Quando menos Esperava Voce Aparece
“O verdadeiro caráter só se revela no enfrentamento das adversidades porque quando se está na zona de conforto é comum, mesmo fácil, se exibir exemplo de boas ações”
Ney P. Batista
Feb/06/2021
Quando se perde um ente querido.
Nesse momento de imensa dor, se faz necessário lembrar que é preciso compreender e saber adaptar-se à “impermanência da vida” - o que significa ter uma clara compreensão de que tudo na vida é transitório, inconstante e que em algum momento todos a deixaremos. Embora seja muito difícil aceitar essa realidade, temos que estar preparados para um dia enfrentá-la, tendo uma perfeita consciência dessa inevitabilidade.
Outrossim, é fundamental buscar o consolo do SENHOR, pelo Espírito Santo, acreditando que os que morreram em Cristo sempre estarão bem.
Lembrem sempre dessa verdade que alguém, noutro tempo, disse:
“Não há sofrimento na Terra que o Céu não possa curar.”
Ney Paula B.
“O limite da nossa fala deve ser estabelecido quando a perda do domínio da situação passa a ser iminente.”
Autor: Ney Paula Batista
Meu pai herói, meu mentor amado! Obrigada por estar perto quando eu preciso, me proteger e me amar tanto. Muita gratidão. Te amo infinitamente.
hourglass II
Talvez algumas coisas não terminem quando deixam de acontecer. Talvez terminem quando deixam de significar. E existe uma diferença enorme entre as duas.
Por um tempo, ele achou que distância fosse uma resposta. Que quilômetros, horários diferentes, novas rotinas e dias que não se encontravam mais fossem suficientes para colocar cada coisa no seu devido lugar. Como se a vida tivesse uma maneira própria de organizar aquilo que ficou para trás, empurrando algumas pessoas para uma parte da memória onde ninguém mais precisa mexer.
Só que a vida é péssima em respeitar lugares marcados.
Às vezes uma lembrança aparece no meio de um dia absolutamente comum e, sem pedir licença, muda a temperatura de tudo. Não porque exista uma vontade desesperada de voltar, mas porque certas pessoas deixam uma espécie de idioma dentro da gente. Depois delas, algumas coisas passam a ser sentidas de um jeito que não tinha nome antes.
E talvez seja isso que ainda exista.
Não uma espera.
Não uma promessa.
Muito menos a certeza de que dois caminhos precisam se encontrar novamente.
Apenas uma parte da história que nunca recebeu uma explicação definitiva.
Porque houve um tempo em que parecia fácil imaginar o amanhã. Havia planos que não precisavam ser anunciados porque já pareciam naturalmente incluídos na vida dos dois. O futuro não era uma coisa distante; era quase uma extensão do presente. E então, em algum momento, aquilo que parecia tão certo virou passado sem que ninguém conseguisse apontar exatamente o instante em que tudo mudou.
É estranho perceber isso depois.
A gente costuma procurar um culpado para o fim das coisas porque é mais confortável acreditar que alguma decisão, alguma palavra ou algum erro foi responsável por tudo. Mas existem histórias que simplesmente chegam a um ponto onde duas pessoas continuam sendo importantes e, ainda assim, não conseguem mais caminhar na mesma direção.
Isso talvez seja uma das coisas mais difíceis de aceitar.
Que alguém pode ter sido verdadeiro e ainda assim não ter ficado.
Que uma história pode ter sido bonita e ainda assim ter terminado.
Que o amor pode ter existido sem necessariamente saber sobreviver a todas as versões que vieram depois.
E talvez o tempo não tenha apagado nada.
Talvez ele só tenha feito uma coisa mais cruel: deu espaço para enxergar sem a urgência de antes.
Hoje, olhando de longe, ele consegue perceber que não sente falta apenas de uma pessoa. Sente falta de uma época em que algumas coisas pareciam possíveis. Daquela versão de si mesmo que ainda não sabia o quanto a vida mudaria. Das conversas que tinham outro peso. Da familiaridade de saber que existia alguém do outro lado sem precisar perguntar.
Mas existe algo curioso nisso.
Ele não gostaria de voltar no tempo.
Gostaria de saber o que aconteceria se pudesse encontrar aquela pessoa agora.
Sem tentar reconstruir nada.
Sem fingir que os anos não aconteceram.
Sem exigir que o passado volte a funcionar.
Só para descobrir o que sobra quando duas pessoas que já souberam tanto uma da outra se encontram depois de terem se tornado quase desconhecidas.
Talvez não sobrasse nada.
E talvez essa fosse a resposta mais honesta.
Ou talvez sobrasse aquele segundo estranho em que os olhos reconhecem antes da boca dizer qualquer coisa. Aquele pequeno silêncio em que toda uma história passa rápido demais para caber numa conversa.
Quem sabe.
Talvez algumas pessoas não voltem porque ainda existe algo entre elas.
Talvez voltem justamente para descobrir que não existe mais.
E existe uma liberdade estranha nisso também.
Porque nem toda porta precisa ser aberta novamente para provar que um dia foi importante.
Algumas só precisam continuar existindo em algum lugar da casa.
Não para que alguém volte.
Mas porque demolir completamente aquele cômodo seria mentir sobre quem você foi enquanto esteve lá.
Então ele segue.
Sem esperar uma mensagem.
Sem construir encontros imaginários.
Sem transformar saudade em destino.
Só carregando a estranha tranquilidade de quem finalmente entendeu que certas histórias não precisam continuar para terem sido enormes.
E se algum dia os caminhos se cruzarem outra vez, ele não sabe o que vai sentir.
Talvez nada.
Talvez tudo.
Talvez apenas aquela velha sensação de reconhecer alguém que a vida ensinou a chamar de passado.
Mas, dessa vez, ele não vai precisar perguntar o que aquilo significa.
Vai apenas olhar.
E deixar que o momento diga, sozinho, tudo aquilo que os dois nunca conseguiram dizer quando ainda havia tempo.
Quando decidimos escutar, recusamos julgar;
Quando escolhemos ficar, evitamos rejeitar;
Quando buscamos compreender, aceitamos permanecer;
Quando optamos em ouvir, conseguimos sentir;
Quando praticamos a empatia, entendemos o que é a vida.
Fisioterapia Literária
Quando os livros se tornam remédio para a alma.
E, tal como um músculo cansado necessita de fisioterapia para recuperar a sua força, também o espírito precisa de um tratamento que lhe devolva o equilíbrio, a esperança e a serenidade.
A esse tratamento poderíamos chamar fisioterapia literária.
A fisioterapia literária não consiste em ler muito, mas em ler bem.
Não procura acumular páginas, mas permitir que cada página deixe uma marca positiva no coração.
Há livros que apenas ocupam o tempo; outros, porém, ocupam um lugar permanente na nossa vida.
São aqueles que nos ensinam a amar melhor, a sofrer com esperança, a perdoar com generosidade e a descobrir que existe sempre um horizonte para além das dificuldades do presente.
Tal como um fisioterapeuta conhece os movimentos necessários para recuperar um membro debilitado, também uma boa leitura ajuda a restaurar capacidades que, por vezes, julgávamos perdidas: a capacidade de contemplar, de refletir, de escutar, de rezar, de sonhar e de confiar.
Um leitor alimentado por boas leituras torna-se mais paciente, mais prudente nas palavras, mais atento ao sofrimento dos outros e mais disponível para servir.
Descobre que a verdadeira sabedoria não nasce da quantidade de informação acumulada, mas da capacidade de transformar conhecimento em vida.
Cada livro edificante é um mestre silencioso.
Não impõe respostas, mas desperta perguntas importantes:
Quem sou?
Para onde caminho?
O que realmente vale a pena?
Como posso amar melhor?
Estas perguntas, feitas com sinceridade, têm a força de mudar uma existência inteira.
Por isso, vale a pena escolher cuidadosamente aquilo que lemos.
Assim como procuramos alimentos saudáveis para fortalecer o corpo, também devemos selecionar palavras que fortaleçam a inteligência, o coração e a alma.
Nem toda a leitura alimenta; algumas apenas distraem.
Outras, porém, elevam-nos, inspiram-nos e deixam em nós um desejo sincero de sermos melhores.
Reservar alguns minutos por dia para uma leitura edificante é oferecer um presente a si próprio.
É criar um espaço de silêncio num mundo ruidoso.
É permitir que a mente descanse da agitação e que o coração reencontre o essencial.
Talvez seja este o maior objetivo da fisioterapia literária: ajudar-nos a caminhar mais direitos, não apenas na postura do corpo, mas sobretudo na postura da vida.
Porque uma alma alimentada por boas leituras aprende a olhar o mundo com mais esperança, enfrenta as dificuldades com maior serenidade e descobre que cada página verdadeiramente inspiradora pode tornar-se um pequeno passo no caminho da santidade, da sabedoria e da paz.
Que nunca nos faltem livros que iluminem a inteligência, fortaleçam a vontade e aproximem o coração da Verdade.
Afinal, algumas das mais profundas curas começam no instante silencioso em que abrimos um bom livro e deixamos que as suas palavras transformem a nossa vida.
A verdade
Por que Jesus morreu? Por dizer a verdade! Quando o sumo sacerdote lhe perguntou "És tu o filho de Deus"? Jesus Cristo respondeu " Eu sou"! "E vereis, o filho do homem, assentado a direita do todo poderoso. E vindo sobre as nuvens do céu"! Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes. E disse: " para que necessitamos de mais testemunhas? Vós ouviste a blasfémia. Que vos parece? Todos o consideraram, réu de morte"! Foi então que alguns, começaram a cuspir nele, a cobrir -lhe o rosto, a dar-lhe murros...
O sumo sacerdote conhecia as escrituras de Daniel, que a profecia do "Ancião de Dias" confirmava esta verdade. Mesmo assim, por a verdade o mataram. Também em actos mataram Estêvão que disse: " vejo o céu aberto e o filho do homem assentado à direita de Deus..."! Estêvão morreu pela verdade!
Quando a mente se perturba diante de eventos externos que assumem proporções agigantadas, ela inevitavelmente consome a vitalidade do ser e adoece o corpo.Se o sofrimento brota de percepções puramente individuais e as conclusões pertencem apenas a uma perspectiva humana, o verdadeiro embate deixa de ser com o mundo e passa a ser da alma consigo mesma. O desafio supremo reside na capacidade de processar as adversidades sem cultivar mágoas, dissipando a dubiedade dos pensamentos para alcançar a autêntica paz interior.— Roseli Ribeiro 2026
QUANDO A RIQUEZA ENCONTRA A HUMANIDADE
O homem pode possuir muitas coisas e, ainda assim, ser pobre de espírito.
Pode encher sua casa de riquezas e deixar vazia a morada do coração.
Por isso, quando Jesus disse ao homem rico que vendesse seus bens e os repartisse com os pobres, talvez não estivesse apenas falando sobre aquilo que ele possuía.
Estava revelando aquilo que o possuía.
Pois não é a riqueza que prende o homem, mas o apego àquilo que ele chama de seu.
Aquele que possui e não reparte torna-se servo daquilo que acumulou.
Aquele que possui e sabe repartir transforma a posse em serviço.
Que valor tem o ouro diante da fome de uma criança?
Que valor tem uma grande casa quando alguém dorme sem abrigo?
Que valor tem a abundância daquele que passa diante da necessidade e fecha os olhos?
O verdadeiro tesouro não é aquilo que permanece em nossas mãos.
É aquilo que, passando por nossas mãos, devolve dignidade à vida de outro.
O homem busca a grandeza acumulando.
O sábio encontra a grandeza servindo.
Não basta conhecer a verdade.
É preciso tornar-se verdadeiro diante dela.
Não basta falar de compaixão.
É preciso agir quando a compaixão exige alguma coisa de nós.
Porque toda riqueza traz consigo uma responsabilidade.
Toda força traz um dever.
Toda vida que recebe muito é chamada a perguntar:
“Para quem será aquilo que me foi confiado?”
Talvez o ensinamento de Jesus não fosse simplesmente:
“Abandone suas riquezas.”
Talvez fosse:
Liberte-se daquilo que impede você de enxergar o outro.”
Pois quando o coração aprende a repartir, a riqueza deixa de ser senhor e torna-se instrumento.
E quando o homem deixa de viver somente para si, começa a compreender algo que os sábios de todas as eras conheceram:
A vida que não serve à vida perde o sentido de ter sido vivida.
O homem rico possuía muito.
Mas naquele encontro, Jesus mostrou que ainda lhe faltava aquilo que nenhuma riqueza poderia comprar:
um coração livre para amar.
O problema nunca foi tratar alguém com respeito. O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Chamam isso de "politicamente correto". Eu chamaria de maquiagem para um cadáver. A mesma sociedade que transforma gente em número, afoga velhos na solidão, vende infância como produto, mede amor por conveniência e dignidade por seguidores, agora quer ensinar boas maneiras. É como um açougueiro discursando sobre vegetarianismo enquanto afia a faca.
Trocaram a ética pela etiqueta.
Antes, um homem podia ser um canalha sem pedir desculpas. Hoje ele destrói vidas durante o expediente e, antes de ir para casa, publica uma frase sobre empatia. A crueldade aprendeu gramática. A hipocrisia descobriu o vocabulário da inclusão. A mentira fez faculdade.
Não é civilização. É cosmética moral.
O ser humano continua o mesmo animal assustado, egoísta, faminto por poder e aprovação. Apenas aprendeu quais palavras lhe rendem aplausos. Descobriu que é mais lucrativo parecer bom do que tentar sê-lo.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha. Ela aparece quando ninguém está olhando. Quando você pode humilhar e escolhe compreender. Quando pode esmagar e prefere estender a mão. Quando discorda sem desejar exterminar quem pensa diferente.
Todo o resto é teatro.
E o teatro sempre foi o esconderijo favorito dos covardes.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja que existam pessoas más. Pessoas más sempre existiram. O escândalo é que elas aprenderam a vestir a roupa da virtude e convenceram o mundo de que a aparência vale mais do que o caráter.
No fim das contas, não temo o homem que admite suas sombras. Temo aquele que sorri com a máscara da moral enquanto troca, silenciosamente, os valores que sustentam a condição humana por slogans convenientes.
Porque quando a ética é substituída pela aprovação coletiva, sobra apenas uma multidão educada demais para dizer a verdade e vazia demais para reconhecer a própria humanidade.
“A poesia não nasce quando encontramos palavras bonitas; nasce quando encontramos coragem para dizer aquilo que escondíamos de nós mesmos.”
— Juliana Hoffmann Liska
Falta ainda a linguagem do gosto!
Que gosto terá sua boca quando
colada na minha?
Que indizível prazer devo sentir ao te percorrer?
Que doce delírio sentir tua boca,
todo o meu corpo morder...
Falta ainda a linguagem do tato!
Como será o entrelaçar das nossas
trêmulas mãos?
O abraço tão apertado que poderemos
ouvir nossos corações,
pulsando sôfregos e descompassados
em meio a tão arrebatadoras emoções...
Falta ainda a linguagem do cheiro!
Não o cheiro da minha ou da tua
preferida colônia.
Mas o nosso cheiro, natural,
hormonal, quase animal.
Falando da premência da entrega,
assim sem nenhuma cerimônia...
Porque eu já conheço a tua voz acariciante.
Porque eu já conheço a tua
melancólica expressão.
Porque eu já conheço o seu jeito complicado sentir.
Porque eu já conheço a tua férrea razão.
Mas que presunção a minha,
eu achar que te conheço.
Não porque falte o tato, o olfato e o paladar.
Eu só poderei dizer que realmente te conheço
quando, olhos nos olhos,
a tua Alma eu puder sondar.
“Talvez a alma seja justamente aquilo que permanece quando todas as versões que criamos de nós mesmos desaparecem.”
— Juliana Hoffmann Liska
De fora para dentro,
o observador desperta.
E quando desperta,
não se contenta mais com a superfície das coisas.
Ele começa a investigar a memória da própria autoconstrução,
questiona a base dos seus valores,
o edifício do moralismo,
as projeções de objetivo, sucesso e pertencimento.
Então o desconforto jorra,
às vezes agressivo,
às vezes brutal,
porque toda consciência que amadurece
precisa encontrar a sombra antes de encontrar a paz.
E a sombra aparece com suas facetas amedrontadoras:
medos herdados, desejos negados, culpas mal nomeadas,
ambições disfarçadas de virtude,
feridas vestidas de personalidade.
A partir daí, nasce uma cegueira ao antigo e uma sede de perguntas para a vida.
O olhar fica frio, não por falta de alma,
mas por excesso de lucidez.
A realidade perde a maquiagem.
O véu de Maya cai.
E aquilo que antes parecia destino
começa a parecer condicionamento.
Mas o observador não tenta apenas ressignificar tudo.
Ele entende que algumas ruínas não pedem reforma,
pedem demolição consciente.
Então ele cria o novo.
Não um novo aprovado pelas vitrines do todo social,
não um novo domesticado pela moral dos outros,
não um novo feito para caber no aplauso alheio.
Mas um novo mais próximo do eu real,
um eu que não foge da sombra,
dialoga com ela.
Um eu que aprende a transformar desconforto em linguagem,
queda em arquitetura,
solidão em escuta,
e criatividade em afinação profunda da existência.
Porque talvez amadurecer seja isso:
deixar de decorar a cela
e começar a desenhar a chave.
O homem amadurece quando para de perguntar apenas “o que me dá prazer?” e começa a perguntar:
“Que tipo de homem nasce das recompensas que eu continuo perseguindo?”
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