Quando menos Esperava Voce Aparece
Não podemos evitar que as aves da adversidade nos sobrevoem, mas podemos, ao menos, evitar que façam ninho sobre as nossas cabeças.
Quanto mais se acumulam informações, menos se cultiva sabedoria. Informação amplia o repertório; sabedoria orienta a existência. A primeira resolve o “como”; a segunda interroga o “por quê” e o “para quê”. Pode-se saber muito e ainda assim não compreender o essencial. E é assim que o homem moderno se torna saturado de dados e carente de direção — capaz de alcançar outros planetas, mas incapaz de sustentar o que dá sentido à própria vida.
Criou-se uma agenda que ocupa tudo — menos a própria vida. O sujeito se preenche de tarefas para não se encontrar, organiza o tempo para evitar o silêncio onde algo verdadeiro poderia emergir. E, nesse excesso funcional, confunde movimento com existência: faz muito, vive pouco — até que a exaustão revela, tardiamente, que o vazio não estava na falta de atividades, mas na ausência de si entre elas.
Não sou digno de atar tuas alparcas
Me deixa ao menos a sobra da mesa.
Nas lutas, quase sempre mascaradas,
Querubins surgem como luz sendo acesa.
As feridas feitas pelo amor
Açoites transmitem os maiores aprendizados
Por nosso bem, causam até dor,
Querendo nos ver melhor preparados.
Muitos sorrisos já me enganaram,
tapas nas costas até me iludiram,
mas na hora em que as forças faltaram,
foi o momento em que dos olhos as escamas caíram.
O urso até abraça a presa.
A vítima observa da hiena o riso,
afinal, é alguma surpresa.
Cautela em quem chamamos de amigo,
porque escolhemos temos os falsos afagos,
desprezando quem diz a dura verdade?
Cuide de quem corre do seu lado,
onde ali está a consistente lealdade?
Deus, agradeço pelos meus amigos
que em cada etapa surgem como anjos.
As repreensões foram para mim como abrigos.
Retribuirei todo o amor, ainda que passem anos.
Levy Cosmo Silvaa
Ao repetir as mesmas escolhas, talvez tenhamos um longo passado pela frente. A menos que essas escolhas já não pertençam ao mesmo contexto, mas revelem o reencontro com nossos desejos, valores e propósito. Nesse caso, não se trata de repetir o passado, mas de escrever um novo capítulo da própria história.
Não vou dizer que hoje a tristeza não vem mais, porém agora, felizmente, ela é menos intensa. Eu finalmente descobri que apesar de todos os percalços e dificuldade, vale a pena viver. Há sempre um bom motivo para sorrir e acreditar.
"o nosso destino é menos determinado pela nossa vontade do que pelos desígnios dos deuses, mas acima disso, pela ousadia dos nossos inimigos".
Beleza física tem seu encanto mas dura pouco, no mais das vezes menos de cinco minutos. Gente linda mesmo é aquela que brilha por dentro, que transborda em inteligência, capacidades, caráter ou Luz - isso é graça, o resto é glacê!
Hoje o dia esteve diferente, não leve, mas com menos pesar.
Respirei sem pedir licença.
Andei sem fugir dos pensamentos.
Alguns vieram, outros cansaram de bater.
Aprendi que nem todo silêncio é vazio.
Às vezes é só descanso.
Não foi um dia bom.
Foi um dia possível.
E, honestamente, isso já é avanço.
Escolher suas lutas te torna
menos reativa
e mais consciente.
Te tira do impulso
e te coloca no comando.
Nem toda batalha merece teu sangue,
nem toda provocação merece tua voz.
Escolher é maturidade.
É saber que vencer, às vezes,
é simplesmente não entrar.
Tem gente que não foi feita pra ficar,
foi feita pra ensinar
o quanto a gente aceita menos do que merece.
Tempo.
Sinto que a cada dia que passa menos miúdo fico. Em novo pensava que "conseguir" era rápido e simples mas, sinceramente, nunca foi, não agora. Desilusão atrás de desilusão, arrependimentos, saudade... Ser jovem é lixado.
O atleta tem menos saúde que o cachaceiro? Por isso bebo! O mito não passa de um playboy mimado, chorão e covarde! Herói de tolos!
*Era outra noite no pub*
Eu ainda estava procurando um lugar que parecesse menos falso que os outros. Não necessariamente um lugar bonito. Beleza demais sempre me deixou desconfiado. Eu queria apenas um lugar onde ninguém precisasse fingir tanto.
Ela era uma das inúmeras profissionais que frequentavam o escritório. Já havíamos conversado algumas vezes. Coisas de trabalho. Horários. Processos. Café ruim. Aquele tipo de conversa que mantém duas pessoas civilizadas e completamente desconhecidas.
Naquela noite resolvemos sair.
Conhecer um pub.
Talvez conhecer um ao outro.
O segundo sempre dá mais trabalho.
Sentamos, pedimos alguma coisa e começamos pelo roteiro habitual dos primeiros encontros. Trabalho. Filmes. Música. Viagens. Relacionamentos. Pequenas biografias cuidadosamente editadas para não assustar ninguém.
As pessoas fazem isso.
Entregam uma versão resumida de si mesmas.
Como se fossem currículos emocionais.
Depois de algum tempo, a conversa cansou de ser educada.
Foi quando ela começou a falar de coisas que não cabiam no escritório.
Disse que crescera sentindo a falta de amor do pai. Não a falta física. A outra. A pior. Aquela em que o sujeito está presente, respira na mesma casa, ocupa a mesma cadeira e ainda assim parece ter feito um acordo com a própria ausência.
Depois veio o casamento.
Falido desde o começo.
Algumas relações não terminam. Apenas continuam mortas por falta de coragem dos vivos.
E havia o relacionamento mais recente.
Abuso emocional.
Ela não precisou usar muitas palavras.
Certas coisas aparecem no jeito como alguém segura o copo.
No intervalo antes de responder.
Na maneira de rir quando conta alguma coisa que ainda dói.
Eu ouvi.
Não porque soubesse o que dizer.
Eu quase nunca sei.
Também não acredito nessa obrigação moderna de oferecer uma frase bonita para cada ferida. Às vezes a melhor coisa que alguém pode fazer é não transformar a dor do outro em palestra.
Então fiquei ali.
Ouvindo.
Ao redor, o pub fazia seu trabalho habitual.
Gente bebendo para esquecer que precisava voltar para casa.
Casais se olhando como quem verifica se ainda existe alguma coisa ali.
Homens falando alto para parecerem importantes.
Mulheres rindo de coisas que provavelmente não tinham graça.
Garçons carregando copos.
Garrafas alinhadas.
Luzes baixas.
Música suficiente para impedir que o silêncio dissesse alguma coisa.
Era um lugar razoavelmente decadente.
Gostei.
A decadência, pelo menos, não costuma mentir.
Observei os rostos.
Todo mundo parecia estar tentando parecer alguma coisa.
Feliz.
Interessante.
Desejável.
Bem resolvido.
As imagens estavam por toda parte.
Nas paredes.
Nos copos.
Nas roupas.
Nas fotografias.
Nos telefones sobre as mesas.
Cada um carregava uma pequena propaganda de si mesmo.
Era curioso.
A espécie humana inventou espelhos e depois passou a acreditar neles.
Talvez seja por isso que eu goste tanto de observar pessoas quando elas não sabem que estão sendo observadas.
É quando a propaganda falha.
É quando aparece o sujeito.
Ou o que restou dele.
Ela continuou falando.
Eu continuei ouvindo.
Em algum momento percebi que aquela noite já não era sobre conhecer um pub.
Era sobre conhecer alguém além da pele.
E isso é perigoso.
A pele é uma excelente embalagem.
Esconde defeitos.
Esconde medos.
Esconde abandono.
Esconde pais ausentes.
Casamentos mortos.
Relacionamentos que transformaram carinho em controle.
Esconde quase tudo.
Até que alguém decide falar.
Então a embalagem começa a rasgar.
E você descobre que ninguém é exatamente aquilo que parece.
Nem eu.
Posso parecer um humano,
mas no fundo sou apenas notas inexoráveis,
hinos desconcertantes ao nascer do sol e muito silêncio
uma noção boba
um suspiro
uma emoção arrogante
eternidade em cativeiro, perpetuação irrepreensível
curvas, não uma única linha reta
uma contradição
uma contração tola, mas necessária
uma abstração
uma piada interna
uma risadinha sóbria
um enigma.
Talvez todos sejamos.
A diferença é que alguns aprenderam a esconder melhor.
Eu não tenho muita paciência para isso.
Nunca tive.
Talvez porque, depois de certa idade, você perceba que passar a vida inteira construindo uma imagem de si mesmo é uma maneira bastante sofisticada de morrer antes da hora.
Você começa tentando ser alguém.
Depois tenta parecer alguém.
Depois passa a defender essa aparência.
E, quando percebe, já não sabe mais onde termina o personagem e começa o sujeito.
Ela falava sobre o passado.
Eu pensava no meu.
Não havia muita diferença entre nós nesse ponto.
As histórias mudam.
A falta permanece.
Cada pessoa encontra uma maneira diferente de carregar aquilo que não recebeu.
Alguns bebem.
Alguns trabalham demais.
Alguns colecionam amantes.
Alguns colecionam dinheiro.
Alguns colecionam diplomas.
Alguns fazem discursos sobre felicidade.
Outros simplesmente ficam quietos.
Eu prefiro o silêncio.
Ele pelo menos não exige explicação.
Ficamos ali por algumas horas.
Duas pessoas tentando descobrir se havia alguma coisa além das apresentações.
Talvez houvesse.
Talvez não.
Não importa tanto.
Há encontros que não precisam terminar em romance para terem alguma importância.
Às vezes basta alguém enxergar você por alguns minutos sem pedir que você seja diferente.
Isso já é quase uma espécie de milagre.
Mas eu desconfio de milagres.
Eles costumam cobrar juros.
Quando saímos do pub, a noite continuava exatamente como antes.
A cidade não tinha aprendido nada.
As pessoas também não.
Os carros passavam.
As luzes continuavam acesas.
Alguém ria do outro lado da rua.
Alguém provavelmente chorava em algum apartamento.
Alguém estava começando um casamento.
Outro estava terminando.
Alguém dizia “eu te amo” sem saber o que aquilo significava.
Outro dizia “vai ficar tudo bem” sabendo perfeitamente que não ficaria.
E eu pensei que talvez essa fosse a grande piada.
A gente passa a vida procurando uma linha reta.
Não existe.
Existem curvas.
Desvios.
Contrações.
Recaídas.
Pequenos momentos de lucidez entre longos períodos de estupidez.
E, no meio disso tudo, chamamos a coisa de vida.
Talvez seja isso.
Uma contradição tentando respirar.
Uma emoção arrogante fingindo ter respostas.
Uma abstração andando por aí com documentos, contas, lembranças e alguma esperança mal escondida no bolso.
Uma piada interna que ninguém explicou.
Uma risadinha sóbria diante do absurdo.
Um enigma.
E talvez a parte mais amarga seja descobrir que não existe solução.
Só continuação.
A eternidade em cativeiro.
A perpetuação irrepreensível.
Você acorda.
Trabalha.
Ama mal.
É amado mal.
Perdoa quando consegue.
Machuca quando não consegue.
Bebe alguma coisa.
Escuta alguém contar uma história.
Conta a sua.
E segue.
Não porque encontrou sentido.
Mas porque, por alguma razão estúpida, ainda não acabou.
Talvez sejamos apenas isso.
Notas inexoráveis.
Alguns acordes desconcertantes ao nascer do sol.
Muito silêncio.
E uma vontade quase ridícula de continuar, mesmo sabendo que, no fim, ninguém saberá exatamente o que fomos.
Talvez nem nós.
E é aí que começa o verdadeiro problema.
Quando você finalmente fica sozinho, sem o pub, sem as imagens, sem os outros, sem a roupa social, sem a profissão, sem a história que conta sobre si mesmo, sem ninguém para confirmar que você existe...
quem sobra?
Talvez aquele seja o único encontro que realmente importa.
O resto é apenas barulho.
E talvez eu ainda esteja procurando um pub onde possa me encontrar.
No Brasil, a máfia recebeu um nome menos agressivo e intimidador! Seu endereço fica na Praça dos 3 Poderes e atende por Congresso!
utopia?
Tem dias em que acordar parece menos um começo e mais uma conferência.
Antes mesmo de levantar da cama, existe uma lista invisível esperando por ele. Não são grandes sonhos escritos em papel, nem promessas bonitas feitas para o futuro. São necessidades pequenas, quase ridículas quando colocadas lado a lado, mas que juntas dizem muito sobre quem ele se tornou.
Precisa de dinheiro. Não pelo dinheiro em si, mas pela tranquilidade que ele promete. Precisa guardar, investir, construir alguma coisa que permita olhar para a velhice sem sentir que o futuro é uma ameaça. Existe uma vontade cada vez maior de sair do lugar onde está, conhecer outro país, aprender outra língua, começar de novo em algum canto onde ninguém saiba seu nome.
Precisa ser forte também.
E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis.
Porque existe uma contradição nele que ninguém vê de primeira. Por fora, aprende a ser durão. Engole certas palavras, segura algumas vontades, finge que determinadas coisas não doem. Mas por dentro continua sendo sentimental demais. Ainda se importa. Ainda espera. Ainda sente falta. Ainda consegue transformar uma conversa pequena em alguma coisa enorme dentro da cabeça.
Precisa falar com alguém.
Não necessariamente para ser aconselhado. Às vezes, só precisa encontrar alguém que também esteja cansado de guardar coisas dentro de si. Alguém que não tenha medo do silêncio depois da conversa. Alguém que entenda que existem sentimentos que não querem solução, só companhia.
Precisa escrever também.
Talvez seja por isso que transforma tanta coisa em texto. Porque quando não consegue dizer, escreve. Quando não sabe para quem falar, escreve. Quando alguma lembrança insiste em voltar, escreve. Como se cada palavra colocada no papel fosse uma maneira de impedir que alguma parte dele desaparecesse.
Precisa de uma vitória do Palmeiras, dessas que fazem o mundo parecer menos complicado por algumas horas. Precisa de uma música certa no momento certo. Precisa de uma noite em que o celular fique virado para baixo e a cabeça finalmente fique quieta. Precisa rir de alguma coisa idiota. Precisa encontrar motivos pequenos para continuar acreditando que a vida não é feita apenas das coisas que deram errado.
Precisa cuidar da família.
Precisa cuidar de si.
Precisa ter fé, mesmo quando não entende muito bem o que está esperando.
E, principalmente, precisa de carinho.
Talvez esse seja o item mais difícil de admitir.
Porque dinheiro se procura. Trabalho se conquista. Uma passagem pode ser comprada. Um idioma pode ser aprendido. Um carro pode ser trocado. Uma cidade pode ser deixada para trás.
Mas carinho não funciona assim.
Carinho precisa vir de alguém.
E talvez por isso ainda exista, em algum canto dele, aquela pergunta que não sabe morrer, será que alguém ainda gosta dele? Será que alguma pessoa ainda pensa nele quando uma música toca? Será que alguém sente vontade de mandar uma mensagem e desiste? Será que existe alguém passando pela mesma rua, no mesmo horário, carregando uma saudade que ele desconhece?
Ele não precisa necessariamente de uma resposta.
Precisa apenas saber se ainda existe alguma coisa esperando por ele do outro lado.
E é curioso perceber que, no meio de tantos planos grandes, ele ainda se pega querendo entender coisas pequenas.
Por que o coração insiste justamente onde a razão já colocou uma placa dizendo para não entrar?
E, no fim, talvez seja essa a maior contradição da vida adulta, a gente passa anos tentando descobrir como construir um futuro, enquanto continua fazendo perguntas que parecem ter sido inventadas na infância.
Ele quer dinheiro, uma casa, uma vida em outro lugar, estabilidade, conquistas, viagens, histórias.
Mas também quer ser compreendido.
Quer alguém para conversar.
Quer alguém para amar.
Quer alguém que olhe para toda essa confusão e, em vez de perguntar por que ele é assim, simplesmente diga que entende.
Talvez seja isso que ele esteja procurando.
Não uma vida perfeita.
Só uma vida em que suas necessidades não pareçam exageradas.
Uma vida em que possa ser forte sem precisar esconder que sente.
Em que possa ir embora sem sentir que está fugindo.
Em que possa construir o futuro sem precisar abandonar tudo o que ainda sente.
E talvez, no fundo, ele tenha acordado naquela manhã apenas para descobrir que ainda precisa de muita coisa.
Mas também descobriu uma coisa importante
ainda existe vontade.
E enquanto houver vontade de conhecer o mundo, ganhar dinheiro, escrever, amar, cuidar, acreditar, viajar, torcer, recomeçar e entender por que certas coisas são proibidas sem que ninguém saiba explicar direito…
ainda existe vida acontecendo.
Mesmo que, as vezes, ela pareça apenas uma longa lista de coisas que ele ainda precisa.
“Alguns vínculos sobrevivem menos pelo amor e mais pela necessidade inconsciente de sustentar faltas antigas. Desapegar, às vezes, é interromper um ciclo e não apenas terminar uma relação.”
Dr Ederson Dantas psicanalista CBO 2515-50
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