.
Não era uma Lua minguante,
e sim uma Lua crescente.
Apareceram quando o Sol se escondia,
no poente.
Conjunção inconfundível,
atraente.
Nunca tinha visto um planeta,
nem mesmo numa luneta.
Mas agora, vejas tu,
eu posso ver Vênus,
não pela luneta,
mas sim a olho nu.
Registrei no meu olhar
e, depois, na fotografia,
uma imagem rara.
Eu nem sabia que existia.
E ali, logo abaixo, Júpiter,
tímido diante da luz reluzente da dupla que brilhava e reluzia.
Ela só deixa ver o que permite; não é preciso um 'deixa eu entrar'. Basta perceber e entender seu coração, sua alma e suas ações. Daí em diante, o acesso é livre.
Antes de sair, apague a luz...
Desligue sua energia de lugares e pessoas que não valem a sua bandeira vermelha.
A pessoa que ainda não decidiu se o abajur é cor de carne ou carmim, é a mesma que vai eleger um presidente e um senador.
A palavra nasce do silêncio, mas não lhe pertence por inteiro. Ela carrega a matéria do mundo: o peso da pedra, a aspereza da terra, o calor da pele, o rumor das águas. Quando nomeamos, tocamos. Quando escrevemos, deixamos marcas no corpo do tempo.
A memória é uma casa sem paredes. Guarda vozes, gestos, cheiros, caminhos. Às vezes, permanece em uma cicatriz; outras, no espaço vazio de quem partiu. O corpo sabe o que a boca esquece. Cada osso traz um território. Cada passo redesenha a distância entre o medo e a coragem.
Resistir é permanecer sem ficar imóvel. É lançar raízes em solo ferido e, ainda assim, procurar a luz. É transformar a dor em presença, a ausência em lembrança, o silêncio em testemunho. Há palavras que quebram muros. Há silêncios que recusam a mentira.
Somos feitos de matéria e passagem, de ruína e recomeço. O território que habitamos também nos habita: entra pelos olhos, permanece nos músculos, reaparece nos sonhos. Nada desaparece completamente. A terra conserva pegadas. A palavra conserva o grito. O corpo conserva a história.
E quando tudo parece se desfazer, resta a insistência de existir: uma voz baixa, uma mão aberta, um nome dito contra o esquecimento. Permanecer é isso: continuar sendo presença onde quiseram deixar apenas silêncio.
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