Professor Carlos Drumond de Andrade
Não sei quando finda
Uma ou outra estação
Mas sei que é primavera
Quando muros se cobrem
De Heras e um botão de rosa
Aparece na janela.
E minha alma ri
Porque tão logo
Estará ali.
_Saudade das horas
em que as heras violam nos muros
Todos os espaços vazios
Então, vem me traz, outra vez
a primavera!
E lá se foi o vento
da esperança
com outras lembranças
causar outros desalentos.
Esse vento que leva um tempo
não só bate as portas
fende-se janelas
e arrombam telhados
de sofrimento.
Mata a esperança
que já não é mais tão viva.
__E daí? o que se atenta?
É a vida! E tudo fica certo
depois, em seu devido lugar
onde deveria estar.
Fecham-se a abóboda
e as cortinas de um espetáculo
monossilábico, sem prosa...
Ninguém fala!
Para que?
E logo ali na casinha branca
uma rosa amarela se escancara,
linda e bela.
sem medo de nuvens,
sem temer o tempo
e o vento que talvez
um dia retornará.
ATE quando se pode esperar?
QUANDO vai ficar claro?
SE você se lesionar?
PODE querer se isolar?
ESPERAR... mostrar que ainda vale a pena...
No mais longínquo ser...
Me procuro sem parar
E nessa jornada incessante
Não sei aonde chegarei
Não sei aonde irei parar
Violei-me
As palavras são cuspidas da minha boca
Vagarosamente, empurradas para fora
Jorradas como rio em forte correnteza
Destilando da garganta pela língua.
Em um engasgar seco eu repeti
Estou dissipada, navegou no meu sangue
Me encabulou zombando de mim
Jogo na mesa quem da as cartas?
Suspense , mistério não tão mistério assim
Envergonhado pior de todos os golpes baixos ,
Essa piada o amor .
Se um ser tolo
É alguém que procura...
Nutre sentimento singelo
E ainda tratado c/ loucura
Ser tolo, é alguém que se importa?
Meu senhor...
Se ser tolo, é ser idiota
Por querer dar seu melhor
Se for querer viver c/ quem ama
Se ser idiota significa demonstrar
Tão idiota pra valorizar
Num mundo onde querem só sentir
Eu sou o maior idiota que vai existir
Por querer apenas amar... e persistir
Não faz sentido exigir que alguém sofra só porque você sofre. É cruel. Não é justo impor aos outros o que não suportamos em nós.
A arte é banalizada por aqueles que não a compreendem e é exaltada por aqueles que já estão além da compreensão
O lamento do violão
Da janela , a chuva caia
Escorria nos vidros
Dançava gota a gota
Faziam ziguezagues .
Meus olhos acompanhavam
De um lado para o outro
Tic tac, tic tac
Voltas e meia com os polegares.
Um passo um suspiro,
Declinando a cabeça
Lamentava por algo perdido
Ou simplesmente
Por não ter nada a dizer ...
Existe uma fé em mim
que dá leveza aos dias.
Ainda me encanto com a lua,
Com a sutileza da flor,
Mesmo triste sorrir,
Com a empatia e com o favor.
Quando a maldade do mundo me parecer normal, então perdi tudo serei mais um igual.
@milenafernandesde
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