Professor Carlos Drumond de Andrade

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O amigo é um segundo eu.

O insignificante presume dar-se importância maldizendo de tudo e de todos.

Arrependemo-nos raramente de falar pouco, e muito frequentemente de falar demais: máxima usada e trivial, que todo o mundo sabe e que ninguém pratica.

É tal a falibilidade dos juízos humanos, que muitas vezes os caminhos por onde esperamos chegar à felicidade conduzem-nos à miséria e à desgraça.

Há injúrias que temos de ignorar para não comprometermos a nossa honra.

Do ódio à amizade a distância é menor que do ódio à antipatia.

Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição.

As coisas maiores só devem ser ditas com simplicidade; a ênfase estraga-as. As menores precisam de ser ditas com solenidade; elas só se sustentam pelo modo de expressão, pela atitude e pelo tom.

Os pintores só devem meditar com os pincéis na mão.

Os males que não são percebidos são os mais perigosos.

A preguiça dificulta, a atividade tudo facilita.

A glória só chega àqueles que com ela sonharam.

Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido.

A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.

Muita luz deslumbra a vista, muita ciência confunde o entendimento.

Ninguém se agasta tanto do desprezo como aqueles que mais o merecem.

O rosto de uma mulher, seja qual for a sua discrição ou a importância daquilo em que se ocupa, é sempre um obstáculo ou uma razão na história da sua vida.

Os homens de pouca inteligência não sabem encarecer a própria capacidade sem rebaixar a dos outros.

A beleza não passa de uma maravilha que a natureza arma à razão.

Deus, que eu morra no palco!
Não me coroem
De rosas infecundas a agonia!