Quase Morto
Vita.
Nesta pouca vida
Quase tudo é verdade inventada
Uma grande quantidade de ar azul
Deserto suspenso, que de perto, é nada.
.
Penso ser tudo olhar da mente
Todo dia é sempre dia
de partida, chegada e olhar desatento
O mundo gira pro mesmo lado, sempre.
.
Essa vida é um castelo de cartas
Uma folha no chão
Uma pluma no vento.
.
Pluma, vento, chão , mente que mente
A gente só vê ao que quer e inventa
Quando a lente do olhar aumenta: é o nada.
Edson Ricardo Paiva.
Falo alto
No intenso barulho
Tenho a voz abafada
Chega a parecer
Quase o mesmo que nada
Em menor intensidade
Eu me escondo no silêncio
Das verdades não declaradas
Na alegria que eu minto sentir
Faço igual a essas pessoas
Que apenas esperam
Todo dia o fim do dia
E depois anoitecem
Na esperança
Que não amanheça.
Edson Ricardo Paiva.
Nós temos a nós
Corações batem velozes
Sem chorar distantes
Agora temos o antes
E quase o depois
Temos a nós
Quando precisar
A gente faz a lista sem demora
A tudo sabemos sobre distancia
E somos donos do agora
Pois agora somos dois
E sendo dois
A tudo se conquista
Até mesmo as três estrelas
Que você queria
Pode tê-las
Basta abrir a janela
Elas vão estar lá todo dia
A leveza do viver é tão vasta!
Que qualquer pedacinho de chão
Nos basta e é suficiente
Veremos o Sol
Ao se pôr e ao nascer
Tudo ficou mais fácil
O vestido florido
A camisa de linho
O abraço pronto
Esperando no varal
Um jardim, um quintal
Tudo isso num vaso
Nenhum prazo a cumprir
Nada pode desfazer
Se a gente não quiser
O nó da garganta
Agora é laço
Perfeito, sob medida
Um homem
Uma mulher
Uma vida.
Edson Ricardo Paiva
Tem horas
Que não interessa
Saber ou dizer o que é
Tem horas
Que o coração quase chora
E outras em que quase
Hora em hora, frase em frase
O jogo muda
A vida oferece ajuda
Alguma coisa quase sempre
Assume o papel de coisa
E precisa ir embora
E aquilo que fica aqui
Causa rica alegria
E assim
Tem dias em que a gente ri
A risada mais sincera desse mundo
Não espera mais nenhum segundo
E quando dá essa risada
É só de alegria
Jaz o que ficou pra trás
No tempo do nunca mais.
Edson Ricardo Paiva.
Era quase que assim
Um leve tremor de terra
Prenuncia o apito do trem
Só que quase ninguém percebia
O sermão durante a missa
A igreja tão cheia
E quase ninguém ouvia
Quanto ao resto da vida
Não o sabe até hoje
Da secura na boca
Calma, aguda, iludida
Muda algia rói alma
Carece de companhia
Um tanto menos pernóstica
Só fantástica e desabrida
O contrário
Era um jeito de olhar o Céu
Enxergar nele a vida
Um tanto profunda
e de olhar esquecido
Quem lhe visse podia jurar
Era antes pequeno desejo
Jamais um pedido
A vida meio vazia
A outra metade era vida
No outro dia tanto faz
A semente bem regada
Cuidada por cuidar
Pois de lá não saia nada
Assim era tudo
Enfim, um saber calado
Um verso oculto
Cujo vulto do tempo
Escreveu apressado
Se está fora de lugar
O correto é cair
Equilíbrio é o silêncio que faz
A vidraça parecer escura
A paz que precede a chuva
Sempre que a chuva vem
A água evapora
A alma cura
Entretanto ela chora
Tempestade, água turva
A curva do rio, a lagoa
Fatalmente o ponteiro, a hora
Por ora, balaio no chão
Canta muda
A canção silenciosa
E somente o coração escuta
Roupa suja, varal
Ensaboa um sinal da vida
Outro aceno do mundo
Desalento um segundo
Quando meio segundo
é momento
A saber
Água limpa
Não lava alma turva
Acredite em não crer
O saber de cada receio
Escondido em gavetas
Espalhado pelo imenso mundo
Se contar nos dedos
A qualidade de tantos medos
Reais e de faz de conta
Um mais um, às vezes são dois
Mas, de vez em quando, não
É aí que mora a diferença
Entre pensar
E pensar que pensa
Olhar e saber na hora
Àquilo que vem
Sem demora.
Edson Ricardo Paiva.
Não sei dizer quase nada
Sobre a beleza da vida
Também não sei falar de tristeza
Cada dor habita um dia
E mesmo que a dor seja dor
Ele sempre evita
Doer além do permitido
Pra que assim ninguém perceba
O corte, a ferida, a quase morte
Que permite transformar a vida
Em quase vida
Não sei dizer nada também
Sobre a beleza de uma quase vida
Também não sei falar de alegria
Cada riso habita um dia
Mas o riso jamais evita
Alegrar além do permitido
Pra que assim a gente perceba
O corte que sara
A dor que cicatriza
A alma que não se vendeu,
Jamais se entrega
E se nega
A prosseguir vivendo a quase vida
Pois sabe o valor que existe
Na simplicidade do dia que corre
O dia é um lugar no tempo
Onde a alma que se diz insatisfeita
Rejeita a alegria pequena
Porque quer sentir-se plena
Quando "plena" é plenamente
Uma palavra sem sentido, que a escraviza
E morre, sem fazer nenhum ruído.
Edson Ricardo Paiva.
Lentamente
Assim germina a semente
Num passo ingrato e quase inaudível
Desata o laço
Pequeno pedaço que se vai
Sem deixar lembrança
Também não leva saudade
Nada se perpetua
Os passos na rua
Apressadamente
Brancura dos dentes
Sorriso na escuridão revela
O que a claridade escondia
Lentamente, dia-a-dia
Como enorme carruagem que vem
E quando passa
Atropela
Depois se afasta lentemente
Talvez a vida tenha sido
Por acaso e sem igual
Mas sempre tem prazo a cumprir
E faz doer e fica mágoa e apaga
E quase sempre acontece
de forma proposital.
Edson Ricardo Paiva
Pensamos demais!
Desejos profundos, muitas vezes ardentes, chegam a ser quase reais;
Visões de acontecimentos que nem de longe vieram à acontecer;
Sensações e emoções que quase sempre ficam no quase deu certo;
Conquistas realizadas, mulheres me amando e sendo amadas, apenas no meu mundo particular, lúdico e prazeroso;
Quantos passeios, viagens e bens materiais são idealizados, mas não são concretizados?
Vivemos uma vida inteira buscando na maioria das vezes através do nosso tempestuoso e maldoso imaginário, os nossos sonhos produzidos pela nossa poderosa e enganosa mente fértil!
O tempo, a coragem e uma boa pitada de realismo consciente, são professores na matéria do que podemos ser, do que queremos realizar de verdade e de quando e como conseguiremos alcançar os nossos objetivos verdadeiros sem medo de ser felizes!
Algumas pessoas são quase perfeitas
Algumas pessoas são quase perfeitas ou posso chama-las de "Semi-Deusas", porque quando caímos, ou falhamos, recebemos delas o apoio e a força de uma segunda chance para recomeçar e aproveitar melhor os nossos momentos felizes da vida, independente do que tenha acontecido o importante para essas pessoas é está ali conosco sendo o nosso bem mais precioso. Como é bom ouvir coisas boas ao pé do ouvido, como é bom vê o por do Sol ao lado de um abraço quente, como é bom voar sobre o Céu da pessoa que te cuida. Quando estamos bem amparados pelo carinho, o respeito, enfim, o amor de outra pessoa, fica muito claro para nós a sensação de vivermos com aquela doce essência de nossa inocência na infância aonde os males da pessoa adulta não existem, como as preocupações, a saudade, a dor da perda de um grande amor, etc.. Uma pessoa quase perfeita quando cruza o nosso caminho, trás cores para embelezar o nosso mundo ainda cinzento, nos deixa flutuando no mundo dos sonhos, deixa o nosso espírito recuperado e cheio de vigor para continuar e oferecem apenas o lado bom da vida como opção. Algumas pessoas são quase perfeitas e tem o talento natural para completar o que falta em nós para vivermos felizes.
O que é a vida?
O que vem a ser a vida?
A vida é um arame
Quase sempre farpado
Mantendo a gente de um lado
da outra parte do mesmo chão
é preciso ter Arte pra entender
Que a vida é uma vela
Quase sempre acesa
Que exibe
Bela, fraca e efêmera chama
Se atentarmos, veremos nela
Algumas lágrimas que rolam
Enquanto o calor à consome
e o tempo lhe apaga o nome
A vida é um poema
Quase sempre lido
Porém, quase sempre compreendido
Somente por quem escreveu
Cada um escreve o seu
e publica em seu próprio envoltório
A vela se apaga
Se parte o arame inglório
Misturam-se as palavras
do transitório poema
Escrevê-lo
É nossa pena.
Quase sempre que saio de casa
Quase nunca levo a chave
Pode ser que em algum caminho
Eu encontre a nave que me leve
E nela esteja a chave de lá
Vou vivendo de alma leve
Até que ela se livre de mim
E que se lavre nos boletins da vida
Que a minha chegou ao fim
Pode ser, quem sabe
Que a vida se agrave
Até que o tempo escave em meu rosto
Muitas marcas dessa passagem
A cada vez que vou pra rua
Peço à chuva que lave-me a alma
E dê-me calma
E ponha lama eu meu caminho
Pra eu pisar
E que de preferência
Eu esteja descalço
Como eu fazia
Nos velhos tempos
de alegria e felicidade
Em que eu corria pelas ruas tortas
E as enxergava todas retas
A chuva e o tempo lavaram-me os olhos
Agora eu sei que é torto
Aquilo que é torto
E por isso nunca levo as chaves
Pois pode ser que não haja volta
E eu nunca mais precise
Abrir outra porta
Os Himalaias
Montanhas nevadas, corpos quase congelados,
Desejo insano de chegar ao topo, objetivos aquecidos pela ansiedade e ponderados pelos medos a cada passo dado,
Mudança de clima repentina, ar rarefeito, confusão mental, corpos debilitados e no cair das horas tomando um chocolate quente a vista perfeita da noite para poucos apreciarem,
Loucura, sentimentalismo, coragem, suicídio, ou é tudo ou é nada na chegada ao topo dos picos mais altos de algodão congelado.
Estrada das Rosas
Caminhando na estrada das rosas, sinto um escudo me proteger,
A Lua esta quase se emparelhando com o Sol, o dia momentaneamente está se transformando em noite, assustado continuei caminhando seguindo a luz de milhões de vagalumes,
Continuei a caminhar pela estrada brilhante e vi espantalhos espalhados entre as rosas, mas o Sol reascendeu e descobri que eram pessoas simulando uma vida sem coração,
No que parecia o fim da linha, uma enorme parede de vidro refletindo tudo que passei ou vive me impedia de continuar, apenas um toque suave com as minhas mãos e toda a parede gigantesca começou a rachar e se desfazer em pó,
Sempre com a bússola apontando em direção ao norte resolvi parar para descansar e refletir um pouco a respeito de tudo, um vento forte soprou, um barulho distante de água corrente escutei, levantei ofegante e comecei a correr em meio as tantas rosas, em direção a vista que tanto procurava, cheguei no lugar cheio de vida, alegria e paz,
A água do rio tão transparente, as pessoas tão sorridentes, a energia do lugar é a mesma do escudo que me guiou até aqui,
Atravessar o mundo é uma benção, desde que o amor seja o centro da questão.
Eu lembro...
Lembra quando éramos adolescentes e quase todos os dias eu te levava balas e outros doces,
Lembra o jeito que eu te olhava, como nunca tinha olhado para ninguém antes.
Tocar em você era uma sensação de alegria imensa, ver você sorrindo ou apenas prestando atenção na aula já era o bastante para o meu mundo imaginário começar a funcionar a todo vapor.
Um dia me cumprimentastes na hora de irmos embora da escola com um beijinho a meio lábios, te confesso sobre a insônia que me possuiu por três longas noites.
Fascinado pelos teus olhos castanhos claros e louco pela tua voz ao falar comigo era impossível não querer te amar.
Foram tempos memoráveis, sinto falta daquela época, sinto falta da escola, dos amigos, das nossas brincadeiras, sinto sua falta até hoje Rafaela.
“As pessoas tendem a atravessar a gentileza como quem passa por um silêncio familiar, quase invisível aos sentidos habituados, mas despertam de imediato diante da grosseria, pois o estrépito moral sempre chama mais atenção do que a virtude discreta.”
“O vazio tornou-se quase um comportamento essencial, precisamente porque agrada àqueles que já não sustentam essência alguma.”
