Que Saudade dos meus 15 anos
Hoje estou naqueles dias que somente o colo de uma pessoa curaria todas minhas dores e todos os meus desamores, o colo de Deus.
Aqui me encontro, sentada em uma poltrona antiga, surrada, e tomando meus fiéis companheiros de caneca.Tentando traduzir pensamentos em palavras. Fecho os olhos e somente consigo ver nós dois.Por um instante, sinto que realmente posso toca-lo novamente.Estamos eu e você a sós em um banco qualquer, a noite já se pronunciava, e não era de grande importância o horário que fosse. A importância de tudo, estava refletida em meus olhos.Tais estes que somente enxergavam os teus.Por um momento, um filme que a mais de cinco anos não era repetido em minhas remotas memórias.Tal filme que se perde em minhas expectativas, estas que somente existem na mesma memória na qual guarda seu sorriso. Este sim, repetido todos os dias, para me lembrar que não importa quanto tempo passe,sempre será o mais bonito que conheci.
Afastem-se de mim, todos aqueles que disserem deter a cura para meus vícios: a leitura, o amor, a busca pelo conhecimento e minha visão na esperança de um amanhã melhor.
As vezes eu sonho que a vida real é mesmo tão somente um mero sonho... E pergunto-me o que meus olhos veriam e principalmente, meu coração sentiria, caso eu abrisse os olhos ao acordar e contemplasse o verdadeiro mundo que eu nunca vi e nunca vivi...
E eu pedi:
- Me ame, por favor.
E ele retrucou:
- Não posso.
E os meus olhos ficaram úmidos e eu perguntei entre lágrimas:
- Por quê?
E ele olhou bem fundo nos meus olhos, depois acendeu um cigarro e disse:
- Você partirá o meu coração como todos os outros.
E então ele foi embora, deixando-me só naquela chuva de dezembro.
Tudo o que eu senti foi um gosto amargo de nada quando os teus lábios finos encostaram os meus lábios grossos e a tua mão deslizou pela minha cintura no momento em que a música ficava mais agitada.
Confesso que me senti como um zero à esquerda, entregue a perguntas sem respostas e sentimentos sem explicações.
Quis gritar por alguém naquele escuro silencioso, mas não havia ninguém, nunca houve e nunca haverá, se depender de mim e de você, mas quem é você?
Fico entregue as mentiras e as juras de algo que eu nem sei se é real. Talvez fosse, num momento diferente do qual eu me encontro, onde um desconhecido tiras as minhas roupas deparando-se com a minha nudez e sem pedir licença para tocar-me de um modo bruto e ruim, onde eu tento fugir em pensamentos para algum lugar seguro onde só exista eu e a solidão.
Minha Raiz vem de cima, os meus pés são o meu transporte e os hipócritas júris da vida alheia são o chão da selva de pedra.''
Meus olhos as vezes não consegue alcançar. Mas ainda bem que tenho um coração que sente a milhões de kilometros todo seu amor e sua ternura. O que é verdadeiro perdura, e não existe nada que atrapalhe e engane.
Os cortes não são o problema, eles são apenas o resultado dos meus problemas, que estão no meu coração, na minha alma, e não no meu braço ou no meu corpo.
Meus olhos são espelhos virados pra dentro de mim, justamente para refletir pra você o que o meu coração está vendo e pensando.
Se puder, um homem deve desfrutar de outras coisas; deve passar seus últimos dias ao sol. Os meus vou passar debaixo de uma lâmpada de leitura.
Se eu pudesse dar sentido ao que sinto, daria símbolos aos meus sentimentos, formaria uma nova língua, um novo verbo, algo tão sólido quanto à hipocrisia do homem. Traria a superfície o imperfeito, o que ainda não tem forma, o que busca sabor, aquele que experiência a vida sem ignorar a condição da morte, o que ama sem saber o que ama. O que faz escorrer plasma na ferida que não pode ser cicatrizada, verbalizaria a dor que me faz sentir vivo e o vendo que fere sem machucar.
Se eu pudesse escrever o que sinto, escreveria um livro sem sentido, deixaria páginas em branco por não saber dizer o quero dizer, discriminaria cada pecado perdoado e cada desejo sem vontade alguma. Pularia pautas que não se descrevem e por fim escreveria um conto fictício de alguém que não conheço.
Se eu pudesse falar o que sinto, diria que conheço cada sentimento sem sentido que tenho, cada dor que sei por que dói. Falaria da saudade de quem odeio ter, das magoas que não se curaram, das manchas na pele que o tempo faz lembrar. Sussurraria palavras com a intimidade que gosto de ter e dos afetos que não pude viver por não querer viver. Contaria dos amores que tive e das desilusões que me fizeram sentir mais humano. Falaria de como usar arrogância em prol de si e o prazer que se tem uma mente sarcástica.
Se eu pudesse mostrar o que sinto, mostraria o amor que tenho sobre a vida, a vergonha que sinto por uma timidez que não existe, das resistências por sobrevivência. Mostraria as palavras que fluem entre meus dentes e os sentimentos que levo no estômago. Mostraria a vergonha de minha nudez como pessoa e personificaria a criança que sonha sem dar sentido, que não escreve uma palavra sequer e que, sobretudo, mostrar sem vergonha o homem que a vida deu nome e orgulho de ter intrínseco em si o inacabado.
Ao acordar a primeira coisa que faço é procura-lo em meus pensamentos, e hoje ao amanhecer percebi que você ainda estava lá, porém longe... Se afastando da minha mente pouco á pouco...
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