Queda
Depois de uma queda tão grande, é impossível sair inteiro.
Algumas marcas vão permanecer para sempre.
Algumas cicatrizes nunca deixarão de te lembrar o que aconteceu.
E há partes suas que ficarão pelo caminho, arrancadas pela violência da queda, sem chance de retorno.
Talvez você passe a vida sentindo falta do que perdeu.
Talvez existam vazios que jamais serão preenchidos.
Talvez, em algumas noites, a dor dos ferimentos sejam mais fortes que a força da recuperação.
Mas você vai viver.
E essa talvez seja a parte mais difícil.
Viver quando nada voltou a ser como antes.
Viver carregando lembranças do que foi destruído.
Viver sabendo que algumas perdas são definitivas.
Porque sobreviver nem sempre significa sair ileso.
Às vezes, significa apenas encontrar forças para continuar respirando quando uma parte de você morreu.
E mesmo quebrado, marcado e incompleto, seguirá em frente.
Não porque superou a dor.
Mas porque, apesar dela, escolheu continuar vivendo.
Eu disse que estou caindo.
e não é uma queda rápida
é lenta, contínua…
dessas que parecem não ter fundo.
eu estou em uma fase
que não suporta mais nada.
cada dor chega como se fosse única,
infinita, profunda, árdua…
como se eu não fosse atravessar.
e mesmo fazendo parte de um todo,
cada uma delas, sozinha,
já é um abismo.
neste momento
eu estou exausta.
cansada. triste. melancólica.
eu calo… e calo…
e ainda assim choro.
grito por dentro.
e não consigo desligar.
a vida me chama pra continuar,
me pede presença, responsabilidade, cuidado…
mas por dentro
tudo em mim só queria parar.
eu preciso ser forte para os outros,
mesmo quando ninguém é por mim.
então eu guardo a minha dor no bolso
e sigo… como dá.
tem tanta coisa que eu queria dizer,
retrucar, gritar, responder…
mas eu me calo.
e perdoo, em silêncio,
a insensatez de quem não sabe o que diz.
porque não sabem o que eu sinto.
não sabem como eu sinto.
e talvez seja melhor que não saibam.
porque desejar que saibam
seria desejar que sentissem o mesmo.
e eu não desejo isso a ninguém.
então não…
eu não espero que me entendam.
mas eu estou cansada.
cansada de uma dor
que não parece ter fim.
e quando tudo em mim acredita
que isso nunca vai passar…
o pensamento que vem
não é sobre viver
é sobre querer que isso acabe.
O escuro da queda só existe para que os seus olhos aprendam a enxergar a luz que você mesmo carrega no peito.
“O estilhaço lembra ao mundo duas verdades: algo ali já foi inteiro… e até depois da queda ainda pode cortar.”
"Para quem tem o destino traçado, o tropeço não é uma queda, é um impulso; é o momento em que o solo tenta te segurar, mas acaba servindo de mola para que o seu próximo passo seja o dobro da velocidade de quem nunca saiu do lugar."
Não permita que a ambição de vencer se transforme em fracasso. O pior erro, depois da queda, é vestir a máscara da falsa humildade para justificar o insucesso. A verdadeira humildade consiste em reconhecer o fracasso, aprender com os próprios erros, corrigi-los e seguir em direção à vitória com novas atitudes.
F. Meirinho
Caim não celebra tua vitória; torce por tua queda todos os dias, disfarçando punhal em abraço.
Benê Morais
Ora...
será possível erguer-se novamente diante da queda dos anjos?
Será possível assistir, mais uma vez, ao mundo repetir o mesmo ciclo de ruínas, como se o tempo jamais tivesse aprendido com as próprias cicatrizes?
Já não sei se fui fadado à cegueira, por não enxergar o que ainda insiste em florescer,
ou se me tornei surdo aos ecos do meu próprio coração.
Talvez nem mesmo o tato reconheça aquilo que a vida ainda espera de mim.
Permaneço sentado, recolhendo os últimos fôlegos antes que a noite reivindique meu nome.
E nem mesmo as nuvens, que guardam as estrelas até a hora exata de revelá-las, conseguem esconder o desinteresse que tomou conta de tudo aquilo que sou.
Há tempos já não sinto o gosto das coisas.
Como se o ódio, paciente como a ferrugem, houvesse atravessado meus ossos e aprendido a chamar meu corpo de casa.
Poderão culpar a bebida.
Mas ela nunca foi meu vício.
Poderão culpar a dama que um dia encantou meus olhos.
Mas não foi ela quem transformou minha alma nesta terra seca, onde nem o vento encontra coragem para semear.
Por isso, Pai...
quando chegar a minha hora,
não me conceda monumentos.
Coloque-me apenas a sete palmos do chão.
Que a minha angústia alimente as raízes de um velho carvalho.
Que crianças encontrem sombra onde um homem já não encontrou paz.
E, se nem isso me for permitido,
então toma o Teu vento
e espalha a poeira que restou deste soldado,
não para que o mundo se lembre do meu nome,
mas para que, ao menos uma vez,
a guerra abandone o meu coração.
- M.S. Fieri
A queda do homem de honra.
Tenho observado algo que me inquieta profundamente: os homens estão baixando a guarda.
Não falo apenas de força física, política ou influência. Falo da guarda da consciência, da honra, dos princípios que durante muito tempo serviram como bússola para distinguir o certo do conveniente.
Não era para aqueles que vivem pelo poder governarem as noções da vida. Porque o poder, quando deixa de ser ferramenta e se torna propósito, passa a obedecer a algo que poucos conseguem enxergar. Não é algo que vem de fora; nasce dentro deles. É uma fome que nunca se satisfaz, uma necessidade constante de dominar, controlar e possuir.
O que mais me preocupa, porém, não são aqueles que buscam o poder. São aqueles que deveriam se opor a ele.
Os homens de honra, os homens verdadeiros, aqueles que deveriam levantar a voz diante da injustiça, parecem ter se acomodado. Talvez essa seja a palavra. Acomodaram-se.
Em algum momento, passaram a amar mais o conforto do que a própria honra. Mais a estabilidade do que a verdade. Mais a aceitação do mundo do que a responsabilidade de confrontá-lo.
E eles estão por toda parte.
Essa ausência de coragem se espalha como uma sombra silenciosa. Ela afeta a natureza, o clima entre as pessoas, a relação entre pais e filhos, a identidade das nações. Faz irmãos se voltarem uns contra os outros. Faz com que vender pareça mais importante do que abençoar. Faz com que cobrar seja mais natural do que perdoar.
E quando essa lógica alcança os povos e os governos, acontece algo ainda mais trágico: as guerras deixam de ser disputas entre exércitos e passam a atingir aqueles que nunca escolheram lutar.
Os inocentes pagam o preço das ambições de quem está no comando.
E o mais assustador é a indiferença.
Como se a vida humana tivesse perdido valor.
Como se tudo pudesse ser resumido a um simples "não importa".
No fim das contas, a história parece repetir o mesmo padrão: os fortes testando sua força sobre os mais fracos. Sempre foi assim.
Mas existe uma ironia nesse caminho.
Se os fortes continuarem eliminando os fracos, chegará um dia em que restarão apenas os fortes.
E então, quando olharem ao redor, perceberão que não existe mais ninguém para dominar, ninguém para vencer, ninguém para provar superioridade.
Nesse dia compreenderão tarde demais que, na busca por conquistar tudo, destruíram aquilo que dava sentido à própria conquista.
Porque a força sem compaixão produz ruínas.
O poder sem honra produz vazio.
E um mundo sem misericórdia pode até sobreviver por algum tempo, mas jamais encontrará paz.
