Quando as Coisas Estao Ruins
Só nos tornamos cúmplices da vida quando dizemos – de todo coração – uma banalidade.
Quando eu morrer, consolai-vos meus caros não com o fato de que minha alma está no céu, mas de que, pela misericórdia de Deus hei de ressuscitar.
Pesadelos são tão reais que mesmo quando acordamos ainda parecem ser verdade. Sonhos bons são tão ilusórios que se desfazem como uma bolha, nos convencemos rápido de que era só imaginação. De certa forma, o mal está presente com mais intensidade e se sobressai, a realidade da dor é maior que a do prazer, e no fundo todos sabemos disso.
Me sinto muito mais em paz quando estou perto dos animais do que rodeado de pessoas. Sei que eles não me farão nenhum mal, essa certeza me conforta, o mesmo não posso dizer dos da minha espécie...
Quando não tenho inspiração suficiente para escrever um texto, um poema ou uma frase onde possa expressar o que sinto, apelo para um diário. É o último recurso que uso, já que não me agrada o tom confessional do mesmo...mas em certas ocasiões, é a unica opção.
O que eu gosto nas noites de insônia é que nelas vejo a vida que acontece quando todos dormimos, desde o canto do galo ao latido do cão, o vento soprando na janela...Tantas coisas e ao mesmo tempo nada.
Quando me lembro que pisei em campos minados e sobrevivi ileso, sinto um pavor tão grande, o pavor que no momento não senti...
Quando são crianças, vão embora da escola tomando todinho. Quando viram adultos, vão embora do trabalho tomando cerveja.
Quando algo é muito difícil, oscilamos entre o desejo de desistir e a vontade de insistir até conseguir...e no fim, ambos são válidos.
Você percebe a decadência de uma cidade quando nem o relógio e os sinos da igreja funcionam mais...
Quando conheço uma música incrivelmente boa de um cantor/banda, eu fico na dúvida se devo pesquisar outros trabalhos do artista e assim conhecer e curtir mais obras dele, ou se evito pesquisar justamente para não descobrir que já estou ouvindo a sua melhor música e que as demais não tem a mesma qualidade...oscilo entre o risco de me encantar ainda mais ou me decepcionar.
Quando em meus devaneios,
sinto-me afogar em um mar de anseios,
refugio-me na nostalgia.
Me acalma lembrar das glórias que tive, pois do porvir nada sei,
mas sei do que já fui um dia...
Quando rasgas uma foto, destróis a imagem de uma pessoa e o que ela representa. Quando quebras uma imagem, atacas a fé de alguém. Quando queimas um livro, cometes um crime imperdoável: insultas o autor, renegas o conteúdo, cospes no conhecimento, com um só gesto desprezas toda uma cultura.
Quando vou embora de algum lugar e me despeço de alguém, não desejo ver essa pessoa novamente no mesmo dia. Não gostaria que um possível reencontro anulasse o encanto da despedida.
Odeio quando procuro culpados e não os encontro, pois isto significa ter de admitir que quem errou fui eu.
Geralmente, quando nos perguntam se estamos bem respondemos que sim porquê sabemos o trabalho que daria explicar se ousar dizer o contrário...
