Quanto mais me Conheco Fernando Pessoa
Não escrevo para parecer forte, escrevo porque conheço a fragilidade de perto. Entre lembranças, orações e silêncios, aprendi a transformar ausências em linguagem e a dar sentido às ruínas que encontrei dentro de mim.
Eu conheço a melancolia pelo modo como ela acende as coisas simples: uma xícara, uma janela, um nome antigo, e tudo passa a doer com elegância.
Eu estava adolescente de novo, voltando da escola, o caminho que conheço tão bem, o chão de terra batida, as casas ainda sendo construídas, o terreno baldio que eu cortava para chegar em casa. Tudo exatamente como era, mas agora eu via com os olhos do sonho, que parecem ser mais vivos do que qualquer memória. Eu tinha medo, um medo que me apertava o peito, aquele tipo de medo que faz o corpo encolher antes de chegar perto de alguém que você ama e teme ao mesmo tempo. E lá estava ele, meu pai, sentado, cabisbaixo, triste, a tristeza transbordando do corpo dele e entrando pelo chão, pelas paredes, pelos poros do meu próprio corpo. Eu sabia o que poderia ter acontecido, não precisava que ele falasse nada. Ela havia fugido de novo, minha mãe, meus irmãos talvez nem estivessem mais lá, e o mundo parecia menor e mais pesado por isso.
Passei por ele com cuidado, cada passo pensado, cada olhar desviado, torcendo para que ele não falasse comigo, para que meu silêncio fosse suficiente para me proteger. Atrás da casa, pelo quintal, eu saí de mansinho, como quem tenta escapar de uma sombra que poderia me engolir. A sensação de perigo era familiar, algo que eu sentia há anos, mas que naquela idade parecia ainda maior, mais cruel, mais absoluto. Eu não podia ficar ali, não podia enfrentar aquilo sozinha, então aprendi a fugir, aprendi a cuidar de mim mesma mesmo quando não havia ninguém para me proteger.
O sonho me mostrou que essas cenas não eram apenas memórias, eram marcas, mas também eram força. A menina de 16 anos correndo pelos fundos da casa, cheia de medo, era a mesma que saiu de casa para se proteger, que aprendeu a se virar sozinha, que sobreviveu a tudo isso. Hoje, olhando de fora, vejo aquela garota como alguém incrivelmente corajosa, alguém que carrega não apenas medo, mas também uma resiliência que a faz sorrir diante do absurdo do mundo. Eu podia sentir o peso do passado, mas também sentia a leveza de quem se libertou dele, de quem aprendeu a caminhar em silêncio pelo quintal do medo e sair inteira do outro lado.
É engraçado como a memória volta com tanto detalhe, como se cada casa, cada pedra do terreno baldio, cada olhar do meu pai, estivesse esperando para ser revisitados. E ao mesmo tempo, é uma oportunidade de abraçar a menina que fui, de reconhecer a coragem que existia nela, de rir um pouco da própria vida que nos coloca em situações que parecem impossíveis. Eu saí de casa aos 16 anos, mas cada passo que dei depois, cada escolha, cada risco, cada fuga silenciosa, me trouxe até aqui. A menina de ontem e a mulher de hoje se encontram nesse sonho e percebem que o medo não é mais absoluto, que a dor foi sobrevivida e que a força acumulada nesses caminhos de terra é imensa, invisível, mas real.
E talvez seja isso que sonhos assim fazem, nos lembram do que fomos, do que sentimos, do que superamos, e nos mostram que mesmo na mais profunda escuridão, mesmo quando parece que não há saída, há sempre um caminho, mesmo que seja pelos fundos, silencioso, mas cheio de vida, cheio de coragem, cheio de sobrevivência.
Um sonho do dia 25/03/2026
Não te conheço, mas só de olhar pra você já sei: sua postura não é orgulho, é a dignidade de quem construiu o próprio chão, e começar a te conhecer é aprender a respeitar o império que você ergueu sozinha.
Se quiserem me chamar do que quiserem, que chamem.
Só eu conheço o preço da mulher que me tornei.
E foi nesse caminho
— firme, imperfeito e verdadeiro
— que aprendi a amar sem me perder, e a encontrar felicidade
sem precisar me diminuir por ninguém.
"Estou avaliando se vale mesmo a pena isso de envelhecer. Dos que conheço que envelheceram, um terço não ouve bem; outro terço não anda bem; o terço final está com depressão. E todos estão bastante enrugados!"
Frase Minha 0224, Criada no Ano 2008
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
"Não conheço um só Humano Vegetariano que coma carne. Mas todos os Humanos Carnívoros que conheço comem vegetais. Adoro pessoas moderadas, equilibradas, sensatas!"
0705 | Criada por Mim em 2014
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
0383 "Não conheço explicação plausível para algo tão bobinho ter feito tanto sucesso. Sim, Refiro-me ao Seriado Chaves!"
1988 📜 "Não vivi no tempo da Monarquia nem conheço vivos ou mortos que tenham sido testemunhas oculares daquela época. Então, tenho que me basear no que contam as boas fontes da Dona História!"
Conheço as violeteiras
das duas Américas,
Diante dos meus olhos
uma desabrochou,
Você me espera
em teus braços
como quem anseia
a Primavera,
Percebo que tens
desenhado esquemas
para viver grudado
em meus beijos,
Em nós fazem
festas os desejos.
1479
"Até Criatividade tem limites, tem restrições, tem impedimentos. Conheço um 'Criativo' que bolou algo inédito no que se refere ao formato do livro que imaginou. O problema: não havia papel nem impressora que aceitassem, naquela época, o formato que ele 'criou'! Hoje também não existe! Poizé!"
TextoMeu 1479
1565
" 'Saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu!' Não conheço definição de Saudade mais forte do que essa. Isso é ser Criativo e saber trabalhar o texto. (Composição 'Pedaço de Mim', de Chico Buarque. Não é também de Minha Autoria porque ele não me convidou!)"
1624
" 'Em Aliás', dos casos de Mulheres Tristes, Incompletas e Choronas (que eu conheço), 92,8% dos casos tem a ver com 'Isso é Lá com Santo Antonio'. E eu não minto!"
0024 "Não conheço quem tenha assumido que é isso ou aquilo de errado ou de ruim. Mas quase todos vivem dizendo que nós (e outros) temos dezenas de defeitos. Ah, o Cerumano!"
0224 "Decidi! Quero viver sem envelhecer. Dos que conheço que envelheceram: um terço não ouve bem; outro terço não anda bem; o terço restante está com depressão. E todos estão bastante enrugados. Então, Decidi!"
Amar a sua melhor versão e a pior,
e a sua versão que não conheço,
e, mesmo assim, querer continuar.
Porque em ti como eterna viajante,
não pretendo nenhum pouco parar,
mesmo nascendo diariamente.
A tua existência está a convidar,
por ela não tenho conseguido,
não me permito sossegar,
e nem pretendo jamais parar;
mesmo quando não for tempo
de itaúba em florescimento.
Não precisarei criar subterfúgios,
porque tua alma é feita de liberdade
de ave assim como a minha,
Dos ruídos do mundo elegemos
o que é o melhor porque fica;
sinto que o nosso dia se aproxima.
Viver para os cânones da poesia
não me causam empolgação,
simplesmente tocar o seu coração
é a minha bonita obstinação,
Sonho inspirar os amores eternos
que depois de nós dois virão.
Conheço todos
os seus sinais,
No mar de rosas
os teus lábios
hão de ser o cais,
Para unir-nos
como uma orquestra,
nos leve onde
o céu encontra a terra,
e o amor seja a linha mestra.
Conheço o meu Brasil Brasileiro,
na palma da mão e por inteiro,
Do Maranhão ao Rio Grande do Sul
o meu oceano é o Atlântico Sul.
Seja na terra, na água ou no ar,
o coração por ele bate intocado,
Nutro o romântico e apaixonado,
e não há que seja capaz de desviar.
Se amar é questão de acertar,
nem mesmo a tempestade será
capaz do amor na vida dispersar.
Sempre que quando todos se vão,
a permanência integra ao chão
não me permite jamais a evasão.
